RENASCIMENTO : É PÁSCOA!

PAIS EDUCANDO FILHOS NO ISOLAMENTO

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Lembro-me de quando eu era criança, estudava no Colégio de Lourdes de Franca, minha mãe era professora primária na Escola Barão da Franca, meu pai farmacêutico proprietário da Farmácia Labor no coração da cidade, a Praça Barão.

Para falar sobre a Educação, precisei situar de onde vim e quem me influenciou na vida, meus pais.

A preocupação de todos os pais, e também dos meus, era colocar em um bom colégio para que eu tivesse boas oportunidades. Passei por várias escolas, pois o Colégio das freiras fechou, então fui para o Colégio Champagnat, de padres, que também fechou, estudei no CEDE, depois no Instituto EstadualTorquato Caleiro ( IEETC).

Mas voltemos à infância para que possamos relacionar o que ocorre neste isolamento social da COVD 19 com a Educação de antigamente.

Chegando da escola, almoçávamos todos juntos e meu pai não abria mão disso. Era a hora que ele tinha para contar histórias e dar a ‘ moral da história’ em cada uma delas. Imagina quantos horários de almoço tivemos na vida para termos em cada um deles a ‘ moral de história’ que ele contava. Falava de sua infância onde começou a trabalhar com 9 anos de idade, contava casos diversos de sua vida, de seu trabalho, de pessoas, e sempre no final tinha  a frase que resumia tudo : a tão famosa moral da história.

Depois do almoço era a hora de fazer a tarefa de casa. Tirava-se a mesa do almoço e esparramavam-se os cadernos. Minha mãe colocava os cadernos de seus alunos para corrigir, suas cadernetas de professora, e eu colocava meu material escolar para fazer a lição. Juntas!  Ela sempre foi muito calada, concentrada, falava muito pouco e observava muito. De vez em quando tirava seus olhos de suas cadernetas e cadernos de alunos e olhava minha lição e dizia :-“apague e escreva de novo, a sua letra não está boa. Preste atenção no que está fazendo senão terá que fazer duas vezes.”

Lembro-me que eu tinha um caderno de caligrafia. Conhecem o caderno de caligrafia? Era um caderno brochura pequeno, fino, não tinha espiral e isso facilitava o apoio do braço, não era grosso e isso também facilitava a colocação dos braços, e eu tinha a tarefa de escrever naquelas linhas como se estivesse desenhando. Era muito gostoso ver que minha letra ficava bem organizada e bonita naquelas pautas que me ajudavam a ‘ desenhar ‘ as palavras!

Minha mãe passava o jeito antigo de ensinar, a forma como ela aprendeu no Colégio e eu aceitava suas orientações, afinal ela era uma professora e sabia muito bem o que estava fazendo.

Fui crescendo e a escola começou a passar pesquisas. Meus pais compraram as enciclopédias :Barsa, Conhecer, e tudo o que aparecia de boa informação em revistas. Tínhamos onde pesquisar.

Para ‘ copiar’ os desenhos que tinham nas enciclopédias usávamos o papel de seda, colocado por cima do livro e sem ‘ calcar ‘ muito o lápis para não estragar o livro, copiávamos alguma ilustração para o papel de seda. Depois passávamos o lápis preto atrás do papel de seda e transferíamos para o caderno. Dava trabalho. Mas era feito por nós, crianças daquela época. E ser feito por nós era algo que nos dava muito orgulho, realização pessoal e elevação da autoestima.

As tardes eram somente de tarefas. Lá no final da tarde quando as obrigações terminavam, tinha uma palavra cruzada na sala, algumas frutas no pomar onde podíamos colher e à noite meu pai chegava da Farmácia com uma sacolinha de picolés de chocolate e de limão. Misturávamos os dois num copo e comíamos com colher os pedacinhos misturados dos dois sabores. As cadeiras de alpendre eram colocadas no jardim e ali, saboreávamos os picolés olhando quantas estrelas haviam no céu, se a lua estava presente, e muitas vezes meu pai pegava a mangueira e ia jogar água nas plantas do jardim.

No inverno, nos sentávamos pra jogar baralho. Como era bom tudo aquilo!

As aulas sobre a vida, as histórias com ‘ moral da história’ , a fiscalização e companheirismo da minha mãe nas tarefas de casa...

Naquela época a cola era goma arábica. Meu pai fazia na farmácia em seu laboratório , fechava o vidrinho com uma gaze e eu tinha aquela cola feita por meu pai. Sim, levava o vidro para a escola e me orgulhava de ter uma cola feita por meu pai que dizia assim: - esta cola tem uma força especial – fui eu quem fiz pra você , ela cola mais que todas as outras!

Minha lancheira era simples, o lanche era básico, a preocupação deles era sempre que tivéssemos o essencial e sem ostentação, particularmente que meu lanche não fizesse nenhuma outra criança passar vontade.

Bom, ainda tem muitas histórias mas quero fazer um AGRADECIMENTO AO COVID 19 por trazer as crianças para dentro de casa e serem ‘ fiscalizadas ‘ e educadas por seus pais. Elas nasceram ali para serem educadas por eles, para que participem de sua formação, para que acompanhem suas tarefas de casa, para que possam conhecer esta criatura que está ali se desenvolvendo como seu filho, saber de suas dificuldades, suas facilidades e poder ajuda-las em suas tarefas, nunca fazendo por elas, mas estando ali perto para orientá-las. E acima de tudo PARTICIPAREM dos conteúdos que são dados aos filhos. Vocês sabem quais os conteúdos que estão formando a personalidade de seus filhos? Participam disso? Se participam, não terão o afastamento intelectual no futuro, porque saberão compreendê-los e eles a vocês.

Conseguem fazer do lar um lugar de diversão?

Tem uma goiabeira ou um pé de limão em sua casa? Ah se mora em apartamento pode ter um vaso de alecrim, salsinha ou qualquer outro tempero para alegrar o almoço com as histórias e moral da história.

Já contaram as estrelas do céu numa noite juntamente com eles?

Já ouviram suas histórias ? O que contam sobre a escola, sobre os amigos, sobre suas dificuldades e facilidades?

OBRIGADA COVID 19: Você colocou novamente os pais junto com os filhos para que possam de fato recebe-los como filhos e educa-los. Educação é tarefa familiar.

Quando eu lecionava em escolas regulares, a reclamação geral de professores, diretores e todos que estavam na escola era : - “os pais jogam os filhos aqui dentro e nem querem saber o que está acontecendo com eles, querem ficar livres”.

Como era triste observar tudo aquilo.

Como mãe eu tentava ser diferente, acompanhei o máximo que pude em tudo, levava e buscava de todas as atividades e queria saber o que fizeram, como fizeram, se foi bom, o que aprenderam. Quando foram crescendo começaram a achar que eu estava ‘ controlando’.

E criou-se na sociedade um estigma de que pais que participam em demasia, querem controlar seus filhos.  Meus pais de certa forma me controlavam sim, eles me receberam como filha e tinham a missão de me educar.  Onde está o erro?

Hoje em dia, com o COVID 19, tenho recebido áudios ditos como engraçados de pais desesperados com os filhos dentro de casa e não sabem como acompanhar as tarefas, não sabem o que fazer para que se distraiam, não sabem mais conversar, não sabem mais tomar um picolé e contar as estrelas, falar de suas vidas e dar uma moral da história, não sabem sentar junto lendo um livro enquanto a criança faz sua tarefa  e ajuda-la a se concentrar dando o exemplo : lendo !

Muito para se dizer, mas apenas uma frase : OBRIGADA COVID 19 POR APROXIMAR NOVAMENTE OS PAIS DOS FILHOS E OS FILHOS DOS PAIS, PARA QUE POSSAM VER O LAR COMO NINHO DE ACONCHEGO E AMOR, DE APRENDIZADO E COMPANHEIRISMO, DE TROCA DE EXPERIÊNCIAS.

OBRIGADA COVID 19 POR ESTA OPORTUNIDADE!

A SOCIDADE SERÁ MELHOR!

Que os olhares se cruzem dentro de casa como seres que procuram se ajudar!

Obrigada ISOLAMENTO! Quarentena ...ou que nome queiram dar.

FIQUE EM CASA! E CONHEÇA SUA FAMÍLIA AGORA!