O Perfume

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Sempre que o assunto trabalho vem a tona, os amantes de literatura como eu, colocam o assunto do famoso romance de Patrick Suskind ‘O Perfume’ na roda de assunto. Devo admitir que eu nunca o li, talvez até por essa insistência. Para quem não conhece absolutamente nada sobre ele, a sua primeira publicação foi em 1985 e foram vendidos 15 milhões de exemplares em quarenta idiomas diferentes. A história é sobre um homem que possui um olfato apurado, que o permite ‘ver’ o mundo de uma forma diferente e pode orientar-se pelos cheiros.

A parte mais interessante, pelo menos que me contam, é que o personagem principal da história não possui um odor próprio, por isso ele consegue passar totalmente despercebido pelas outras pessoas. Com isso ele cria perfumes de acordo com as circunstâncias de sua vida a fim de ser notado por determinadas pessoas. E como ele faz isso? Assassinando outras pessoas para poder capturar seus odores característicos e assim criar a essência perfeita capaz de incitar o desejo de qualquer pessoa. A inveja e a luxúria presente em cada detalhe da trama.

Essa história volta agora a ser explorada em uma produção alemã da Netflix, com o mesmo nome e com o mesmo apelo na inveja e luxúria. A série O Perfume é uma trama policial com seis episódios, em que uma cantora morre e cinco amigos de infância resolvem ajudar a investigar os fatos do assassinato. Assim como no filme, que é uma adaptação do livro, essa também é uma história sobre a necessidade do ser humano de ser amado e os impulsos gerados por essa carência natural. Em determinado momento, a série revela a admiração dos cinco amigos pela história de Patrick Suskind, e acontece uma cena interessante onde cada personagem dá a sua própria interpretação da história. Casa um tem sua perspectiva, mas todos demonstram serem frustrados pelo sentimento de insignificância e o desejo de ser mais capaz. Uma série que nos coloca para pensar, e que tem sua trama bem enrolada e detalhada nesses 6 episódios!


*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

Que época maluca essa!

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Chega de fim de ano e chega a correria. Começam as confraternizações e ao mesmo tempo, a falta de tempo para encontrar tantas outras pessoas que gostaríamos de abraçar nessa época. O Natal nos faz sentir uma ansiedade em amar, viver, sorrir, dividir, abraçar, se doar!

Que época maluca essa que ao mesmo tempo em que os corações se aquecem, não há quem não concorde que fica impossível de transitar pelas ruas e não perceber a correria dos motoristas e a falta de paciência dos pedestres.

Que época maluca essa que nos faz recordar o passado, viver horas do dia cheio de nostalgia que nos aperta o coração e ao mesmo tempo nos satisfaz a alma em lembrar de memórias tão lindas.

Que época maluca essa, que apesar de as coisas às vezes estarem dando tudo errado, de repente começam a dar certo e voltamos a acreditar na magia do bom velhinho.

Que época maluca essa em que os sabores se tornam mais frutados e amadeirados, e de repente seu paladar e olfato se tornam mais exigentes, pois é a única época do ano que aparentemente tem um menu pré definido, e não há quem não ame!

Que época maluca essa que trabalhamos o dobro, e curtimos o triplo! Pois sempre há um fundo bem guardado de disposição, para duplicar a rotina com os afazeres do fim de ano e ainda ir a tantas confraternizações.

Que época maluca essa, e que realmente olhamos para o próximo e sentimos um acalento em ajudar. Como se o bom velhinho fossemos nós, como se lá no fundo a magia do Natal fosse essa.

Que época maluca essa, que passa tão depressa e deixa seus cheiros, sabores e magias transitarem por um tempo e depois só vamos encontrar esses sentimentos novamente no próximo ano.

Eu só desejo a você, que essa não seja uma época maluca, que você consiga desfrutar os próximos 5 dias desfrutando de amor e sorrisos, mesmo que em meio a dificuldades, e que a única maluquice seja estar perto de quem você ama e de quem ama você e que o melhor presente seja esse, dividir histórias e MOMENTOS.

Feliz Natal! Que o verdadeiro significado dessa data, engrandeça ainda mais a sua alma, e que não importe a roupa, o lugar, a comida, o presente, que só importe estar perto de quem saiba dividir o significado desse dia com você e criar mais memórias lindas para se lembrar!


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Patrimônio cultural

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Já ouviu falar em Grasse? A cidade do sudeste da França que simboliza a perfumaria mundial, e que testemunhou a expansão da indústria de perfumes a partir do século XVI, quando as fábricas de couro precisavam de matéria primas aromáticas para o tratamento dos produtos e para perfumar luvas. Ainda hoje, seu peso econômico é considerável afinal, as empresas da região movimentam 10% do volume de negócios do mercado mundial de fragrâncias e aromas. Seu território se espalha entre as montanhas dos pré-alpes do sul e o mediterrâneo, com solos relativamente ricos em argila, propício para o cultivo de plantas importantes para a perfumaria como o jasmim, rosa de maio, flor de laranjeira, tuberosa, íris e violeta. Porém, desde 1970 esse território vem sofrendo as consequências da pressão imobiliária, do desenvolvimento de produtos sintéticos e da concorrência de outros polos de produção.

E na semana passada as técnicas que regem a perfumaria mundial criadas lá foram finalmente declarada como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Essas técnicas possuem três vertentes diferentes: o cultivo de plantas para perfumes, o conhecimento e o processamento de matérias primas naturais e a arte da composição de fragrâncias. O selo da UNESCO deverá ampliar a possibilidade de reservar um certo número de terrenos para jovens agricultores, além de incentivar as empresas do setor de perfumaria a assinarem contratos de longo prazo que ofereçam aos floricultores a garantia de que poderão viver da colheita, realizar inventários dos rituais tradicionais associados à colheita e à extração do perfume, e a elaboração de itinerários de visitas turísticas denominados Caminhos Perfumados.

A formação para o setor de perfumes na região de Grasse abrange desde o ensino médio (em escolas integram um curso técnico em horticultura) até o mestrado universitário, mas o método mais comum naquela região de transmitir os conhecimentos ainda continuam sendo os informais aqueles passados por gerações, conhecimentos que escola alguma conseguiria ensinar, como as sutilezas do processo de destilação, enfleurage e extração por solventes. Alguns ofícios estão seriamente ameaçados como o de técnico em enxertos vegetais, vidreiro e destilador. Pois são necessários sete anos para se formar um responsável por destilação e é geralmente dentro das famílias que são transmitidos os conhecimentos indispensáveis ao cultivo de plantas destinadas aos perfumes.

Nas palavras do presidente do município de Grasse, Jérome Viaud, o reconhecimento do savoir-faire ancestral intimamente associado à região representa um evento histórico e um motivo de enorme alegria para toda a comunidade envolvida nesse setor. E já faz 10 anos que há um movimento para elevar as técnicas da perfumaria a tal título que agora sim foi concedido e com certeza motivo de orgulho para todo o mundo!

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Hmm... Carro novo!

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Pelo menos 90% das pessoas do meu convívio dividem uma paixão que nunca me arrebatou> dirigir! Sim, um problema e uma fobia em minha vida. Pois é, já completo mais de dez anos de carta sem dirigir, morro de medo mesmo! Problema que também que faz parte da vida de muitas pessoas ao redor do mundo. Digamos que seria bem mais fácil se locomoção pública fosse melhor e mais barata, mas quem sabe um dia esse sonho se realiza. Mas desses 90%, todos narram a sensação de liberdade de estar no volante, a felicidade em se poder comprar o seu primeiro carro, ainda mais se ele for 0km. E desses 90%, ao menos 80% dizem AMAR o cheiro de carro novo! Cheiro esse que já tentaram produzir sinteticamente, mas acredite, não chega nem aos pés do original. Afinal, ele é composto pela mescla de várias peças e materiais novinhos quando combinados.

Pois na China, esse problema é inverso! Esse odor é bem mal visto por lá, a maioria dos consumidores simplesmente não suporta. A rejeição é tamanha que a Ford anda fazendo estudos para eliminá-lo de seus produtos no país.

Um relatório feito pela empresa J.D. Power China, aponta que o esse cheiro forte e o elevado consumo de combustível são as duas maiores críticas de compradores de veículos por lá. Ao menos 17% reclama do cheiro de carro novo, e o levantamento foi feito num período curtíssimo de 90 dias. A intenção da empresa Ford, é que assim que o veículo sair da fábrica, direcione-se ao pátio de estocagem e estacione sob o sol, com os vidros abertos. Desse modo, o cheiro sairia naturalmente, como acontece gradativamente após a compra. Além disso, designers e engenheiros já vem aplicando novos materiais no interior dos carros, justamente para amenizar o cheiro. Porém essa última medida, ainda não foi o suficiente para agradar os exigentes compradores.

Mas por que isso tem tanta importância na China? O país é o maior mercado consumidor de automóveis do mundo. Só no ano passado, quase 30 milhões de veículos foram vendidos por lá. Agradar seus consumidores portanto, é fundamental para qualquer empresa que deseja se manter viva no setor! Quem sabe isso não ajude a aumentar a venda dos aromatizadores para carros por lá!


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Qual escolher?

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Falta apenas um dia para dezembro, e esse clima de Natal que se aproxima pede uma renovação de espírito. Para muitas pessoas, assim como eu, uma casa decorada com direito a árvore, presépio, e muitas luzinhas. Ou também para quem prefere algo mais minimalista e talvez só colocar um arranjo de flores diferente. Mas quem disse que também não podemos fazer isso com as fragrâncias? Isso mesmo! Mesmo que seja somente no dia do Natal, afinal as festas são sinônimo de alegria, sorrisos, bom humor, convívio entre amigos, familiares e pessoas que são queridas por nós. E é possível potencializar esses sentimentos com os cheiros.

Para trazer alegria, provocar boas conversas e risadas aposte nos aromas mais ‘risonhos’, os cítricos! Como a laranja, a tangerina, o limão, mandarina, grapefruit, entre outros. Eles trazem ao ambiente um clima leve e agradável que propicia a comunicação e à expressividade. Fragrâncias amadeiradas também são ótimas para essa época, pois podem trazer um aconchego e talvez uma certa sobriedade que combinam com seu ambiente.

Como espalhar esse perfume? Em sprays, difusores de varetas, sachês, velas, etc. A maneira mais eficaz continua sendo os perfumes de ambiente em spray, pois podem ser aplicados pontualmente em diversos locais (almofadas, sofás, cortinas, árvore de Natal, arranjos, no ar, etc), e é absorvido pela porosidade das superfícies e tecidos. Já os cômodos pequenos podem ser aromatizados pelos perfumes na versão vareta.

Cada ambiente pode sim ter uma fragrância específica. A sala por exemplo é um ótimo lugar para a laranja (bem estar e alegria, a canela (fartura e prosperidade) e a baunilha aconchegam o ambiente promovendo a interação entre as pessoas. Olíbano purifica o ambiente trazendo boas energias. Pode apostar também nas fragrâncias tidas como sensuais como: rosa, neróli, jasmim, cardamomo, patchouli, sândalo e ylang-ylang. Infalível para atrair boas energias? Aposte no alecrim! Mais do que um tempero ele tem o poder de deixar o ambiente cheio de alto astral.

A cozinha já invadida pelos deliciosos e saborosos cheiros dos pratos típicos dessa época, não pode ter muitos contrastes. Aposte nos cítricos ou herbáceos como: laranja, limão, grapefruit e capim limão. Ou também cheiros de especiarias, que ressaltam os aromas de outras preparações.

E para um banheiro agradável? Velas Fragrâncias que remetem a limpeza. Lavanda, gerânio e palmarosa são ótimas opções. Cheiros frescos e cítricos também cumprem bem essa função. Um conjunto que ajuda muito a manter a fragrância no ar e tratar bem seus convidados é: sabonete liquido, hidratante, difusor de varetas e spray aromatizador.

Saiba ousar e deixar um ambiente delicioso para essa época do ano. Conforto e prazer garantidos com essas dicas especiais!

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Ressignificando

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Meu mundo tem mudado a cada dia, e tudo ao redor dele também. Mas acredito que uma das coisas que mais mudou com o tempo, foi a forma como me alimento. Eu me definia como a verdadeira ‘chata para comer’, só comia doces, alguns tipos de fruta e pouca coisa de comida salgada. Conforme o tempo foi passando, o paladar foi melhorando, e o ‘nojo’ de experimentar coisas novas foi substituído pela vontade de querer conhecer coisas novas. E o que muito me ajudou foi conhecer novos lugares, pessoas, programas de TV sobre viagens e comida, livros, matérias de revistas e jornais, entre tantos outros motivos.

Minha vida e da minha família era recheada do prático: comidas embaladas, marmitas e marmitex de restaurantes, fast food, comida pronta para viagem, e restaurantes. Era legal abrir a comida de uma caixa ou embalagem, ou ir até um restaurante escolher um novo prato do cardápio. O cheiro da comida que já chega pronta até você e rapidamente envolvente ao paladar. Mas tudo isso tomou um novo significado na minha vida quando eu comecei a entender a importância de cada refeição e da alimentação e comecei a aprender a cozinhar.

Eu realmente não sabia nem esquentar comida congelada, mas aos poucos fui me arriscando e aprendendo, e isso se tornou mais que um prazer, mas uma terapia diária. Uma hora que eu realmente foco naquele momento e me divirto muito! Pode ser sozinha, pode ser com a família e amigos. Mas é um momento que eu sinto o aroma de cada alimento, escolho temperos, faço misturas inusitadas e cada dia mais ressignifico esse momento.

Como disse um dos maiores chefs do mundo, Alex Atala, do qual eu sou muito fã: Segure um punhado de moedas nas mãos e as jogue no lixo.Você se importaria de jogar seu dinheiro no lixo, não é mesmo? Porque não temos o mesmo pesar quando jogamos comida no lixo? Ressignifique! Mostre pros seus filhos como esse momento é importante e pode ser prazeroso, e vai muito além de chegar em casa e dizer: Que cheirinho bom de comida no ar!

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Minha preferida

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Assim como quando fazemos uma lista de compras de supermercado e obviamente temos as nossas marcas de produtos favoritas, acredito que para outras coisas na vida também seja assim. Aquela marca de calça jeans que veste melhor, aquele medicamento que temos que tomar todo dia, o shampoo que deixa o cabelo mais brilhante e porque não aquela marca de perfumes que dificilmente lança algo novo que não nos agrade.

Assim aconteceu comigo e a Chanel, um amor à primeira vista! Claro, eu não usaria um Chanel nº5, mas isso não quer dizer que não goste e admire a história e a complexidade que envolve cada parte da produção da fragrância mais icônica do mundo! Mas meu primeiro amor com a marca, foi um perfume que se chama Chance, na tradução ‘chance’, e eu realmente dei uma grande chance a ele e não me arrependi. Antigamente era assim que comprávamos perfumes, pedíamos a algum amigo ou parente que ia viajar para nos trazer uma fragrância. Era inviável comprá-las no Brasil por conta dos preços exorbitantes. E com o Chance não foi diferente, meu pai foi a trabalho para os EUA e não encontrou o perfume que eu amava na época, e assim trouxe ele. E nosso romance começou ali! Depois descobri seus dois outros irmãos: o Fraiche e Tendre.

E a marca acabou de lançar 3 novas fragrâncias, as quais já estou maluca para conhecer. Um trio de colônias frescas e cítricas que se dizem perfeita para o verão. Ganharam o nome de Les Eaux de Chanel, são uma homenagem às 3 cidades que mais marcaram a vida da fundadora da marca, Gabrielle: Biarritz, Deauville e Veneza.

Biarritz é uma cidade localizada no sudoeste da França, tem um estilo praiano bem esportivo, e por esse motivo inspirou a mias fresca das ‘águas de Chanel’ Ela se chama Paris-Biarritz trazendo uma mistura de tornja, íris, gerânio e almíscar. Uma fragrância misteriosa e fresca.

Deauville é uma cidade da Normandia, onde nasceu a primeira boutique de Gabrielle, que foi inaugurada em 1913. Uma cidade meio litorânea e meio campestre. A fragrância se chama Paris-Deauville, e é de certa forma transitória em suas notas, trazendo tanto notas frescas como terrosas, causando essa mistura perfeita entre campo e mar. Notas de frutas cítricas, manjericão, flores como jasmim e rosa e um pouco de patchouli.

Já Veneza, é a única das 3 que saiu da França e foi aterrissar na Itália. A cidade marcou a vida de Gabrielle porque foi para onde ela viajou para se recuperar do luto da perda do namorado Boy Capel, que morreu em um trágico acidente de carro em 1919. Paris-Venise, tem a influência oriental de Veneza, sendo considerada a mais envolvente entre esses lançamentos, com notas que remetem a talco, como o cumaru e baunilha, além de âmbar, frutas vermelhas e neroli.

Um trio para deixar qualquer um confuso na hora de escolher qual usar e que com certeza vai deixar os amantes de Chanel, assim como eu, malucos! Bem vindo verão, bem vindas Águas de Chanel.


*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

O lugar bom

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Tento sempre ter um olhar mais atencioso para o mundo ao meu redor, é legal poder aprender mais, nem se for com a folha que cai, ou o porquê de às vezes a chuva ser tão torrencial, ou as cigarras cantando com tanto fervor nesses últimos tempos. Aprender com quem nos rodeia, com a história das outras pessoas, e até mesmo com os programas de TV. Afinal, não é porque é a sua hora de relaxar que você não pode aprender. Um querido amigo me deu dicas de duas séries muito boas no Netflix (sim, meu novo vício), uma eu acabei bem rápido, a outra ainda estou assistindo com carinho, se chama The Good Place.

Um breve resumo, sem spoilers, é que 4 pessoas morrem e são mandadas para o ‘céu’ e descobrem que realmente existe um Lugar bom e um Lugar ruim. Mas não exatamente como imaginamos bucolicamente. O lugar bom seria realmente um paraíso, onde você encontra a sua alma gêmea e é feliz para todo o sempre. Já o lugar ruim, não é simplesmente um inferno, mas um lugar onde as mais diversas torturas cabulosas que se pode imaginar são realmente praticadas. Essa divisão ocorre pela sua pontuação de bons sentimentos e atitudes na terra, aquelas realmente altruístas, livres do egocentrismo. Como um exemplo, não adianta nada você passar sua vida inteira doando seu tempo e dinheiro para as pessoas, se você faz questão que isso seja noticiado.

Mas uma das coisas que mais me chamou a atenção, é que no Lugar bom existe uma sorveteria só que de frozen iogurte. E os sabores são variados, porém não os comuns, eles são sentimentos. Eu sei, parece confuso, mas imagine que interessante um sabor de como o seu cachorro te olha quando você chega em casa, borboletas no estômago quando você encontra quem você gosta. Aliás, o Lugar ruim também tem gostos de cheiros de sentimentos, mas não exatamente dos melhores. E é quase impossível não ficar pensando que cheiro e sabor teriam esses sentimentos.

Pois não me aguentei, como boa virginiana, em fazer listas mentais de quais sentimentos mais me deixam feliz e eu gostaria que se transformassem em cheiros e sabores. Só sei que essa série te faz acreditar que ter boas atitudes, e ser bom consigo mesmo, faz um bem danado. E, crenças a parte, quem garante que realmente não conta pontos para que depois da morte não nos leve ao Lugar bom!

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

Que as crianças cantem livres

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Acredito que passar por uma eleição e aceitar um novo candidato que por muitas vezes não foi a sua escolha, seja como aprender a gostar de um novo perfume. Eu sei que isso talvez seja uma comparação inapropriada, mas talvez delicada o suficiente assim como o momento pelo qual nós estamos passando. Imagine só, em seu aniversário, um dos seus melhores amigos lhe presentear com aquele perfume caríssimo que está super na moda, mas que é extremamente doce e não combina em nada com a sua personalidade. Mas como ele trouxe de outro país e você gosta muita dessa pessoa, você quer agradá-la, e se esforça pra isso.

Penso que talvez seja exatamente isso que falte com a democracia, respeito com a opinião alheia. Não é errado ser oposição, mas é errado sim não aceitar o que foi escolhido por uma votação, e transformar isso em uma guerra. Acredite, a democracia apesar de justa ela nunca vai fazer 100% das pessoas felizes.Comecei a votar desde os meus 16 anos, assim que esse direito foi me dado, mas minha consciência política foi mudando muito com o tempo. Tive o privilégio de crescer em uma família em que se debatia, se explicava e discutia esse assunto sempre! Opiniões não eram minorizadas, e cada argumento sempre foi ouvido como até hoje é. Tive exemplos de avós que liam os jornais todos os dias, e debatiam sobre tudo aquilo entre eles, e conosco. Minha avó sempre contava essa história em que o pai dela ‘obrigava’ os 5 filhos a sempre discutir uma das matérias do jornal na hora do almoço, era a forma que ele achava para que sempre se interessassem a estarem informados. E ela cresceu ensinando isso pra gente, essa herança familiar linda de intelectuais e jornalistas.

Talvez o presidente eleito não tenha sido a minha ou sua escolha, mas com certeza o nosso dever independente disso é aceitar e principalmente fazer a nossa parte para que o impacto disso seja positivo. De certa forma ‘aplaudir’ o que for feito de bom (assim como o fiz em outros governos em que os que estavam no poder não eram os meus candidatos), e reivindicar aquilo que não concordamos. Mas além de ser a eleição com mais polaridade da história do Brasil, com certeza foi a eleição em que com esse acesso tão fácil a opiniões se tornou quase insuportável sobreviver até o final desse segundo turno. Piadinhas e provocações, na minha opinião, são extremamente desnecessárias nesse momento. Que tal tentar mudar o mundo à sua volta? Ensine sua família, amigos e alunos a não serem intolerantes. Ensine como é importante cuidar do meio ambiente. Ensine como a guerra é algo que o nosso país nunca passou, e que não seria legal que acontecesse. Ensine como o trabalho engrandece. Ensine como ler é importante para saber argumentar e viver. Ensine como amar pode ser tão fácil, mais fácil ainda que essas comparações baratas que estão acontecendo. Ensine que todos têm a sua chance de fazer a diferença, e que nunca concordaremos com a opinião dessa diferença 100%.

Li uma coisa ontem que me fez resumir tudo isso: A gente não gosta de todo mundo. A gente não concorda com todo mundo. A gente não é amigo de todo mundo. Mas temos que respeitar todo mundo. Indiretamente, a linda Gisele Bundchen escreveu essa semana: “O futuro é uma tela em branco. Cabe a cada um de nós escrevê-lo e co-criar a realidade na qual queremos viver. O que está acontecendo no mundo hoje é simplesmente um reflexo do que está acontecendo no interior de cada um de nós. Sejamos o exemplo do que queremos ver no mundo, afinal ele mudará quando nós entendermos que a mudança começa primeiro dentro de cada um de nós. Quer respeito? Respeite. Quer amor? Dê amor. Quer honestidade? Seja honesto. Se quisermos um mundo melhor, precisamos primeiro criá-lo dentro de nós mesmos.”

Acredite, tudo que vimos e ouvimos nesses últimos tempos foi ódio e intolerância, até daqueles que estão brigando por ela. Amizades e famílias serem desfeitas por tudo isso. A minha opção política não é aquela que chegou nem sequer ao segundo turno, mas infelizmente, independente das nossas escolhas, temos arcar com o nosso presente. E como estamos vivendo e coexistindo nesse mundo juntos, espero que ao invés de tanta guerra como já foi visto nesses últimos tempos, possamos mostrar com exemplos o que é melhor para todos nós! E quem sabe aprender a usar aquele perfume que achávamos tão ruim.

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

Rompendo barreiras

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O mundo está em constante mudança e evolução, evolução essa que se faz necessária em todos os aspectos e áreas das nossas vidas, porém que dificilmente conseguimos acompanhar a sua rapidez, principalmente quando se trata de tecnologia que mudou nosso modo de viver em todos os aspectos. E por mais que pareça que essa tecnologia nos propicia inúmeras escolhas, na verdade ela nos faz ter múltiplas renúncias de grandes e pequenas coisas.

O incrível é pensar em como ela está substituindo o trabalho humano e realmente ajudando a criar novas possibilidades para áreas que, por muitas vezes, já se imaginava ser difícil de inovar. Como o ramo da perfumaria, por exemplo. Foi pensando nisso, que a empresa brasileira O Boticário, uma das maiores redes de cosméticos do mundo, se juntou com a Symrise (uma das maiores casas de fragrâncias do mundo) e a IBM Research para criar as primeiras fragrâncias do mundo desenvolvidas com a ajuda de inteligência artificial. Foi a junção perfeita da ‘antiquada’ alquimia dos perfumes com a mais avançada tecnologia, aquela combinação exata de emoção (o nariz do homem) e automatização (o cérebro do sistema). O briefing para esse projeto era até que bem simples: a criação de um produto para quem gosta de aproveitar a vida ao máximo (focado na geração millennial), que gosta de praticar esportes, não tem medo de correr riscos, e quer ser livre para fazer suas próprias escolhas, e que tivesse a ver com o consumidor brasileiro e sua latinidade.

Assim, a Symrise, usou a Phylira (tecnologia criada pela IBM), um tipo de inteligência artificial que usa algorítimos de aprendizado automático para examinar milhões de fórmulas e ingredientes de forma a identificar padrões e novas combinações. O resultado? Nada menos que duas combinações bem inusitadas, um mix de: flores, frutas, notas doces, especiarias, madeiras e até mesmo pepino. Fórmulas que surpreenderam até mesmo os perfumistas experientes da equipe e que só precisaram de pequenos ajustes para ficar completamente perfeitas.

Esse incrível processo com certeza deve estar chegando ao mundo cosmético para ficar, ele otimiza o tempo de criação que costumava ser de pelo menos 3 anos, permitindo que as equipes de marketing e P&D se dediquem muito mais às combinações finais, concluindo a fragrância em tempo recorde. É a combinação perfeita entre qualidade e consumidores ansiosos por novidades.

Obviamente que essa máquina (ainda) não consegue ter a percepção do olfato, mas ao contrário do cérebro humano ela consegue gravar rapidamente milhões de fórmulas e matérias primas e concomitantemente ajustar tudo isso ao gosto do consumidor. O perfumista então será o ‘controle de qualidade’ nesse caso, e finalizará as criações dando mais personalidade. Estamos começando a viver a era de que os limites da perfumaria estão sendo ultrapassados, a última grande mudança nessa área foi emno final do século 19 com a introdução de matérias primas sintéticas nas paletas dos perfumistas. Essa será a nova fronteira a ser cruzada pelas grandes casas de perfumaria. Preparam-se para um novo mundo de fragrâncias surpreendentes!


*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.