Unesp é contemplada com bolsa de doutorado para inovação do CNPq

Chamada inédita está baseada em projeto com vínculo direto do doutorando com setor privado

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A Unesp foi contemplada com dez bolsas de doutorado na chamada do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para o Programa Doutorado Acadêmico para Inovação (DAI), criado com o objetivo de fortalecer a pesquisa, o empreendedorismo e a inovação nas instituições científicas brasileiras. O resultado preliminar da chamada foi divulgado pelo CNPq nesta terça-feira (11) e a Unesp é uma das 38 instituições selecionadas para receber cotas de bolsas do programa.

Chamada de “Formação Empreendedora de Doutorandos para Aumento da Competitividade de Empresas por meio da Inovação Científica Empresarial”, a proposta da Unesp vai colocar alunos de doutorado dos programas de pós-graduação da Universidade dentro de empresas parceiras para gerar conhecimento e desenvolver produtos ou processos que ajudem na resolução de problemas práticos, objetos de estudo dos doutorandos.

Em 2018, foi a primeira vez que o CNPq abriu uma chamada desse tipo, voltada a propostas de parcerias entre instituições de ensino e pesquisa e a iniciativa privada. O programa havia sido implantado, como experiência piloto, quatro anos atrás na Universidade Federal do ABC e só neste ano foi expandido para outras instituições com a finalidade de induzir a inovação e, conseqüentemente, melhorar a competitividade empresarial e o desenvolvimento científico-tecnológico do país.

“É um novo paradigma”, afirma o professor João Lima Sant’Anna Neto, pró-reitor de pós-graduação da Unesp. “No Brasil, sempre tivemos muitas dificuldades de fazer parcerias, principalmente com o setor privado, e foi a primeira vez que, de forma institucional, a Unesp entrou em um programa desse tipo vinculado ao setor privado”, diz o docente.

João Lima Sant’Anna Neto explica que o estudante de pós-graduação que ingressar no Doutorado Acadêmico para Inovação (DAI) desenvolverá a tese sob os olhares de dois orientadores: o acadêmico, vinculado à Universidade; e um tutor, nomeado pela empresa parceira, que assumirá um papel de co-orientador da tese, já que o objeto de estudo estará diretamente relacionado à dinâmica empresarial.

“O doutorado vai ter que conciliar um trabalho de fôlego acadêmico-científico, e uma colaboração com a indústria na elaboração de processos ou de alguma forma de inovação que tenha impacto na vida daquela empresa”, diz o pró-reitor de pós-graduação da Unesp.

Ação Conjunta
O projeto da Unesp foi construído por meio de uma ação conjunta entre a Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PROPG) e a Agência Unesp de Inovação (AUIN), que tem expertise em parcerias com o setor privado e ajudou a dar robustez à proposta.

De acordo com o professor Wagner Cotroni Valenti, diretor da AUIN, o direcionamento do saber e do fazer científicos para ações mais concretas é uma tendência global, reforçada no Brasil pelo Doutorado Acadêmico para Inovação do CNPq.

“O objetivo é aproximar cada vez mais a ciência do setor produtivo”, acredita Wagner Cotroni Valenti. “Tenho observado, em termos internacionais, que está havendo uma mudança no foco da ciência porque a sociedade tem cobrado que os investimentos públicos na ciência têm sido muito altos em relação àquilo que retorna para a própria sociedade”, afirma o diretor da AUIN.

Como exemplo, Valenti cita as palavras que ouviu em uma reunião da União Europeia para a Ciência e a Tecnologia. Ao questionar o que pesava mais na hora de se avaliar um projeto, ouviu que “produtos e processos” tinham mais peso do que “artigos científicos” publicados. Ou seja, o foco da ciência para a resolução de problemas está mais forte do que nunca.

“Hoje a gente vê um esforço dos governos e das agências de fomento de colocar a ciência mais perto da sociedade e aí é que eu acho que entra esse programa do CNPq”, afirma o diretor da Agência Unesp de Inovação. “O que se espera atualmente é que o pesquisador faça ciência de alto nível e não deixe para que a aplicação (da ciência produzida) seja feita por outras pessoas. Ele precisa fazer ciência de alto nível, precisa publicar e, além disso, gerar produtos e processos ou algum conhecimento que seja utilizado pela sociedade”, resume Wagner Cotroni Valenti.


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