Vulnerabilidade no setor de segurança pública é suprida por tecnologia

Empreendedores aliviam vulnerabilidade dos brasileiros aos crimes criando soluções tecnológicas

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A escalada da violência do Brasil não dá trégua. E o combate aos crimes permeará os discursos de campanha de candidatos ao Congresso e à Presidência da República este ano. Embora a garantia da segurança seja um dever do Estado, no Brasil, quem não quiser ser vitimado pelo crime tem de tomar as próprias precauções. Há startups que estão usando as novidades tecnológicas para ir ao encontro dessa necessidade.

O radialista Willian Bonder, 35 anos, é consumidor de solução criada pela Bike Registrada, companhia que mantém cadastradas bicicletas para facilitar a devolução delas aos proprietários em caso de roubo ou furto. Com a Bike Registrada, Bonder tem sentido mais segurança ao sair com a bicicleta, sem abandonar o estilo de vida saudável e moderno que mantém. “Eu virei usuário porque realmente vi um instrumento de defesa. Posso me precaver”, avalia.

Nascida em Brasília, a startup tem o reconhecimento das polícias militares do Distrito Federal, de Santa Catarina e do Pará. Quando a bicicleta de um consumidor da empresa é roubada, o alerta é ativado. Em abordagens policiais, é comum os oficiais consultarem o cadastro da startup para certificar se o aviso está ou não ativo.

Tamanha é a confiança de Bonder na startup que ele tem duas bicicletas registradas. Mas, felizmente, até hoje, não precisou ativar a função de notificação de roubo. Para o radialista, a plataforma garante uma defesa que o Estado é incapaz de proporcionar. “Questões como alerta de roubo de uma bicicleta acabam sendo mais eficientes em uma empresa privada, que, de certa forma, desburocratiza a segurança. Você baixa um aplicativo no smartphone, e é tudo mais avançado do que uma iniciativa do Estado. Perde-se muito mais tempo fazendo um boletim de ocorrência do que registrando a bicicleta”, avalia.
As startups não estão para brincadeira. Com a tecnologia favorecendo a inserção em tantos mercados, incluindo o de segurança, a demanda tende a se manter em rota crescente. E a explicação para isso se deve ao modelo de replicação do negócio em larga escala, explica o especialista em startups Luiz Eduardo Duarte, sócio do escritório Nunes, Duarte e Maganha Advogados Associados. “Essas empresas crescem porque têm a possibilidade de vender muito devido ao seu modelo de negócio escalável, que pode avançar rapidamente sem que precise de novos investimentos”, explica.
O papel de resolução de problemas específicos também é outra qualidade que impulsiona as startups. Mecanismos de alerta a mulheres que passam por áreas perigosas, transportes compartilhados de mulheres para mulheres e o próprio sinal de advertência em caso de roubos de bicicletas são algumas das propostas que exemplificam o sucesso dessas empresas. “As startups têm o poder de pegar mercados que o Estado não consegue atender”, explica Duarte.
Os proveitos sociais que a Bike Registrada oferece na segurança aos consumidores são exemplos da disruptura que as startups estão promovendo no mercado. O presidente da empresa brasiliense, Rubem Vasconcellos, no entanto, destaca que a ideia é a prova viva de que a plataforma pode funcionar em coexistência e mútua colaboração com o Estado. “É para a sociedade e para o governo. O sistema público é beneficiado e também é um dos atores. No fim das contas, o poder público e as pessoas podem usar nossa plataforma de forma gratuita”, destaca. A empresa cobra R$ 39 de quem quer comprar um selo para colocar na bicicleta, atestando que ela está no sistema.
As funcionalidades da startup atingiram objetivos que Rubem mal previu. “A ideia inicial era impedir o comércio de bicicletas roubadas. A gente dificulta essas negociações ilegais e, consequentemente, o número de roubos diminui”, explica. A empresa tem sido exitosa na oferta do serviço. De acordo com levantamentos da Bike Registrada, 70% das bicicletas roubadas no DF retornam para os proprietários. No Espírito Santo, essa recuperação é de 50%. E o sucesso pode ser ainda melhor, sustenta o CEO “se mais pessoas se dispuserem a colaborar com o registro dos equipamentos”, avalia.

Biometria

No quesito tecnologia, o céu é o limite. As inovações podem atuar até em áreas complexas como o simples monitoramento de bens, ou com elementos de tecnologia de ponta, como inteligência artificial, biometria e estudos de comportamento neural. É nesse patamar que funciona a empresa Biosmart, comandada por Alisson Figueiredo. O trabalho da startup se baseia na ideia de garantir a segurança e o monitoramento a partir de biometria comportamental, ou seja, mapeamento de costumes cinestésicos do corpo de cada indivíduo. No caso da empresa, se esquematizam as formas como as pessoas digitam tanto em teclados normais quanto em touch screens. “Essa tecnologia surgiu de uma série de pesquisas que foram evoluindo. Peguei isso e apliquei para a parte de autenticação biométrica”, diz Figueiredo. No mercado, a startup tem sido bem avaliada como um eficiente sistema de segurança para evitar transações financeiras indesejadas, por exemplo. “Se uma pessoa usar seu dispositivo para fazer uma transferência na sua conta, não conseguirá. Só você”, garante.
O modelo de negócios funciona, normalmente, a partir do contrato de uma empresa que tenha interesse em distribuir esse tipo de segurança para os clientes. “Um banco nos contrata e disponibilizamos essa tecnologia para os consumidores, instalamos, e colocamos em prática”, conta.
Governo
O governo federal assegura que não está alheio ao desenvolvimento tecnológico. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, isso é algo de fundamental importância, que faz parte de um de seus eixos prioritários de atuação.

Como exemplos de ações e projetos que visam à melhora da tecnologia na segurança, a pasta destacou o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), que possibilita, por exemplo, “procedimentos policiais eletrônicos utilizados das delegacias brasileiras; central de atendimento e despacho; ou acesso a dados consolidados ou cruzamento de informações em outros bancos”.
Outro projeto é a Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG), que proporciona um intercâmbio de informações de interesse da Justiça. O banco de dados é montado a partir de vestígios obtidos em perícias policiais. Dessa forma, os indícios permitem a detecção de crimes seriais e podem ser identificados por meio do confronto com os perfis genéticos dos indivíduos cadastrados.


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