Franca eleva exportações de calçados com guerra comercial de EUA e China

Levantamento mostra que, em setembro, as fábricas levaram para o exterior US$ 5,759 milhões

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As indústrias de calçados de Franca, um dos principais polos de produção de sapatos do país, registraram alta de 6,4% no volume de exportações, segundo dados recém-divulgados pelo Sindicato da Indústria de Calçados de Franca (Sindifranca).

O levantamento mostra que, em setembro, as fábricas levaram para o exterior US$ 5,759 milhões.

Desde janeiro, a elevação - que contraria a baixa de 12% da indústria brasileira - é a terceira seguida nos negócios fechados fora do país. Ainda assim, no acumulado de 2019 as exportações protagonizam uma retração de 2,4% em relação a 2018, com total de US$ 50,564 milhões.

Um montante que caminha para ser o pior na série histórica registrada desde 1993, ano em que as fábricas arrecadaram US$ 256.504.904,00 com exportações.

Guerra fiscal

As altas pontuais, na avaliação do presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão do Couto, têm relação com a guerra comercial entre Estados Unidos e China. 

Segundo ele, o produto brasileiro passou a ser, ao menos em primeiro momento, uma alternativa aos norte-americanos. "As exportações atualmente estão concentradas nos Estados Unidos em decorrência da briga dos Estados Unidos com a China. Obviamente que, com a imposição de taxas maiores nas exportações da China para os Estados Unidos, isso favoreceu o Brasil nesse sentido e obviamente o calçado. Então os compradores americanos estão voltando atenções para o Brasil", afirma.

O balanço anual de exportações mostra que os Estados Unidos são o principal parceiro comercial das fábricas de calçados de Franca e concentram quase a metade da receita obtida por meio de negócios internacionais em 2019: são US$ 20.815.995,00, o equivalente a 41% do volume total de exportação da cidade nesse setor, o que representa alta de 34,6% na comparação com o mesmo período de 2018.

Na sequência, aparecem países sul-americanos liderados por Argentina e Chile, respectivamente com US$ 3.598.896,00 e US$ 3.433.358,00.

Diretor de exportação de uma fábrica que produz 800 pares por dia, João Xavier também acredita que o câmbio - com a moeda brasileira em baixa - e a busca por qualidade impulsionaram os negócios. "A gente imagina que o maior cenário que fez a diferença foi a cotação do dólar, que hoje se encontra favorável. É um cenário imprescindível na briga de preço. Depois, a gente tem essa mão de obra especializada. O sapato sai sempre com qualidade muito superior e aí é qualidade, não é só briga de preço", afirma.

Na avaliação de Brigagão do Couto, a alta nas exportações deve se manter até 2020, embora não pareça se sustentar a longo prazo.

Geração de empregos

O incremento no volume de exportações, por outro lado, não é suficiente por si só para garantir mais vagas na indústria, que este ano atinge seu número mais baixo de empregados e nos últimos anos tem destinado em torno de 90% de sua produção para o mercado interno.

Entre agosto e setembro, o total de trabalhadores no setor passou de 17,8 mil para 18,2 mil, indicando breve recuperação, mas ainda muito abaixo dos níveis já registrados pelas fábricas, como em outubro de 2013, quando as unidades chegaram a empregar mais de 30 mil funcionários.

"Se as reformas [do governo federal] forem implementadas o mais rápido possível acreditamos que podemos ter um aumento do emprego. Temos aí 12 mil desempregados em Franca no setor calçadista, tivemos uma pequena melhora no mês de setembro, mas não é sustentável, ainda estamos defasados com o número de empregos nossos em relação à sazonalidade que ocorreu em novembro e dezembro de 2018 e nós não conseguimos repor essa mão de obra", analisa.



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