​Feliz Natal (só para nós)

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Nas muitas mensagens de Natal recebidas por esta coluna, várias utilizam a oportunidade para comentar a situação. Há uma queixa que se repete: por que só se fala nos filhos de Lula, não nos de Bolsonaro? Ou, por que só se fala em Flávio Bolsonaro e não em Lulinha e seus irmãos? A dúvida tem seus motivos: em geral, acham que qualquer crítica aos adversários é amena, frouxa e pouca, e aos seus ídolos é ácida, maldosa e excessiva. Pesquisar no Google se isso é verdade, nem pensar: para que, se todos já têm opinião?

Há também o curioso detalhe da quantificação do dinheiro envolvido no caso: por que incomodar Flávio Bolsonaro por poucos milhões – nenhuma acusação chega sequer a uma dezena – quando se fala em muitos milhões na Gamecorp, de Lulinha? Simples: porque, caso as acusações sejam corretas, um crime foi cometido. O que varia é o valor, não a transgressão da lei. Talvez uma transgressão mais substanciosa provoque pena maior, mas o desvio de bilhões ou de milhões é crime do mesmo jeito.

Há casos estranhos: o caso Flávio Bolsonaro, ocorrido quando era deputado estadual no Rio, anda mais rápido do que o mesmo rachid de que é acusado o atual presidente da mesma Assembleia, e que é dezenas de vezes maior. Mas isso não inocenta um – apenas exige mais rigor no caso do outro.

Viver num país polarizado é como enfrentar briga de crianças: eu sou, mas você também é. Políticos dizendo isso, vá lá. Mas o eleitor segui-los?

Questão de...

O presidente do STF, ministro Dias Toffoli, é criticado por ter viajado de jatinho da FAB, a trabalho. Mas dali seguiu de carro para um hotel-resort, onde ficaria alguns dias. A volta a Brasília, claro, é de jatinho da FAB. Já outras vezes foi criticado por usar a FAB em atividades não oficiais.

Certo ou errado? Nenhum dos dois: apenas inevitável. No clima belicoso que se vive no Brasil, poderia o presidente do STF tomar um avião de carreira sem ser incomodado por passageiros mal-educados que confundem o direito de crítica com a agressão verbal? Uma coisa é falar mal do ministro com o vizinho de poltrona; outra é gritar insultos e gravá-los para as redes sociais.

...educação

Ninguém, mesmo que esteja errado, pode ficar à mercê de achincalhe público – que, a propósito, incomoda também outros passageiros, que queiram tranquilidade, não xingamentos. Os achincalhadores desafiam a lei. E cabe à Polícia Federal enquadrá-los para que não haja mais abusos a bordo.

Por que caiu?

O presidente Bolsonaro, ainda bem, nada sofreu com o tombo que levou na noite do dia 23, no Palácio da Alvorada. Fez todos os exames, inclusive o de imagem, e está bem. Mas há uma pergunta que não foi respondida: qual a causa da queda? Foi um escorregão, um tropeço? O assunto está encerrado. Mas, se caiu por outra causa – como um mal-estar – é preciso ir mais longe nas investigações. É preciso ter certeza de que o presidente está em forma.

A propósito, Bolsonaro disse que poderia estar com câncer de pele. No dia seguinte, disse que não tinha nada e culpou a imprensa pela “notícia falsa”. Afinal, qual a verdade? A saúde do presidente é de interesse nacional.

É excelente ser excelência

A informação foi apurada pelo jornalista Cláudio Humberto, do Diário do Poder (www.diariodopoder.com.br). Além do salário de quase R$ 34 mil mensais, deputados e vereadores cobraram do Congresso a reposição de despesas que dizem ter tido “com o exercício do mandato”. Com nota, vale até aluguel de jatinho (e, como lembra Cláudio Humberto, valeu para o deputado Afonso Motta, do PDT gaúcho, ser ressarcido de R$ 0,50 gastos com um pão de queijo). A Câmara devolve cerca de R$ 3,9 milhões por ano para cada deputado – são 531. O Senado devolve R$ 2,78 milhões anuais para cada um dos 81 senadores. Despesas, para eles, não são preocupação.

Paipai bravo

O acionista majoritário da Odebrecht, Emílio Odebrecht, demitiu por justa causa seu filho Marcelo, “o príncipe dos empreiteiros”, por fazer comentários depreciativos em público sobre a empresa da qual foi, até há pouco tempo, quando foi para a cadeia, o principal executivo. Lembra um caso ocorrido há anos, quando Clemente de Faria, dono do Banco da Lavoura de Minas Gerais, morreu. Aluísio Faria, o filho mais velho, herdou a gestão, e Gilberto, o mais novo, ficou como diretor. Um dia, Gilberto processou o banco por não cumprir, em seu caso, as obrigações trabalhistas. E Aluísio o demitiu por justa causa. Final: o juiz do Trabalho condenou os dois, alegando que ambos disputavam o controle acionário do banco e que isso nada tinha a ver com questões trabalhistas. O caso Odebrecht pode acabar desse jeito.

O vice

Depois de Mourão, Bolsonaro quer Moro de vice. Ainda bem que não pode disputar um terceiro mandato, ou acabaria tendo Mourinho na vice.

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Twitter: @CarlosBrickmann


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