Por brigas com presidente, Pinotti deixa o cargo de diretor de futebol do SP

Divergências entre Leco e o "homem forte" do futebol do São Paulo ficaram insustentáveis

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Vinicius Pinotti não é mais diretor-executivo de futebol do São Paulo. O dirigente pediu demissão do cargo na tarde desta quarta-feira por discordar de algumas decisões tomadas pelo presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, no decorrer do segundo semestre.

Houve divergências importantes entre o agora ex-diretor e o mandatário tricolor. A última delas se referiu, inclusive, ao técnico Dorival Júnior. Pinotti chegou a cogitar a demissão do treinador, o que foi rejeitado por Leco.

Com o clima abalado, os dois também não estavam concordando em relação ao modo de conduzir as contratações: o diretor gostaria de ter mais liberdade para tocar as negociações, enquanto o presidente fazia questão de participar, assumindo inclusive o papel de protagonista em algumas delas.

Pinotti durou pouco mais de sete meses na função, assumida por ele após a vitória de Leco nas eleições presidenciais de abril. Nesse período, o ex-diretor de marketing sofreu intensa pressão de conselheiros e torcedores, sendo apontado como um dos principais responsáveis pela fraca campanha da equipe em 2017.

Com o time brigando contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro, o diretor foi sabatinado pelo Conselho Deliberativo, em agosto, quando teve de explicar decisões como a demissão de Rogério Ceni, a multa de R$ 5 milhões a ser paga ao ex-goleiro, o fato de Maicosuel ter sido encaminhado ao departamento médico logo após assinar contrato e o afastamento de Cícero.

Outro episódio que desgastou a imagem de Pinotti nos bastidores do clube foi a divulgação pelo portal Uol de que ele deu dinheiro a Alan Cimerman, ex-gerente de marketing, que foi demitido acusado de um esquema de desvios de ingressos de shows no Morumbi.

Vinicius Pinotti alegou que os apagamentos foram realizados como uma ajuda financeira a Cimerman e que não tinham a ver com o esquema de corrupção sobre ingressos. De fato, não houve indícios de ligação entre os dois casos.

Em 2015, Pinotti emprestou R$ 13 milhões para o São Paulo adquirir Ricardo Centurión em definitivo junto ao Racing-ARG. Depois, virou diretor de marketing antes de assumir o departamento de futebol neste ano. O clube alega ter um plano para pagar a dívida com o ex-dirigente. Em julho, vendeu 70% dos direitos econômicos do atacante argentino ao Genoa-ITA por 3,5 milhões de euros (R$ 12,85 milhões).

Com a saída do homem forte do futebol, o planejamento de 2018 ficará a cargo de Leco e do advogado Alexandre Pássaro, enquanto um nome não é definido para substituir Pinotti. Serão eles quem cuidarão das contratações, saídas e renovações de atletas nesse período. A manutenção de Jucilei no elenco e a compra do goleiro Jean, do Bahia, estão entre os principais objetivos do São Paulo no momento.


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