Fábrica em Brodowski produz máscaras com tecido que elimina o covid-19

Para enfrentar crise da pandemia, empresa dedicou 50% da operação à fabricação do acessório de proteção

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Após ter os pedidos para a confecção de cuecas praticamente zerados no fim do primeiro trimestre, uma fábrica em Brodowski recuperou boa parte do fluxo de encomendas com uma mudança na linha de produção. 

Ao invés de roupas íntimas masculinas, a empresa passou a produzir máscaras.

O item de segurança ainda utiliza como matéria-prima uma novidade: um tecido com nanopartículas de prata e sílica, capaz de eliminar o novo coronavírus em dois minutos.

A tecnologia foi desenvolvida por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em parceria com a empresa de tecnologia Nanox, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

“O pessoal que quer ficar bem protegido com certeza vai querer. Futuramente, quem sabe a gente mude de vez o rumo [de atuação]”, diz a empresária Madalena Martins.

Mudança de estratégia​


A fábrica de cuecas atua há 25 anos no mercado. Em março, todos os pedidos programados foram cancelados como resultado do fechamento de lojas de vestuário em todo o país por causa da pandemia. 

Segundo Madalena, as atividades foram totalmente paralisadas por uma semana.

“Foram noites sem dormir, muito preocupante. Ficamos uma semana fechados, 100% zerados. O que vamos fazer? Buscamos, pensamos, aí veio a ideia de fazer EPIs para a área de saúde, aventais descartáveis, toucas”, afirma.

A modificação na produção causou insegurança e a queda de faturamento levou à demissão de 27 dos 80 trabalhadores. 

O empresário Eliseu Martins diz que, no início, houve dificuldades para a nova produção, uma vez que os funcionários que foram mantidos tiveram que ser treinados para a atividade.

“Hoje, um funcionário tem uma produção muito alta de cuecas. É tudo máquina eletrônica e as máscaras são bem mais lentas. É uma atividade bem diferente”, diz.

Mas a aposta acabou surtindo efeito e, na segunda quinzena de junho, a produção da empresa já estava em 50% do total produzido no mês março. Atualmente, metade das peças fabricadas é de máscaras e o volume chega a cinco mil peças por dia.

Tecido tecnológico​


Os pesquisadores ainda devem estudar a duração do efeito antiviral do tecido, já que no caso da ação antibacteriana e fungicida a propriedade dura em torno de 30 lavagens. 

O custo de produção do material especial para um normal é 5% maior. Uma tecelagem em Sorocaba (SP) é responsável pela fabricação.

Segundo o pesquisador e professor do Instituto de Química da UFSCar Elson Longo, os cientistas já sabiam que as nanopartículas eram capazes de matar fungos e bactérias e, agora, descobriram também a eficiência no combate à Covid-19.

“Esse composto matou 99,9% do coronavírus e a vantagem deste produto é que ele tem durabilidade de dois anos, aguenta pressão e aguenta temperatura”, explica Longo.

O diretor de tecnologia da Nanox, Gustavo Simões, afirma que o composto provoca uma reação química que produz um tipo de água oxigenada, capaz de eliminar o vírus.



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