Doentes: provocações

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Bombas atômicas... Bombas anônimas... canos vomitando balas a tirar vidas... Atirar!!! Pare!!! Dispare!!! Não pense. O alvo? A sociedade doente... o cidadão demente... o idealista... o ativista... o arrivista... o altruísta... os sem terra, os sem teto, os sem moral, os sem saco, os sem complacência, os sem inocência, os sem consciência. Os que não leem poesia, os que não obedecem a nenhum guia, os que não fazem parte da manada, os supostos inteligentes.... os sem nada. Os políticos... os paralíticos... os altos executivos... os investidores competitivos. Os que escrevem a história... os trouxas... os tapados, os transviados, os subversivos, os desvalidos, os sem memória. Os que desprezam a vida, os que não têm comida, os fetichistas, os fratricidas, os parricidas... Os que trapaceiam, os que incendeiam, os que bobeiam, os que não fazem parte do show, os revoltados que destilam seu veneno nas letras do Rock n' Roll...

Nessa sociedade descrente, dúvidas frequentes são desferidas como tapas em bocas sem dentes: Quem, na verdade, é o terrorista? Quem atravessa o caminho, quem bloqueia a entrada, quem explode a estrada, quem blasfema sozinho? Quem espalha o terror? Quem fomenta o horror? O que cegamente puxa o gatilho ou o que manda matar líderes para apagar o seu brilho? O que se refestela na praga do fanatismo ou o que assassina pessoas para implodir o capitalismo? O que está do lado de lá ou o que está do lado de cá? A esquerda ou a direita? A democracia manipulada ou a ditadura pseudo-humanizada? Osama Bin Bush ou George Bush Laden? O que assalta sempre apoiado por uma gangue ou policiais banhando as ruas de sangue? Os que transformam torcidas em grupos paramilitares ou torcedores abobalhados sendo humilhados aos milhares? Os que colaboram com as tragédias ou os que não riem nas comédias? Os assexuados que batem em homossexuais ou supostos defensores dos homossexuais que batem em quem não aceita suas posições radicais?

Nesse mundo doente, outras dúvidas indecentes escapam de bocas frementes: Como se acaba com vidas? Usando uma bala endereçada ou uma bala perdida? Obstruindo a liberdade ou distorcendo a realidade? Manuseando a palavra ou enganando quem lavra? Esfaqueando por causa de um boné ou obrigando os movimentos sociais a dar marcha a ré? Invadindo países cujos exércitos covardes fogem em desabalada carreira ou corrompendo governantes sem eira nem beira? Escravizando pequenos trabalhadores ou impedindo o acesso aos livros aos jovens leitores? Portando, para intimidar, pomposas carabinas ou estuprando, sem nenhuma culpa, incontáveis meninas? Construindo um muro que subtraia a visão ou fazendo um buraco no futuro de uma geração? Derrubando com armas aladas as Torres Gêmeas ou desassistindo com falsas promessas as pessoas ingênuas? Invadindo favelas a bordo de um caveirão ou subindo vielas carregando metralhadoras na mão? A polícia estourando bocas de fumo para pegar drogados e seus mentores ou a própria polícia assumindo no morro o papel do estado escondendo-se atrás de delitos e favores?

Assim funcionam as sociedades doentes: eleitores dementes, governos inconsequentes, policiais incompetentes, leis incongruentes. Justiça para os pobres, impunidade para os nobres, juízes subornáveis, sentenças contestáveis. Saúde precária, falta de uma medicina sanitária, pacientes amontoados em corredores, falta de preparo dos gestores. Bisturis amputando a vida dos meus e dos seus; médicos, contra toda ética, obrigados a brincar de deus. Remédios adulterados, hospitais sucateados, enfermeiros despreparados, farmacêuticos mal formados. Escolas decrépitas, metodologias caquéticas. Epidemia de educadores deseducados, pandemia de professores incapacitados. O estado lhes paga vergonhosos salários de fome que a metade do mês desafortunadamente consome. Alunos violentos convivendo com seus algozes em ambientes pestilentos. Otoridades a bordo de discursos viciados empurrando goela abaixo de pesquisadores sistemas há muito ultrapassados. O capital cria diferenças abissais, pois trata seres humanos como se fossem animais.

O estômago revolto do capitalismo pare párias, sem pátria, sem identidade nem visibilidade. Seres manipulados como cartas no jogo de baralho, não são cidadãos, mas penas números na carteira de trabalho. Não estão nas estatísticas sem nexo deixadas nas gavetas de órgãos públicos aos quais o público não tem acesso. O capital vomita um exército de homens indizíveis, sem propriedade nem nome, cujos braços não servem para abraços, apenas para o trabalho escravo nas lavouras, produzindo alimentos cheios de defensivos que não os defende da praga da fome. Os ecologistas veem nosso modelo de desenvolvimento atrelado ao consumismo, como a regra fundamental que joga o futuro do nosso planeta na beira do abismo. As hiper potências impedem as pobres de crescer e se manter. A fome é um grande instrumento de dominação e solitário direito dos ricos ao monopólio do pão: Prazer que é de um só, não é prazer. É estupro, egoísmo ou puro dever.


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