Chega de coronavírus

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Trump proibiu a entrada nos EUA de passageiros da União Europeia, declarou estado de emergência, liberou US$ 50 bilhões para que cidades e estados combatam o coronavírus, o Federal Reserve Bank lançará US$ 1,5 trilhão para enfrentar os problemas econômicos trazidos pela pandemia.

O primeiro-ministro israelense Netanyahu fechou as fronteiras do país: de onde quer que venha, o viajante terá de passar por 14 dias de quarentena e convidou o principal líder da oposição, Benny Gantz, para um governo de união nacional para combater o coronavírus. E Netanyahu teve de disputar três eleições contra Gantz (duas delas empatadas) para manter-se no poder.

Argentina e Bolívia proibiram voos provenientes da Europa. Em todos os casos, o objetivo é reduzir o risco de entrada de novos contaminados.

No Brasil, o navio de turismo italiano MSC Fantasia, o segundo maior a operar no país, com capacidade para 5.700 passageiros, atracou nesta sexta em Maceió. O governador alagoano Renan Filho proibiu os passageiros de passear na cidade. Mas os passageiros foram passear. “Passeios curtos”, dizem as empresas de turismo receptivo. Mas Renan Filho age como se houvesse proibição: diz que os pacotes de passeios no Estado foram suspensos e suspensos ficarão.

 Algo mais?

Orlando, nos Estados Unidos, fechou os parques temáticos, sua principal atração turística. Aqui, o presidente Bolsonaro disse que o coronavírus era superestimado pela imprensa – e só aceitou a existência da pandemia quando seu secretário da Comunicação, Fábio Wajngarten, foi contaminado. Por isso o presidente decidiu fazer o teste, que deu negativo – ainda bem.

Mas mesmo assim houve confusão: a Fox News, ligadíssima a Trump, disse que Eduardo Bolsonaro havia informado que o pai tinha contraído o vírus. Eduardo nega, põe a culpa nos horrendos jornalistas, mas a Fox confirma: disse, sim. A Fox pertence a Rupert Murdoch, direita total. Deve achar Bolsonaro meio petista.

 E a economia?

Trump disse que salvará as empresas americanas feridas pela pandemia (imagine uma empresa aérea, pagando aluguel de aviões, pagando lugar nos aeroportos, proibida de voar para seu principal destino). No Brasil, quais os planos para enfrentar a crise? Paulo Guedes, no Congresso, foi raso, causou decepção – não por anunciar medidas que talvez não funcionassem, mas por praticamente não anunciar nada. Disse (e tem razão) que é preciso aprovar rapidamente as reformas. OK, como diria o presidente. Mas a reforma administrativa está nas mãos de Bolsonaro há quase quatro meses, a reforma tributária nem está proposta, e além disso, mesmo aprovadas exatamente como o Governo quiser, mesmo que sejam ótimas, não terão efeito imediato.

Até lá, como evitar a quebra das empresas atingidas pela crise? Será liberada em abril a metade do 13º, uma tentativa de manter o consumo aquecido até que a epidemia se esgote. Fala-se em gastar R$ 5,1 bilhões no combate ao coronavírus. Mas ainda procuram onde achar esse dinheiro.

 Mudança à vista

O general Luiz Eduardo Ramos, secretário do Governo, está em baixa: foi quem negociou com o Congresso aqueles R$ 30 bilhões do Orçamento. Não agiu sozinho: Bolsonaro aprovou a negociação. Mas, em seguida, voltou-se contra ela e chegou a apoiar a manifestação que deveria ocorrer hoje. Enfim, os parlamentares não confiam mais no general, não por duvidar de sua palavra, mas por achar que não tem força junto ao presidente para mantê-la.

Já se falava em tirá-lo. E agora há um bom motivo para a substituição: um velho amigo de Bolsonaro, o deputado Alberto Fraga, líder máximo da Bancada da Bala, foi absolvido num processo e, inocentado, gostaria de estar ao lado do Cavalão – apelido carinhoso que dá ao presidente, Aliás, gostaria mesmo de estar na Secretaria do Governo, a do general Luiz Eduardo Ramos.

 Atenção

Presos em Brasília, dirigentes do PCC, o Primeiro Comando da Capital, ameaçam entrar em greve de fome para protestar contra a quantidade e a qualidade da comida que lhes é servida. O principal líder do PCC, Marcola, está lá, mas dizem que é contra a greve de fome. O problema é que ocorreu algo semelhante em São Paulo, no Governo de Cláudio Lembo, quando o PCC se rebelou e mandou matar policiais nas ruas. Teme-se nova rebelião.

 Viva a Globo

O PT e partidos que gravitam ao redor detestam a Globo, que chamam de Globolixo e outros nomes pouco educados. Agora, dizem que a Globo nada divulgou sobre manifestações pelo 8 de março, Dia Internacional da Mulher. O presidente Bolsonaro e militantes que gravitam ao redor detestam a Globo, que chamam de Globolixo e outros nomes pouco educados. Acusam a Globo de dizer que o presidente havia convocado a marcha de hoje (que depois suspendeu). Se os dois lados a criticam, a Globo deve estar sendo imparcial.

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A política do petróleo

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 A Arábia Saudita pediu à Rússia que reduzisse a produção de petróleo, já que a China diminuiu as compras e o preço iria cair. A Rússia recusou. E os sauditas reagiram duro: reduziram o preço do petróleo em 30% e anunciaram o aumento da produção em quase três milhões de barris por dia. Mas, além de mostrar a força econômica, os sauditas têm também um objetivo político.

A derrubada do preço do petróleo atinge pesadamente o Irã, inimigo dos sauditas. Sufocado por imensas despesas militares, as finanças sofrendo com o embargo americano, o Irã depende de vendas de petróleo no varejo. Não tem como suportar a queda dos preços. A Venezuela também terá problemas sérios (e, embora não seja exatamente inimiga dos sauditas, é amiga do Irã). A Rússia, que apoia o Irã, protege o regime sírio (mal visto pela Arábia Saudita) e bombardeia grupos armados ligados de alguma forma aos sauditas, não vai falir por causa da queda do petróleo, mas terá grandes prejuízos. Talvez aprenda que, em petróleo, os sauditas são os mestres.

Os americanos também têm perdas – a produção de shale oil, o petróleo de xisto, fica inviável. Mas as usinas não são tão caras, podem ficar paradas até que o negócio volte a valer a pena. E os Estados Unidos, enquanto isso, podem importar petróleo barato e até crescer na crise (a menos que os vírus o impeçam).

Os Estados Unidos são o maior aliado mundial dos sauditas. Já o Brasil… de acordo com nosso Governo, não existe crise, apenas fantasia.

 Marolinha e fantasia

A última grande crise econômica mundial foi chamada pelo então presidente Lula de “marolinha”. Até hoje pagamos os custos da marolinha. A atual crise é chamada pelo presidente Bolsonaro de “fantasia”. A fantasia fez com que a Bolsa recuasse aos índices anteriores à sua posse. O dólar bate recordes. O valor das empresas cotadas em Bolsa se reduziu em quase meio trilhão de reais (embora não haja perda real para quem tiver condições de manter as ações, sem vendê-las às pressas, esperando que voltem ao normal).

Bolsonaro também diz que a questão do coronavírus não é tudo que a grande mídia propaga. Se tiver razão, a Universidade Harvard é dirigida por malucos que suspenderam as aulas por causa do noticiário da imprensa sobre o coronavírus. O caríssimo futebol europeu é dirigido por idiotas que, por causa da imprensa, perdem dinheiro jogando em estádios sem torcida. Os israelenses são dirigidos por irresponsáveis que, acreditando na imprensa, impuseram isolamento de 14 dias a visitantes de qualquer parte do mundo.

Bolsonaro tem certeza do que diz, tanto que convoca manifestação em todo o país em que milhares de pessoas poderão se expor ao coronavírus.

 Muy amigo

Trump convidou Bolsonaro para jantar em seu resort de Mar-a-Lago, na Florida, uma beleza cinco-estrelas – e, mais importante, numa propriedade de Trump, algo pessoal, informal, não burocrático. Trump chamou Bolsonaro de “bom amigo”, “que está fazendo um trabalho fantástico”, garantiu que os Estados Unidos sempre “ajudarão o Brasil”, que as relações entre os dois países estão em excelente momento. Mas não quis se comprometer a evitar o aumento de tarifas sobre importações de aço e alumínio brasileiros. “Não faço nenhuma promessa”.

Tudo bem: promessas são sempre boas, agradáveis, simpáticas, desde que não se acredite nelas.

Racismo, não

Houve quem acreditasse que usando perfis falsos na Internet poderia fazer o que quisesse. Duas pessoas que acreditaram nisso, e usaram perfis falsos para agredir na Internet a jornalista Maria Júlia (Maju) Coutinho, da Rede Globo, acabam de ser condenados. Ambos fizeram ataques racistas contra Maju. Foram identificados, processados e sentenciados. Érico Monteiro dos Santos foi condenado a seis anos de prisão e Rogério Wagner Castor Sales a cinco, ambas as penas em regime semiaberto. O juiz Eduardo Pereira Santos Jr., da 5ª Vara Criminal, de São Paulo, condenou-os também por corrupção de menores, por terem levado três adolescentes a cometer o mesmo crime.

Os crimes

O juiz, citado pelo ótimo portal Consultor Jurídico, concluiu que ambos cometeram crimes de racismo e injúria racial. “O racismo, no caso, deu-se em sua forma qualificada, eis que as frases de ódio racial e de cor foram publicadas na página virtual do Jornal Nacional da Rede Globo, ou seja, em ambiente de amplo acesso ao público. Está caracterizado também o crime de injúria racial”. Duas outras pessoas foram absolvidas por falta de provas. Os condenados podem recorrer da sentença em liberdade.

 Boa notícia

Lembra-se dos tempos de Jayme Lerner, em que Curitiba se transformou em símbolo de cidade bem administrada? Pois bem: um dos seus assessores mais próximos sai candidato a vereador pelo PDT curitibano, e com apoio formal de Lerner. Se votasse lá, este colunista votaria em Gerson Guelmann.

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​De toga e batom

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Há 103 anos, mulheres indignadas com os preços altos, o desemprego, o desabastecimento e a piora das condições de vida na Rússia imperial fizeram uma grande passeata. Operários homens se juntaram a elas, num protesto que a Polícia não conseguiu reprimir. Foram dias de manifestação – uma prévia do que seria a Revolução russa de 1917, que derrubou o czar. E a data é relembrada no Dia Internacional da Mulher, sempre em 8 de março.

As coisas estão mudando, não em todo o mundo (ainda há países onde as mulheres não podem sair à rua sem a companhia de um homem da família), mas no mundo civilizado. Aquela força rebelde das mulheres russas indignadas e inconformadas já se estende à estrutura formal de poder.

A partir de agora, há mais advogadas que advogados no Rio Grande do Sul. Segundo o ótimo portal jurídico Espaço Vital, já há 43.579 advogadas para 42.810 advogados. Há ministras no STF brasileiro. Nos EUA, Nancy Pelosi é a poderosa presidente da Câmara dos Deputados. A primeira-ministra da Islândia chefia um governo de muitas mulheres; a pessoa com mais poder na Europa é a primeira-ministra alemã Angela Merkel.  Índia e Israel tiveram primeiras-ministras, ambas comandaram guerras vitoriosas e são sempre lembradas. Hillary Clinton por pouco não se elegeu presidente dos EUA – teve mais votos que Trump, mas perdeu na soma dos delegados. Leva tempo – mas a conquista da igualdade pelas mulheres é inevitável.

Ouro e brilhantes – o retorno

A Suíça devolveu ao Brasil 4,5 kg de ouro e 27 brilhantes lá depositados pelo esquema do ex-governador Sérgio Cabral, hoje preso. A existência e a localização do tesouro foram reveladas por dois dos responsáveis pela ocultação dos bens do grupo, que fizeram acordo de delação premiada.

No total, os delatores levaram o Ministério Público a recuperar algo como US$ 100 milhões de Sérgio Cabral entregues a eles para ocultação. O ouro e os brilhantes estão avaliados em R$ 20 milhões.

Apartamento – o retorno

Nota na coluna de Ancelmo Góis, O Globo, dia 6: “A advogada Adriana Ancelmo pediu de volta o apartamento da rua Aristides Espínola, onde ela morou com Sergio Cabral, que tinha sido alugado. Metade dos aluguéis vai para ela, a outra metade é depositada em favor da 7ª Vara Criminal Federal, por decisão do juiz. Ela pretende morar lá com o novo namorado.

“Aliás, Adriana não é legalmente casada com o ex-governador. Quando eles brigaram, em 2011, divorciaram e nunca voltaram a casar”.

Vivo ou morto

Mais uma citação do Espaço Vital (www.espacovital.com.br): o advogado carioca Michel Assef, 75 anos, esteve na semana passada numa agência da Caixa Econômica Federal do Rio, para fazer prova de vida (exigência do INSS). Provou que estava vivo, recebeu o comprovante, e foi para casa. Dias depois, recebeu aviso da Caixa avisando que, como no ano anterior ele não tinha feito a prova de vida, teria de comprovar com documentos que estava vivo em 2019. Estar vivo em 2020, para os burocratas, não prova que estava vivo um ano antes.

A propósito, a reforma administrativa sai ou não sai?

Lombo dolorido

O Impostômetro colocado pela Associação Comercial de São Paulo no centro da cidade alcançou R$ 500 bilhões no dia 6. O valor dos impostos, contribuições, multas e taxas foi alcançado três dias antes que no ano anterior. O dinheiro retirado do bolso dos cidadãos também saiu alguns dias mais cedo. O economista Emílio Alfieri, da ACSP, sustenta que essa notícia pode ser positiva: como as alíquotas não subiram, indica uma recuperação  da economia – lenta, mas em alta. O déficit público também caiu, de 1,2% para 0,7%. “Antes”, diz Alfieri, “aumentava a arrecadação, mas o Governo gastava mais, e o déficit crescia. Agora a receita aumenta e o gasto cai. Isso mostra que a política econômica está no rumo certo”.

Menos bagunça

O economista da Associação Comercial lembra, porém, que a retomada do desenvolvimento poderia ser maior se as reformas já estivessem feitas. Esperemos: as reformas administrativa e tributária continuam paradas. E a cada crise dessas a que nos habituamos faz com que a demora aumente.

Boa notícia

No Governo Bolsonaro, a quantidade de cartões corporativos em uso caiu de 6.100 (com Dilma) para 1.666 – quase 75% a menos.  Os gastos da Presidência da República com os cartões corporativos, que chegaram ao recorde de R$ 80 milhões em 2010, último ano do Governo Lula, e ficaram na média de R$ 60,2 milhões por ano no Governo Dilma, já não caíram tanto: de acordo com o colunista Cláudio Humberto (www.diariodopoder.com.br) os gastos estão hoje em R$ 52 milhões anuais, a mesma média registrada no Governo Michel Temer. 

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​Basta de sujeira

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Juscelino Kubitschek, presidente da República, tentou cassar o mandato de Carlos Lacerda, o temível orador oposicionista. Este colunista ouvia os duelos entre Carlos Lacerda e o baiano Vieira de Mello pelo rádio de ondas curtas. Valia a pena, apesar do som horroroso. Adhemar de Barros e Jânio Quadros eram, mais que adversários, inimigos; insultavam-se em discursos. Jânio chamou Adhemar de "rato". Lacerda duelou com o temível Leonel Brizola e com o presidente Castello Branco – de quem disse que era mais feio por dentro do que por fora. Brizola, duro adversário político do grande senador Paulo Brossard, chamava-o de "Ruy Barbosa em compota".

São mais de cinquenta anos de história, com adversários bons de briga, até com ameaças de morte. Mas, nesse tempo todo, ninguém tocou na família do adversário, ou do inimigo. O adversário era uma pessoa a ser combatida, mas sem chamar ao picadeiro sua esposa e seus filhos. As ideias podiam ser destruídas, mas o tema era política. O Estado de S.Paulo, que não suportava Adhemar de Barros, se referiu à sua esposa, Leonor Mendes de Barros, como "senhora de peregrinas virtudes" - um elogio e tanto.

Não dá para aceitar que, para atacar Bolsonaro, falem de sua esposa. Ataquem-no - a ele. Quem governa é ele, não ela. O relacionamento entre ambos não é tema de debate público. Quem faz jogo tão sujo aonde quer chegar? Política é cruel, mas como tudo na vida tem de ter um limite ético.

Lula lá

Duas ondas seguidas de indignação: primeiro, com o papa Francisco, por ter recebido em audiência o ex-presidente Lula; segundo, com a prefeita de Paris, por ter outorgado a Lula o título de Cidadão Honorário. Certo, Lula foi condenado pela Justiça brasileira. E daí? O papa é monarca do Estado do Vaticano, tem todo o direito de receber quem quiser. E, sendo também um líder espiritual, tem a tarefa de oferecer consolo aos aflitos. Não é questão de merecimento: é missão de vida. Daí a achar que o papa é comunista, como vimos em tantos protestos, vai uma certa distância. A Igreja é mais antiga que Marx, sobreviveu ao comunismo e tem, ao lado do papa, um sólido grupo de assessores católicos altamente preparados. Quanto à prefeita de Paris, é socialista. Não ofendeu o Brasil: festejou o correligionário. Algo que o PT fez com Césare Battisti: deu-lhe proteção, sem intenção de ofender a Itália.

Reação brasileira

Com todos os problemas da economia internacional nesses tempos de coronavirus, a balança comercial brasileira foi excepcionalmente bem em fevereiro: exportamos quase US$ 3,1 bilhão além do que importamos. É o 3º maior superávit comercial de fevereiro dos últimos 31 anos. Se é verdade que os problemas chineses reduziram as importações de lá, reduziram também as exportações para lá. Melhor: em janeiro houve déficit e o Brasil reagiu sem estímulos artificiais ou medidas econômicas de emergência.

Reação italiana

A Itália decidiu injetar € 3,6 bilhões (pouco mais de R$ 18 bilhões) para combater o impacto econômico do coronavirus. O anúncio foi feito pelo ministro da Economia, Roberto Gualtieri. A Itália é o país europeu com mais casos de pessoas infectadas pelo coronavirus.

Agora vai!

Lembra-se do "Meu nome é Enéas"? O partido de Enéas Carneiro, o Prona, fundiu-se após a morte de seu líder com o Partido Liberal, PL, dando origem ao PR, Partido da República, de Valdemar Costa Neto. Pois um companheiro de Enéas, o ex-deputado federal Elimar Damasceno, quer recriar o Prona, "que atuará como grande reforço do Governo Bolsonaro". Como será seu slogan? "Meu nome é Elimar Damasceno" fica estranho.

Uma dica: a dra. Havanir Nimtz ("Meu nome é Havanir") está no PRTB, partido de Levy Fidélix, o do aerotrem.

Razão para quem tem

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, tem toda a razão ao culpar parte da população, que joga lixo nas ruas e nos córregos, pelo agravamento das enchentes no Rio (isso vale também para outras cidades). Mas há algumas perguntas a que Crivella poderia responder: a primeira, por que uma parte da população joga lixo em lugares inadequados? Não seria por falta de lugares adequados e de coleta adequada? Segunda, por que, durante seu mandato, não foi aplicado R$ 1,2 bilhão, previsto em orçamento, para contenção de enchentes? Há mais algumas coisas: como disse Crivella, a família vai para uma área de risco e quer ficar o mais perto possível do córrego, para gastar menos com os tubos que levarão seus dejetos à água. Talvez isso ocorra por falta de um sistema de coleta e tratamento de esgotos. E quem autoriza, ou deixa de proibir, casas em lugares perigosos? Não seria a Prefeitura, a própria? Ao omitir-se, não se coloca como cúmplice dos danos das chuvas?

A propósito, já se descobriu o que andava contaminando a água do Rio?

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​Calma no Brasil

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A passeata do dia 15, pró-Bolsonaro, deve ocorrer. Mas nada de fazer tremer o país: já houve acordo entre Bolsonaro e o Congresso e o presidente do Supremo pediu calma a todos. A tendência é de tranquilidade.

O problema começou com o Orçamento impositivo: verbas destinadas a parlamentares no Orçamento teriam obrigatoriamente de ser aplicadas. Antes a verba era aprovada e o Executivo poderia ou não aplicá-la. Em geral, eram aplicadas as verbas de deputados aliados, e esquecidas as de adversários. A lei mudou no ano passado, com o voto favorável de Eduardo Bolsonaro. Assim é em boa parte do mundo – a função básica do Parlamento (e o motivo pelo qual foi criado na Inglaterra, há uns mil anos) é controlar os gastos do Executivo. O problema é que a coisa foi mal combinada: no fim, ficou a verba maior com o Congresso, e o relator do Orçamento ganhou o poder de, sozinho, aplicá-la. A briga não era apenas entre Executivo e Legislativo. O Senado também não queria o poder total do dinheiro na mão de um deputado.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, DEM, moveu-se logo após o general Augusto Heleno ter-se mostrado descortês ao lado do microfone ligado. A saída: o Congresso desiste de metade dos R$ 30 bilhões em debate, e talvez, para manter a paridade entre deputados e senadores, desista de tudo. Bolsonaro deixa de estimular a passeata do dia 15, que sai menos forte. Tudo bem – mas juntar gente em tempo de coronavirus não é uma grande ideia.

Como é mesmo?

Se era possível chegar a um acordo em tão pouco tempo, por que surgiu a crise? Em parte, a crise agrada a todos. Bolsonaro governa por atrito, tem aliados que falam demais, tem uma ala seguidores cujo sonho é fechar o Congresso e o STF. A oposição marcou três manifestações que ganham divulgação: domingo, Dia Internacional da Mulher, contra as indelicadezas do bolsonarismo com relação a mulheres; no dia 14,  para cobrar os nomes de quem ordenou a morte, há dois anos, da vereadora Marielle; no dia 18, da UNE e centrais sindicais, sob os temas da Educação e da proteção aos servidores públicos. Todas, agora, ganham o tema de defesa da democracia.

Por que não?

Se tantas alas oficiais gostam da ideia, por que não apertar o acelerador da manifestação? Um bom motivo é que sempre se sabe como as passeatas começam, mas não como terminam. A passeata do Vale-Transporte, “não são só vinte centavos”, tinha alma petista. Dela derivaram as manifestações que levaram ao Fora PT. Mais: até agora, por mais que tenha sido provocada, a oposição não conseguiu ocupara rua. Retomar as passeatas pode até ajudá-la. E, talvez o motivo mais forte, a economia, hesitante, tende a piorar com o coronavirus. Manifestações contra o Congresso podem levar a investidores e ao Primeiro Mundo a ideia de que estamos à beira de uma ruptura da democracia. Acordos e investimentos esperariam a normalização do país. Enfim, o Congresso pode derrubar vetos do presidente e rejeitar propostas importantes para seu Governo. Pode até aprovar despesas para ele pagar.

Por falar em economia...

A reforma da Previdência passou. A reforma tributária ainda não saiu das pranchetas do Ministério da Economia. A reforma administrativa está há três meses parada na gaveta de Bolsonaro. A propósito, o ministro da Administração de Fernando Henrique, Luiz Carlos Bresser Pereira, elaborou um projeto que, dizem muitos especialistas, é ótimo. Boa parte dele já foi aprovada, mas as leis complementares ficaram para um dia desses. Por que não estudá-lo, mudar o que for preciso e resolver o assunto?

Gritou, acalmou

Bolsonaro não gosta de Ciro nem de Cid Gomes, caciques do Ceará. Não gosta do PT, partido do governador cearense Camilo Santana, que é aliado dos Gomes. Disse que não prorrogaria a autorização do emprego das Forças Armadas na segurança cearense. Mas voltou atrás: por mais oito dias, a GLO (Garantia da Lei e da Ordem) continua vigorando. Ou não: com ou sem GLO, o motim da PM não foi enfrentado. Por mais justos que sejam os motivos da PM para o que chamam de “entrar em greve” (eufemismo para motim), estão fora da lei. O Exército pode ser usado para enquadrá-los, mas ainda não foi.

A outra crise

Mas é bom que o presidente resolva logo a questão – e resolvê-la não é, como sugeriu, que o governador negocie com a PM. Não se pode negociar com amotinados, sem que eles primeiro se rendam. Se Santana der aumento à PM (e certamente um bom aumento seria justo), não haverá como conter a PM de outros Estados, querendo equiparação. Se o Ceará tivesse recursos, o governador – qualquer governador, de qualquer partido – teria dado aumento antes do motim. O fato é que quatro governadores – Maranhão, Rio, Bahia e Piauí – se dispõem a mandar tropas estaduais para ajudar o Ceará. Não querem deixar que assaltos e assassínios continuem se multiplicando por lá.

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Quem precisa dar o exemplo

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Beleza a festa pré-carnavalesca oferecida pelo governador baiano Rui Costa a convidados selecionados. Boa comida, boa bebida, salões decorados com esmero, gente de traje esporte fino, gente de black-tie (em Salvador, no verão!) Beleza! Mas há seis anos o funcionalismo público da Bahia não tem reajuste, oito colégios estaduais foram fechados por questões de economia. Claro, por mais luxuosa que tenha sido a festa, o que se gastou com ela não seria suficiente para resolver nenhum dos problemas do Governo estadual. Verdade. Só que o exemplo só pode vir de cima. Se as Excelências gastam à vontade, que recado estão passando ao povo?

Não é só a festa baiana. Os ministros do Supremo poderiam deixar de comer lagosta e tomar vinhos premiados que isso não faria diferença no orçamento da União. Da mesma forma, o custo do plano de saúde do Senado (é vitalício, vale também para ex-senadores, dá cobertura total, sem limite, extensiva a cônjuges e a filhos e enteados até 33 anos de idade) não ajudaria a cobrir o déficit público. Mas mostra que no Brasil o privilégio é sagrado.

Durante a Segunda Guerra, com Londres sob bombardeio, o rei George 6º insistiu em ficar na cidade, com a família. Sua filha Elizabeth, hoje rainha, trabalhou como enfermeira. A Coroa deu seu recado: lutaremos até a vitória.

Ninguém quer ver os governantes passando necessidades. Mas é preciso dar tanta festa, com tantos funcionários, com tantos carros? Respeitem-nos!

 Exemplo é exemplo

Harry S. Truman, presidente americano na época da vitória na 2ª Guerra, não tinha poupanças ao deixar o poder. Foi então que o Congresso autorizou uma pensão para os ex-presidentes. Conta-se que, ao passar o cargo, Truman recusou o carro oficial que o levaria ao aeroporto, por não ser mais presidente, e, pelo mesmo motivo, rejeitou o avião posto à sua disposição. Foi ao aeroporto de táxi e comprou passagem de volta para seu Estado.

 O salário policial

A Polícia Militar do Ceará está amotinada, e há articulações em outros 12 Estados para iniciar movimentos semelhantes. Greve de agentes armados já é ilegal; motim é de extravagante ilegalidade. Mas há outra questão: salário. Os PMs ganham mal, a Polícia Civil ganha pior ainda. E falta equipamento essencial: não há coletes suficientes à prova de bala, parte dos que existem está com validade vencida. Como convencer policiais, civis ou militares, de que não há mesmo recursos para eles, se Executivo, Legislativo e Judiciário não têm problema de verbas? Claro, se a mordomia fosse reduzida a zero, a economia não daria para resolver todos os problemas de equipamento e salário da Polícia; mas haveria a convicção de que o problema era de todos. Mas como falar nisso quando o pessoal de cima tem penduricalhos e não vê qualquer obstáculo para ganhar mais que o teto constitucional, que seria o de ministro do Supremo Tribunal Federal? Se “eles” podem, por que “nós” não?

Apenas como complemento: São Paulo, o Estado mais rico da Federação, paga aos policiais civis o salário mais baixo do país.

 Epidemia e economia

As bolsas caíram no mundo inteiro (e caíram muito) diante das notícias de que o número de pessoas infectadas por coronavírus continua crescendo. Não é só o número: carros coreanos dependem de peças chinesas, a Apple, uma das empresas mais valiosas do mundo, depende da produção da China, o Brasil exporta pesadamente para a China (importa pesadamente, também).

Na segunda-feira, o índice Dow Jones americano caiu 1.031 pontos, a segunda maior queda de sua história de 124 anos; e na terça caiu mais um pouco. Os recibos brasileiros (ADR) também caíram mais de mil pontos. Espera-se que hoje ocorra uma recuperação parcial das principais bolsas.

 Palavra de especialista

O investidor Warren Buffet, um dos homens mais ricos do mundo, diz que a doença não afetou suas perspectivas econômicas a longo prazo. Seu conselho aos investidores: não comprem nem vendam ações com base nas manchetes dos jornais. Buffet dirige a gigante Berkshire Hathaway. Entre outras coisas, tem pouco mais de 5% da Apple e é sócio de Jorge Paulo Lehman em empresas como AB Inbev, Heinz e Burger King.

 A má notícia

As estimativas são de que na China haja 78 mil pessoas contaminadas, e que 2.663 mortes já tenham ocorrido. Na Coreia, há 977 casos, com dez mortes. Na Itália, são 283 casos, sete mortes e onze cidades sob quarentena.

 A boa notícia

O presidente Donald Trump pediu ao Congresso US$ 2,5 bilhões para o combate ao coronavírus. Destes, US$ 1 bilhão se destinam a desenvolver a vacina. Trump disse na Índia que, nos EUA, a doença está sob controle, que os americanos contaminados se recuperam e que a produção da vacina está próxima. Mas, se estivesse próxima, haveria tempo para gastar US$ 1 bilhão?

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Tudo tem seu nome certo.

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 Comecemos repondo as coisas em seu devido lugar, com seus devidos nomes. Não há qualquer greve na Polícia Militar do Ceará. Há motim, e isso é crime. O senador Cid Gomes não estava tentando repor a ordem na cidade de sua família, Sobral, ao assumir o comando de uma retroescavadeira para tentar derrubar as portas do quartel da PM: estava irregularmente pilotando um equipamento para o qual não é habilitado, com fortes probabilidades de matar quem estivesse em seu caminho – além de provocar dano ao patrimônio público. Em suma, todos errados. Uma corporação armada pelo Estado, com monopólio do uso da força, não pode usar essa força para se impor ao Estado. E os amotinados sabiam disso, tanto que vários usavam máscaras para não ser reconhecidos. Não é apenas uma teoria: é a Lei. A Polícia Militar é força auxiliar do Exército, e militares são proibidos pela Constituição de paralisar suas atividades. Mais? O Supremo reafirmou que a proibição vale para todos os agentes de segurança pública. Quanto ao tiro, há quem defenda a tese de que houve legítima defesa, para evitar o atropelamento pela retroescavadeira.

Se a lei é clara, o motim já é descaramento. O motim, não: os motins. Nos últimos dez anos, houve mais de 30 “greves” de bombeiros e de policiais militares. Em todos os casos, claro, era motim. E tudo ficou por isso mesmo: em 2011 e 2015, o Congresso aprovou duas grandes anistias para bombeiros e policiais militares amotinados.

É proibido. Mas, como vemos, pode.

  Carnaval

Meninos, eu vi: um dirigente de partido de esquerda tentando passar com retroescavadeira por cima de assalariados que queriam ganhar mais.

 Deixa o barco correr

Há gente no Congresso ofendida com uma declaração do general Augusto Heleno (que imaginava não estar sendo ouvido) a respeito dos parlamentares: “Não podemos aceitar esse pessoal chantageando a gente”. O ponto final da declaração, aliás, é um selo de autenticidade bolsonarista: um palavrão.

Os fatos: um acordo, negociado pelo secretário de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, garantia que a aceitação dos vetos do presidente Bolsonaro à Lei Orçamentária aprovada pelo Legislativo. Com os vetos, a lei se tornaria mais palatável ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e liberaria uma boa parte do Orçamento para que o Executivo decidisse o que fazer. Aí vem a declaração do general Augusto Heleno. Irritação do Congresso, tudo bem; faz parte do jogo. Mas o que parece ter passado despercebido é que um dos generais do Governo se colocou frontalmente contra o trabalho do outro.

Como os generais Ramos e Augusto Heleno porão em ordem suas relações e sua posição quanto ao que o Governo pode ou não aceitar?

 Tudo volta ao normal

Alguns parlamentares mais exaltados dizem que, pela opinião que expressou, o general Augusto Heleno trabalha contra a democracia. Ah, que falta faz conhecer a História do Brasil! O general Augusto Heleno era ajudante de ordens do ministro Sílvio Frota, duro entre os duros, que fez o possível para minar a já lenta transição do regime militar para a democracia. Frota foi demitido pelo presidente Geisel (e, sem êxito, tentou derrubá-lo).

Com Frota, foi demitido, entre outros, o capitão Augusto Heleno.

 Deixa o barco correr

Correm rumores de que o presidente Bolsonaro anda meio desiludido com a economia: há alguns êxitos, há aplausos de economistas brasileiros e estrangeiros às ideias de Guedes, mas o desemprego continua altíssimo e o desenvolvimento econômico continua lento. Os comentários, que chegaram a ser publicados em diversos jornais, são de que Guedes teria até o fim deste ano para obter crescimento superior a 2%.

Se é assim, Guedes pode continuar a usar os holofotes oficiais para revelar que muitas domésticas viajam para a Disney ou que “a mãe de seu pai” (que outros chamariam de “avó”) foi doméstica. Tudo indica que o crescimento ultrapassará os 2%, mas por bem pouquinho. De qualquer maneira, esse número mágico o salva da demissão.

 Deixa o dia raiar

Escapar de ser demitido não significa, entretanto, manter-se no posto. Há também rumores de que Paulo Guedes já se cansou de ser o Posto Ipiranga, que como um bom posto de combustíveis não sai do lugar. Sua reforma administrativa está há um bom tempo nas gavetas do Governo, sua reforma tributária também não se move, e ele corre o risco de ver o Congresso votar projetos que já estão por lá, mas que não são os de seus sonhos. E frases como uma das últimas de Bolsonaro, de que “por ora Paulo Guedes continua” ou de que ele “não pediu para sair” podem levá-lo a ir embora.

No fundo, Bolsonaro fez como o cartola para quem o técnico “está prestigiado”.

 O que você pedir eu lhe dou

O fato é que o mútuo encantamento já não existe entre o presidente e Guedes. Apesar dos riscos de instabilidade se o ministro sair, é provável que Bolsonaro não resista a um pedido de demissão.

E seja o que Deus quiser.

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E no entanto é preciso cantar.

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Estamos quase no Carnaval – e a tristeza que a gente vê não dá sinais de acabar. Um cavalheiro se defende numa CPMI insultando uma repórter de prestígio – e só agiu desse jeito porque achou fácil ofender uma mulher. E o pior vem em seguida: o presidente da República com piadinhas de duplo sentido, também atacando a repórter como mulher. Janaína Pascoal, que é do partido de Bolsonaro e deputada mais votada do país, acusou-o de “inegável grosseria”. Janaína foi uma das proponentes do impeachment de Dilma. Outro, o jurista Miguel Reale Jr., foi mais fundo: acha que, por ferir o decoro, Bolsonaro já está sujeito a impeachment. O tal River do Rio ofender, Sua Excelência brincar com o tema, e há ainda pior: a militância bolsonarista mobilizada para também ofender a repórter. Como diz Janaína, bolsonaristas são petistas com sinal trocado. Lula preso, Lula livre, e quem pacifica o país?

Na clássica Marcha da Quarta-Feira de Cinzas, Vinícius de Moraes e Carlos Lyra lembram que é preciso cantar – e não se limitar a xingar – para alegrar a cidade. Com gente “que nem se sorri, se beija ou se abraça”, como se vai fazer um país? Um presidente que se propõe a ser “conservador nos costumes” se dá ao desfrute de ofender mulheres, só porque mulheres são? E, nos intervalos, fazer brincadeiras de cunho sexual com pessoas orientais?

Lula também gosta dessas brincadeiras – como a que fez com sua mais fiel seguidora, Clara Ant. Decoro, senhores! Há crianças e senhoras na sala.

 Amigas, amigas

Janaína, advogada que não aceita essas brincadeiras, disse que não é bolsonarista: aliou-se a Bolsonaro por achar que era quem tinha chance de derrotar o lulismo. Joga duro: disse a Bolsonaro, na convenção do PSL, que era fiel ao Brasil, não a ele, e que em sua opinião os bolsonaristas não passavam de petistas ao contrário. “Disse isso há um tempão”. E disse-o a Bolsonaro na convenção, olhos nos olhos. “Jamais menti ao então candidato e agora ao presidente”. O perigo é que ela age quando acha que deve.

 Moro, na filosofia

Mas, se o clima não é de confraternização, de Carnaval, há frases que, nos velhos filmes carnavalescos da Atlântida, se encaixariam com perfeição. Em Brasília, no dia 11, a deputada federal Carla Zambelli se casou com o coronel Antônio Aginaldo de Oliveira, diretor da Força Nacional de Segurança.

Sérgio Moro a saudou: disse que ela, mesmo sem ter feito curso de PM, mereceria ostentar um caveirão – aquele símbolo do Bope, uma caveira com uma faca enterrada no cocoruto. Carla Zambelli retribuiu a gentileza: dançou a valsa (La Vie en Rose) com Moro, enquanto o noivo dançava com a esposa de Moro, Rosângela.

Um caveirão, quem diria, dando resultado tão meigo.

 Deixa a moça trabalhar

É difícil encontrar gente mais chata que a turma do politicamente correto: agora, valem-se da Internet para atacar a atriz Alessandra Negrini por estar fantasiada de índia no bloco em que desfilou em São Paulo. Acusam-na, veja, de “apropriação cultural”. Odeiam aquilo que sempre marcou o Carnaval: a liberdade de pular com a fantasia que lhe der vontade. No caso, a coisa ainda é mais engraçada: ela visitou há pouco uma aldeia em Caraíva, Bahia, e quis homenagear os pataxós da aldeia.

Para a turma do politicamente correto, a Terra pode ser redonda ou plana, tanto faz: eles querem é que seja bem chata.

 BNDES, fica assim?

O presidente Bolsonaro, durante toda sua campanha, prometeu a abertura da “caixa preta” do BNDES. Agora é presidente há um ano… e o BNDES surgiu com uma auditoria externa que analisou oito dos negócios do banco e concluiu que neles não há caixa preta. Claro que o BNDES não realizou apenas oito negócios nos 13 e poucos anos dos governos Lula e Dilma, os alvos preferenciais de Bolsonaro; nem isso significa que, nos governos mais antigos, tudo tenha ocorrido sem qualquer irregularidade. Três delas estão documentadíssimas no livro Caixa Preta do BNDES, de Cláudio Tognolli e Bernardino Coelho.

São três casos exemplares: aplicações financeiras em que empresas amigas teriam se beneficiado, em troca daquelas ideias de construir “campeões nacionais”; e um bom exemplo, documentadinho, em que o BNDES é acionista de uma empresa privada que se destinava a ser a maior fabricante de pás para energia eólica do mundo, e à medida que a firma perdia posição a parcela de capital do BNDES aumenta e a dos sócios privados se reduz. A empresa fechou, e quem é seu acionista majoritário?

 Boa notícia

O 6º Batalhão de Engenharia de Construção constrói estrada de 7 km na Amazônia, num pântano pantanoso, mole e de alta umidade, utilizando uma novidade que buscou em Israel: coloca pentágonos de material especial no chão, enchendo-os em seguida com areia. Depois completa-se a estrada. No local, que liga o 4º Pelotão Especial de Fronteiras e a pista de pouso, a 7 km, o tráfego será possível durante todo o ano. A duração prevista é de dez anos.

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Por que não te calas?

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É uma frase simples mas imortal: foi dita pelo rei da Espanha, Juan Carlos, ao dirigente venezuelano Hugo Chávez, que insistia em interromper o primeiro-ministro espanhol numa conferência. Paulo Guedes deveria saber que quem cuida de política econômica não fala: qualquer coisa que diga tem influência em preços, juros, câmbio. Se uma empresa listada em Bolsa fizer um comunicado, tem horário para isso: após o fechamento do pregão.

Paulo Guedes tem todo o direito de achar que o dólar mais alto é melhor (facilita exportações, dificulta importações, desestimula viagens ao Exterior, estimula estrangeiros a visitar o país). Tem todo o direito de preferir o dólar mais baixo (40% do valor de um automóvel, por exemplo, é importação; é mais fácil trazer equipamentos de última geração). Mas não tem o direito de se expor fora de hora, ainda mais com uma frase tão infeliz, segundo a qual, com o dólar baixo, “até domésticas estão voando para a Disney”. Tomara fosse verdade. Mas não é: e ele ou não sabe disso, o que prejudica seu desempenho, ou sabe, e prejudica quem acredita no que ele diz. O custo do linguassoltismo de Sua Excelência é de no mínimo US$ 2 bilhões, que o Banco Central teve de leiloar para evitar que o dólar disparasse no mercado.

Há fatores externos puxando o dólar para cima. Mas é preciso lembrar que, no ano passado, quase US$ 45 bilhões saíram do país, desesperançados. E os dólares que choveriam com a reforma da Previdência nem garoaram.

 Palavras vãs

O Governo previa também que, com a inflação em baixa (efeito de Temer) e as expectativas de crescimento de até 2% do PIB, as exportações subiriam. Esperanças vazias: em janeiro, o déficit brasileiro na balança comercial foi de algo como US$ 1,7 bilhão. As medidas oficiais, até agora, tiveram muito apoio mas pouco resultado. Se os dólares só saem, o câmbio só vai subir.

 Ricos e pobres

Paulo Guedes tem sólida formação acadêmica, em sua atividade privada obteve êxito, mas lembra a história da menina rica que teve de preparar uma redação sobre uma família pobre. Saiu assim: “Era uma família pobre. O pai era pobre, a mãe era pobre, os filhos eram pobres, o jardineiro era pobre, os motoristas eram pobres, o piloto era pobre, a chef de cuisine era pobre, as domésticas eram tão pobres que só podiam tirar férias no Exterior um ano sim, um ano não”.

Deve ser ótimo trabalhar como doméstica para um patrão como Guedes.

 Moro, de novo

A pesquisa do portal jurídico Jota sobre as eleições presidenciais (calma: só ocorrerão em 2022) mostra Sérgio Moro em primeiro lugar, com 48,5%, Jair Bolsonaro em segundo (45,4%- praticamente empatado com Moro) e Lula (40,9%). Uma pesquisa tão longe das eleições está sujeita a todas as chuvas e trovoadas: uma campanha bem feita, o clima eleitoral, surpresas em geral. Não quer dizer rigorosamente nada. Vale apenas para acompanhar os acontecimentos e avaliar a movimentação dos candidatos. Pois a posição no grid de largada influi no ânimo de todos os presidenciáveis. Como estará a cabeça de Moro, por exemplo, sentindo que pode ser presidente e não vice?

 Alegria, alegria

O senador pernambucano Humberto Costa, do PT, gostou dos resultados da pesquisa. Motivo: Moro, embora tenha chegado perto, não alcançou 50%.

 Chega

Hans River do Rio Nascimento, um ex-funcionário da Yacows, empresa de marketing digital que trabalhou para Bolsonaro em 2018, tenta se livrar de problemas na Comissão Parlamentar Mista de Inquéritos sobre Fake News inventando histórias sobre a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo. Depois de passar informações sobre a empresa (confirmados por processo que tramitava na Justiça do Trabalho), para a jornalista, a Folha publicou reportagem mostrando que muitas firmas, entre elas a Yacows, usavam irregularmente nome e CPF de idosos para registrar chips de celular a partir dos quais disparavam mais mensagens em favor de seus candidatos. Logo depois de chegar a um acordo com a Yacows, River do Rio enviou mensagem de texto a Patrícia Campos Mello, dizendo: “Pensei melhor, estou pedindo pra você retirar tudo que falei até agora, não contem mais comigo”.

 Mentiras demais

Até aí, tudo bem: mas, na CPMI, acusou Patrícia de ter “se insinuado sexualmente em troca de informações”. Só que as conversas foram gravadas. E mentir à CPMI pode render-lhe um indiciamento O deputado Eduardo Bolsonaro disse que não duvida que a jornalista tenha “se insinuado sexualmente em troca de informações para tentar prejudicar a campanha do presidente Bolsonaro”. Talvez acredite que mulheres não tenham capacidade para apurar uma reportagem. Só que não havia como: em dezembro, quando a história do assédio surgiu, as eleições já tinham se realizado.

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Deixa as águas rolar

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Foi mais ou menos nessa mesma época do ano, a época em que São Paulo fica alagada. Só que a data era 1966, ou 1967 – faz mais de 50 anos. Henry Maksoud, notável engenheiro especializado em Hidráulica, contou direitinho ao Jornal da Tarde por que um fenômeno natural e previsível como chuvas mais fortes sempre pegavam a cidade de surpresa e a deixavam inundada. Houve erros que deixaram indefesa a maior cidade da América do Sul. Mas 50 anos depois houve tempo para corrigi-los. E corrigidos não foram.

Mas vamos esquecer coisas mais complicadas como fazer com que parte do solo da cidade, impermeável, deixe de absorver a água. Vamos ao básico: aquele trabalho básico de cuidar da casa, de manter bueiros limpos, rios sem detritos, áreas de bombeamento funcionando. Pois bem: nunca se gastou tão pouco em prevenção de desastres naturais. Economizou-se muito nas várias administrações, do petista Fernando Haddad, do tucano João Doria, de seu sucessor, o também tucano Bruno Covas. O dinheiro que não se gastou no que deveria ser gasto acaba de perder-se, diluído nas águas das enchentes.

Não é questão paulistana: parece que largar mão do que deveria ser feito é mania nacional. Em 2019, o Governo Federal previa gastar R$ 306,2 milhões em projetos de contenção de inundações. Investiu R$ 99 milhões. Em 2012, em valores corrigidos pela inflação, a verba era de R$ 4,2 bilhões.

Nem precisa chover muito: de promover as enchentes cuida o Governo.

 Festival de recordes

Duro é ver e ouvir, durante as enchentes, as explicações das autoridades incompetentes. “Em um dia, choveu o previsto para três meses”, “as chuvas bateram o recorde de 1742 e atingiram o maior volume desde que começaram as medições”, “graças ao trabalho de excelência realizado pelo Governo, os prejuízos foram muito menores do que poderiam ter sido”.

 Meninos, eu vi

Quando autoridades de outras cidades se dão ao desfrute de chutar essas explicações, vá lá. Mas ouvir as autoridades de sua cidade, onde você assiste ao que acontece, tem um sabor especial. Num determinado dia, este repórter verificou que, no maior viaduto de São Paulo, todas as bocas de lobo estavam entupidas – e com requintes: havia tanta terra em cada bueiro que ali nascia mato em abundância. Quem disse que autoridades não se preocupam com o papel da vegetação na prevenção de enchentes? Mato no bueiro, quem diria!

 Choro livre

Muitas queixas porque os Estados Unidos retiraram o Brasil da lista de países economicamente emergentes – o que reduz benefícios, torna mais complexas as negociações, dificulta a concessão de tarifas especiais. E vem a frase clássica: e isso que Bolsonaro só faltou se naturalizar americano para votar em Trump!

Acontece que o Brasil pediu por muitos anos a inclusão na OCDE, Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o clube dos países mais ricos do mundo. E não tem sentido participar ao mesmo tempo de um grupo de países especialmente beneficiados por ser pobres e de outro que inclui as nações mais ricas e desenvolvidas. Se optar pela OCDE é ou não bom negócio, esta é uma decisão de Governo. Mas ficar com os dois, aí já não é possível.

 Sonho livre

O Orçamento que Trump apresentou ao Congresso prevê crescimento de 3,1% do PIB no quarto trimestre do ano fiscal. Nestes anos Trump, os EUA vêm crescendo constantemente, reduziram a taxa de desemprego a 3,5%, que quase equivale a pleno emprego, mantêm a inflação baixa (e, queixa-se o presidente, seria possível crescer um pouco mais, se o Federal Reserve Bank fosse menos conservador e liberasse a queda mais rápida dos juros). Se esta tendência da economia americana se mantiver, será difícil barrar a reeleição de Trump. Pleno emprego e crescimento econômico costumam render votos.

 Bateu, pagou

O economista Luiz Carlos Bresser Pereira, várias vezes ministro nos governos de José Sarney e Fernando Henrique Cardoso, é alvo de uma ação que chega perto de um milhão de reais. Os fatos: em 1999, ministro da Ciência e Tecnologia de Fernando Henrique, se irritou quando o juiz federal Antônio Souza Prudente, em medida liminar, impediu que a soja transgênica fosse legalmente plantada no país antes de estudos de impacto ambiental. E soltou o verbo: disse que o juiz era “irresponsável”, que a decisão era uma “tolice” que “depunha contra o Judiciário”.

O juiz processou a União por danos morais. Ganhou R$ 501.982,22. A Advocacia Geral da União entrou com ação regressiva contra Bresser, cobrando dele, o autor das frases, o reembolso das despesas da União. O caso está no STJ, e Bresser é cobrado a ressarcir a União, com juros, correção, etc. Segundo o ótimo portal jurídico gaúcho Espaço Vital, Bresser pode interpor agravo regimental no STJ e tentar um recurso extraordinário ao Supremo. Mas o risco de pagar é alto.

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