Quando duas paixões se encontram

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O mundo da perfumaria abrange vários detalhes, assim como outros ramos, e é por isso que em algum ponto eles acabam tendo suas semelhanças. Nesse caso, onde poderia se unir os perfumes e os vinhos? Talvez nas notas olfativas, no processo criativo, talvez na cor, rótulo, e principalmente nos frascos que guardam tão adoradas criações que poderiam ter uma lista de semelhanças. E foi assim, nos acasos que um perfumista francês se encantou por um vinho brasileiro e resolveu criar uma embalagem especial para ele, um semi-cristal vindo diretamente de uma pequena comunidade de aproximadamente 2.000 habitantes na França, chamada de Feuquières. A empresa, uma das maiores do ramo, especializada em garrafas para bebidas e vidros para perfumes, se chama Saver Glass. A garrafa é linda, em formato quadrado, que não só pode como deve ser reutilizada depois do vinho degustado, foi batizada com o nome de Fedji.

O vinho é um o segundo mais vendido da vinícola de São Joaquim - SC (cerca de 30 mil garrafas ao ano) e um dos mais vendidos e famosos no país. Número um nas escolhas dos clientes e hóspedes dos grandes Fasano e Copacabana Palace. Ele não tem um nome específico, é conhecido como o Rosé da Villa Francioni, que é o nome da vinícola catarinense, ou então VF Rosé. Sua primeira safra foi produzida em 2005, um misto de 8 uvas tintas: Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Sangiovese, Syrah, Petit Verdot e Pinot Noir. Possui um aroma de frutas como romã, pêssego e goiaba com um floral que lembra rosas, avivados por um leve toque cítrico. Uma cor salmão claro que encanta o olhar, e um paladar leve que agrada até mesmo os mais críticos. Cada variedade é fermentada individualmente em tanques de aço inoxidável em baixa temperatura, produzindo vinhos em garrafas de 750ml, 1.750ml e 3L. Não tem como não dizer que é quase uma joia, com tamanho cuidado em que cada etapa é feita.

Mas apesar dos seus já diversos prêmios conquistados, inclusive como o melhor rose do Brasil em uma degustação às cegas, em 2013 pela Folha de S.Paulo, ele se tornou famoso e ‘queridinho’ depois da passagem da cantora Madonna pelo Brasil em 2009. Que durante uma refeição, pediu uma sugestão de vinho rosé ao sommelier Manuel Beato, do Grupo Fasano. Mas por orientação de um colega, ele sugeriu um vinho importado. Como ela havia gostado muito da sugestão, pediu uma segunda, e ele arriscou o VF Rosé. Já no primeiro gole ela perguntou ao sommelier onde poderia comprar mais daquele vinho para que pudesse levar para casa. E foi assim que ele se tornou não somente cobiçado pela qualidade e design, como também por ser intitulado como o vinho da Madonna, já que a cantora fez questão de levar várias garrafas consigo.

Só ficamos esperando para mais perfumistas se apaixonarem por mais vinhos e criarem garrafas tão incríveis quanto essa para podermos apreciar e colecionar, assim como os frascos magníficos dos perfumes.


*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.​