Hora de quebrar um tabu

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Saudações paciente leitor.

Dissera o poeta, que não há mal algum em se usar palavras repetidas, até porque, quais são as palavras que nunca foram ditas?

Sendo assim, reutilizo aqui um texto que publiquei tempos atrás. E que o faço novamente, pela certeza de que tal assunto jamais poderá ficar na gaveta.

Alguma vez você já pensou em suicídio?

Por quê?

Faço essa pergunta, amigo leitor, ao mesmo tempo em que lhe tributo meus cumprimentos. É intrigante o número de casos de suicídio registrado, não somente em nossos modestos municípios, mas, em âmbito nacional. Não sei se alguma vez o leitor dedicara reflexão sobre o fato, mas, todo ano perdemos amigos em nossa comunidade, nesta prática de autoextermínio. Ainda neste ano, que brevemente rompera o casulo, já registramos está triste situação. Todavia, intrigado com o número alarmante, senti necessidade de embrenhar por entre as minúcias deste universo trágico, ao que constatei que, segundo os suicidiologistas, esta é uma prática mais comum do que se imagina. O “assunto” suicídio é um tabu, um monstro silencioso agindo nas células sociais. Porém, para total desespero, o suicídio não é lembrado como questão relevante. Honestamente, ainda não atingi nível suficiente de reflexão sobre o caso, para afirmar que a inércia do estado em relação ao autoextermínio dá-se por falta de estudo, ou, trata-se de um conceito cultural, não se abordar o assunto, ou, o que seria uma catástrofe, seria mesmo completo descaso. O fato é que, ignorar este “assunto”, definitivamente, não é o melhor caminho.

O suicídio não é tão romântico, tal qual propõe Shakespeare, com o casal Montecchio e Capuleto, em Romeu e Julieta, pelo contrário, saiba que, somente no Brasil, registra-se cerca de 32 suicídios por dia. E devemos considerar o fato de que, o Brasil ocupa posição de 113°, dentre os países com maiores taxas de suicídios. Também, devemos ressaltar o fato de que, tais números, representam somente os casos em que o suicídio foi verdadeiramente consumado, ou seja, ignorando as tantas outras situações onde o executor não obtivera sucesso, pois, para cada morte decorrente de suicídio, ocorrem outras 20 tentativas infrutíferas (Aliás, devo aqui, aplicar uma correção, pois, receio que o verbo “frutificar” não caia adequadamente bem na questão). Todavia, sobre este grupo recai a triste alcunha de “SOBREVIVENTES DE SI MESMOS”.

Um arrepio percorrera toda minha estrutura cervical ao constatar que, entre os jovens, o suicídio é a segunda incidência mais grave, perdendo somente para os acidentes de trânsito. De fato, tal qual aponta os estudiosos, suicídio é questão de saúde pública, que merece imediata atenção. Portanto, trilhando o conceito de que, prevenção é sempre o melhor remédio, sugiro abordarmos o assunto com maior frequência em nosso lar, logicamente, armando de certos cuidados e estudo sobre tal, pois, insistir em repetir situações de mortes por suicídio pode ser, muitas vezes interpretado pelo cérebro humano como incentivo . Um exemplo claro desta afirmação ocorrera em agosto de 1962, após a mídia americana divulgar o suposto suicídio de Marilyn Monroe, com coberturas cada vez mais sensacionalistas e repetitivas, ainda que a causa real nunca ficara provada. O fato é que, naquele mesmo mês, os Estados Unidos registrara um aumento de consideráveis 12% na taxa de suicídio.

E a você que, neste trágico momento está pensando, articulando, atentar contra sua própria vida, advirto, suicídio, nunca fora sinônimo de êxito, saída e mesmo solução para qualquer problema que você julgue maior que a própria vida.

Dedico este texto ao amigo Emerson Speroni, do Rio grande do Sul, que milita no âmbito nacional, na prevenção do suicídio e prestara válido socorro quando manifestei desejo de abordar o assunto. E, de alguma forma, espero ter, ao menos incentivado alguém a procurar ajuda, caso identifique nos seus, esta tendência trágica.

Pensamento:

Morrer é uma coisa que se deve deixar sempre para depois.

(Millôr Fernandes)

*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.