HPV aumenta os riscos de câncer de boca e garganta entre os mais jovens

Contaminação está menor entre os adultos e cresceu entre os jovens, chegando em até 40%

Postado em: em Saúde

Há alguns anos, os diagnósticos de câncer de boca e garganta eram quase que exclusivamente detectados em pacientes acima de 50 anos. Atualmente, esse cenário está diferente: a contaminação está menor entre os adultos e cresceu entre os jovens, chegando em até 40%, segundo dados do Hospital Oncológico A.C.Camargo Cancer Center.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), esse tipo de câncer é o quinto que mais atinge homens brasileiros, somente atrás dos de próstata, traqueia, brônquio e pulmão, cólon e reto e estômago.

Quais são as causas?

Mesmo que o cigarro e o álcool sejam as principais fontes desses cânceres, outro fator de risco surgiu: o papiloma vírus humano, mais conhecido como HPV, transmitido pelo contato com secreções, não necessariamente pelo ato sexual.

Fabiana Quaglio, membro da Câmara Técnica de Estomatologia do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), explica a relação entre as duas doenças.

Estimativas mostram que o comportamento mudou

Estima-se que entre 25% e 50% das mulheres e 50% dos homens estejam infectados pelo vírus no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Cerca de 2% da população tem HPV e não apresenta nenhum sintoma ou sinal da contaminação, pois a maioria das manifestações sintomatológicas são facilmente combatidas pelo sistema imunológico. “Fica claro que a mudança dos hábitos sexuais na população adulta jovem vem mudando e, assim, favorecendo a disseminação do vírus”, afirma.

O que os números revelam?

Além disso, o vírus HPV se manifesta de diversas formas, chegando à 150 variáveis. A maioria dos casos, entretanto, está associada aos tipos 16 e 18, contra os quais já existe vacina.

Como prevenir?

“A vacinação é a melhor forma de prevenção”, afirma Fabiana. A profissional ressalta que é fundamental conscientizar meninos e meninas sobre a importância da vacina contra o HPV antes de iniciarem a vida adulta e a iniciação sexual, além de ressaltar a importância da prática de sexo seguro com uso de preservativos para sexo oral. É necessário, também, alimentar-se bem, não beber, não fumar, ter boa higiene oral, fazer o autoexame com frequência observando todas as regiões e estruturas da boca.

Peça ajuda ao seu dentista

A dica de Fabiana é simples: é necessário buscar a orientação de um profissional especializado para orientações complementares e higiene oral. Seu cirurgião-dentista é o profissional certo para a prevenção, orientação e diagnóstico de lesões. “Prevenir e orientar ainda são as melhores alternativas sempre. Olhos abertos e atentos a quaisquer alterações na mucosa de uma maneira geral e procure sempre um cirurgião-dentista”, explica.

Quais são os sintomas?

O HPV causa lesões, normalmente indolores, conhecidas como papilomas, que são pequenas verrugas com conteúdo sólido medindo até 3mm. Elas podem aparecer na boca, na garganta e em toda a orofaringe. “No geral, as lesões de câncer de boca e garganta se apresentam como feridas, úlceras que não cicatrizam em um prazo de 15 dias”, explica. Também podem surgir nódulos firmes fixos, dificuldade ao mastigar, falar, deglutir, imobilidade lingual, sangramentos sem causa aparente, rouquidão persistente, mobilidade dental sem causa aparente, lesão indolor ou lesão com dor constante, manchas esbranquiçadas, avermelhadas e acastanhadas na mucosa oral.

Qual é a chance de cura?

De acordo com a profissional, o diagnóstico precoce é a chave para um tratamento efetivo e um prognóstico favorável em todos as situações. “Os tumores ligados ao HPV têm uma taxa maior de cura do que os ligados ao tabaco e ao álcool, por exemplo. O prognóstico, depois de estabelecido o melhor tratamento, seja cirúrgico, quimioterápico ou radioterápico, é sempre mais favorável”, conta.


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