MÊS DE LISZT – Comentando o seriado

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Como disse no artigo anterior onde deixei um longo seriado de 16 capítulos com a Biografia de Liszt, dia 31 de JULHO relembramos sua morte, há 134 anos... Parece outro dia... 

Quando mergulhamos na História e num filme biográfico ou seriado como este, que se fosse um filme talvez durasse quase 8 horas... vemos a quantidade de informações sobre o período e a vida de um compositor. E ainda não vemos quase nada.

São pequenas pinceladas que nos dão uma ideia do que foram estes compositores, para que vieram, porquê vieram, o que deixaram e o quanto tiveram que se desdobrar para deixar o que deixaram... Que vida de sacrifícios, dormindo mal, comendo mal ( raras vezes  comendo bem num jantar especial) , discutindo com pessoas para que se faça respeitar seus ideais... Que exaustão! Um frenesi intenso o tempo todo!

E hoje quando analisando uma peça, que nos dias atuais um compositor provavelmente demoraria meses para concluir, lá atrás foram noites e noites sem dormir, dias e dias estudando, escrevendo, compondo mesmo num passeio ouvindo pássaros, ou cachoeira, ou fontes, tudo era inspiração e ao mesmo tempo ‘ obrigação ‘ de transmitir em sons como era o mundo daquela época ou o que estavam recebendo de intuição para poderem deixar para o planeta...

Hoje, estas músicas são pesquisadas como sons que curam. 

E mal sabem as pessoas o quanto se dedicaram estes exímios compositores, no caso de Liszt ainda o melhor pianista da História da Música.

Há quem o julgue por ter sido ‘ mulherengo ‘, mas se vocês viram as imagens do filme, imaginem um homem lindo, sensível, talentoso, educado, gentil, simpático, que era um ‘ bruxo ‘ ao piano... Causava uma turbulência na sociedade porque era como um animal exótico sendo exibido... E melhor que isso: era um ENVIADO para tratar multidões através de sua música. 

As pessoas a seu redor o tratavam como se fosse o tal bichinho exótico e ficavam querendo um pedacinho dele, das coisas dele, as luvas, dele, as cordas que ele arrebentava tocando piano, seu pedacinho de charuto jogado fora... Não tinha privacidade e nem sossego. Admirou-me muito sua capacidade de lidar com toda esta confusão e ainda ter os momentos para compor. Foi um ser extraordinariamente dotado de capacidades incomuns, tanto na música como na vida. E não teve depressão por causa disso, não se perdeu, não se desviou. No final da vida ainda se dedicou a Deus, indo morar num convento, como abade.

Que intrigante esta história! Fascinante! 

Estamos no ano de comemoração aos 250 anos de Beethoven. E tenho ouvido e visto tantos vídeos sobre Liszt... Parece-me que ele está sendo descoberto na pandemia, após 209 anos de seu nascimento!

Nós humanos somos lentos demais para captarmos as mensagens que recebemos com tais personagens da História. 

Penso que  Liszt nos dias de hoje, iria querer um lugar tranquilo um tanto quanto afastado, porque ao mesmo tempo em que o reconhecimento popular sobre sua música foi intenso naquela época, isso também lhe causou estresse. Estar sempre tendo que agradar a todos deve ter sido sufocante. Mas como era um homem cosmopolita, talvez sentisse falta de estar viajando, fazendo tournées, se apresentando, porque isso é  da alma do artista. E pensemos: um músico faz músicas para marcar o tempo, para que as pessoas ouçam e degustem, apreciem, se deliciem e me atrevo a dizer que são verdadeiros remédios para a alma.

Liszt causou tanta idolatria na época que as ‘ mechas ‘ de seus cabelos eram disputadas. Quando ele cortava os cabelos, era uma disputa para ficar com as mechas. No museu em Bayreuth, cidade onde ele morreu tem uma foto mostrando Liszt morto e uma mecha de cabelo ao lado.

Mas no filme também tem uma cena dúbia onde alguém compra uma mecha de seus cabelos parecendo que faria algo errado com elas.

E ainda, alguém da igreja, talvez um cardeal, cortando uma mecha dos cabelos de Liszt e colocando numa bandeja. O que faria com ela?

A sensação que tenho é de que ele foi 10 em 1. Quantos ele teve que ser ali para desempenhar o papel de um único homem.

Fundou Conservatório, viajava como louco, dormia nas carruagens desconfortáveis, mandou fazer um pequeno teclado de madeira para estudar e compor na carruagem. Não parava, não descansava. Sua vida era música, música, música. 

E hoje estamos ouvindo suas músicas e os pianistas se perguntam freneticamente como tocar algumas peças dele, sendo que ele compôs mais de 700 obras.

Continua na próxima semana...