Monte Alto é a cidade da região com mais casos de gripe H1N1 registrados

Campanha foi prorrogada – segundo enfermeira, estigma que vacina causa gripe afasta as pessoas

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Monte Alto é a cidade da região de Ribeirão Preto com maior registro de casos de H1N1 em 2018, em relação ao número de habitantes. Até agora, são nove notificações da doença, três em crianças com idades de 7 a 9 anos. O município também não atingiu a meta do Ministério da Saúde para a vacinação dos grupos prioritários.

Segundo levantamento, 16 dos 56 pacientes confirmados com a doença na região morreram, sendo que sete mortes ocorreram em Ribeirão Preto.

Dados do Ministério da Saúde apontam que quase todos os municípios da região estão com a cobertura vacinal em baixa e ainda faltam mais de 20% do público alvo para ser imunizado. A meta é imunizar 90% dessas pessoas.

A campanha de vacinação contra gripe foi prorrogada e, segundo o Ministério da Saúde, não tem data para terminar. Desde o dia 25 de junho, os municípios que ainda têm vacinas estenderam a vacinação para crianças de 5 a 9 anos e adultos de 50 a 59 anos.

A enfermeira da Vigilância Epidemiológica de Monte Alto e responsável pela campanha de vacinação na cidade, Elaine Lanfredi Lopes, diz que os principais grupos que devem ser vacinados são gestantes e crianças de 6 meses a 5 anos de idade. “Esse grupo faz parte do grupo prioritário e é vulnerável à mortalidade e complicações respiratórias dos vírus H1N1, H3N2, influenza tipo B e influenza tipo A. Existe muito estigma que a vacina pode causar gripe ou piorar o estado e as pessoas não gostam de tomar, principalmente os idosos.”

Segundo Elaine, a vacina pode ser adiada apenas para aqueles que estiverem muito doentes ou com febre alta. “Nesses casos, indicamos que a pessoa melhore para ser vacinada, mas se a criança ou idoso estiver apenas com uma tosse ou coriza, uma situação mais leve respiratória, isso não contraindica”, completou.

A diretora da vigilância Sanitária e Epidemiológica de Monte Alto, Michele Deolindo Neves, afirma que as pessoas que possuem outras doenças como diabetes, pressão alta e problemas respiratórios também fazem parte do grupo prioritário na vacinação. “É importante que se imunizem porque são mais vulneráveis a outras doenças. A complicação na saúde dessas pessoas pode ser maior caso tenham o H1N1, por isso, precisam receber a vacina”, disse.

A técnica de enfermagem Cláudia Barbosa explica que a vacina pode apresentar alguns efeitos colaterais, mas são sintomas que passam rápido. “Os efeitos são pequenos. A vacina é composta por vírus inativados, pode acontecer febre no dia ou o estado gripal, mas é rápido e não é um sintoma que seja persistente, algo severo ou agudo. É bem tranquilo”, diz.

A campanha de vacinação contra gripe foi prorrogada e, segundo o Ministério da Saúde, não tem data para terminar. A dose é gratuita para crianças acima de 6 anos e para quem tem de 50 a 59 anos de idade e é aplicada nos postos de saúde.

H1N1

O H1N1, subtipo do vírus causador da gripe, foi responsável por 66% das mortes por gripe neste ano no Brasil, mostram dados do Ministério da Saúde. O subtipo também provocou 59,7% dos casos. Ao todo, o Brasil registrou 3.558 infecções e 608 mortes

O Ministério da Saúde informa que o vírus está circulando mais no território brasileiro este ano e a maior parte das mortes e complicações ocorreu em pessoas com doenças que aumentam o risco de complicações. Muitos eram cardiopatas, tinham diabetes ou já estavam com problemas respiratórios.

A taxa de mortalidade por influenza no Brasil está em 0,29% para cada 100.000 habitantes.


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