Floradas fora de época geram preocupação em lavouras do Sul de Minas

A colheita de café no Brasil em 2019 chegou a 22% da produção esperada, um total de 13 milhões de sacas

Postado em: em Agronegócios

Apesar da queda acentuada nas temperaturas durante o fim de semana, não houve ocorrência de geadas nas regiões produtoras de café do País. 

O tempo foi predominantemente seco em todos os estados produtores, possibilitando um avanço nas atividades de colheita, que apesar das chuvas, está adiantada em relação à  safra passada. 

Este avanço no período se dá por conta das floradas irregulares que apareceram entre dezembro e janeiro, resultando em um processo acelerado de maturação dos grãos.

Em Santa Rita do Sapucaí (MG), por exemplo, as floradas seguem surgindo. 

Segundo a produtora Doroteia Renno, de Santa Rita do Sapucaí (MG), essa floração é uma combinação de fatores. “A chuva e o tempo mais quente que o normal fizeram com que o café despertasse antes da hora”, diz.

Ela relata que essa situação, além de ser ruim para a safra atual, também é prejudicial para a próxima.

“Minha preocupação é com a próxima colheita. Meu agrônomo disse que onde a flor abriu não nasce outra neste ciclo e as que abriram vão abortar, pois não terá clima propício para reter os frutos”, comenta.

Muitos produtores do Sul de Minas também estão apresentando os mesmos problemas. “Estamos vendo isso na região toda. Café especial este ano vai ser muito difícil”.

Na região do Circuito das Águas Paulista, o fenômeno da florada prematura não está acontecendo com a mesma intensidade que em outras regiões, por conta de uma altitude maior e um clima mais ameno, ao contrário do município de Garça (SP), que tem altitude mais baixa e clima mais quente.

“De qualquer forma, ainda não dá para prever a quebra em consequência deste fenômeno fora do tempo. É preciso aguardar a florada principal para se ter uma ideia real da quebra de produção”, explica o agrônomo Bruno Baldini, que assessora a produtora Lóris Ramos Heleno, do município de Amparo (SP).

Mas o que pode ser ruim para alguns, não é motivo de tristeza para outros. 

No Alto Caparaó, por exemplo, o cafeicultor Clayton Barrossa Monteiro explica que essa irregularidade na lavoura é algo comum. “A falta de uniformidade é uma característica do Caparaó. Já estamos acostumados a trabalhar com isso há anos, é nossa carta na manga”, diz.

Clayton, que faz uso da colheita seletiva, conta que o clima ajudou as lavouras tardias. “Choveu bem e deu sol durante todo o mês de janeiro, fazendo com que desse muita flor em fevereiro e março. Então vamos ter uma colheita super extensa”, relata. 

“Acredito que este ano esses cafés tardios vão estar em quantidade maior, o que é muito legal pra nós. Se dermos sorte de pegar um clima que dá para fazer essas colheitas sem perder muito, vamos ter uma quantidade legal de cafés especiais no fim do ano”.

Até a última terça-feira (28), a colheita de café no Brasil em 2019/2020 chegou a 22% da produção esperada, um total de 13 milhões de sacas, de acordo com os dados da consultoria Safras & Mercado.

O tempo deve seguir firme nos principais estados produtores do País, com exceção para a região do Sul de Minas, no qual devem ocorrer pancadas isoladas de chuva a partir de sexta-feira. 

A expectativa é de uma semana típica do outono brasileiro com noites e madrugadas frias e tardes quentes.


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