Unicamp descobre como deixar células saudáveis no envelhecimento

Medicamento usado na pesquisa é um agente antimicrobiano utilizado para tratar infecção urinária em humanos

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Mais saúde na velhice. O Laboratório de Biologia do Envelhecimento, do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, em Campinas, descobriu uma droga capaz de aumentar a vitalidade das células de vermes, interferindo tanto no tempo quanto na qualidade da vida deste ser vivo.

O estudo foi publicado no periódico internacional Redox Biology. O medicamento que apresentou o avanço nas pesquisas, iniciadas há cinco anos com colaboração nacional e internacional, é o enoxacino. Um agente antimicrobiano já usado para tratar infecções urinárias em humanos.

Os vermes Caenorhabditis elegans - medem no máximo 1 mm e são frequentemente usados em estudos sobre envelhecimento por terem um ciclo de vida de até 30 dias - viveram 18% a mais com a droga, se comparado aos que não foram submetidos à substância.

Como a droga age

Marcelo Mori, coordenador do estudo, explica que o diferencial está no impacto da droga nas moléculas reguladoras microRNAs, presentes no genoma de uma diversidade de organismos, de plantas até animais.

Entre os males causados pela inibição dessas moléculas, estão: diabetes, doenças vasculares e processos inflamatórios associados a doenças crônicas.

Nos vermes, foi visível a preservação da capacidade motora na velhice desses animais que usaram a droga.

Os pesquisadores concluíram que a via por meio dos microRNAs é chave no controle do processo de envelhecimento baseado em dados de associação genética. O estudo já está sendo feito também em camundongos. "A gente tem dados positivos contra doenças metabólicas. É bem possível que a droga tenha um comportamento positivo em mamíferos maiores", acredita Marcelo Mori. 

Princípio ativo em nova droga

Por ser um antibiótico, Mori afirma que, com a descoberta, os pesquisadores estudam uma maneira de usar o princípio ativo para desenvolver uma nova medicação, sem efeitos colaterais.

Atualmente, o enoxacino atua em duas frentes: na bactéria a ser combatida, e diretamente nas células, reduzindo a sua degeneração.

Outra droga que vem sendo estudada com efeitos pró-longevidade é a metformina, mas ela apresenta uma ação diferente nas células. Altera o metabolismo, mas sem os efeitos nos microRNAs. "Como atuam por vias diferentes, pode ser que elas sejam aditivas, é uma possibilidade", avalia Mori.


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