Inofensivas?: Relações abertas se tornam cada vez mais comuns no país

Para especialistas, esse tipo de relação trata-se de um jogo de alto risco, que requer autocontrole excessivo

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Um relacionamento aberto é definido como uma relação afetiva estável onde os parceiros que estão envolvidos concordam que as relações extraconjugais não são consideradas como traição ou até mesmo infidelidade.

A palavra “aberto” é usada nesse tipo de relacionamento para representar o grau de liberdade de seus cônjuges, onde ambos aceitam outras relações com pessoas que não façam parte de seu relacionamento, sem que isso seja motivo para desentendimentos entre os dois. O casal no geral aproveita bem essa situação, já que consegue dar uma renovada no repertório sem ficar com peso na consciência, algo que pode apimentar a relação.

Mesmo ainda não sendo muito comum ver casais aderindo esse novo conceito, já é possível perceber que o número de adeptos tem aumentado. Há quem diga que o relacionamento aberto não contraria as regras sociais. Entretanto, há muita mulher que passa por ilusões e sofrimentos ao entrar em um relacionamento como este.

Que o diga a universitária Alice Cabral Oliveira, 26 anos. Ela admite que quando esteve fora do país, viveu esse tipo de relação e não a indica para ninguém. “Morei por dois anos em Londres e lá conheci uma pessoa por quem me apaixonei. No início era tudo maravilhoso, até que fiquei sabendo que ele saía com outras pessoas. Para ele era normal, ele gostava de mim, mas queria ter a liberdade de estar com outras. Pirei, sofri muito, pois estava envolvida e decidi me afastar. Mas por amor, acabei voltando. Durou mais alguns meses, não aguentei a barra”, conta.

Para a psicóloga Josemara Gomes Pereira, o relacionamento aberto é aquele em que o casal se permite ter a liberdade em manter uma relação com outra pessoa. Ha o consentimento tanto do homem como da mulher para que seu par se relacione com outras pessoas sem que se sintam traídos. Não é considerado como ato promíscuo pelo casal, mas sim pela sociedade, dependendo do meio em que se vive, como por exemplo, aos mulçumanos, que lhes é permitido ter várias mulheres. “Não me cabe julgar esse comportamento, penso que cada um é cada um. O que pode ser bom para uns, pode não sê-lo para outros”, diz. 

Segundo ela, o homem é poligâmico, a sociedade exigiu dele a monogamia, mas a cultura lhe permite ter outros “casos” para satisfazer seu papel de macho procriador. Embora seja vedada socialmente às mulheres esta mesma liberdade, hoje isto já começa mudar, elas também traem mais e já não fazem tanta questão de esconder este fato e nem são condenadas como antigamente. “Hoje a maioria das pessoas não se prende a uma relação insatisfatória, então, para muitos a relação aberta pode proporcionar maior durabilidade no casamento, já que há quebra da rotina, podendo ‘apimentá-la’ ainda mais, se o casal consegue conviver bem com isto, pode servir para melhorar a vida a dois”, explicou.

O que desencadeia

Ela diz ser possível atribuir esse novo comportamento a vários fatores como: maior liberdade de expressão dos desejos e pensamentos, revolução sexual, a chegada da pílula anticoncepcional, onde a mulher teve a liberdade de escolher querer sexo somente pelo prazer, se libertando da repressão social, passando a ter controle sobre suas escolhas, não correndo mais o risco de uma gravidez indesejada, assim como com a maior inserção no mercado de trabalho ela conquistou a independência financeira, tornando-se “dona de si”, enfrentando preconceitos e ganhando mais autonomia. “Penso que há outros fatores que envolvem esses comportamentos como o medo de assumir compromissos, que significa comprometer-se com o outro ou com algo, o que é uma ilusão, pois dentro de uma relação aberta também existe o comprometimento entre as partes em assumirem algumas regras criadas pelo próprio casal. Pode ser um modo de expressar uma tentativa em manter-se livre das obrigações impostas por uma relação fechada”, elucidou.


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