Com alta de 32%, região acumula produção de 25 bilhões de litros de etanol

Apesar da maior oferta, o etanol passou a custar mais caro nos postos em setembro, batendo a casa de R$ 2,79

Postado em: em Agronegócios

As usinas da região Centro-Sul do país acumularam, de abril a setembro, uma produção total de 25,1 bilhões de litros de etanol, valor 2,71% maior na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pela União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).

O retrospecto foi impulsionado pela segunda quinzena do mês passado, que fechou com alta de 32,9% no volume produzido: foram 2,1 bilhões de litros contra 1,6 bilhões no mesmo mês na safra anterior.

Com o resultado positivo, o mês representou uma retomada na produção do combustível em 2019, que desde abril vinha apresentando perdas no comparativo com 2018 - no início da safra essa queda chegou a 26%.

Assim como o etanol, as usinas também fecharam setembro com a moagem da cana em alta. Somente na segunda quinzena foram processados 35,08 milhões de toneladas, um crescimento de 26,06% em relação à mesma quinzena em 2018, com 27,83 milhões de toneladas.

No acumulado, a safra 2019/2020 já processou 472,80 milhões de toneladas, com elevação de 2,71%.

A qualidade da matéria-prima, no entanto, segue abaixo da safra anterior. O teor médio de açúcares totais recuperáveis (ATR) em 2019 é de 136,84 kg por tonelada de cana, 2,37% a menos que no ano passado.

Etanol

Do total de etanol produzido no atual ciclo, 17,5 bilhões de litros são do tipo hidratado, ou seja, o que concorre diretamente com a gasolina nos postos, com elevação de 3,45%. Os demais 7,6 bilhões de litros são de etanol anidro, produto adicionado à gasolina, em alta de 1,04%.

Com o balanço, o etanol ganhou ainda mais espaço no setor e representa 64,64% da destinação da cana, contrariando a projeção de especialistas no início do ano para uma leve elevação do açúcar nesta safra, que responde por 35,36% e registra baixa de 2,39% no acumulado da safra, com 21,8 milhões de toneladas produzidas.

O levantamento da Unica também mostra que, dos 25,1 bilhões de litros produzidos pelas usinas, 17 bilhões foram comercializados este ano, em sua maioria para o mercado interno, com 15,9 bilhões de litros.

Apesar da maior oferta, o etanol passou a custar mais caro nos postos em setembro. Em cidades como Ribeirão Preto, centro de uma das regiões mais importantes do setor sucroenergético, o combustível bateu a casa dos R$ 2,79.

Um consultor em agronegócios atribuiu o aumento a uma estratégia dos empresários para evitar que o combustível fique muito mais vantajoso ao consumidor na comparação com a gasolina, que acumula reajustes de 6%.


Artigos Relacionados