​Rejeição de projeto na Câmara mostra que Gilson de Souza não tem amigos

Com as articulações para as eleições de 2020, prefeito vê que os interesses falam mais alto

Postado em: em Política

A Câmara de Vereadores rejeitou um projeto de lei do prefeito Gilson de Souza que suplementava a verba da FEAC para as festividades do final do ano e também para outras despesas.

Na mesma sessão deveria entrar um projeto de lei em que o prefeito pedia autorização da Câmara Municipal para contrair um empréstimo de R$ 10 milhões.

Na justificativa, o prefeito disse que o empréstimo seria para recapear as ruas cujo asfalto está deteriorado. Para o prefeito é mais barato recapear do que fazer a operação “tapa buracos”.

Acontece que o projeto precisava da assinatura de 10 vereadores para entrar na sessão no chamado “regime de urgência”. Pois bem: o prefeito não conseguiu as assinaturas e o projeto nem foi discutido.

Político experiente, bom articulador, o prefeito sabe que começou a beber café frio muito antes da hora. Existe uma máxima na política de que, no último ano do mandato, nem a copeira serve mais café quente para seus superiores.

Pode ser um folclore político, mas ele carrega um fundo de verdade, para não dizer que essa máxima é muito verdadeira.

Gilson de Souza descobriu muito cedo que não tem amigos, tem interesses.

Na Câmara Municipal tem vereadores que há alguns meses foram na tribuna fazer a defesa veemente da necessidade de alocar recursos para o recapeamento.

Quando tiveram a oportunidade de ajudar o prefeito a destinar os recursos para o recapeamento, esses vereadores foram os primeiros a arranjar motivos para rejeitar o projeto.

O que isso significa? Simples: que a consciência política hoje se chama rede social, que o interesse pessoal fala mais alto do que o interesse comunitário.

Vereador que entrava no Gabinete do Prefeito pela entrada de serviço, que fazia do Gabinete sua sala de reunião, hoje mudou a etiqueta da testa para "independente", paladino dos interesses comunitários.

Tirando os quatro vereadores que, desde o primeiro momento, mantiveram a coerência de votar pelos interesses da cidade e, muitas vezes contra o prefeito, não se vê muita coerência na posição dos vereadores.

Adermis Marini, Della Mota, Kaká e Marco Garcia têm suas posições pela defesa da moralidade e do bem comum. Muitas vezes se desgastaram por manter suas posições. Mas o posicionamento deles é conhecido e o próprio prefeito respeita.

Difícil para Gilson de Souza é entender o que acontece. Logo ele que recebe no seu gabinete os vereadores da base, faz um afago e um gesto de carinho, resolve suas demandas, para depois ouvir o voto contrário na Câmara.

O eleitor sabe que o voto contra não foi por coerência. Seria esperar muito. O voto contrário é uma questão de sobrevivência e medo da repercussão nas redes sociais.

Tem muito vereador que sabe que seus votos no pleito de 2020 não serão suficientes para colocá-lo de novo na Câmara Municipal. Por isso tenta se desgarrar da imagem de amigo do prefeito.

Tem quem tenta vender a imagem de independência e, quem sabe, passar para o eleitor que trabalha para a cidade. Mas o que menos fez durante o mandato foi pensar na cidade, mas sim na sua sobrevivência.

Só que, como diz a máxima, não há bem que sempre dure e nem mal que não acabe. As pessoas estão mais atentas. E o eleitor sabe quem são os traíras, os despojados de princípios éticos.

Para o leitor que não está entendendo, esse texto não está fazendo a defesa do prefeito Gilson de Souza: está apenas utilizando um exemplo prático para mostrar que em política não existem amigos, mas sim interesses.

E também que o último ano de mandato de Gilson de Souza vai ser um ano de café frio.

Caio Mignone


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