Chuva antecipa plantio e produção de amendoim deve crescer 5% na região

Jaboticabal, Sertãozinho, Dumont e Ribeirão Preto concentram uma das maiores produções de SP

Postado em: em Agronegócios

As chuvas chegaram na hora certa e os produtores de amendoim em Jaboticabal, Sertãozinho, Dumont e Ribeirão Preto, região da Alta Mogiana, preveem colher mais do que o ano passado.

Com a antecipação do início do plantio em um mês e as condições climáticas favoráveis até agora, agricultores estimam um crescimento de, pelo menos, 5% na produção.

Segundo José Antonio Rossato Junior, presidente da Cooperativa Agroindustrial de Jaboticabal, a Coplana, que representa 140 produtores de amendoim, ainda é cedo para falar em incremento na safra da região, mas a conjuntura climática tem contribuído para um cenário de otimismo. “Este ano, a colheita da cana foi antecipada, favorecida pela estiagem, liberando áreas mais cedo para o plantio do amendoim. Logo na sequência, a chuva veio e favoreceu entrar com a cultura.”

O amendoim é plantado nos intervalos de reforma dos canaviais. Em anos anteriores, vinha sendo semeado a partir de outubro. Mas, neste ano, máquinas já estavam no campo na primeira quinzena de setembro. De acordo com Rossato, 95% do plantio estão concluídos. “Em outros anos, faltariam, nessa época, ainda uns 15% a 20%”.

Como o amendoim tem ciclo de, aproximadamente, 120 dias, a colheita deve começar no início de fevereiro, o que vai permitir, também, antecipar a devolução de áreas para a cana.

Produção paulista

A Alta Mogiana está entre as duas regiões que mais produzem amendoim no estado de São Paulo – a outra é a Alta Paulista, onde está Marília. Para o estado, que responde por 95% da produção nacional, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima um salto nos números do amendoim primeira safra, como é chamado o que é cultivado nesta época do ano e que responde pela maior parte da produção paulista.

Segundo a companhia, o aumento pode chegar a 4,2%, de 477,7 mil toneladas no período 2017/18 para 498 mil toneladas na próxima colheita. A projeção mínima é de um crescimento de 1,7%, o que totalizaria 485,9 mil toneladas. Só os associados da Coplana devem contribuir com cerca de 90 mil toneladas – quase um quinto da produção estadual.

A área plantada em São Paulo, ainda de acordo com a companhia, também deve crescer, de 124,7 mil para 131,6 mil hectares – um acréscimo de 5,5%.

Foi o que aconteceu com Edval Luiz de Souza, agricultor em Jaboticabal. Em 2017, ele plantou 150 alqueires. Já este ano, serão 165. Dez alqueires são próprios. O restante é arrendado de produtores de cana e usinas de açúcar e álcool.

Produtor de amendoim há mais de 30 anos, de uma família que teve o avô no café e o pai no algodão, ele foi um dos que conseguiram plantar mais cedo. E comemora. “Se continuar chovendo, a expectativa é bem positiva. Deveremos, sim, aumentar a produção, apesar de ainda não ser possível estimar quanto.”

Outro que está bastante confiante é Fernando Ferreira, também de Jaboticabal. Há sete anos na cultura, mas de uma família que produz amendoim há 32, ele tem 15 alqueires de área própria e arrenda mais 15. Classifica a fase de “plantio” como excelente e espera colher, pelo menos, 5% a mais que no ano passado. 

Casamento perfeito

A produção de amendoim é uma das que mais crescem no país – cerca de 12% ao ano. Além de famílias tradicionais, que cultivam o grão há décadas, Rossato atribui o protagonismo do estado de São Paulo ao “casamento perfeito” com a cana.

Como o amendoim ocupa apenas áreas de renovação de canaviais, a cada ano ele é plantado em locais diferentes, nutrindo o solo, geralmente empobrecido pelos sucessivos cortes de cana. Isso porque ele tem, em suas raízes, bactérias que fixam nutrientes na terra. “Esse é um ambiente perfeito para qualquer cultivo agrícola. Como os canaviais são renovados a cada cinco ou seis cortes, o amendoim só volta para a mesma área cinco ou seis anos depois. Ou seja, ele é cultivado como num mosaico. Isso evita, também, a exaustão do solo. Uma área que produzisse só amendoim por muitos anos não se sustentaria”, afirma Rossato. 

Mercado externo

Na área da Coplana, 60% do amendoim têm, como destino, a exportação. A cooperativa envia o produto para países dos cinco continentes. O principal mercado é a Europa. Considerando todo o estado, o índice vendido ao exterior, segundo a Conab, chega a 70%.

Rossato explica que há espaço para que o cultivo continue em alta, mas que o mercado interno está saturado. “Os aumentos dependem da abertura de novos mercados no exterior.”

Para isso, o controle de qualidade é importante. Para avaliar o amendoim que chega do campo, a Coplana conta, por exemplo, com tecnologias que permitem testes rápidos para avaliar a contaminação por aflatoxinas, compostos químicos tóxicos ao homem e a animais e que representam uma das principais ameaças ao bom desempenho da cultura. “Houve, ao longo dos anos, uma curva de aprendizagem para lidar com as aflatoxinas. Elas ainda são uma ameaça? São. Mas menor que no passado.”

Uma segunda aposta da cooperativa para chamar a atenção do exterior é o decreto assinado em janeiro pelo governo estadual que reconhece Jaboticabal como a “capital do amendoim”. Para Rossato, o título, além de significar reconhecimento, pode atrair investimentos de empreendedores, institutos de pesquisa e consolidar a cidade no mercado internacional como sinônimo de qualidade.


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