Queda nas obras do setor público e na infraestrutura afetam área de construção

Adiamento de investimentos públicos está afetando de forma grave o setor de construção e infraestrutura

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A atividade da construção civil em Franca também sofre com o período de quarentena  do coronavirus. A redução de frentes de trabalho foi significativa, podendo ter atingido perto de 45% dos empreendimentos.

Mesmo assim, os trabalhadores da construção civil de Franca buscam se recompor, o que tem sido difícil por conta do fechamento das lojas e empresas.

Em algumas obras os trabalhos estão ocorrendo numa média de 2 a 3 dias semanais, diferente do autônomo que tem fechamento direto com o empregador. 

Jaime Plácido Barbosa, presidente do Sinduscon – Sindicato da Construção Civil de Franca e região, realizou na última segunda-feira convenção salarial da categoria e busca estabelecer uma média na região. 

Porém, a situação que o país atravessa também desestabilizou a construção civil.

O IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas – lançou os dados do setor nessa semana. 

E a atividade da construção gerou R$ 278,0 bilhões em valor de incorporações, obras e/ou serviços da construção em 2018, sendo R$ 264,4 bilhões em obras e/ou serviços para construção (95,1%) e R$ 13,6 bilhões em incorporações.

Os dados da Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC 2018) mostram que houve perda na participação das obras de infraestrutura no valor da atividade entre 2009 e 2018, de 46,5% para 31,3%. 

Já o segmento de construção de edifícios avançou de 39,5% para 45,5% nessa comparação, ocupando o primeiro lugar neste ranking. 

Por fim, serviços especializados para construção aumentou a participação em 9,2 pontos percentuais, passando de 14% para 23,2%.

O setor público perdeu representatividade como cliente da indústria da construção, com queda de 12,5 % nos últimos dez anos (de 43,2% para 30,7%) em três segmentos: 

Obras de infraestrutura, passando de 61,5% para 50,4%; Construção de edifícios, caindo 6,7 %, de 28,6% para 21,9%; e os Serviços especializados para construção, de 20,4% para 19,3%.

O setor de construção englobava 124,5 mil empresas ativas ao final de 2018, indicando crescimento em relação a 2009, quando havia 63.829 empresas. 

Tomando como referência o período mais recente, entre 2015 e 2018, o setor perdeu cerca de 6,8 mil empresas, uma redução de 5,2%. Entre 2017 e 2018, a Indústria da construção perdeu 1.736 empresas, ou -1,37%.

Em 2018, as empresas da construção ocupavam 1,9 milhão de pessoas, contingente 9,0% menor do que em 2009 (2,1 milhões). Nesse período, esse setor perdeu cerca de 183,8 mil postos de trabalho. 

No período, o auge da ocupação no setor ocorreu em 2013, com cerca de 2,968 milhões de trabalhadores. Desse momento até 2018, a perda de postos de trabalho chegou a 1,1 milhão. 

Entre 2017 e 2018, a Indústria da construção perdeu 31.502 postos de trabalho, o equivalente a -1,66%.

Entre 2009 e 2018, a média de pessoal ocupado nessas empresas caiu de 33 para 15 pessoas, e o salário médio mensal passou de 2,6 para 2,3 salários mínimos.

Todos os segmentos tiveram queda na média de pessoal ocupado. O segmento que mais perdeu participação no emprego entre 2009 e 2018 foi de obras de infraestrutura, que tinha o maior porte médio (de 92 para 43) e a maior média salarial (de 3,4 para 2,8 salários mínimos).

Construção de edifícios 

Os três setores da indústria da construção contribuíram, em 2018, com os seguintes montantes em valor de incorporações, obras e/ou serviços da construção: 

1) - Construção de edifícios (R$ 126,6 bilhões), 

2) - Obras de infraestrutura (R$ 87,0 bilhões) 

3) - Serviços especializados para construção (R$ 64,4 bilhões).

A principal mudança estrutural verificada no período foi a perda de espaço das Obras de infraestrutura, cuja participação passou de 46,5% em 2009 para 31,3% em 2018. 

Esta perda de relevância foi compensada pelo avanço do segmento de construção de edifícios, que passou a compor 45,5% do valor de incorporações, obras e/ou serviços da construção em 2018, ocupando o primeiro lugar neste ranking. 

O segmento de Serviços especializados para construção ficou na terceira colocação, mas foi o que mais ganhou participação ao longo da década, com incremento de 9,2%., passando de 14% para 23,2%.

Além disso, a participação do setor público na indústria da construção caiu 12,5% no período, saindo de 43,2% em 2009 para 30,7% em 2018. 

O segmento de obras de infraestrutura, que sempre contou com uma participação significativa do setor público, teve a queda mais acentuada, passando de 61,5% para 50,4%, no período. 

Já a participação do segmento de construção de edifícios recuou de 28,6% para 21,9%, o que colocou esta atividade num patamar próximo ao de serviços especializados para construção (19,3%), que caiu apenas 1,1% no período.

POSTOS DE TRABALHO 

Os resultados da PAIC 2018 sugerem que o contexto de instabilidade econômica e institucional iniciado em 2015 não foi plenamente superado pela indústria da construção.

Além disso, o setor ainda sofreu as consequências dessa conjuntura negativa, o que levou ao adiamento de decisões de investimento e ao cancelamento de grandes projetos.

As empresas da construção empregavam um total de 1.869.592 pessoas ao fim de 2018, contingente cerca de 9,0% menor do que em 2009 (2.053.443). Nesse período, o setor perdeu cerca de 183,8 mil postos de trabalho, ou seja, quase 10%


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