Todo dia o padeiro faz o pão

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Projeto verão, projeto carnaval, projeto praia, projeto férias. Seja qual for o planejamento nunca consegui fazer dieta na vida, um metabolismo que favorece e uma paixão por comidas leves e saudáveis também ajudam. Mas tem um item do cardápio que eu sinceramente não consigo viver sem: pão! Pode ser de qualquer tipo, mas aquele pão francês quentinho perfuma e dá fome até mesmo nos narizes mais distraídos. E sim, é um dos cheiros que mais gosto no dia a dia, cheiro de pão quentinho, mesmo se for ‘dormido’, tenho zero enjoamento quando o assunto é pão.

Mas se você estiver passeando por Paris e bater aquela vontade danada de comer um pãozinho francês pela manhã, não ouse entrar em qualquer padaria local e pedir ‘un pain français’, o máximo que vai conseguir é sair de lá com uma baguete embaixo do braço. Nosso pãozinho tão tradicional é desconhecido pelos franceses, ele só foi batizado com esse nome assim como o arroz à grega que também não veio da Grécia. E pelo Brasil você também o encontra por diversos nomes: pãozinho em São Paulo, pão massa grossa no maranhão, cacetinho no Rio Grande do Sul, pão aguado na Paraíba, pão de sal ou carioquinha no Ceará, entre outros, sendo que o mais popular é Pão Francês.

No inicio do século XIX o pão mais popular na França tinha o miolo duro e a casca dourada, era pequeno e tinha formato cilíndrico, um verdadeiro precursor da baguete do século XX. Já no Brasil, o comum era um pão com miolo e cascas escuros, uma versão brasileira do pão italiano trazido pelos colonizadores.  A expressão pão francês foi largamente utilizada pelos espanhóis e ingleses durante os séculos 18 e 19 para designar um produto feito com um tipo de farinha desenvolvida pelos franceses. Foram eles que descascaram, moeram e refinaram o trigo escuro e integral e com isso obtiveram um pão de casca crocante e massa clara (fazendo com que esse vício tornasse parte da nossa vida para sempre). Esse ingrediente requintado e caro tornou-se alvo de cobiça entre os padeiros da nobreza. Com a vinda da família real portuguesa para as terras brasileiras, veio também esses produtos para a preparação do pão já que aqui se consumiam produtos feitos com farinha de mandioca e seus derivados. Mas quando a elite brasileira viajou para Paris, por volta da Primeira Guerra Mundial, e voltou descrevendo o pãozinho para seus padeiros, que faziam o possível para reproduzir a receita pela descrição originou-se nosso amado pãozinho, que difere bastante da sua inspiração europeia.

Cada povo tem orgulho do seu receituário de pães, afinal os processos de fermentação desse alimento são utilizados desde 2000 aC. No Egito antigo, o pão servia para pagar salários, cada dia de trabalho valia três pães e dois copos grandes de cerveja. Acredita-se também que as primeiras padarias tenham surgido no Egito e de lá foi exportada para outros lugares. Para os cristãos o pão simboliza o corpo de Cristo, na oração do Pai-Nosso é pedido a Deus ‘o pão nosso de cada dia nos daí hoje’. O maior consumidor de pães do mundo, nos dias de hoje, é a Rússia, são consumidos 120 quilos por pessoa a cada ano. O segundo maior é o Chile, com 93 quilos por pessoa.

Hoje em dia, sua receita básica é feita de farinha, fermento, água e sal, seu gosto neutro é capaz de receber dos sabores mais básicos aos mais acentuados. Uma ótima maneira de conservar seus sabores e crocância é armanezando-o em um saco plástico e colocando-o no freezer. Quando for consumir basta esquentá-lo no forno. Fica maravilhoso e perfumado. E nada como começar o dia com aquele cheirinho de café fresco e pão quentinho com manteiga!

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.​


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