DDM de Franca passará a ter Centro de Referência da Mulher até início de outubro

Sob a organização do Grupo Mulheres do Brasil, unidade oferecerá oficinas e cursos profissionalizantes

Postado em: em Cotidiano

Alguns dos envolvidos no projeto do Centro de Referência da Mulher de Franca

O Comitê de Combate à Violência Contra a Mulher do Grupo Mulheres do Brasil Núcleo Franca está engajado na melhoria do aparelhamento público necessário ao acolhimento eficiente de vítimas de violência doméstica e familiar. E esta luta está prestes a ser coroada pela inauguração, prevista para até o início de outubro, do Centro de Referência da Mulher de Franca, que vai funcionar em anexo à Delegacia de Defesa dos Direitos da Mulher de Franca (DDM).

No Centro serão oferecidos oficinas e cursos profissionalizantes, em parceria com instituições especializadas, para dar opções de sustento a mulheres que queiram romper com o ciclo de violência em suas realidades. “Quando uma mulher vitimizada consegue fazer a denúncia, ela precisa de todo o acolhimento, principalmente psicológico. Também tem necessidade de orientação jurídica, apoio e encaminhamento para quem pode ajuda-la. Tudo isso ela encontrará no Centro de Referência”, justifica a co-líder do Comitê Niara, Dora Bittar.

Assim como a instalação da DDM no novo prédio, a montagem do Centro de Referência está contando com o trabalho incansável do Comitê Niara e de voluntários recrutados por elas, como o arquiteto Fabiano Correa e a personal organizer Pamela. Além deles, integra o time de colaboradores o artista plástico Samuel Freiria, que está espalhando sua arte por toda a DDM. “Agradeço a oportunidade de poder com a arte, tentar levar um pouco de leveza e talvez reflexão a um ambiente tão tenso como uma delegacia de polícia. Você já viu uma delegacia com um coração na entrada?”, observa Samuel.

Segundo a co-líder do Comitê de Combate à Violência Contra Mulher do Grupo, Najara Aparecida Rodrigues, tudo está sendo organizado por elas, até a limpeza. “A gente quer humanizar a delegacia. A atual é muito fria. A mulher vítima de violência já chega fragilizada e não dá para chegar em um ambiente hostil. Até a parte da acessibilidade está sendo revista, para que ela não tenha que usar a mesma entrada”, diz Najara.

Um pouco de cor, leveza e amor podem ser vistas hoje nas paredes da DDM

Para a líder do Núcleo Franca, Eliane Sanches Querino, é preciso união para que os projetos aconteçam. “Nosso lema no Grupo Mulheres do Brasil é ‘Sonho que se sonha junto é realidade’. É recompensador perceber o quanto o nosso núcleo tem feito por Franca, ressaltando o trabalho do Comitê Niara com suas líderes, Najara e Dora, e o empenho da nossa líder maior, Luiza Helena Trajano, junto à causa do Combate à Violência Contra a Mulher”, declara.

História de superação

Ela conta que essa luta nasceu a partir do depoimento de uma das Niaras mais atuantes hoje no Comitê, Marcia Matos. E é a própria quem conta que, por 20 anos, sofreu agressões físicas e psicológicas por parte do marido. Amargava há anos um quadro de depressão e começava a apresentar sintomas como desmaios, gagueira e incontinência quando criou coragem para, finalmente, informar-se sobre seus direitos na Delegacia da Mulher da cidade onde morava. “Cheguei tão debilitada física e psicologicamente que a pessoa que me atendeu me encaminhou imediatamente para o Centro de Referência”, lembra Márcia emocionada, que reconhece que o acolhimento que teve no Centro de Referência foi importantíssimo. “Senti que tinha alguém por mim. Comecei a fazer um tratamento acirrado com a psicóloga e, tempos depois, tive coragem de voltar para a cidade da minha família e me reerguer”, narra Márcia.

Uma de suas primeiras atitudes, ao se estabelecer em Franca, foi procurar um Centro de Referência da Mulher onde pudesse trabalhar e retribuir todo o bem que havia recebido. Mas não existia. Procurou então engajar-se em causas sociais e, por indicação de um palestrante para quem contou sua história, foi convidada a conhecer o trabalho do Núcleo Franca do Grupo Mulheres do Brasil.

Samuel Freiria, artista plástico que assina as artes que podem ser vistas na nova DDM de Franca

A líder Eliane acolheu Márcia e a sua ideia de lutar por um Centro de Referência na cidade. Visitou com ela centros de outras cidades, para entender pelo que precisavam lutar, envolveu a delegada da Mulher de Franca, Cristiane Bueno, e convocou suas Niaras à luta. As mobilizações que se seguiram as trouxeram até este momento de celebração.

A Delegacia da Mulher hoje funciona à Rua Voluntários da Franca, 2.557, Centro. E para a inauguração da nova sede da DDM e do Centro de Referência da Mulher, Franca deve receber a presença do governador de São Paulo, João Dória, e do secretário de Estado da Segurança Pública, João Camilo Pires.

*Com auxílio de Suzana de Souza Silvia Pereira


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