Um perfume sem perfume, por favor!

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Quando Virgil Abloh, diretor criativo da marca de roupas Off-White e também colaborador de Kanye West, decidiu desenvolver sua primeira fragrância, ele tinha apenas um pedido: queria que ela não fosse perfumada. Ao menos, não muito! Queria um perfume delicado, quase imperceptível e despretensioso que seria quase impossível de ser detectado pelo olfato humano. Essa incumbência foi parar nas mãos de Bem Gorham, que dirige a conceituada casa de fragrâncias Byredo, e juntos eles produziram o Elevator Music.

Ele queria uma fragrância que além de leve lembrasse as paisagens hipnóticas e sonoras dos elevadores. Essa parceria foi anunciada durante o desfile de Paris para o Outono de 2018. Essa apresentação incluiu uma trilha sonora de elevador e uma instalação chamada ‘The Elevator’, de Carsten Höller, essa deveria remeter às pessoas à sensação de ser ignorado quando você entra em um elevador.

Abloh não é a primeira pessoa a imaginar um perfume tão mínimo que seja quase inodoro. Em 2006, a perfumista alemã Geza Schoen apresentou a fragrância minimalista Escentric Molecule 01 como um ainsolente repreensão aos excessos da perfumaria. Esse anti-perfume contém apenas materiais sintéticos e promete algo irresistível, como uma tinta mágica invisível que amplificará, em vez de sobrecarregar, seus ferormônios naturais.

O frasco foi criado para lembrar o elevador passando pelos andares quando sobe ou doce, uma brincadeira com o branco e preto minimalista. E além da fragrância também foi lançado um mousse de cabelos e creme de mãos. Ele define a fragrância como uma relação entre o luxo e a percepção humana. Da mesma forma que a música do elevador deve ser ouvida, mas não absorvida totalmente, assim como a fragrância, ela deve ser sentida mas não permanecer no seu olfato por muito tempo. Ele é um floral amadeirado, com notas de violeta da meia noite, bambu, almíscar e ambreta. Ele estará a venda a partir do dia 17 de maio para os amantes dos perfumes, sem perfume!


*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.​

Quando a moda muda o mundo

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No último sábado, dia 10 de março, foi morar no céu o último da casta dos couturiers (costureiros ) franceses remanescentes, o estilista Hubert James Marcel Taffin Givenchy, nascido no dia 21 de fevereiro de 1927 na pequena cidade francesa de Bauvais. Carregava o apelido de estilista aristocrático, pois era filho de um marquês e dono de uma enorme herança. Seu avô era dono de oficina de tapetes na cidade e desde muito cedo mostrou interesse pela moda. Aos dez anos, foi visitar uma exposição de figurinos dos mais famosos estilistas franceses da época e se identificou imediatamente com aquele universo luxuoso da alta costura, contrariando o sonho de seus pais de se tornar um advogado. Logo aos 17 anos ele foi para Escola de Belas Artes de Paris e trabalhou com grandes nomes da moda.

Ele abriu sua maison em fevereiro de 1952 a oeste de Paris, e já mudou o mundo da moda com sua tesoura que simplificou a silhueta feminina nos anos 50, cujas golas, medidas e comprimentos levaram mobilidade ao guarda roupa de festa. Grande parte de suas criações eram feitas com tecido de camisaria, como a blusa Bettina em homenagem à modelo Bettina Graziani. Uma camisa de gola alta e aberta, com mangas que terminavam em babados de bordado inglês. Com esse sucesso da primeira coleção, Givenchy se consolidou e abriu lojas em Buenos Aires, Roma e Zurique. Suas criações luxuosas tinham influências do estilista espanhol Balenciaga, que foi um grande amigo seu desde 1953 até a morte do espanhol em 1972. Tinha uma bela cartela de clientes como Grace Kelly,Jacqueline Kennedy e Audrey Hepburn, que aliás tem uma história curiosa com o estilista.

Quando Audrey apareceu em seu ateliê pela primeira vez, ele achava que receberia a também atriz Katharine Hepburn, mas para a sorte de ambos a confusão virou uma parceria que marcou a vida dos dois e fundou as bases do look de mulher independente que usamos até hoje. O primeiro traje a ficar famoso foi para o filme ‘Sabrina’ de 1954, estrelado pela atriz, um lindo visual simples e elegantíssimo. Era a pós revolução de mini saia, e foi o primeiro costureiro de alta-costura a estar mais conectado com os desejos das ruas criando trajes que exibiam a volúpia das pin-ups e o recato exuberante do ‘new look’ de Christian Dior.

Um dos maiores ‘escândalos’ na história de Hollywood aconteceu quando a figurinista Edith Head ganhou um Oscar por melhor figurino no Filme ‘Sabrina’, sendo que o nome de Givenchy nem sequer aparecera nos créditos. Audrey Hepburn se irritou a ponto de vincular o nome do estilista ao seu até o fim de sua vida. Foi em 1961 que Bonequinha de Luxo consagrou essa amizade, o imortal tubinho preto usado pela personagem, e que é copiado até hoje foi criação do estilista.Mas foi com Cinderela em Paris, que ele redefiniu a imagem feminina com o uniforme da era beatnik: calça cigarrete e blusa preta de gola careca que até hoje vestem a juventude parisiense. Audrey dizia que as roupas de Givenchy tinham o poder de tirar sua insegurança e timidez, tornando-a uma melhor versão de si mesma.

Foi dele as primeiras criações de vestidos chemisier em forma de saco, de peças independentes e coordenáveis, pois até então saias (ou calças) e blusas só podiam ser usadas como um conjunto. E foi também o primeiro estilista de alta-costura a apresentar uma coleção pré-à-porter feminino em 1954 intitulada ‘Givenchy Université’.

Como não podia ser diferente, em 1957 também foi um dos primeiros a dar seu nome a uma fragrância, e claro que tinha que ser feminina, chamada Le De. Originalmente vendida a poucos e seletos clientes e amigos pessoais, atualmente você consegue encontrá-la em Paris (nas galerias Lafayette e Printemps), em Nova York (loja Saks) e em Londres (nas lojas Harrods e Selfridges). No mesmo ano, criou o perfume L’Interdit em homenagem a Audrey Hepburn, 1959 o Monsieur Givenchy para o público masculino que aguardava ansiosamente um produto do estilista. Em 1973, entrou para o mundo da moda masculina, com o lançamento da linha ‘Gentleman Givenchy’. Ainda na mesma época a grife iniciou uma enorme diversificação de produto com o lançamento de uma coleção de óculos, móveis, toalhas de mesa, sapatos e jóias. Mas foi na década de 80 que marcou sua grife, utilizando tecidos com estampas inspiradas em artistas como Miró, Matisse e Bérard. Muitos outros perfumes também foram lançados depois disso, mas dois tem de ser destacados pelo sucesso que fazem até hoje, Amarige e o Organza Eau de Parfum.

Apesar de todo o sucesso e glamour envolvendo seu nome e suas criações, a Maison se encontrava com sérios problemas financeiros, o que culminou com sua venda em 1988 para a Loui Vuitton. A coleção de perfumes já havia sido vendida para a Veuve Clicquot em 191, que depois seria comprada pela Louis Vuitton e formaria o poderoso grupo LVHM, atual proprietário da Givenchy. O estilista se despediu oficialmente das passarelas em 1995 com um desfile para poucos e seletos convidados, e finalizou aquele evento sob aplausos de toda a sua equipe e dos mais importantes estilistas do mundo sentados na primeira fila. Entre eles: Valentino, Yves Saint Laurent, Christian Lacroix, paco Rabanne e Oscar de La Renta. De la pra cá os nada convencionais estilistas estiveram a frente da marca: John Galliano, Alexander McQueen, Julien MacDonald e Riccardo Tisci, hoje a etiqueta é dirigida por Clare Waight Keller. A marca que sempre foi sinônimo de elegância e atrevimentro é a favorita de famosos como Kim Kardashian, Rihanna, Beyoncé, Madonna e Julia Roberts.

Seja na moda, na perfumaria ou até mesmo na forma como a vestimenta mudou nosso modo de agir (no universo feminino), Givenchy foi mais que um estilista, ele realmente marcou a história do mundo com suas criações. Se você realmente acha que a moda não tem absolutamente nada a ver com a evolução do mundo, leia mais sobre sua história e vai perceber como ela influencia cada momento da nossa história. E para fechar deixo aqui as palavras do grande estilista Givenchy: “Sucesso não é prestígio. O sucesso é passageiro, o prestígio é outro assunto. Ele persiste depois da gente. É preciso trabalhar para não ter trabalhado em vão.”


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Dia das Lindas

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Em tempos de empoderamento feminino, o dia das mulheres ganha cada vez mais significado e destaque, se sentir linda e ouvir que se é linda como elogio real sem nenhum tipo de assédio, ainda é maravilhoso! Qual mulher na gosta de ser reconhecida por seus atributos, seus talentos, enfim, por ser exatamente quem é? Às vezes esse reconhecimento e elogio vindo de outra pessoa é o melhor presente que alguém espera receber.

Foi pensando nisso que a maior marca de perfumaria do Brasil, O Boticário, materializou esse ‘desejo’ de um jeito inusitado, fizeram uma intervenção em um de seus produtos que já traz no nome um elogio: a fragrância, Linda. Durante duas semanas, a marca usou o seu Facebook que possui 13,6 milhões de seguidores para uma ação colaborativa, perguntando as mulheres: “Além de linda, você é o que?”. Mais de 10 mil mulheres participaram, e destacaram inúmeras qualidades que traduzem muito mais do que um elogio, o autorreconhecimento das próprias virtudes, o sentimento mágico que faz com que cada uma se sinta única.

Entre essas milhares de respostas, O Boticário selecionou as mais citadas: corajosa, inteligente, determinada, poderosa, guerreira e amiga. E levou para a sua linha de produção. Esses elogios estão estampando a embalagem (caixa externa) da fragrância Linda, em uma edição especial do Dia da Mulher, que estará à venda a partir de hoje, 8 de março. O Boticário espera inspirar todas as pessoas a presentearem aquelas mulheres que merecem esse reconhecimento, inclusive elas mesmas.

Os clientes também serão convidados a participar da ação publicando em suas redes sociais contando o que as amigas, mães, irmãs ou elas mesmas, são ‘Além de linda’. E você, o que tem além de linda em você ou na sua namorada, esposa, irmã, mãe? Um feliz dia da Mulher para as incríveis mulheres que não somente conseguem fazer tudo o que fazem, mas tem o poder de dar a luz a cada um de nós! Elas têm o dom da vida! Feliz dia!


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Fragrâncias naturais

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E ai, fevereiro acabou ontem e como andam suas promessas de ano novo? Já conseguiu cumprir alguma? Ou se deixou levar pela correria do dia a dia e está empurrando pro lado e deixando a vida passar e esquecendo de mudar um pouquinho suas prioridades? Devo admitir que pela primeira vez em anos estou conseguindo cumprir várias delas nesses dois primeiros meses, e quando você se propõem metas possíveis, percebe que as que parecem impossíveis são só uma questão de se esforçar um pouquinho mais.

Minha duas primeiras metas do ano já foram cumpridas, apesar de terem demandado bastante planejamento, e uma das mais importantes estou cumprindo desde terça feira dessa semana, me cuidar! Parece simples, para muita gente é até mecânico fazer exercício no dia a dia e dizer que é ‘vicio’, para mim nunca foi! Eu amo esportes, mas sempre fui desajeitada e estabanada, nunca me dei bem em nenhum deles, exceto ballet eu pratiquei por 12 anos. Mas desde então me movimentar é algo que apesar de me dar prazer, me dá preguiça antes. Mas meta proposta, meta cumprida, e o meu melhor horário de rendimento é pela manhã, então São Pedro que segure a chuva um pouquinho e vamos pra rua dar uns passinhos e estar bem disposta para o dia. Mas o que dá pra observar, quando o assunto é exercício, é que a nova ‘moda’ é se cuidar, é se sentir bem consigo mesmo, não que isso signifique que você precise parecer uma modelo. Mas estar se sentindo disposto, sem nenhum problema com exames, conseguindo levar uma vida leve e comendo aquilo que gosta, e principalmente sem depender de medicamentos e nem viver com aquele pensamento de que precisa perder uns quilinhos.

Juntamente com essa nova geração saúde, vem aumentando o número de pessoas pelo mundo que resolveram seguir um novo estilo de vida, estilo de vida porque demanda muito mais do que simplesmente excluir alimentos do seu dia a dia. As pessoas estão cada vez mais comendo menos carne, ou até cortando-a do cardápio e em outros casos aderindo ao estilo vegano de vida. Não estou aqui pra julgar nenhum tipo de escolha, acho todas válidas se aquilo te faz bem e não te traz nenhum risco a saúde. E juntamente com a alimentação, as pessoas também vem aderindo a outros produtos ecologicamente corretos e até naturais.

Não ache que essa reviravolta está acontecendo somente nas terras tupiniquins, porque uma nova linha de fragrâncias veganas está indo para uma das maiores lojas de departamentos americanas, a Bloomindale’s. Criada pela líder em fragrâncias ecológicas e corretas, a CLEAN reserve, essa nova linha fará parte da Avant Garden Collection criada pela marca.

A linha é livre não somente de produtos animais, assim como a demanda de consumidores por produtos mais éticos aumenta, mas também livre de ftalatos (produto altamente cancerígeno), conservantes, glúten e corantes artificiais para aumentar ainda mais a experiência de se usar um produto de beleza ‘limpo’. Ao invés de todas essa substâncias, essas fragrâncias são produzidas com moléculas seguras e naturais e notas sustentáveis como mandarina, cardamomo e sândalo.

Dá pra perceber que nós consumidores estamos nos tornando cada vez mais inquisitivos sobre os ingredientes que compõem os perfumes e cosméticos que usamos, não somente sob uma perspectiva masculina ou feminina, mas também sobre um ponto de vista investigativo sobre de onde se deriva cada componente. Existe um estigma negativo sobre o uso de produtos ‘sintéticos seguros’ ou ‘moléculas naturais seguras’, que são moléculas derivadas de uma matéria prima, o que ajuda a preservar os recursos naturais do planeta. Essa nova coleção de fragrâncias a empresa chama de uma fusão entre “uma clássica Eau de Parfum com uma luxuosa abordagem de nicho de luxo, projetada para transportá-lo em uma jornada fantástica”.

CLEAN Avant Garden, depende de ingredientes à base de plantas cultivadas e colhidas de forma responsável em uma fazenda no sul da França. Cada fragrância da linha é composta por duas notas que seriam até mesmo improváveis para se misturar, mas quando se juntam se transformam em um perfume mágico e exuberante. Serão seis fragrâncias no total: Galbanum &Rain, Hemp & Ginger, Muguet & Skin, Saguaro Blossom &Sand, Sweetbriar &Moss e White Amber & Warm Cotton.

Essa empresa, já atua nessa mercado há muitos anos e quer mudar a forma como os consumidores experimentam fragrâncias, educando-os sobre a beleza consciente, afinal os produtos naturais nem sempre significam sustentáveis e eliminando os estigmas em torno do setor de perfumes. Essas fragrâncias ainda não estão disponíveis para venda no Brasil, mas quem sabe em breve tantas outras marcas não se empenhem a desvendar esse nicho tão crescente!


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Artesanal ou Industrial?

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Há algumas semanas atrás eu li num perfil comercial do instagram uma frase que me deixou perplexa: “Nosso produto é feito por processo 100% industrial, por isso tem qualidade”. Não sei se foi uma propaganda feita por alguma agência ou pelo próprio dono do negócio, mas com certeza por uma pessoa que não teve muita experiência nos dois mundos, eu só sabia que precisava escrever sobre isso e explicar melhor minha opinião sobre o assunto.

Muito antigamente eu encarava o artesanato como algo quase que hippie, iguais aquelas pessoas que fazem pulseirinhas em feiras de artesanato. Depois, fui visitar cidades do nordeste que mostraram as rendeiras e artesãs e um outro lado do trabalho artesanal. Fui para o sul e conheci as fábricas de cristais, que em pequenos galpões, faziam um trabalho considerado artesanal. Até que pouco tempo atrás, na época da faculdade, visitei uma fábrica de cervejas, com produção que atende demanda nacional e tinha tanques de inox que eram maiores do que eu. Foi realmente surpreendente, foi lá que eu comecei a sentir o que era artesanal, por incrível que pareça. E depois fui trabalhar em uma indústria de cosmético, e conheci ainda mais a fundo, que o artesanal é a base de tudo. Não existe produção industrial sem o artesanal, é ela que dá origem ao produto final.

Espero que vocês tenham percebido que nem sempre a linha que separa o produto industrial do artesanal fica bem clara. Quando está tudo ali, embaladinho, o que a gente vê é só o resultado e não pensa no processo como um todo. E é esse processo até o produto final que faz com que valha muito a pena considerar um e o outro em diferentes situações.

Me responda rapidamente: Qual a bebida gasosa mais vendida no planeta? Se o primeiro pensamento que surgiu na sua cabeça foi Coca-Cola sem titubear, você deu um palpite industrial e certeiro. Percebe que estamos acostumados com o usual, com aquilo que desde que nascemos já estava lá? Pensamos como a massa, e vivemos como massa durante muito tempo. É por isso que fica difícil mensurar o que faz de um produto, artesanal. O industrial está lá, em qualquer prateleira (muitas vezes até mesmo com alterações grandes no produto final), o artesanal nem sempre está lá. Em especial, se você vive nas capitais e grandes cidades.

Quando falamos de pequenos produtores, o pensamento artesanal é que dá valor ao produto e de um modo geral, sua qualidade vai atestar isso. Hoje em dia, a população vem se conscientizando que é muito melhor descascar do que desembalar e que embalagens caras e bonitas (que custam cerca de 70% do produto final)  muitas vezes vendem somente embalagens, e não qualidade.

Para entender ainda melhor, tentando não generalizar, vou dar um exemplo simples. Vamos imaginar um produto que a grande maioria das pessoas adora, a batata. Uma batata que é super elogiada, a do Mc Donald’s que tem uma embalagem vermelha e amarela chamativa, e fica maravilhosa enquanto está quente, parece batata e tem gosto de batata. É o fac símile perfeito! Entendeu? A indústria vende um produto que parece o que você quer, mas não é exatamente só aquilo. E isso é necessário sob um ponto de vista do pensamento industrial, e para atingir seu objetivo comercial.

O que eles fazem é preparar um processo que possa atender o mundo inteiro, ser conhecido por multidões, e claro, vender milhões e milhões de unidades. Portanto, eles fazem o possível para baratear os custos e atender aos seus pedidos, mesmo se isso custe a qualidade e pureza do produto (principalmente quando o assunto é conservante cancerígeno). Com certeza existem os grandes que dormem bem com suas consciências, outros nem tanto.

Principalmente quando falamos da indústria alimentícia, tem demanda, tem lucro, tem durabilidade e tem muita coisa química também, infelizmente. Mas se você olhar a mesma batata sob o ponto de vista artesanal vai observar que ela é comprada no mercado (ainda que uma grande rede de supermercado também possa ser considerada industrial), uma pessoa precisar lavar, picar, cozinhar e temperar, assar, deixar crocante no forno e colocar em uma tigela bonita, para só ai então poder servi-la. E claro, considerando o sorriso no rosto de satisfação pelo processo feito e concluído com sucesso.

Se há um fator chave no pensamento artesanal é a forma com que se interage com as pessoas, com o produto e com todo o processo da matéria prima até o descarte. É isso que gera o valor que você adiciona, ao respeitar aquele produto e pensar nele como experiência e não apenas como lucro, ou uma troca por dinheiro. Existe amor, respeito e cuidado em cada etapa feita. Fazer um produto artesanal, não quer dizer que a pessoa não saiba o que está fazendo, ou usando matéria prima de baixa qualidade. Ao contrário, é ela que controla cada parte do processo, ao invés de máquinas, colocando seu ‘selo de qualidade’ em cada pedacinho daquele produto. O industrial também sabe muito bem o que está fazendo, mais tem a tecnologia e altos investimentos como seus aliados. O diferencial está em quem segue desde o princípio o processo com técnica e zelo, se preocupa com a qualidade de cada um dos seus insumos e em como utilizar a tecnologia e ciência que temos hoje em benefício do produto final

Um produto 1oo% brasileiro que está ganhando destaque por exemplo, é a cachaça. É o tipo do produto que ganha muito ao adotar o pensamento artesanal, ensinando não só a sua história, mas como consumi-lo e valorizando tudo isso. O mercado está crescendo e buscando novas soluções para avançar com esse produto, tentando perder a estigma de baixa qualidade ou bebida de sarjeta, diferenciando o que é artesanal do que é meramente clandestino.

Já comentei em vários textos com vocês das grandes casas de perfumaria que lançam produtos incríveis, com preços exorbitantes tendo até frascos numerados, como edições exclusivíssimas e feitos com processos quase que 100% artesanais, principalmente as embalagens que são feitas como jóias (além de realmente conter ouro, brilhantes, e etc.). E são produtos que se fossem considerados artesanais da forma pejorativa, poderiam valer pouquíssimo, mas por isso mesmo, são considerados itens de desejos de milhares de pessoas. Pergunte a um amante da relojoaria quantos exemplares existem dos relógios mais desejados por eles.

O ato do artesão transforma uma matéria prima em produto diferenciado, artesanal e em pequenas escalas. A indústria mecaniza o processo e faz esse mesmo produto em grande escala e em menor tempo. Um é trabalho manual, o outro, trabalho de uma máquina. Processos diferentes para fins similares. Nesse grande planeta em que vivemos, tanto no processo artesanal quanto no industrial, encontramos pessoas que valorizam aquilo que fazem. Independente se são apenas 2 bordadeiras ou 1500 funcionários em uma fábrica, esses profissionais são seres humanos, corações que acreditam no que fazem para mudar o mundo, nem que seja o seu próprio. Pode parecer romântico demais para você, mas no fundo é bem isso. Somos pessoas, e nos organizamos em grandes e pequenos, simples e rebuscados. E a felicidade maior, é saber que tem lugar para todos coexistirem com respeito, sem desmerecer o trabalho do outro!

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Brasil bom de boca

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E chegou a Quarta Feira de Cinzas, o fim do Carnaval, as apurações e arrastões. E apesar do esplendor dos desfiles paulistas e impossível falar sobre escola de samba e não lembrar de Sapucaí e Rio de Janeiro. Ontem, as apurações foram cheias de fervor, protestos e até um saudosismo ao torcer ponto a ponto quando as tradicionais escolas Mangueira, Salgueiro, Portela e Beija Flor disputavam as primeiras posições. Beija Flor venceu, Grande Rio e Império Serrano foram rebaixadas e a tradicional Viradouro voltou ao grupo de elite. Uma das mais elogiadas foi a Paraiso do Tuiuti, principalmente nas redes sociais, conseguiu ficar em segundo lugar com a brilhante crítica ao governo e uma bela figura que lembrava nosso presidente vestido de vampiro como o destaque de um dos carros.

Uma das escolas que não passou desapercebida porém ficou em 10° lugar foi a União da Ilha do Governador, com o belíssimo enredo “Brasil bom de boca”. Foi a terceira escola a desfilar no segundo dia e entrou na avenida 0h de terça feira e completou sem desfile em 73 minutos sem nenhum problema técnico, apenas um show para os nossos 5 sentidos, ao menos para os que ali assistiam de ‘camarote’.

A escola levou alegorias elaboradas como o carro abre-alas grande e luxuoso que mostrou a chegada das caravelas ao Brasil, mostrando os produtos que vieram de fora trazidos por eles. A partir daí, as influências dos portugueses e seu país de origem se misturaram com alimentos que encontraram por aqui, como milho, caju e a pimenta. Esse exalava cheiro de café pela avenida. Já a ala das baianas, tinha um toque especial, elas estavam vestidas com alusão à pacova da terra, uma espécie de banana. Depois uma ala que mostrou a influência dos negros que vieram para o Brasil e dos seus pratos que se tornaram comuns na nossa gastronomia como a feijoada e o acarajé. Em outra ala a escola fez uma crítica que apesar de produzir e exportar grande quantidade de alimentos, grande parte da população ainda sofre com a fome.

Logo na sequência, uma enorme alegoria mostrou a alegria dos doces, uma homenagem as avós que fazem os bolos caseiros, comuns nas lembranças de muitas famílias, e de tantos outros doces e esse carro exalava o maravilhoso cheiro de chocolate pela avenida. O desfile terminou com um grande boteco, uma verdadeira instituição do nosso país onde são servidas grande parte das nossas melhores iguarias, com vários dos nossos melhores chefs.

A escola com 3,2 mil integrantes divididos em 29 alas e 5 alegorias foi fundada em 1953 e ainda busca seu primeiro campeonato no grupo especial do Carnaval do Rio de Janeiro. Não foi dessa vez, mas pode-se dizer que o desfile foi incrível, cheio de cores, sabores, cheiros e alegria! O samba enredo eu deixo aqui para você poder sentir o astral:

PÕE LENHA NO FOGÃO!
O AROMA ESTA NO AR.
EXALA A NOSSA POESIA!
CARAVELAS A BAILAR NO MAR,
CHEGAM PRA MISCIGENAR ESSA FOLIA.
EITA TEMPERO BOM. EU QUERO PROVAR!
DERRAMA O CALDO DE LÁ, NOS FRUTOS DE CÁ.
EITA TEMPERO BOM, EU QUERO PROVAR
NAS TERRAS TUPINIQUINS O QUE SE PLANTA DÁ.
E TUPÃ ABENÇOOU ESSE SABOR DA ALDEIA.
INCENDEIA, AGUÇA O PALADAR.
MERGULHEI NO GOSTO QUE MAREIA.
RIQUEZA MILENAR

FOGO ACESO NO TERREIRO DAS YABAS Ô Ô
NA MISTURA A HERANÇA DOS MEUS ANCESTRAIS
BOTA ÁGUA NO FEIJÃO QUE O SAMBA ESQUENTOU
ÓÔÔÔ NA BATIDA DO TAMBOR

E NA FARTURA DO MEU TABULEIRO
O GRÃO É VIDA, MOSTRA O SEU VALOR
SINTO O CHEIRO DE CRAVO E CANELA
VÓ QUITUTEIRA MEXENDO A PANELA
DA NOSSA TERRA, UM GOSTINHO SEM IGUAL
PRO SEU PRAZER DOCE CACAU
ILHA…PREPARA A MESA, NO BAR FAZ A FESTA,
SERVINDO UM BANQUETE À FANTASIA
UMA RECEITA IMPOSSÍVEL DE ESQUECER
DUAS PITADAS DE AMOR, EU E VOCÊ,
JUNTANDO A FOME COM A VONTADE DE VENCER

VEM PROVAR O SABOR DESSE MEU CARNAVAL!
EU SOU A ILHA, SOU O PRATO PRINCIPAL
VOU DEIXAR ÁGUA NO BOCA
PROVOCAR UMA VONTADE LOUCA!


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Todo dia o padeiro faz o pão

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Projeto verão, projeto carnaval, projeto praia, projeto férias. Seja qual for o planejamento nunca consegui fazer dieta na vida, um metabolismo que favorece e uma paixão por comidas leves e saudáveis também ajudam. Mas tem um item do cardápio que eu sinceramente não consigo viver sem: pão! Pode ser de qualquer tipo, mas aquele pão francês quentinho perfuma e dá fome até mesmo nos narizes mais distraídos. E sim, é um dos cheiros que mais gosto no dia a dia, cheiro de pão quentinho, mesmo se for ‘dormido’, tenho zero enjoamento quando o assunto é pão.

Mas se você estiver passeando por Paris e bater aquela vontade danada de comer um pãozinho francês pela manhã, não ouse entrar em qualquer padaria local e pedir ‘un pain français’, o máximo que vai conseguir é sair de lá com uma baguete embaixo do braço. Nosso pãozinho tão tradicional é desconhecido pelos franceses, ele só foi batizado com esse nome assim como o arroz à grega que também não veio da Grécia. E pelo Brasil você também o encontra por diversos nomes: pãozinho em São Paulo, pão massa grossa no maranhão, cacetinho no Rio Grande do Sul, pão aguado na Paraíba, pão de sal ou carioquinha no Ceará, entre outros, sendo que o mais popular é Pão Francês.

No inicio do século XIX o pão mais popular na França tinha o miolo duro e a casca dourada, era pequeno e tinha formato cilíndrico, um verdadeiro precursor da baguete do século XX. Já no Brasil, o comum era um pão com miolo e cascas escuros, uma versão brasileira do pão italiano trazido pelos colonizadores.  A expressão pão francês foi largamente utilizada pelos espanhóis e ingleses durante os séculos 18 e 19 para designar um produto feito com um tipo de farinha desenvolvida pelos franceses. Foram eles que descascaram, moeram e refinaram o trigo escuro e integral e com isso obtiveram um pão de casca crocante e massa clara (fazendo com que esse vício tornasse parte da nossa vida para sempre). Esse ingrediente requintado e caro tornou-se alvo de cobiça entre os padeiros da nobreza. Com a vinda da família real portuguesa para as terras brasileiras, veio também esses produtos para a preparação do pão já que aqui se consumiam produtos feitos com farinha de mandioca e seus derivados. Mas quando a elite brasileira viajou para Paris, por volta da Primeira Guerra Mundial, e voltou descrevendo o pãozinho para seus padeiros, que faziam o possível para reproduzir a receita pela descrição originou-se nosso amado pãozinho, que difere bastante da sua inspiração europeia.

Cada povo tem orgulho do seu receituário de pães, afinal os processos de fermentação desse alimento são utilizados desde 2000 aC. No Egito antigo, o pão servia para pagar salários, cada dia de trabalho valia três pães e dois copos grandes de cerveja. Acredita-se também que as primeiras padarias tenham surgido no Egito e de lá foi exportada para outros lugares. Para os cristãos o pão simboliza o corpo de Cristo, na oração do Pai-Nosso é pedido a Deus ‘o pão nosso de cada dia nos daí hoje’. O maior consumidor de pães do mundo, nos dias de hoje, é a Rússia, são consumidos 120 quilos por pessoa a cada ano. O segundo maior é o Chile, com 93 quilos por pessoa.

Hoje em dia, sua receita básica é feita de farinha, fermento, água e sal, seu gosto neutro é capaz de receber dos sabores mais básicos aos mais acentuados. Uma ótima maneira de conservar seus sabores e crocância é armanezando-o em um saco plástico e colocando-o no freezer. Quando for consumir basta esquentá-lo no forno. Fica maravilhoso e perfumado. E nada como começar o dia com aquele cheirinho de café fresco e pão quentinho com manteiga!

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Refrescante e perfumado

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O verão tem das suas peculiaridades e prazeres, muitos amam e outros declaradamente odeiam. Eu faço parte da turma dos que amam, não há nada que me deixe com mais disposição do que um belo dia de sol e céu azul. Não que eu não ame os dias nublados, cada um tem seus prazeres, mas os dias de sol me deixam imensamente disposta e de bem com a vida. Um dos meus grandes prazeres nessa época é um belo banho, um pra começar o dia e o outro pra terminar o dia com chave de ouro. O primeiro literalmente a famosa ‘ducha’ o segundo merece uns 10 minutinhos, pra relaxar e recompor energias do dia.

Mas e para tomar banho, qual seu tipo favorito de sabonete? Tem que prefira liquido, em barra, perfumado, sem cheiro, antibacterianos, com hidratantes, de glicerina pura... Seja como for, ele está presente nesse ritual. Mas de onde ele surgiu? Tudo indica que com os fenícios, 600 anos antes de Cristo, fervendo gordura de cabra com água e cinzas de madeira até obter uma mistura pastosa. A noticia da nova receita se espalhou pelos países do mediterrâneo e chegou até a Grã-Bretanha. 

Foram os celtas, antigos habitantes das ilhas britânicas, que o batizaram de ‘saipo’. O sabão sólido, porém, só foi criado no século VII, quando os árabes inventaram o processo de saponificação, a partir da fervura de uma mistura de soda cáustica, gordura normalmente animal e óleos naturais. Durante a ocupação da península ibérica, os espanhóis aperfeiçoaram a invenção acrescentando azeite de oliva para perfumá-la. Ainda na Idade Média, os maiores centros produtores de sabão eram as cidades italianas de Gênova e Veneza, além de Marselha, na França e Bristol e Londres, na Inglaterra. No restante da Europa, o sabão era quase que desconhecido, tanto que a nobreza italiana, francesa e inglesa, presenteava governantes de outras nações com uma caixinha de sabão com um papel descrevendo o seu modo de usar. 

O sabão só se tornou produto do dia a dia no século XIX, quando começou a ser fabricado industrialmente, barateando seu custo. Campanhas publicitárias na Europa e nos EUA promoveram uma conscientização popular da relação entre limpeza e saúde, o que levou ao uso universal do sabonete. Ele se tornou tão popular que o químico alemão Justus Von Liebig declarou que a quantidade de sabão consumida por uma nação era a melhor medida do seu grau de civilidade. 

Na época da revolução industrial a sua produção industrial era feita de modo grosseiro e em pequena escala, mas isso mudou em 1886 quando James e William Lever comparam uma pequena fábrica de sabonete em Warrington e fundaram o que ainda é uma das maiores indústrias de sabonete, primeiramente chamada de Lever Brothers e agora chamada Unilever. Porém a escassez de comida durante a primeira guerra mundial significou que óleos e gorduras para sabões eram limitados, o que levou ao desenvolvimento das primeiras alternativas químicas como o detergente, feito de surfactantes e aditivos. 

No anos de 1950 essas alternativas modernas superaram as vendas do sabão comum, e durante a última década os sabonetes líquidos se tornaram cada vez mais populares do que os em barra, em especial aqueles contendo agentes antibacterianos como o triclosan, que está atualmente sendo revisado pelo FDA (órgão regulamentador) dos EUA para descobrir se é eficaz ou mesmo prejudicial. Existem alguns receios que contestam o uso dessa substância, de que o uso excessivo poderia aumentar a resistência a antibióticos, e evidências científicas sugerem que é um ingrediente desnecessário já que os sabonetes são antibacterianos por natureza.

Já nos anos mais recentes já existem pesquisas mostrando que as vendas dos sabonetes em barra aumentaram 4,7% por causa desses estudos, que é dobro do crescimento dos sabonetes líquidos. A manufatura dos sabonetes mudou muito com o passar dos anos, primeiro encontramos uma maneira de não usar a gordura animal, depois sem o óleo de palma e agora sem petroquímicos. E essa evolução só beneficia o ecossistema e o nosso organismo, afinal se você acha que só é importante ler o rótulo daquilo que você come, como a se interessar pelas coisas que você usa no seu corpo também. Um pouco de pesquisa vale a pena para benefício da nossa saúde e tentar impactar menos o meio ambiente.

Um bom e refrescante banho para vocês nesse verão maravilhoso!

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.​

Almas perfumadas

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Sempre fui uma apaixonada por citações, e essa semana uma me caiu muito bem: ‘Que você seja capaz de descobrir o significado das pessoas e não a sua utilidade. A utilidade passa, o significado é pra sempre!’ A razão de que eu prestei mais atenção nela, foi porque nas boas coisas dessa profissão de comerciante eu conheci uma pessoa que me fez lembrar com muito carinho meus tempos de escola. Apesar do professor não ser um profissional tão reconhecido e nem respeitado como merecia aqui nesse país, eu tenho lembranças maravilhosas tanto da escola como na faculdade dos professores maravilhosos que eu tive.

E na sexta série, o colégio onde eu estudava teve algumas mudanças no corpo docente, e claro que os alunos sempre ficam apreensivos. Mas nessas mudanças tivemos o prazer de ter aula com um professor de geografia que ficou pra sempre marcado na minha memória, por sua paciência, histórias e maneira fácil de explicar todo aquele conteúdo para nós. E como essa vida é engraçada, um dia uma moça entrou em contato comigo, e veio conhecer meus produtos. Disse que morava aqui perto, tinha filhos gêmeos e o marido era professor. Conversa vai, conversa vem, e fomos descobrindo que o tal marido professor era esse querido professor de geografia da época do colégio. Claro que fiquei extremamente feliz, e pude perceber como eles eram parecidos, na doçura e gentileza. Isso já deve fazer uns três anos, e ela sempre aparece para deixar a casa toda perfumada.

No começo do mês ela veio, e além da habitual conversa boa me trouxe um ‘presente emprestado’, acho que eu nunca havia comentado da minha paixão por livros, mas ela me trouxe um exemplar que disse que eu tinha que ler, que era a minha cara. Que ela havia ganhado de presente de Natal e sabia que ele tinha a minha energia. Eu fiquei feliz e curiosa, agradeci e estava sem um tempo de calma pra lê-lo com atenção. Então essa semana resolvi abri-lo e degustar cada palavra, ele se chama Casa Natural – Terapias da casa. É o segundo volume publicado pelo arquiteto Carlos Solano com uma seleção de artigos publicados por ele na revista Bons Fluídos. Eu simplesmente fiquei encantada com cada detalhe do livro, como pode alguém que me viu tão poucas vezes saber que realmente aquele livro era minha cara?!

Claro que ainda não acabei, mas estou quase! Ele mostra como a nossa casa é importante na nossa vida, e como você deve fazer dela um templo, um lugar de calmaria, e como a energia é importante através de cores, cheiros, objetos, etc. Em uma de suas passagens ele usa um poema modificado de Ana Claúdia Jácomo para exemplificar como o cheiro pode ser importante: “Tem casa ‘que tem cheiro de passarinho quando canta. De sol quando acorda. De flor quando ri. Dentro delas a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso, sem relógio e sem agenda’. Mas se os cheiros (ou os ares) da casa não estiverem bons, o corpo não descansa, sabia disso? Fica todo alerta, pois o olfato é também um instinto de sobrevivência”.

Esse é um pedacinho desse delicioso livro, que estou me deliciando com cada palavra e imagem. Como é bom quando a vida nos presenteia com almas perfumadas que nos trazem pequenas alegrias no dia a dia, como me aconteceu nesse caso. Que nos mostram como o valor delas é importante, e não somente sua utilidade! Prometo continuar dividindo as curiosidades desse livro com vocês, e torcendo para que mais pessoas especiais cruzem o meu e o seu caminho!


*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.​

À Francesa

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Voltar à rotina do dia a dia no trabalho e afazeres não é fácil depois das festas de Dezembro. O corpo parece renovado, mas ao mesmo tempo preguiçoso, como se ainda vivesse no tempo da infância em que Janeiro dignificava férias. Mais difícil ainda, quando pequenos motivos tornam o dia a dia mais árduo, como exemplo os transportes públicos. O atraso, a falta de uma frota decente e suficiente, o calor, a multidão e até mesmo o cheiro desses ônibus e metrôs tornam o ir e vir mais penoso e o nosso dia menos agradável. Afinal, para a grande maioria do nosso país e do resto mundo, o transporte público é o meio mais comum de locomoção, e devia ser cada vez mais.

Como você com certeza sabe, a França é com certeza o lugar que nós mais lembramos quando o assunto é perfume, lá estão as mais famosas Casas de Perfumaria de todo o mundo. E em uma das maiores (e até mais bonitas, como dizem os franceses) cidades do país, e berço gastronômico, Lyon está situada há apenas duas horas de Paris. Ela possui quatro bairros inscritos como patrimônio mundial da Unesco e bem pertinho ainda se encontra duas das principais regiões vinículas da França: Beaujolais e Cotês Du Rhône.

Nessa belíssima e muito visitada cidade, a prefeitura se incumbiu de deixar esse dia a dia no metrô mais agradável. A empresa Sensorys  especializada em marketing sensorial se incumbiu de instalar dispositivos nas 9 principais  estações que liberam no ar uma fragrância de chá verde cítrico. Na propaganda, a empresa já dizia: “O equipamento das principais estações de metrô da cidade”.

O dispositivo é bem discreto, e estão em pontos estratégicos das estações, como por exemplo esse na foto que está no terminal de bilhetes, na entrada da principal estação da cidade. É uma pequena caixa de metal a partir da qual um tubo difunde a fumaça com a fragrância. Foi instalado um total de 55 equipamentos pelos corredores e plataformas. O dispositivo transforma o liquido perfumado em uma espécie de nevoeiro que se espalha no lugar e chega às suas narinas. O aromatizador usado não possui alérgenos respiratórios, nem produtos cancerígenos ou voláteis.

Já a fragrância, foi escolhida visando melhorar o conforto e o bem estar do usuário, reduzindo o nível de estresse durante a viagem. O projeto também já está sendo implantando na rede de ônibus. Resta saber se os cidadãos e turistas de Lyon aprovaram o projeto, e se apreciaram a fragrância, ou se ainda preferem o cheiro tradicional do metrô e dos ônibus!

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.​