Os mistérios da música e da vida Um relato sobre como conheci o músico Beto Eliezer

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​Era 1996. Conheci pessoalmente o músico francano Beto Eliezer, de quem eu ouvia falar desde criança. Meu pai era seu fã, mas não tínhamos contato, ele era filho de um amigo de meu pai. E como seu fã, meu pai sempre dava exemplos na hora do almoço sobre os sucessos escolares do Betinho.

Nos meus 15 anos de idade fiquei sabendo que teria uma festa comemorando os 18 anos dele. E como que levada pela intuição, eu e uma amiga fomos parar em frente à casa da avó dele onde acontecia a tal festa. Era em frente ao antigo Mercado Municipal. Eu dizia para minha amiga:- eu preciso entrar aí nesta festa. E ela contestava dizendo: “- ta louca? Não fomos convidadas”. Esta minha amiga era muito reservada, tímida e jamais faria uma coisa dessas. Mas eu queria entrar, a música soava linda, cheio de gente e eu queria entrar lá. Ela ficou nervosa e disse que iria embora sozinha, então voltei.

Depois, quando tinham os Festivais de Música na AEC, eu ia assistir a todos eles e admirada, sentada lá na parte de cima, de frente pro palco, ficava admirando aquele rapaz de quem meu pai era fã.

E ele era sempre premiado nos festivais! Uma música mais bonita que a outra, dominava o palco como ninguém. Seguro, feliz, autêntico.

Hoje, 3ª feira, 24 de maio de 2019, me passa um filme e resolvi compartilhar aqui neste jornal em minha coluna onde os artigos são postos aos Domingos.

Voltando à história, mais adiante nos festivais, de novo, minhas amigas de faculdade de Artes, não queriam ficar até o final. E como eu dava carona a elas, tinha que ir embora, mas passava perto do palco com vontade de dizer um ‘ olá ‘. Mas ele, entretido com o evento não via. Minha vontade era dizer a ele: - te conheço desde criança de tanto ouvir meu pai te elogiar. Mas... Passou.

Os anos se passaram. Ele foi morar em São Paulo, casou-se pela primeira vez mas perdi totalmente o contato ou informações porque meu pai havia falecido e ninguém mais falava do Betinho em casa, a não ser minha mãe que contava as histórias do pai dele que era um gênio, tocava piano na casa do Coronel Firmino Rocha, meu bisavô , e os saraus de antigamente eram muito animados. Minha mãe suspirava contando as deslizadas que ele dava ao piano e encantava todo mundo.

O tempo foi passando, e quando eu estava grávida do meu segundo filho, em 1992, comecei a ter sonhos seguidos e sempre com um mesmo rapaz que tocava violão pra mim. Caminhávamos por um local montanhoso, muito bonito e do alto, numa casa com varanda, nos sentávamos no chão e ele tocava lindas músicas. Eu acordava feliz. Ficava pensando quem seria esta pessoa que nunca vi, mas me parecia tão real...

Nesta gravidez, durante os 9 meses eu ouvia um disco de vinil do filme ‘ Em algum lugar do passado’ e me emocionava muito, o dia todo fazendo as tarefas da casa, preparando aulas e chorando. Não sei como o disco não furou.

Foi então que chegou 1996 quando fiz um trabalho numa escola para apresentar aos alunos de 8 séries, todos os estilos musicais de Franca. E cada série fazia um trabalho diferente, entrevistando os artistas de diferentes estilos da cidade. Meu filho mais velho cursava a 6ª série e pedi a ele que entrevistasse este músico que eu conhecia desde criança só de ouvir falar e era curiosa para saber mais sobre sua trajetória musical.

Ele marcou a entrevista e foi com o pai dele. Fiquei em casa com meu outro filho ainda bem pequeno. E voltaram com um disco de vinil chamado LUZ NO FIM DO TÚNEL. Num momento em que todos saíram pra escola, pro trabalho, fui ouvir o disco. Como um vulcão entrando em erupção , foi o que senti na hora. Um susto enorme. Um baque. Uma surpresa. As músicas que eu tinha ouvido em sonho 4 anos antes, estavam ali naquele disco. Como pode isso? Fiquei apavorada porque eu sabia qual seria a próxima frase a ser cantada sem nunca ter ouvido o disco antes. ( a não ser em sonho). Fiquei tão assustada que guardei o disco muito bem guardado e disse a mim mesma: - que é isso heim? Só pode ser coincidência ou confusão que você fez. Isso não é possível acontecer. E escondi o disco para que eu mesma não voltasse a ‘ viajar na maionese’.

Mas no ano seguinte, em outra escola, a diretora pediu um projeto para mostrar aos alunos a utilidade de cada disciplina e cada professor teria que dar uma sugestão. Foi quando sugeri entrevistarmos o Betinho Eliezer.

Ele foi super atencioso com os alunos. Foi na escola muitas vezes, deu todas as entrevistas, cantou para eles e autografou muitos discos de vinil para os alunos de presente. Foi uma festa. O disco LUZ NO FIM DO TÚNEL.

Então, montamos um espetáculo de teatro, apresentado no Teatro Municipal com o nome do disco. E homenageamos cada profissional correspondente às disciplinas escolares num texto feito por mim, mas com a colaboração de todos os professores. Eram mais ou menos 50 atores.

Utilizamos todas as músicas do CD. Resumindo, era um TREM DO METRÔ onde estavam várias pessoas , de profissões as mais variadas. De repente, este trem é sequestrado por um E.T. e colocado na Mata Atlântica a fim de pesquisarem como as pessoas sairiam dali. E cada profissional utilizando os conhecimentos de sua área, colaborou para a saída. Eram 8 alunos representando os 8 profissionais. E mais dois homenageados pela escola. O garoto que representava Beto Eliezer, cantava uma de suas músicas dublando, para que as pessoas se descontraíssem. Foi um evento interessante onde tivemos a total colaboração dele nos cedendo suas músicas e o espetáculo encerrou com os alunos cantando muito alegres a música A CÉU ABERTO, que está sendo agora parte do grandioso BOX SET que ele estará lançando neste próximo Sábado dia 01 de Junho 2019.

Os mistérios da música e da vida.

Foi assim que conheci pessoalmente o Beto Eliezer, de quem eu ouvia histórias desde criança.

Excelente músico, de uma criatividade sem fim, qualidade musical incomparável, toca praticamente todos os instrumentos, exímio pianista, intérprete de Schumann e Liszt.

Vale conferir o lançamento de 91 músicas autorais, mostrando sua trajetória de vida. Um trabalho autobiográfico em sons. Uma raridade!

Dia 01 de Junho no CANDEEIRO PIZZA BAR das 19 h30 às 22 horas.

Minha gente, não percam!

https://www.facebook.com/events/2210066572411822/

https://www.youtube.com/watch?v=3BtiZghzR2w

https://www.youtube.com/watch?v=Updsp8NKJZQ

​Profissionais homenageados:

Um momento da peça de teatro que levou o mesmo nome do disco.

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.​