Underneath the mistletoe....

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E começa a minha época favorita do ano, aquela que amansa os corações, deixa os sorrisos mais largos, conseguimos encontrar finalmente os amigos e família para confraternizar, as músicas ficam mais alegres, os lugares ficam totalmente decorados, e a disposição de começar cada dia maior. Pelo menos, comigo é assim, o coração parece que toma fôlego para encarar a correria que também aumenta e mais alegria para começar cada dia.

O natal também é tempo de muitas tradições, como a da árvore de Natal e a da ceia na noite do dia 24 de dezembro. Mas existem algumas tradições que só existem em algumas culturas, como a do beijo embaixo do ramo de visco ou mistletoe. Este último é o nome em inglês para visco, uma planta arbustiva nativa das regiões temperadas da Europa e do Oeste da Ásia. A tradição diz que duas pessoas que se encontram debaixo do visco devem se beijar.


O visco foi usado pelos druidas 200 anos antes do nascimento de Cristo nas suas celebrações de inverno. Eles reverenciavam a planta pois não tinha raízes e ainda assim ficava verde durante os meses de inverno. Já os antigos celtas, acreditavam que o visco tinham poderes mágicos de cura e usavam-no como antídoto para veneno, infertilidade e para afastar espíritos maléficos. A planta também era vista como um símbolo de paz e dizem que entre os romanos, os inimigos que se encontravam embaixo de um visco baixavam suas armas e se abraçavam.

Como o costume de se beijar embaixo do visco é Escandinavo e passou de mão em mão através dos mitos nórdicos, existe um mito que é muito interessante sobre a planta, nomeado de O Mito de Baldur. A mãe de Baldur era a deusa nórdica, Frigga, e quando ele nasceu ela fez com que cada e qualquer planta, animal e objeto não prejudicassem Baldur. Mas Frigga negligenciou o visco, aproveitando-se disso um brincalhão, chamado Loki, matou Baldur com uma lança feita de visco. Desde então o visco traria amor ao invés de morte no mundo, e que quaisquer duas pessoas que passassem sob o visco deveriam trocar um beijo em memória de Baldur.

O nome mistletoe veio de uma observação dos pássaros, pois o visco muitas vezes aparecia em um ramo ou galho onde os pássaros haviam deixado fezes. Então o nome mistletoe teria-se originado de duas palavras: ‘mistle’ que é a palavra anglo-saxônica para esterc e ‘tan’ que é a palavra galho. Sua tradução seria ‘esterco no galho’, não é muito romântico, mas tudo bem. A gente perdoa os intelectuais.

No Brasil, essa tradição não existe, utilizamos o visco apenas como enfeita da árvore de Natal, mesmo não sabendo. Mas segundo a tradição os jovens têm o privilégio de se beijarem sob ele, arrancando a cada vez uma baga vermelha do arbusto. Quando todas as bagas se acabam, o privilégio cessa. Nos Estados Unidos eles realizam essa tradição, porém com o visco anão e não realizam a parte de arrancar as bagas, mas seguem a tradição do beijo.

Eu sempre fui apaixonada por essa lenda, ela está bem ilustrada em filmes, desenhos, músicas e livros, e esse ano decidi usar esse pequeno e simbólico elemento, o mistletoe, como tema para criar uma fragrância de natal. Que lembrasse essa lenda e aquele aroma delicioso das plantas e do pinheiro de natal natural, e em cada frasco coloquei um ramo que lembra o visco e para finalizar uma fita vermelha. Pra mim, o cheiro de Natal é exatamente isso!

E para você, qual seria o cheiro que você gostaria de poder borrifar pela sua casa no Natal?

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.​