Retrospectiva: o atacante Dudu transmite aos filhos o amor pelo time do Verdão

O atleta transmitiu para a família o carinho pelo time: a mulher e os dois filhos são torcedores do Verdão

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Pedro tem apenas 4 anos, mas já sabe cantar os 14 versos do hino do Palmeiras. Em casa, quando não está brincando com o irmão Cauê, de 6 anos, ele se diverte revendo os gols do time do coração em um tablet verde. 

Assiste aos mesmos vídeos repetidas vezes, até decorar as narrações. Frequentador assíduo do Allianz Parque, o menino herdou do pai os olhos pequenos e a paixão pelo Maior Campeão do Brasil. É o filho caçula de Eduardo Pereira Rodrigues, o Dudu, um dos heróis alviverdes na conquista da Copa do Brasil de 2015 e capitão do time campeão brasileiro em 2016.

Convocado pelo técnico Tite para os jogos da Seleção Brasileira contra Uruguai e Paraguai, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018, o atacante de 25 anos respira Palmeiras, dentro e fora de campo.

Dentro, o camisa 7 é capaz de expressar o sentimento da torcida que o chama em coro de guerreiro: talentoso e vibrante, ele se recusa a desistir, mesmo quando se vê diante de um cenário desfavorável. Fora, faz questão de estreitar os laços com o clube eneacampeão nacional. 

Nos dias em que não há treino programado para o período da manhã, ele e a mulher, Mallu, levam Pedro e Cauê à sede social do Verdão, onde os meninos têm aulas de futsal e natação. A presença do associado famoso costuma causar alvoroço.

“A criançada vem correndo conversar comigo, pede foto, autógrafo, às vezes faz até perguntas sobre a equipe. Adoro criança, então fico contente com esse carinho todo”, contou Dudu.

O atacante mora no bairro de Perdizes, Zona Oeste de São Paulo, a menos de dez minutos de carro da Academia de Futebol. Quem entra em seu apartamento logo percebe se tratar de uma residência palmeirense. 

Na sala repleta de brinquedos, chamam a atenção os adereços alviverdes, entre eles duas bandeiras do clube. Ao lado da televisão, há uma pintura emoldurada do craque e um porta-retrato com a foto de uma comemoração de gol. Da janela de vidro, é possível observar a imponente fachada do Allianz Parque.

“Eu brinco que já acordo todo dia olhando para o Palmeiras. Isso é bom porque, sempre que vejo a nossa arena, só penso em coisas boas, nos momentos felizes que vivi e ainda estou vivendo aqui”, afirmou.

Parque da alegria

O caso de amor entre o craque e a casa palestrina começou antes mesmo da reforma que resultou no surgimento do mais moderno estádio do Brasil. Em junho de 2009, a promessa recém-promovida da base ao elenco principal do Cruzeiro estreou profissionalmente no antigo Palestra Italia. Então um adolescente de 17 anos, ele entrou no segundo tempo, quando o time treinado por Vanderlei Luxemburgo já vencia por 3 a 1.

“Naquele dia, o meu sonho de ser jogador de futebol virou realidade. Foi uma partida inesquecível para mim, apesar do resultado negativo”, disse Dudu. “O Cruzeiro saiu na frente, mas o Palmeiras conseguiu se impor, como sempre faz. Ficou uma recordação bonita, porque nem todo mundo teve a felicidade que eu tive de jogar no Parque Antarctica e no Allianz Parque.”

Os caminhos de Dudu e Verdão só voltariam a se cruzar quase seis anos depois daquele encontro inicial. Negociado em 2011 com o Metalist, da Ucrânia, o atacante retornou ao Brasil em 2014 para defender, por empréstimo, o Grêmio. O excelente desempenho pela equipe gaúcha o transformou em alvo de uma acirrada disputa envolvendo alguns dos maiores times do país. O Palmeiras levou a melhor sobre os rivais e anunciou a contratação do jogador em 11 de janeiro de 2015.

“Quando peguei o avião para São Paulo, ainda não sabia do interesse do Palmeiras. Estava desembarcando na hora em que o meu procurador me ligou e pediu para eu passar no escritório dele. O Alexandre Mattos já estava lá”, recordou-se, citando os argumentos usados pelo diretor executivo de futebol do Verdão para convencê-lo a fechar o acordo. “Ele me falou que estava montando uma grande equipe, que o Palmeiras seria novamente protagonista nos campeonatos. Eu acreditei nele, senti confiança. Hoje, tenho certeza de que foi a melhor decisão que tomei na vida.”

A identificação com a torcida palestrina ocorreu de maneira natural, mesmo porque o futebol de Dudu reúne, em sua essência, todas as qualidades necessárias para agradar aos diferentes perfis que formam a Família Palmeiras. A quem cobra empenho, o camisa 7 responde com coragem e raça. A quem exige técnica, exibe habilidade e poder de decisão.

Dudu parece se alimentar da energia transmitida pela arquibancada. Nas eliminações e derrotas mais doloridas, não tem vergonha de deixar a emoção aflorar e, por vezes, cai no choro. Nos momentos de alegria, porém, o ídolo entra em êxtase. Extravasa. Vibra como se fosse somente mais um dos 16 milhões de palmeirenses espalhados pelo mundo.

A final da Copa do Brasil de 2015 é emblemática dessa relação de admiração recíproca. Após fazer o segundo gol da vitória sobre o Santos por 2 a 1 (na decisão por pênaltis, o Verdão ganhou por 4 a 3), o atacante subiu uma das escadas de acesso ao setor Gol Sul para abraçar os torcedores. Foi um gesto espontâneo, de gratidão.

“Eu só quis retribuir o que eles tinham feito pela gente. Muitas pessoas não apostavam no nosso time, mas o verdadeiro palmeirense acreditou no título e fez a gente acreditar também”, lembrou. “A nossa torcida é espetacular, não dá para comparar com as outras. Tem clube grande que leva mil pessoas em jogo oficial. No Allianz Parque, a gente joga para 30 mil até em amistoso”, disse.

Dudu transmitiu para a família o carinho que cultiva pelo Palmeiras. A mulher e os dois filhos do atacante são torcedores do Verdão – raramente deixam de ir a um jogo disputado na arena palestrina. A paixão de Cauê e Pedro pelo time nove vezes campeão brasileiro impressiona o próprio pai. “Se um dia eu for vendido, acho que os meus meninos vão sofrer um pouco. Eles falam do Palmeiras o dia inteiro, principalmente o Pedro”, disse o jogador.

Mudar de ares, porém, não faz parte dos planos de Dudu. Em fevereiro, ele teve o contrato renovado pelo Alviverde até dezembro de 2020. O clube é dono de 100% de seus direitos econômicos. “Eu estou feliz no Palmeiras e o Palmeiras está feliz comigo. Isso é o mais importante. Se no futuro eu tiver a oportunidade de renovar de novo, vou renovar com a maior alegria”. Cauê e Pedro ficariam felizes, assim como todos os demais palmeirenses.


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