Com pandemia Covid-19, trabalho dos ​motoboys de Franca mais que triplicou

Como outros profissionais, eles estão se expondo para que muitas pessoas possam ficar protegidas em casa

Postado em: em Economia

Eles estão por toda a cidade. E com a crise por conta do estado de pandemia em Franca, eles são vistos percorrendo ruas e avenidas da cidade. 

Afinal, esse grupo de trabalhadores está na linha de frente do coronavirus e o risco é muito grande, já que percorrem todos os setores da cidade, mantendo contato com todos os tipos de pessoas.

O Comitê de Enfrentamento do Coronavirus de Franca ainda não definiu nenhuma ação para esses profissionais. Eles estão trabalhando 24 horas por dia, prestando serviços para estabelecimentos que precisam entregar comida quente. 

Os motoboys vinham trabalhando com uma certa folga, faturando entre R$ 2 a 3 mil mensais.

Porém, com a crise e o desemprego formal, muitos trabalhadores migraram para o setor de entregas, triplicando o número de motoboys na cidade. 

O que se verifica é que não são mototáxis, são apenas entregadores informais, o que não exige nenhum tipo de licença para esse tipo de trabalho. Portanto, eles não são irregulares, são apenas informais. 

Segundo Maksuel Ribeiro Alves, esse trabalho acaba lhe dignificando. “Gosto de trabalho sobre duas rodas e ver a satisfação das pessoas receberem a encomenda quentinha” disse. 

Ele faz entrega para o Restaurante Laranjinha e também trabalha numa das centrais de motoboys de Franca. 

Amigo de muitos motoboys, Maksuel entristeceu algumas vezes nos últimos meses com a morte de alguns amigos (que sofreram acidentes). Eles são sonhadores alucinados em uma 125/150/160/250 cilindradas. 

Na luta em conseguir o sustento da família ou para ter uma vida melhorar eles colocam a “pilha” (correria) nas motos para não atrasar. 

É sair do conforto de sua casa para transitar no sol, na chuva, calor e frio, com bolsa de entregas nas costas, sabendo que irá enfrentar trânsito cheio de motoristas imprudentes, correndo o risco de ser roubado, sofrer um acidente e outros.

Os motoboys sofrem com os motoristas menos avisados que, no trânsito da cidade, forçam paradas, fecham os motociclistas nas vias, além de outras barbeiragens. 

FAZENDO A VIDA ANDAR 

Durante o período de distanciamento social, o motoboy é o que mais aparece nas portas das casas. 

E além de dar conta de tantos pedidos, esses profissionais ainda tem outro desafio. 

Quando todo mundo se espreme nas ruas, eles conseguem passar. Quando quase ninguém está nas ruas, eles continuam passando. “Fazemos a vida de muita gente andar”, disse Renato Silva.

Para Homero Rosa Júnior, médico da Vigilância Sanitária, os motoboys são das profissões mais expostas, porque eles circulam no ambiente externo, vão aos restaurante, vão na casa do cliente, vão no posto de gasolina e são múltiplos contatos humanos. 

São várias as chances de ter contato com pessoas com a gripe, com infecção, muitas vezes sem sintomas. 

Pela regulamentação do distanciamento social, as empresas têm que garantir condições de trabalho para esses profissionais, têm que garantir álcool gel. Por parte do cliente, se tiver com sintomas respiratórios principalmente, evitar o contato direto.

Na avaliação de Luiz Carlos Vergara Pereira, da Secretaria de Saúde, a categoria dos motoboys reúne muita gente que perdeu o emprego que tinha antes e começou a ganhar a vida assim. 

Nesse momento em que a comunidade vive, durante a pandemia, novos motoboys já começam a aparecer.



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