O deseducador

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Para que existem educadores? Resposta óbvia: - para educar pessoas, formar pessoas, prepara-las em algum nível de conhecimento ou habilidade.

Pois bem... Ficamos às vezes confusos com o mi mi mi brasileiro de que não pode falar assim, ou de outra forma, que não pode sobrecarregar a criança de informações ou atividades e acabamos por alimentar a geração sedentária do tablet, celular, computador e os robozinhos que não conseguem fazer nenhuma atividade sozinhos, estão sempre dependendo de alguém porque as atividades que lhe exigem convívio, destreza, habilidade, interação, iniciativa, ele não é mais capaz de fazer. Coisas simples como organizar o material escolar, tomar alguma iniciativa básica para sua idade,etc.

Participei recentemente de um enduro chamado DL. E ali pude me reencontrar com meus valores antes massacrados pela ‘ nova forma' de deseducar pessoas. No DL – que nada mais é do que uma reprogramação mental, um trabalho com Programação neurolinguística, pude perceber que estes cursos estão resgatando pessoas, dando limites, injetando confiança no potencial esmagado do coitadismo em que cada pessoa se enfiou. 

Alguns me chamam de exigente, radical, brava, pois confundem todos estes adjetivos, no fim colocam como sendo todos a mesma coisa. Jamais fui brava. Bravas são pessoas que não sabem educar, são apenas bravas para serem temidas. Exigentes são pessoas que extraem do outro ser humano aquilo de melhor que ele pode dar e ainda se encontra acomodado no coitadismo de si mesmo. Radicais são pessoas extremistas que não encontram o equilíbrio para educar. São adjetivos totalmente diferentes um do outro e nem isso as pessoas são capazes de discernir mais.

Dois livros sobre Didática ao piano.

Pois bem, no DL pude me sentir num combate onde a excelência era o objetivo. E então me lembrei do meu pai: ‘se vai fazer alguma coisa, faça bem feito’. Ele jamais permitiu que eu fizesse alguma coisa por fazer. “Então não faça”. "Mas já que vai dedicar seu tempo àquilo, que este tempo não seja perdido".  Frases que marcaram minha formação: exigência, conscientização, busca pela excelência.

Meu pai nunca me obrigou a ser melhor que ninguém, apenas dar o máximo de mim para que eu pudesse ser melhor que eu mesma cada dia mais. E me dizia que no mundo não tem lugar para pessoas acomodadas e indolentes. Esta palavra saía da boca de meu pai sempre: NÃO SEJAM INDOLENTES. E contava casos de pessoas indolentes que nunca iriam melhorar na vida.

Então nos explicava que ele começou varrendo farmácia com 9 anos de idade. E então, queria ser o melhor varredor de farmácia que existia, estudava uma forma de não deixar nenhum cisco, e varria em linha reta, por faixas e cada dia melhor e mais rápido. Logo, ele estava entregando remédio nas casas e queria ser o entregador mais rápido e mais simpático para as pessoas. Era buscar a excelência para si mesmo. Um menino que queria ser bom no que fazia . Assim, foi convidado para trabalhar no balcão e quando entrava o cliente ele queria ser o primeiro a atende-lo com sorriso e eficiência para que sempre o freguês pudesse voltar. E dava-lhe opções sobre o que comprar. Contava-nos que quando não sabia alguma informação sobre os remédios, ia ler as bulas em suas horas de folga. Olhava os livros dos laboratórios, lia sobre Química, Biologia, Medicina. E então formou-se em Farmacêutico prático. Fez todas as provas e sua nota foi máxima, apenas estudando sozinho.

Aprendeu então a aplicar injeções e estudava uma forma da pessoas sentir menos dor. Cuidava para não deixar nada roxo, e assim, tornou-se o melhor aplicador de injeções. Naquela época iam aplicar injeções em casa e ele era chamado com insistência para este trabalho. Tinha uma agenda de qual injeção em qual horário teria que ir aplicar em cada casa. Depois, as pessoas passaram a procura-lo na farmácia que ele mesmo montou . Sim, porque então teve sua própria farmácia.

À noite, alguns médicos se reuniam depois das 22 horas para trocarem informações sobre diagnósticos e tratamentos. E ali então se tornou um ponto de encontro para “atualizações”.

Não perdia um minuto sequer. Sei disso porque trabalhei com ele na farmácia a partir dos meus 15 anos, durante as férias. Nunca o vi à toa esperando alguém entrar na farmácia. Ou estava lendo, ou organizando vitrine, ou checando mercadoria, ou fazendo pedidos, enfim ele trabalhava o tempo todo e condenava a ociosidade e a indolência. Dizia : a pessoa tem que ter iniciativa!

Hoje, vejo pessoas lamuriando o tempo todo , num coitadismo sem fim , reclamando disso ou daquilo. Não sabem o que é dificuldade. Querem de mãos beijadas tudo entregue nas mãos.

E quanto ao educador, que acorde, frequente este D.L. (DESENVOLVIMENTO DE LIDERANÇA) para primeiramente resgatar em si mesmo O PODER que se esqueceu que tem como formador de opiniões.

E nunca permita que seu educando , seja ele aluno, filho, funcionário, quem quer que seja , se torne uma pessoa indolente, usando a mesma palavra de meu pai. O DEVER DE UM EDUCADOR É EDUCAR.

Dia desses ouvi um absurdo : uma criança de 9 anos ganhou um skate e saindo do shopping onde havia comprado, foi fazer uma manobra com as mãos levantando o skate bem alto e deixou cair num carro, amassando-o. E ela contando a vantagem que ela e seus pais saíram bem depressa dali pra que ninguém descobrisse que foram eles que amassaram o carro ... Que vergonha!!! Mas que vergonha que estes pais passaram perante uma criança... que futuramente vai devolver este exemplo em ações piores!

Não é caridade nenhuma ter pena das pessoas e dizer : coitadinho, não teve oportunidades. ISSO DEFINITIVAMENTE NÃO EXISTE.Vamos ler biografias e ver quem foram alguns grandes expoentes e de onde surgiram?

PAREM COM O COITADISMO, EDUCADORES!!!

EXIJAM COM AMOR E COM PROPRIEDADE O QUE É PRA SER EXIGIDO para que tenhamos uma sociedade melhor.

Seja em qual área que trabalhar : na música como eu, nos esportes, na educação formal ou educando qualquer pessoa : não esmoreça. O ser humano tem uma riqueza dentro de si, não é aceitável que se acomode!

A sociedade será melhor se tivermos PESSOAS QUE PAREM DE DESEDUCAR!

Eu fiz o DL . Consegui filtrar tudo o que me foi positivo e o que pra mim não era novidade, enfim, tirei minhas conclusões. Mas acredito que a MAIORIA das pessoas precisa encarar um treinamento de emoções : medo, raiva, alegria, tristeza. E seguir em frente pelo menos se conhecendo melhor! INDICO! Eu aplico nas aulas de piano!


Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.