Rompendo barreiras

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O mundo está em constante mudança e evolução, evolução essa que se faz necessária em todos os aspectos e áreas das nossas vidas, porém que dificilmente conseguimos acompanhar a sua rapidez, principalmente quando se trata de tecnologia que mudou nosso modo de viver em todos os aspectos. E por mais que pareça que essa tecnologia nos propicia inúmeras escolhas, na verdade ela nos faz ter múltiplas renúncias de grandes e pequenas coisas.

O incrível é pensar em como ela está substituindo o trabalho humano e realmente ajudando a criar novas possibilidades para áreas que, por muitas vezes, já se imaginava ser difícil de inovar. Como o ramo da perfumaria, por exemplo. Foi pensando nisso, que a empresa brasileira O Boticário, uma das maiores redes de cosméticos do mundo, se juntou com a Symrise (uma das maiores casas de fragrâncias do mundo) e a IBM Research para criar as primeiras fragrâncias do mundo desenvolvidas com a ajuda de inteligência artificial. Foi a junção perfeita da ‘antiquada’ alquimia dos perfumes com a mais avançada tecnologia, aquela combinação exata de emoção (o nariz do homem) e automatização (o cérebro do sistema). O briefing para esse projeto era até que bem simples: a criação de um produto para quem gosta de aproveitar a vida ao máximo (focado na geração millennial), que gosta de praticar esportes, não tem medo de correr riscos, e quer ser livre para fazer suas próprias escolhas, e que tivesse a ver com o consumidor brasileiro e sua latinidade.

Assim, a Symrise, usou a Phylira (tecnologia criada pela IBM), um tipo de inteligência artificial que usa algorítimos de aprendizado automático para examinar milhões de fórmulas e ingredientes de forma a identificar padrões e novas combinações. O resultado? Nada menos que duas combinações bem inusitadas, um mix de: flores, frutas, notas doces, especiarias, madeiras e até mesmo pepino. Fórmulas que surpreenderam até mesmo os perfumistas experientes da equipe e que só precisaram de pequenos ajustes para ficar completamente perfeitas.

Esse incrível processo com certeza deve estar chegando ao mundo cosmético para ficar, ele otimiza o tempo de criação que costumava ser de pelo menos 3 anos, permitindo que as equipes de marketing e P&D se dediquem muito mais às combinações finais, concluindo a fragrância em tempo recorde. É a combinação perfeita entre qualidade e consumidores ansiosos por novidades.

Obviamente que essa máquina (ainda) não consegue ter a percepção do olfato, mas ao contrário do cérebro humano ela consegue gravar rapidamente milhões de fórmulas e matérias primas e concomitantemente ajustar tudo isso ao gosto do consumidor. O perfumista então será o ‘controle de qualidade’ nesse caso, e finalizará as criações dando mais personalidade. Estamos começando a viver a era de que os limites da perfumaria estão sendo ultrapassados, a última grande mudança nessa área foi emno final do século 19 com a introdução de matérias primas sintéticas nas paletas dos perfumistas. Essa será a nova fronteira a ser cruzada pelas grandes casas de perfumaria. Preparam-se para um novo mundo de fragrâncias surpreendentes!


*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.