O patinho feio

Postado em:

agressao​Há alguns dias atrás estava brincando com meu sobrinho e fomos escolher livros para ler, uma das coisas que ele mais gosta de fazer. O escolhido foi o do Patinho Feio, uma historinha pela qual eu tenho um grande amor, pois foi meu primeiro papel principal no ballet com direito a solo no municipal ao som de lago dos cisnes. Assim sentamos pertinho um do outro e comecei a contar aquela tão querida história, e logo no comecinho, na frase em que dizia exatamente com essas palavras que ‘assim que nasceram, o irmão que era diferente foi humilhado’, e na imagem do livro aparecia um patinho cinza no meio de um monte de patinhos amarelos.

Da sabedoria e ingenuidade de uma criança de 3 anos que está cursando o maternal 1, e com a qual eu aprendo todos os dias, eu escutei: “Mas titi, ele não é diferente. Olha, ele só é de outra cor”. Ele tinha razão, a figura mostrava um patinho completamente igual, apenas diferente pela sua cor, e assim ele emendou: “Todo mundo é diferente, não podem brigar com ele”. Nessa hora eu me peguei pensando no que responder e só consegui dizer: “É isso mesmo, Fer!”. E é só nessa história que consigo pensar nessa semana de eleição, em como as crianças nascem como livros em branco e acabam sendo ensinadas por aquilo que fazemos e dizemos, e quanta responsabilidade temos sobre isso. Vivo repetindo, que se às vezes eu ensinar algo que seja errado para ele, ele vai tomar aquilo como certo para a vida. E elas serão o nosso futuro, e isso é muito importante sim!

E faltando apenas 4 dias para uma das eleições mais esperadas pela história desse país, eu olho para os lados e só vejo patinhos amarelos humilhando patinhos cinzas pelas suas escolhas. O perfume do respeito está passando bem longe dos nossos narizes. Vejo pessoas que de certa forma agridem os outros, mesmo talvez sem perceber (o que desacredito, por estarem cegas por alguma obsessão política ou até mesmo religiosa), se magoarem quando escutam algo em resposta ao que elas mesmas estão fazendo maltratando as outras. Ou simplesmente, por acharem a sua opinião mais certa que dos outros, xingarem e dizerem coisas horríveis! Talvez se respeitássemos mais os ‘patinhos feios’, aqueles que não pensam como nós, sem tentar ‘enfiar guela abaixo’ a sua opinião, teríamos uma eleição mais justa, mais perfumada, mais bonita e mais próspera. Nessa época de redes sociais, extremismo e línguas soltas os laços se desfazem amizades e até mesmo familiares se perdem no caminho, por simplesmente a falta de respeito. Eu vivi isso por muito tempo na vida de muito perto, e me deixa horrorizada que ainda aconteça.

Que o resultado seja o melhor para o nosso futuro, e que esse futuro tenha menos patinhos amarelos e mais patinhos feios cinzas que se transformem em cisnes!

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.