A doença do século

A doença do século e a possibilidade de tratamento com percebimento de Auxílio Doença Talita Vilela

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Alguns assuntos, em razão da forte influência que exercem na vida e cotidiano das pessoas em particular, precisam ser mais que comentados, precisam ser debatidos, discutidos, tratados com seriedade e interesse, com fim precípuo de se conhecer mais, saber mais e entender melhor, para que somente aí seja externada uma opinião precisa e acertada, sem máscaras e sem julgamentos.

Um desses assuntos e talvez o mais importante na atualidade é a DOENÇA MENTAL, a doença do século.

A sociedade ainda lida com essa doença como sendo algo inventado, criado pela mente humana, existem muitos tabus quando se fala do assunto, mas a realidade não é bem essa.

Há anos ouvimos a expressão doença do século, mas somente agora estamos sentindo na pele, e talvez de forma imperceptível, que ela realmente existe e vem ganhando espaço com a proposta de desestabilizar cada vez mais os seres humanos, seres racionais, racionais até demais.

Esse é o ponto alto do problema, vivemos uma sociedade que peca pelo excesso de racionalidade, as pessoas hoje tem plena convicção do que precisam e do que buscam, no entanto não conseguem se organizar e dar o tempo necessário para que tais metas sejam alcançadas, de modo que a forte pressão interna favorece cada dia mais para o desenvolvimento de doenças de avanço lento e silencioso, tais como a síndrome do pânico, ansiedade e a conhecida depressão.

Vivemos a sociedade da exaustão, certamente em razão da velocidade e do acesso frenético a informação e também, ou talvez principalmente, em razão da forte dependência digital, hoje a praticidade dos mecanismos digitais nos possibilita realizar ou querer realizar muitas tarefas ao mesmo tempo o que gera, por si só, uma necessidade interna de cumprir todas as metas estabelecidas no menor tempo possível, ocorre que a cobrança excessiva, em determinado momento pode acarretar o efeito contrário, ou seja, a sensação de impotência, principal sintoma da depressão.

A necessidade de olhar para futuro e viver o futuro antecipadamente tem causado graves transtornos, a ânsia pelas conquistas do amanhã tem deixado as pessoas alheias ao presente. O que poucos notam é que isso é característica de uma sociedade doente e não se informar a respeito dessa nova realidade pode levar algumas pessoas a um caminho sem volta.

É preciso se atentar ao que de fato é considerado doença pela ciência e, independentemente de ser ou não uma doença mental, doença deve ser tratada com acompanhamento médico e, se necessário, com medicamentos.

O que poucos sabem é que existem especialistas e medicamentos apropriados para tratar as doenças mentais assim como existem para tratar doenças renais, por exemplo.

O estigma envolvendo a doença mental tem impedido muitas pessoas de buscar o devido cuidado antes que o pior aconteça, sem contar que a falta de conhecimento sobre o assunto leva as pessoas, portadoras de tais patologias, acreditarem que conseguem resolver essa questão sem necessidade de ajuda. Do mesmo modo que o tabu e a falta de conhecimento sobre o assunto faz com que pessoas próximas e até mesmo familiares não percebam a mudança de comportamento e consequentemente não associem tal mudança à uma patologia, talvez em razão do stress, na sociedade atual, ser bem comum para qualquer ser humano.

Foi exatamente com esse intuito que decidiram eleger o mês de setembro como o mês de prevenção ao suicídio, no setembro amarelo é levantada uma bandeira em favor da causa, pessoas se reúnem e tentam incutir na mente da população a existência da doença mental e a necessidade de se atentar ao fato de que é necessário oferecer apoio.

O importante, portanto, é conhecer, se conhecer, conhecer as doenças que são inscritas nas documentações médicas, é preciso investigar, pesquisar, ser curioso e atento àquilo que desrespeita ao particular de cada um. O espaço para as pessoas consideradas ignorantes em relação a algum assunto está cada vez menor pois, como dito inicialmente, a informação pode ser facilmente acessada por qualquer pessoa e de qualquer lugar.

É importante, ainda, esclarecer que tais doenças, além de tratadas, possuem cobertura da Previdência Social, se a pessoa não está em um bom momento no trabalho, se há sinais de cansaço mental e esgotamento, se isso diminui seu rendimento e afeta seus resultados no trabalho é hora de procurar um médico, iniciar um tratamento, conversar e expor para a família e superiores no emprego a situação que vive e pleitear o que lhe é de direito junto ao INSS.

O auxílio doença é um benefício custeado pela Previdência Social e pago ao segurado que esteja contribuindo e que comprove, com documentos médicos, estar incapacitado temporariamente para o trabalho, independentemente do tipo de doença.

Buscar auxílio junto ao INSS possibilita a pessoa diagnosticada com alguma patologia incapacitante a realização de um tratamento adequado sem a perda de sua fonte de renda, o que proporciona uma segurança maior em um momento difícil possibilitando assim uma recuperação mais tranquila.

Como vimos, são tempos difíceis para todos e não é necessário carregar esse fardo sozinho, é preciso se informar, se conhecer, compartilhar e compreender que existem soluções e sempre haverá alguém disposto a ajudar. 

Talita Vilela é advogada cível do escritório Campos e Noronha Advogados. Graduada em Direito pela Faculdade de Direito de Franca. Pós graduada em Direito Civil pela PUC-MG.