"Não temos dinheiro e precisamos comer": Crise avança no sul de Itália

Segundo a agência AFP, a polícia italiana está nas ruas para proteger supermercados no sul de Itália

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A ​Itália, neste momento o epicentro da pandemia de Covid-19 na Europa, está enfrentando diversos problemas de ordem sanitária.

Mas, segundo o relatado pela agência AFP, também prevê enfrentar graves distúrbios sociais se a crise de saúde pública continuar de forma tão acentuada a afetar o país.

Com a população de quarentena há mais de duas semanas, com relatos de dificuldades para pagar as suas contas e fazer face às necessidades mais imediatas, o governo e as autoridades temem agora uma escalada de rebelião social.

Segundo o relatado pela AFP, a polícia italiana já está, na Sicília, à porta de supermercados, com agentes armados com bastões e revólveres como forma de evitar 'roubos', como os reportados durante os últimos dias.

Nos últimos dias algumas pessoas foram aos supermercados locais e, ao chegar à fase de pagamento das suas compras, fugiram do local sem pagar, alegando não terem dinheiro.

"Não temos dinheiro e precisamos de comer", gritou uma pessoa para os empregados de uma superfície comercial da qual saiu sem pagar.

O jornal Corriere della Sera noticiou que os comerciantes locais estão sendo pressionados para oferecer alimentos à população, descrevendo a situação vivida no sul de Itália como uma "bomba social" à espera de explodir. 

O ministro Guiseppe Provenzano, em declarações ao La Repubblica, diz temer que a situação se transforme numa crise de "raiva e ódio". 

"Tenho receio de que a preocupação partilhada por grande parte da população, relativamente à saúde, salários e o futuro, se transforme em raiva e ódio se a crise continuar", afirmou Provenzano.

Relembre-se que Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais, com 10.023 mortos em 92.472 casos registrados até sábado.


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