​De 15 em 15 anos, o Brasil esquece do que aconteceu nos últimos 15 anos

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(Ivan Lessa).

(O Boca do Inferno - direto do centro do centro da política)

Para quem não sabe ou não se lembra, Ivan Lessa foi um jornalista polêmico, instigante, sarcástico, um dos grandes a criar o jornal O Pasquim. Seus comentários eram ácidos.
Lembrei-me dessa frase dele, ao ler neste domingo a coluna da deputada Tabata Amaral do PDT na Folha de São Paulo. A combativa deputada que, por sinal, demonstra que a juventude não está perdida, ainda se interessa por política. Saiu-se bem nos raros momentos em que Pedro Bial lhe fez perguntas relevantes no programa Conversa com Bial. Advinda de uma classe média, estudante bolsista em um escola particular, impressionou-me positivamente também ao encostar a ministra Damares Alves na parede, ao se valer de um discurso articulado, baseado nas suas experiências, cheio de posições muito claras e argumentos inteligentes. Vê-se nela o que se convencionou chamar de emponderamento. O Brasil adora uma convenção e ainda mais uma palavra "noiva" para habitar discursos modernosos.
No artigo, ao qual me refiro, impressionou-me mal. A jovem deputada repetiu antigos jargões e se perdeu em expressões vazias, como "partido de centro-esquerda" (divertido isso, pois há a centro-direita e o centrão, falta o centro-centro), "velha política" (qual é a nova? Todos os salvadores da pátria repetiram esse jargão e continuamos exatamente onde sempre estivemos), "convicções sociais", "crescimento sustentável", "esquerda inflexível" (estamos ainda na conversa fiada de rotulagens? Então, quer dizer que há uma direita flexível? Então, o centrão é flexível quanto à distribuição de cargos e verbas?).
Só concordei com a jovem deputada, quando ela afirmou que o Brasil precisa de uma "reforma" (detesto essa palavra, porque traz a ideia do velho com botox) "política" (temos partidos?) "urgente". 
Não me importa se o indivíduo é de esquerda ou direita. Chamar o indivíduo de petralha ou de bolsominion nos fez sair do lugar ou só estimulou o confronto)? Importa-me que ele tenha o mínimo de "SENSO" para defender suas posições. Todo conflito interessa a alguém que está de fora rindo. Neste caso, interessa a quem?
Abismou-me a deputada cair na lábia de que a "REFORMA DA PREVIDÊNCIA" ajudará a resolver os gaves problemas que o país enfrenta (esta reforma cria distorções ainda maiores. Muita gente a defendeu em passeatas sem saber do que se tratava. Quando descobriu o estrago que os tentáculos do monstrengo, tentou voltar, mas já era tarde). O Ministro da Economia se arrepia ao tocar no imposto sobre grandes fortunas (até porque Paulo Guedes não é exatamente pobre), corte de privilégios do legislativo e do executivo (isso provocaria superlotação de enfartados nos hospitais de Brasília), a partir de ontem. Perceberam que no momento de votar os pontos de destaque da reforma, o congresso entrou em recesso? Não? Rodrigo Maia rapidinho tirou o dele da reta, porque sabe o que vem por aí. Então, esperem os congressistas voltarem oficialmente e verão. Muitos não voltaram para casa, continuam nas sombras de Brasília negociando verbas e cargos. 
Torço deputada para que a razão seja maior que a sedução. Cuidado, quando políticos consideram qualquer político noiva.


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