Fiocruz desenvolve teste barato para detectar Zica vírus em 20 minutos

  • Cesar Colleti
  • Publicado em 14 de abril de 2019 às 15:01
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 19:30
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A expectativa é que o método simples chegue aos postos de saúde antes do final do ano

Exames para identificar infecção pelo vírus da Zika em breve vão
poder ser feitos em 20 minutos. Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz
(Fiocruz), em Pernambuco, desenvolveram um método simples e 40 vezes mais
barato que o tradicional.

A expectativa é que chegue aos postos de saúde antes do final do
ano, beneficiando, principalmente, os municípios afastados dos grandes centros,
onde o resultado do teste de Zika pode demorar até 15 dias. As informações são
de um dos criadores da técnica, o pesquisador da unidade Jefferson Ribeiro.

“Tendo em vista que a técnica atual (PCR) é extremamente cara e
o Brasil tem poucos laboratórios de referência que podem realizar o diagnóstico
de Zika – até um tempo atrás eram apenas cinco, inclusive a Fiocruz de
Pernambuco -, uma cidade pequena, no interior do estado, acaba prejudicada. A
amostra precisa sair do interior, ir para a capital, para ser processada,
enfim, se pensarmos nesses municípios, o resultado pode demorar 15 dias”,
destaca Ribeiro.

Outra vantagem do novo teste é que pode ser feito por qualquer
pessoa nos postos de saúde, não exige treinamento complexo. Com um kit rápido,
basta coletar amostras de saliva ou urina, misturar com reagentes fornecidos em
um pequeno tubo plástico e depois aquecer em banho maria. Vinte minutos depois,
se a cor da mistura se tornar amarela, está confirmado o diagnóstico de Zika,
se ficar laranja, o resultado é negativo.

Hoje, o teste PCR (reação em da polimerase), com reagentes
importados, é feito com material genético retirado das amostras, o que demora
mais.

O teste elaborado pela Fiocruz Pernambuco é também mais preciso,
ou seja, tem uma taxa de erro menor, acusando a doença mesmo em casos que não
foram detectados pela PCR.

A expectativa dos pesquisadores é que o kit seja desenvolvimento
pela indústria nacional, com a participação da Bio-manguinhos, e
disponibilizado até o fim do ano. Testes semelhantes já são usados para o vírus
da dengue e outras bactérias. “Essa é a nossa pretensão, para facilitar a disponibilidade
para o Sistema Único de Saúde”, disse Ribeiro.

Zica

O número de casos de Zika, que pode causar microcefalia em
bebês, vem diminuindo nos últimos anos. No entanto, o país ainda teve 8.680
diagnósticos em 2018 (em 2017 foram 17.593), com maior incidência no Norte e
Centro-Oeste. A doença está relacionada à falta de urbanização e de saneamento
básico e costuma aumentar nas estações chuvosas.

A Zika é transmitida principalmente por picadas de mosquito, mas
também durante a relação sexual desprotegida e de mãe para filho, na gestação.
Provoca complicações neurológicas como a microcefalia e a Síndrome de Guillain
Barré. Começa com manchas vermelhas pelo corpo, olho vermelho, febre baixa e
dores pelos corpos e nas juntas, geralmente, sem complicações.

O novo teste para a Zika foi desenvolvido no mestrado em
Biociências e Biotecnologia em Saúde, com orientação do professor Lindomar
Pena. Em breve, será publicado em detalhes em revista científica.
Anteriormente, os pesquisadores publicaram artigo com os resultados dos testes
para amostras de mosquitos infectados e não de secreções humanas.


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