PULGA ATRÁS DA ORELHA!

Postado em:

A Copa está chegando! Confesso que após o anúncio feito por Tite no começo da semana dos 23 atletas que irão nos representar no Mundial da Rússia, fiquei com a pulga atrás da orelha.Há nomes na lista que não concordo. São eles: Fernandinho, Fred e Taison. Mas nem por isso torcerei contra o escrete canarinho, muito pelo contrário. O grande problema é que precisamos aprender a valorizar os clubes do futebol brasileiro e os atletas que jogam por aqui. Estranhamente jogadores que atuam pelo Shakhtar, tem lugar cativo na seleção. Não querendo desmerecer os atletas citados acima, mas temos jogadores mais qualificados no Cruzeiro, Grêmio, Flamengo, Palmeiras e Corínthians. O time ucraniano não pode servir de referência em hipótese alguma. Adenor Bach tinha a faca e o queijo nas mãos... Espero queesteja correto em suas convicções. Todas as vezes que o Brasil conquistou a Copa, tínhamos um elemento surpresa que saía do banco de reservas (um jogador diferenciado que entre e mude a história da partida). Atualmente temos, mas infelizmente foram lembrados somente na lista de suplentes. Mesmo assim, a seleção continua sendo uma das favoritas à conquista do título com ressalvas. Alemanha, Espanha e França estão um degrau acima. Em caso de novo fracasso, a teimosia e politicagem ficarão devidamente comprovadas. 

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

QUEM É MELHOR!

Postado em:

Quem é melhor: Cruzeiro, Flamengo, Grêmio ou Palmeiras?

O Imortal é a equipe que pratica o melhor futebol do Brasil na atualidade. Um time bem encaixado, consistente defensivamente, extremamente versátil e objetivo no ataque. Sem contar a intensidade e foco durante as partidas. Mas ainda não passou por nenhuma prova de fogo na temporada e corre risco de perder jogadores importantes pós Copa do Mundo.

Quanto ao Cruzeiro, tem um elenco muito qualificado tecnicamente a exemplo dos demais e jogadores que podem decidir um jogo a qualquer momento. Começou oscilando demais tanto na Libertadores quanto no Brasileirão. Mas a Raposa reconheceu suas capacidades e começa a crescer na hora certa...

Já o Flamengo, que viveu dias tumultuados, parece ter se reencontrado com a paz. Lidera o Brasileirão neste início e tem contado com as boas atuações de seus garotos da base. O Rubro-Negro precisa de um título de expressão. Caso consiga manter a calma, tem chances de conquista.

E o Palestra? Parece que a perda do título estadual para seu maior rival trouxe amadurecimento ao time. Tanto é que a trupe de Roger Machado tem conseguido um retrospecto brilhante atuando longe de casa. Sabe jogar e se comportar de maneira exemplar, com inteligência e velocidade. O problema é encontrar esse mesmo equilíbrio nos jogos disputados no Allianz Parque. 

O grande problema para esses ótimos times é saber se terão pernas pra chegar longe em competições paralelas e cruéis. Elenco para isso, todos eles tem inegavelmente.


*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

CADÊ O CLIMA DE COPA DO MUNDO?

Postado em: - Atualizado em:

Será que nós brasileiros já perdoamos a Seleção pelo vexame da Copa passada? Uma perguntinha complicada de responder. Tudo passa, mas dói ainda principalmente pela maneira como foi. Humilhante demais... Faltando pouco mais de um mês para o início do Mundial da Rússia, não vejo ninguém vestindo a gloriosa camisa do escrete canarinho e nem bandeiras desfraldadas em prédios como costumava ser nas Copas passadas. Claro que há explicações para isso. Afinal de contas, o Brasil passa por uma das piores crises políticas e econômicas da sua história. Com direito a ex-presidente preso e tudo mais. Sem contar a sem-vergonhice e roubalheira dos que presidem o esporte bretão. Não cabe nem comentários. A falta de transparência é absurda. Credibilidade zero em todos os aspectos possíveis e inimagináveis. Pesquisa do data folha mostra que apenas 24% dos entrevistados, estão interessados no Mundial da Rússia. O distanciamento e esfriamento para com a única seleção pentacampeã do mundo salta aos olhos. Precisamos recuperar a fé, mesmo porque o futebol faz parte da nossa cultura. A limpeza está sendo feita tarde demais. Uma Copa é capaz de mexer com os sentimentos de todos nós. Momento de união ímpar. Independentemente dos milhões que movimentam o esporte mais popular do mundo, espero que os jogadores honrem a amarelinha e resgatem o orgulho de vesti-lá...


*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

Por que a arbitragem de futebol do Brasil não é profissional

Postado em: - Atualizado em:

A 2ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro, que terminou no domingo (22), foi novamente marcada por questionamentos em relação à arbitragem. Entre os principais, estão o gol mal anulado do Internacional, que determinou a derrota da equipe no jogo contra o Palmeiras, e os acréscimos da partida entre Fluminense e Cruzeiro, considerados desproporcionais. A adoção de novas tecnologias no esporte, como a do árbitro assistente de vídeo, quer reduzir a ocorrência de erros humanos no futebol. Para a edição de 2018, no entanto, a maioria dos clubes da primeira divisão foi contrária à medida, alegando custos elevados de implementação. Enquanto ferramentas auxiliares não se consolidam, falhas em lances polêmicos e interpretativos seguem pesando na conta dos árbitros brasileiros. A urgência por melhor capacitação de juízes e o estigma que envolve a profissão servem de argumento para que se questione as condições atuais de trabalho da categoria. A arbitragem de futebol é reconhecida legalmente como profissão no país desde outubro de 2013. Apesar disso, árbitros nacionais não atuam em regime profissional, como acontece em países como Portugal, Espanha ou Inglaterra, por exemplo, que oferecem salários mensais e bonificações. Na prática, suas regras de trabalho são definidas pela Lei nº 9.615, conhecida como Lei Pelé. Tal lei define os árbitros como trabalhadores autônomos, ou seja, sem vínculos empregatícios formais com federações estaduais ou a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), por exemplo. Sem terem remuneração fixa, os árbitros são escalados para cada partida por sorteio, sendo pagos conforme o número de jogos que apitam. Os ganhos por partida dependem diretamente do “nível” do juiz. Um árbitro vinculado à Fifa recebe cerca de R$ 4.000 por jogo. Árbitros da CBF, por sua vez, faturam R$ 2.900 por partida trabalhada na Série A. A quantia é proporcionalmente menor para campeonatos de menos expressão e os assistentes recebem cerca de 60% do valor dado aos árbitros. 592 É o número de árbitros e assistentes registrados na CBF Caso não sejam sorteados, juízes podem passar até algumas semanas sem apitar. O mesmo vale para períodos que campeonatos entram em recesso, como acontece em anos de Copa do Mundo, por exemplo. Por conta desse funcionamento, entidades administrativas não precisam manter responsabilidades trabalhistas ou previdenciárias. Embora existam casos de árbitros que se dediquem apenas ao trabalho dentro das quatro linhas, a maioria segue conciliando à dedicação ao esporte com outras atividades profissionais. Isso, segundo a categoria, seria um dos fatores que limitam o potencial de árbitros e tornam desproporcional a cobrança por rendimento. “No Brasil, duas coisas são fundamentais, profissionalização e fim do sorteio. Melhoraria muito. Não estou falando só em relação a salários, mas em ter um tempo integral para o árbitro se preparar melhor para essa função, que é extremamente difícil”, disse Carlos Eugênio Simon, árbitro que apitou em três Copas do Mundo e atual comentarista de arbitragem, em entrevista recente ao jornal Lance!. “O juiz é uma figura amadora, solitária, que deve ir atrás de treinamentos e recuperação, tudo por conta própria. Debates sobre técnicas de arbitragem e preparação física são importantes, além de conversas com psicólogos”, completa. Como alguém se torna árbitro de futebol Para a grande maioria dos juízes, a profissão costuma funcionar como uma espécie de complemento de renda. Após realizarem um curso de capacitação que dura, em média, um ano, árbitros podem pleitear uma vaga nas federações. Cursos desse tipo são oferecidos por sindicatos de árbitros ou pelas próprias federações, o que varia de estado para estado. Se aprovados em testes teóricos, psicológicos e de aptidão física, os juízes ficam à disposição da federação a que pertencem. Para fazerem parte do quadro nacional (da CBF) e pleitearem vagas como árbitros-Fifa, devem ser indicados pelas federações. “Não se discute a profissionalização, o que se discute é o vínculo empregatício. Querem mandar na arbitragem mas não querem vínculos porque gera custos. O ideal seria ter uma garantia mínima.” Marco Antônio Martins, presidente da Anaf A grande visibilidade do trabalho dos juízes prevê cobranças na mesma proporção. De acordo com o Código Brasileiro de Justiça Desportiva, árbitros podem ser suspensos ou até multados por não seguirem as regras oficiais do esporte, omitirem-se em situação de indisciplina entre atletas, ou não comunicar ocorrências nas súmulas ao fim da partida, por exemplo. “A CBF precisa de cerca de 40 árbitros para o [Campeonato] Brasileiro, que precisam estar o tempo todo em treinamento. Se um deles comete um erro no final de semana, não adianta que volte para casa e fique 15 dias fora da escala. Isso vai melhorar em que a situação dele? Um árbitro já sabe depois do jogo que errou e que vai ficar fora. Qual a motivação dele para treinar?”, disse Marco Antônio Martins, presidente da Anaf (Associação Nacional de Árbitros de Futebol), em entrevista ao Nexo.

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

"A COPA É DO ALÉM"

Postado em:


Faltando menos de dois meses para a Copa do Mundo, sinto o cheiro de mistério e dramaticidade no ar. Credo, que torneio traiçoeiro! Um vacilo é fatal... Um desvio de olhar e pronto, o sonho se transforma em pesadelo. Um chute torto, uma cabeçada sem rumo, de repente estufa as redes inesperadamente. Há algo de estranho no ar. Caras e bocas, indignação, choro, gritos, agonia e alívio se misturam em meio aos duelos de alta tensão que marcam um Mundial. "A Copa é do além", campeonato que prende e rouba as atenções do planeta. Que faz sacudir nações inteiras, seja na alegria ou tristeza. Invade nossos corações, penetra na nossa alma e entra em nossas mentes com lances inesquecíveis, jogadas mágicas e comemorações divertidas. Ah Copa, chega logo! Quero viver de ilusões por pelo menos durante um mês.

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

Neste sábado começa a 16ª edição do Brasileirão na era dos pontos corridos

Postado em: - Atualizado em:

Ao meu ver, Grêmio e Corínthians podem ser considerados como sendo os principais candidatos ao título. Porque ambos vem de grandes conquistas e são sem sombra de dúvidas, as melhores equipes que praticam o melhor futebol coletivo com eficácia. O Cruzeiro também não deixa de ser um candidato em potencial. Afinal de contas, possui jogadores qualificados tecnicamente e um bom treinador no comando. Quanto ao Palmeiras que vive "má fase", precisa urgentemente deixar de lado o mimimi e calçar as sandálias da humildade para pensar em conquistar o título da competição. Torcida tem, grana não falta. Mas confesso que o maior adversário do clube, é o próprio Palestra... Com relação ao Flamengo, não deixa de ser uma incógnita. O time da Gávea investiu pesado mas nem treinador definiu e poderá pagar caro por isso. Os demais cariocas, devem brigar para permanecerem no meio da tabela de classificação. Mas espera aí: onde fica o São Paulo nessa história? Equipe para ser campeã sincera e honestamente não tem. Portanto, a torcida pelo menos reza para o Tricolor apresentar e desenvolver um bom futebol e quem sabe pintar como uma das surpresas do Brasileiro. O time de Ventura (Santos) poderá aprontar travessuras com a sua garotada e desbancar muito favorito. Já o Inter está de volta a elite e espero que não repita os erros do passado. Mas deverá ficar entre os doze primeiros colocados e nada mais. América-MG, Ceará, Vitória, Bahia, Paraná certamente lutarão com unhas e dentes para continuarem debutando na elite. Façam suas apostas. Teremos dois campeonatos: um pré e outro pós Copa!

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

Paulistão-2018 termina com a pior média de gols dos últimos 27 anos de campeonato

Postado em: - Atualizado em:

Não é exagero dizer que o que faltou no Paulistão-2018 foi qualidade técnica, seja nos grandes clubes, seja naqueles considerados menores, seja na fase de grupos, seja na decisão e isso é refletido diretamente nos resultados em campo, tanto é que essa edição do estadual paulista teve a menor média de gols dos últimos 27 anos.

Vale ressaltar também que a pré-temporada de alguns times foram abreviadas, o que pode ter interferido no desempenho. Foram marcados 251 gols em 121 partidas, o que dá uma média de 2,07 tentos por jogo, índice extremamente baixo, principalmente em relação às competições passadas, que vinham apresentando estatísticas satisfatórias, mesmo com o nível técnico baixo. Desde o Paulistão-1991, quando a média de gols após as quatro primeiras rodadas foi de 1,94 gol por partida, não tínhamos um campeonato tão ruim nesse quesito.

Para se ter uma noção do quanto os números de 2018 são baixos, não é preciso recorrer a edições antigas, basta pegar o campeonato de 2012, quando a média de gols foi de 3,11 por partida. Em 2013, por exemplo, o índice era de 2,76, em 2010 de 3,14 e em 2009 de 2,89. Mais uma vez, não há necessidade de ser saudosista, um passado recente (dez anos) mostrou ser melhor.

No levantamento realizado desses últimos 27 anos, uma edição chamou bastante a atenção pelo alto número de gols nas primeiras rodadas, que foi a de 2001. Naquele campeonato, no término das quatro rodadas iniciais, a média de tentos era de 3,64 por partida. A curiosidade do campeonato era que o empate no tempo normal forçava uma decisão por pênaltis que dava um ponto extra ao vencedor. No caso de empate sem gols, a equipe ganhadora nas penalidades levava apenas o ponto extra. Talvez isso tenha motivado os times a buscarem balançar a rede.

Nas edições 1998, 1999, 2000 e 2002, a primeira fase do campeonato foi disputada sem a presença dos quatro grandes do estado (Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo) e mesmo assim a média de gols nas quatro primeiras rodadas de cada um dessas competições foi maior do que a registrada no Paulistão atual.


*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

O que foi o caso Harding-Kerring. E como ele expõe dramas do esporte

Postado em: - Atualizado em:

Ao assistir às provas de patinação artística (ou figure skating) nesses últimos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang, Coreia do Sul, nada muito diferente de edições anteriores recentes apareceu. Talvez alguém novo na modalidade, uma coreografia melhorada, uma trilha sonora mais acertada. As vestimentas sempre são uma surpresa à parte, visto que, em geral, o figurino também é um componente importante na apresentação, para qualquer gênero e mesmo para as duplas. Apesar de algumas rusgas entre patinadoras ou entre competidores de diferentes países, até hoje não houve um caso tão dramático e polêmico nesta modalidade quanto o de Tonya Harding e Nancy Kerrigan, datado dos idos dos anos 1990. Ambas contemporâneas, elas tiveram parte de suas trajetórias como atletas vinculadas à equipe estadunidense de patinação, uma das mais competitivas nos esportes de inverno. Kerrigan já havia figurado nas competições nacionais no final dos anos 1980 e, progressivamente, conseguiu bons resultados: 12º lugar (na temporada 1987-1988), 5º (na de 1988-1989), 4º (na de 1989-1990), 3º (na de 1990-1991), 2º (na de 1991-1992) e 1º (na de 1992-1993).  Harding entrou nos nacionais de patinação um pouco antes e teve uma trajetória não tão regular em termos de rendimento esportivo, mas mesmo assim digna de nota: 6º lugar (na temporada 1985-1986), 5º lugar (na de 1986-1987), 5º (na de 1987-1988), 3º (na de 1988-1989), 7º (na de 1989-1990), 1º (na 1990-1991), 3º (na de 1991-1992) e 4º (na de 1992-1993). Rivais no ringue de patinação, amigas fora dele. Até que um incidente mudou essa situação para sempre. Em janeiro de 1994, às vésperas do campeonato nacional de patinação em Detroit, numa tarde comum de treinos, Kerrigan foi atacada por alguém com uma barra pesada de metal que, segundo ela, queria quebrar suas pernas. Até hoje se pode assistir à gravação postada no YouTube do curto vídeo dela saindo da sessão de treinos e, segundos após, sentada no chão, chorando e gritando “why? why?” (por quê? por quê?). As cenas e os mistérios decorrentes do ataque abalaram mundo esportivo dos Estados Unidos e deixaram perplexos fãs da carismática patinadora. As especulações já apontavam que, dependendo da gravidade, Kerrigan seria cortada da equipe de patinação que participaria dos Jogos de Inverno de Lillihammer, na Noruega, a ocorrer no mesmo ano. Com Kerrigan fora, quem se daria bem era a rival, e compatriota, Tonya Harding. De “promessa” da modalidade no país, Harding passou a ser vista como imoral, antidesportiva, desonesta. Com as investigações policiais do FBI, descobriu-se que os mentores do ataque tinham sido o marido de Harding (Jeff Gillooly) e seu guarda-costas (Shawn Eckhardt), que contrataram dois capangas para “assustarem” a patinadora rival. Harding negou envolvimento no início. No mundo esportivo, ela era uma das melhores patinadoras naqueles anos. Lembro-me de falas jornalísticas da época em programas de esportes do canal Bandeirantes, que ao mesmo tempo em que a elogiavam por ter sido a primeira patinadora nos EUA a realizar o famoso o salto Axel triplo, também a consideravam “agressiva, temperamental e altamente competitiva”. Nos Jogos Olímpicos de Inverno em Lillihammer, que ocorreram entre 12 e 24 de fevereiro de 1994, Harding teve problemas com os cordões de seus patins e não conseguiu um bom resultado (repetiu a apresentação mediante permissão do júri, mas acabou ficando em 8º lugar). Kerrigan, apesar da apresentação impecável, foi superada por Oksana Baiul e ficou com a medalha de prata.. Meses após os Jogos, Harding procurou a imprensa para dizer-se arrependida por saber da conspiração do marido e não ter avisado a polícia, o que lhe causou a cassação do resultado obtido na 77ª edição do United States Figure Skating Championships (Campeonato Estadunidense de Patinação Artística), da temporada 1993-1994 que a selecionou para Lillihammer. Além disso, a Federação Estadunidense de Patinação cumpriu a ordem judicial de suspendê-la vitaliciamente por concluir que ela sabia da conspiração contra a adversária. O incidente com Kerrigan ganhou grande repercussão nacional e internacional por meses. Recebeu intensa cobertura de canais de televisão e jornais escritos, todos querendo entender, afinal, o que tinha ocorrido e quem seria responsável pelo ataque. De “promessa” da modalidade no país, Harding passou a ser vista como imoral, antidesportiva, desonesta. Para uma nação que oscila bipolarmente entre “queridinhos” e “odiados”, Harding acabou sendo tratada como vilã, pela mídia esportiva e sociedade norte-americanas. Coincidência ou não, no início de 2018, em meio aos Jogos de Inverno de Pyeongchang estreou no Brasil o filme “Eu, Tonya” (2017, dirigido por Craig Gillespie), que detalha os fatos do ataque e os desdobramentos a partir dele. O enredo traz os fatos reais, mas é propositalmente sarcástico sobre eles. Não se preocupa com a acurácia, nem com a versão oficial ou “politicamente correta” do ocorrido. Talvez tenha sido intenção do roteirista (Steven Rogers) e do diretor provocarem incertezas quanto a um acontecimento sobre o qual há inúmeras versões. O que mais vale é o filme ser uma cinebiografia inusitada, não usual, a partir do lado da suposta vilã (Tonya Harding) e não ter a pretensão nem salvacionista, nem acusatória sobre sua figura. Talvez o mérito da obra cinematográfica seja, justamente, ter partido de um episódio real grave dentro da história do esporte e tê-lo decodificado via múltiplas (e possíveis) explicações para o incidente. Apesar de tudo o que ocorreu, temos a impressão de que Tonya foi a maior injustiçada de toda a história. Portanto, a produção fílmica mostra nas entrelinhas que, mais de duas décadas depois do episódio, não apenas o mistério permanece (se Harding disse a verdade quando confessou não saber da conspiração e do ataque), como ainda incomoda muita gente. Há quem defenda a atleta, argumentando que ela se tornou vítima das circunstâncias (de uma mãe desequilibrada e esquizofrênica e de um marido opressor e violento) e de uma mídia interesseira, numa sociedade hipócrita. Há quem a condene, reforçando o quanto poderia ter sido injusto com Kerrigan se algo grave tivesse ocorrido. Do lado de cá dos espectadores/as esportivos/as, vale saber da história, vale ver o filme!

ESTE TEXTO É UMA REPUBLICAÇÃO DE ARTIGO PUBLICADO NO SITE LUDOPÉDIO

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

Como as leis brasileiras tratam as manifestações políticas em estádios

Postado em: - Atualizado em:


Desde o último fim de semana, em pelo menos cinco partidas de futebol disputadas em campeonatos estaduais, torcedores levaram faixas para homenagear a vereadora Marielle Franco, do PSOL, morta na quarta-feira (14), no Rio de Janeiro. O caso ainda está sob investigação. Com faixas ou bandeiras com os dizeres “Marielle presente” e “Marielle vive”, torcedores se manifestaram e, em alguns desses casos, foram reprimidos pela segurança a serviço do estádio.


Em eventos como a Copa das Confederações ou a Copa do Mundo, é conhecida a preocupação da Fifa (Federação Internacional de Futebol) com manifestações políticas. Em seu código de conduta, ela afirma e reafirma a obrigação de todas as pessoas que trabalham sob a sua sigla de serem “politicamente neutras”. Nas regras para a Copa deste ano, a ser realizada na Rússia, a entidade diz ser proibida a “exibição de mensagens ou slogansem qualquer idioma de teor político, religioso ou pessoal” por jogadores (inclusive em seus corpos). Por fim, em seu código disciplinar, a Fifa diz que clubes ou federações serão responsabilizados em caso de má conduta de seus torcedores. Isso envolve, entre outros, a “exibição de slogans insultuosos ou políticas sob qualquer forma”. No Brasil, o Estatuto de Defesa do Torcedor (nº 10.671, de 2003) é a lei que cobre o que é permitido ou não ao torcedor dentro dos estádios. Em seu 13º artigo, a lei estipula as condições para que um torcedor possa entrar ou permanecer em um estádio durante uma partida. São elas: Não portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou xenófobo. Não utilizar bandeiras, inclusive com mastro de bambu ou similares, para outros fins que não o da manifestação festiva e amigável.

Para Pedro Trengrouse, professor de direito desportivo da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e ex-vice-presidente jurídico da Federação de Futebol do Estado do Rio, no caso de o material usado para a confecção da faixa ou bandeira ser permitido, a manifestação de expressão deveria ter sido protegida. “Não é só o Estatuto do Torcedor que tem que ser levado em conta aí, mas a Constituição Federal, que garante a liberdade de expressão”, disse.

O jurista diz ainda que o gestor de um estádio, ainda que seja de natureza privada, “não está ali para censurar, ele não é um censor”. “O gestor do estádio está ali para garantir que o evento ocorra garantindo a segurança de todos e só.” Referindo-se às regras impostas pela Fifa em grandes eventos como a Copa do Mundo, Trengrouse diz que a entidade internacional tende a achar que está acima da lei – “tanto é que, para fazer um evento num país, ela pede uma lei só para ela, como foi o caso da ‘Lei da Copa’ no Brasil” –, mas a livre expressão deve ser preservada mesmo nesses casos. “O maior exemplo disso foi a atitude do torcedor brasileiro de continuar a cantar o hino nacional depois de ele atingir o tempo limite imposto pela Fifa e ser cortado”, disse Trengrouse, referindo-se à prática que já virou tradições em jogos da seleção. “Nem Fifa, nem COI [Comitê Olímpico Internacional] podem proibir a legítima expressão das pessoas no estádio”. O advogado Victor Eleutério, especialista em direito desportivo, diz que uma posição definitiva sobre o tema depende de uma análise caso a caso, mas que não há qualquer dispositivo jurídico que proíba manifestações políticas em estádios no Brasil. No entanto, cabe à direção do estádio agir caso avalie que alguma atitude da torcida tenha potencial de causar desordem.  “Como organizador do evento, qualquer manifestação que seja nociva ou arriscada para a partida deve ser coibida. Mas, na minha avaliação, esse não me parece o caso”, diz.  Na mesma direção opina o juiz Ulisses Augusto Pascolati Jr., que atua no Anexo de Defesa do Torcedor do Juizado Especial Criminal de São Paulo. “O debate está centrado em dois direitos, à liberdade de expressão e à segurança do torcedor de ir ao estádio”, diz. “O Estatuto do Torcedor estabelece que a prevenção da violência é responsabilidade não só do Estado, mas de todos os entes responsáveis pela organização do evento”, diz Pascolati Jr. “Todos devem avaliar a situação para que problemas não ocorram.” No caso das faixas e bandeiras, “se não tiverem mastro, haste ou contenham mensagem ofensiva, racista ou xenófoba”, elas devem ser permitidas. “Eu acredito que nesse caso da vereadora especificamente, não teria por que proibir a entrada da bandeira ou da faixa com dizeres de apoio.” A decisão de remover faixas e bandeiras sem a devida motivação por agente público, “muito hipoteticamente”, diz o juiz, poderia resultar em um caso de abuso de autoridade por ferir o direito à liberdade de expressão. No caso de uma decisão do tipo tomada por um agente privado, a conduta poderia ser entendida como constrangimento ilegal (artigo 146 do Código Penal) por impor uma obrigação (a retirada da faixa ou bandeira) sem amparo na lei.

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

A primeira vez da Seleção de azul em uma Copa não foi em 1958…

Postado em:

A camisa 2 da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo foi revelada na última quarta-feira  e a novidade apresenta uma grande estrela na altura do peitoral, além de tons distintos de azul e a frase “Você é a Seleção” próxima à gola. Historicamente, a camisa azul costuma trazer bons resultados ao Brasil. No total, a Seleção utilizou camisas azuis em dez jogos na história das Copas – com sete vitórias, um empate e apenas duas derrotas – curiosamente, ambas para a Holanda e que resultaram em eliminações brasileiras.

A primeira vez que a Seleção vestiu azul em uma Copa foi em 1938. Na época, o Brasil jogava de branco e um imprevisto contra a Polônia colocou o azul no caminho. 

HÁ CHANCE DE USAR O AZUL NA RÚSSIA?

É improvável que a camisa azul seja utilizada na primeira fase. Todos os adversários do Brasil no grupo E (Suíça, Costa Rica e Sérvia, respectivamente) têm camisa principal de cor vermelha. Porém, o azul poderá pintar nas oitavas de final. A Seleção, passando de fase, vai cruzar com uma seleção do grupo F (formado por Alemanha, Suécia, México e Coreia do Sul). Se a Suécia estiver pela frente, o azul poderá aparecer.