Quilo do feijão carioca chega a ser vendido por R$ 11,90 em Ribeirão Preto

Quebra na produção e clima desfavorável contribuíram para elevação do preço ao consumidor

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O feijão carioca é um dos itens com maior alta no preço registrado no mês de janeiro. Segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), o quilo do produto sofreu reajuste de 24,31% em relação a dezembro de 2018.

Em Ribeirão Preto, o feijão carioca chega a ser encontrado a R$ 11,90 nas prateleiras de alguns supermercados.

O valor assusta quem chega para comprar um dos alimentos mais populares no prato dos brasileiros. “Está bem caro. Eu compro por causa do meu filho, ele gosta muito. Quem comprou a última vez foi minha filha, ela pagou R$ 4. Agora está R$ 8,49. Dobrou o preço”, diz a aposentada Izabel Rodrigues Pagoto.

Há menos de uma semana, o supermercado onde dona Izabel faz compras vendia o quilo do feijão carioca de uma determinada marca a R$ 6,49. Na última sexta-feira, 15 de fevereiro, o valor do mesmo produto era comercializado a R$ 8,49, reajuste de 30,8%.

A explicação para a alta está na redução da oferta para o mercado. Plantações no Paraná, estado com a maior produção do país, foram reduzidas em até 30% no fim do ano passado.

Os efeitos do clima e a valorização de outros cultivos fizeram muitos produtores migrarem o negócio. “O feijão ficou dois anos sem subir o preço e os produtores migraram para a soja e para o milho, deixaram um pouco de plantar feijão. Teve o problema da seca, teve o problema da mosca branca e caiu bem o plantio de feijão para esse ano. Está faltando bastante feijão no mercado”, diz o cerealista Aldo Carunchão.

Segundo o especialista em agronegócio José Carlos Lima Júnior, a valorização da saca do feijão começou em outubro passado, mas só agora chega ao consumidor.

“Essa valorização começou em um momento que você teve uma produção muito quebrada na região do Paraná, ocasionada pela seca naquele momento. Neste momento, a gente tem uma tendência de valorização no preço da saca, principalmente porque a Conab acabou de divulgar que nós vamos ter um problema de produção devido à chuva que acontece no Rio Grande do Sul. É estimada uma quebra de 400 mil toneladas de feijão para 2019.”

Apesar dos aumentos que chegam a 100%, Lima Júnior não acredita em novos reajustes desta ordem.

Com o preço nas alturas, a dona de casa Antônia Macedo decidiu que não deve comprar feijão pelos próximos dias. “Está muito caro. Eu decidi que não vou levar, não comprei. Para mim, um quilo de feijão dá para um mês. Eu espero que já tenha abaixado quando tiver acabado o meu. A esperança é essa.”


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