Excesso de zelo pode desenvolver crianças inseguras e dependentes

Segundo psicóloga, pequenas tarefas do dia a dia são boas oportunidades para promover mais independência

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Estimular pequenas tarefas no dia a dia ajuda na independência das crianças

Jogar bola na rua, brincar de esconde-esconde com o vizinho, participar de uma festa do pijama na casa do coleguinha? Nem pensar! O mundo lá fora reserva muitos perigos e riscos às crianças. Escolher a própria roupa, o esporte a praticar e até os amiguinhos: de jeito nenhum! Somente os adultos sabem o que é bom para a criança, certo? Se você concorda com estes pensamentos é bem provável que você faça parte dos pais superprotetores.

A entrada da mulher no mercado de trabalho, a violência generalizada e as mudanças nos padrões da educação costumam ser as razões que levam pais e mãe a criarem uma redoma de vidro em volta de seus filhos. Pois esse excesso de zelo pode sair pela culatra e desenvolver uma criança insegura, intolerante a frustrações, dependente, tirana e manipuladora. “Assim, é importante apresentar desafios de maneira gradual aos filhos para que eles possam se tornar cada vez mais independentes”, observa a psicóloga Larissa Maciel Travassos, que completa: “aos poucos, cuidados como estimular que os filhos possam dormir na casa de amigos, ou permitir que desçam sozinhos no playground do prédio, por exemplo, favorecem experiências que possibilitam à criança a sensação de ser independente e capaz de cuidar de si mesma”.

A comerciante Roberta Gusmão de Souza, 36 anos, mãe das gêmeas Valentina e Sophia, quatro anos, admite que abrir mão da superproteção não é fácil, feito da noite para o dia. “Nós temos a essência de proteger nossa cria, então é natural que isso ocorra. Mas sei que todo excesso é ruim”, diz. A forma que ela encontrou para colocar um pouco de liberdade e autonomia na educação das filhas foi justamente com pequenas coisas do dia a dia. “Elas passaram a ser responsáveis por suas coisas: arrumar as roupas, calçados e brinquedos. E ainda as faço participar da rotina da casa”, conta Roberta.

A psicóloga explica que as pequenas tarefas do dia a dia são boas oportunidades para promover mais independência para as crianças. É automático os pais fazerem pelas crianças coisas que elas já sabem fazer. “Conforme o tempo vai passando, eles acabam não percebendo que as crianças já são capazes de fazer sozinhas. Isso acaba acomodando a criança”, esclarece Larissa.

Os prejuízos

Ela diz ainda que dar autonomia para as crianças não significa que elas podem sair por aí fazendo o que querem, a qualquer hora. A criança precisa de limites. E isso não tem idade exata para começar: “Desde bebê é possível incentivar a autonomia de uma criança. Para isso, estimule algumas ações simples, como deixar que ela monte um brinquedo sozinha ou que se segure em um móvel e possa levantar sem a ajuda de alguém”, sugere.

A superproteção fragiliza a personalidade da criança à medida que ela não aprende a conhecer suas verdadeiras capacidades. "Ela torna-se incapaz de enfrentar as dificuldades ou lidar com as frustrações", prevê Larissa. "De quebra, também pode sentir medo de encarar situações novas e relacionar-se com os outros. Ter falta de iniciativa e se distanciar da realidade, isolando-se em mundos alternativos como o de computadores e videogames", acrescenta.

Em longo prazo, a superproteção é uma das responsáveis pela formação de adultos tiranos, narcisistas e egocêntricos, "uma vez que ela gera a sensação de que, para tudo o que acontecer na vida da criança, sempre haverá alguém para lhe dar suporte, proteção e auxílio. Saciar seus desejos e obedecer a suas ordens é uma obrigatoriedade das pessoas ao seu redor", alerta a psicóloga. 


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