FOFOCAS MUSICAIS A VIDA É UM SOPRO: SAX e FLAUTA COM ERLINDO MORATO

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Nesta 4ª feira,19 de Junho, recebi a visita do exímio flautista, saxofonista, compositor e músico requisitado por muitos colegas para abrilhantar seus eventos. Veio me trazer um convite irrecusável!

Conversamos por mais de uma hora sobre música, trajetória de vida musical, talento, Brasil e seus problemas com reconhecimento dos nossos artistas que dedicaram a vida para esta arte que encanta, embeleza, traz bálsamo às almas e cura.

Desde sempre conheço o Erlindo tocando sax e flauta transversal. Família de gente dotada de dons artísticos. Contou-me que seu pai era sensível, um artista, dentista, literato, desenhava muito bem, um parceiro que viveu seus 74 anos envolvidos em levar boas palavras.

O que fica para a posteridade senão estas ações e bálsamos que podemos levar às pessoas? O que acrescenta para as pessoas senão o nosso melhor a oferecer a elas? A música é amor! Amor ao belo, aos seres e a Deus!

Buscando por maiores informações para deixar a vocês, encontrei um artigo de Chiachiri Filho, de 2013 reiterando a personalidade do pai de Erlindo: Era um homem bom, caridoso, sensível, humano. Deixou para Franca muitas coisas boas, inclusive, uma família de músicos e poetas.”

Erlindo tem a herança musical de ter tido a felicidade de degustar a boa música com os companheiros de seu pai que deixou uma belíssima canção retratando a cidade de Franca - Terra dos meus sonhos:

https://www.youtube.com/watch?v=N9xlyuPCxb8

Terra dos meus sonhos ( Agnelo Morato e Diogo Garcia)  é tão admirada pelos francanos que houve um tempo em que cogitava-se oficializá-la como Hino da cidade.

Apresentação da Casa dos Músicos no Teatro Municipal 2001- com o tema “EU TENHO UM SONHO”

Um instrumentista versátil que imagino ter estado em milhares de eventos( sem exagero) , pois não há quem não conheça e tenha usufruído de bons momentos ouvindo seu sax ou sua flauta. Em 2001, quando fizemos uma apresentação da Casa dos Músicos com o tema : “EU TENHO UM SONHO”, o intuito foi proporcionar às crianças em geral a oportunidade do estudo da música e ao mesmo tempo mostrar à nossa cidade os talentos francanos, por este motivo plagiando Martin Luther King : EU TENHO UM SONHO em ver a música ecoando pelo mundo promovendo seres mais felizes, realizados, espalhando sobretudo a Paz.  Vários músicos ‘ deram o ar da graça’ no evento com beleza, entusiasmo, compartilhando conosco este momento! Gratidão por todas as vezes que você esteve disponível pra nós Erlindo!

Nesta mesma época, ainda na ânsia pela realização do sonho de ver a música sendo disponibilizada a todos, tive a felicidade de ser atendida no pedido ao escrever uma carta a um deputado pedindo para trazer o projeto Guri para Franca, onde Erlindo foi professor de Sax, Flauta Transversal e maestro. Meus filhos tiveram a honra de participarem deste momento da abertura do Projeto Guri com estes músicos de gabarito. Eduardo, meu filho mais novo se recorda com carinho da conduta respeitosa que Erlindo tinha para com ele e outros alunos enquanto regente da orquestra e isso ficou registrado em sua alma: momentos eternos de gratidão!

Nesta foto, LuckTripp um violinista de primeira categoria que também lecionou no Projeto Guri. Nesta apresentação da Casa dos Músicos, abrilhantaram mais uma vez o evento com extremo talento!

Franca sempre foi uma cidade musical, as valsas francanas, as serestas, depois os Festivais, serenatas, Semana da Música... Que cidade musical!!! Quantas boas recordações temos deste tempo em que a música fervilhava bela e exuberante com as orquestras de Arnaldo Ricardo de Souza, Laércio da Franca, e tantos músicos, poetas, seresteiros, gente que exala o mais belo da vida!

Que alegria ver tudo voltando e registrado em CD !

Ontem, quando conversávamos, Erlindo se recordou do tempo em que estudou na Escola Municipal de Música de São Paulo com grandes nomes, mas voltou à terrinha natal como tantos de seus amigos que aqui estão fazendo soar nos ares da Terra do Capim Mimoso, as mais belas melodias. O que tem esta cidade que é o ninho de tantos talentos?

Penso que um dia lá no futuro, os historiadores vão se perguntar – “por que todos estes exuberantes talentos vieram se reunir numa divisa com Minas Gerais, na antiga capital do calçado, a Franca do Imperador?”

É História minha gente! São biografias! É a música ecoando , curando, abençoando as mentes agitadas e confusas do nosso terceiro milênio!

Dia 27 de Junho, no bar NOITE NOSSA, 20h 30 estaremos em festa, no lançamento do CD  - A VIDA É UM SOPRO, de Erlindo Morato.

A festa aqui e festa no céu, onde moram seu pai e seu irmão Agnelinho, também músico, que se mudou para a casa do Pai ainda jovem, voltando de um Festival de música quando sofreu um acidente fatal.


Inauguração da Casa dos Músicos no entardecer de 07 de Maio de 2001. Erlindo presente! Nunca recusou um convite sequer, para atender a um chamado meu.

Também na foto: a pianista Lívia Caleiro e prof Heloisa Bereta, eu e meu filho Eduardo.

​Um brinde à música e a este talentoso músico!

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.

FOFOCAS MUSICAIS A MÚSICA,O AMOR, AS LEIS E OS COSTUMES NO MÊS DOS NAMORADOS

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Como sempre citamos biografias, mais uma vez vamos a elas.

BRAHMS – SCHUMANN – CLARA SCHUMANN

Quem já assistiu ao filme SONATA DE AMOR onde Brahms bate à porta de Robert Schumann e pede aulas, mas não tem dinheiro, e então o professor diz a ele que está precisando de um mordomo para cuidar dos 7 filhos, vai ver como tudo acontece.

Como não existe o acaso, Brahms bateu àquela porta para se aprimorar musicalmente em composição, mas encontrou ali uma alma com quem se identificou logo de início e ela também- a esposa de Robert.

Ela,14 anos mais velha do que ele, ( a mãe de Brahms também era mais velha que o pai dele, aproximadamente 20 anos) , também se encanta com Brahms. Porém, uma mulher casada e apaixonada pelo marido Robert.

Brahms , com seu rigor de comportamento, oprime este sentimento em respeito ao amigo que o acolheu em sua casa. Mas Robert estava doente, diagnosticado como esquizofrênico foi internado em um sanatório, onde Brahms ia visita-lo todos os dias, falavam sobre música, composições, tomavam sol juntos e Brahms voltava a cuidar dos filhos de Robert enquanto Clara Schumann viajava dando concertos pela Alemanha, para o sustento da família.

Robert morre aos 46 anos de idade, no sanatório. Brahms vêtalvez acender a chama da esperança em concretizar o amor com Clara. Mas ela, que amava o marido incondicionalmente, não correspondeu a este amor, vivendo solitariamente dos 37 até os 77 anos de idade, em total fidelidade ao marido morto.

Divulgava sua música por toda Alemanha, tocando suas lindas peças.

Brahms alugou uma casa no meio de uma floresta onde deixou guardadas e trancadas numa caixinha, muitas cartas que escrevera para a amada mas nunca tinham sido entregues.

Ela morreu em 20 de maio de1896, Brahms em 03 de abril 1897.

Não se passou um ano. Ela com 77 anos, ele com 63 anos foram morar na Casa do Pai.

Muitas histórias se ouve contar sobre o AMOR, o que posso concluir é que o amor é a mola propulsora para as atitudes do ser humano, talvez a maior, a única e eterna, que grava os momentos mais profundos na alma.

CLARA SCHUMANN

O Amor é a maior força que existe para o ser humano. Clara viveu 40 anos sozinha, divulgando a música do seu amado.

Então, não eram as leis da Terra que a seguravam. Não eram os costumes, nem o rigor da moral. Era única e exclusivamente o amor que ela sentia pelo seu amado. Talvez o que a impediu de concretizar a união com Brahms, fossem os filhos, a profissão de pianista que viajava muito, embora sentisse um enorme carinho por ele.


A força do amor, muitas vezes foi sufocada, enterrada, massacrada por costumes de época, por leis, pela sociedade que julgava comportamentos e excluía as pessoas do convívio, por tantos fatores que parecem invejar o amor. Posse. Confusão de amor com posse. Hoje vemos assassinatos por posse : ela é minha, ele é meu. Como assim? O amor não escolhe donos e nem escravizados. O amor simplesmente é, suporta, conforta, partilha, renuncia, na esperança de ver a pessoa amada feliz. E , concluindo: a MÚSICA, a tão maravilhosa música os uniu, aos três e também deu força aos três para cumprirem suas missões a favor dos sons! Viva a Música! Viva o Amor!

E aqui deixo um texto falando sobre o amor, já o vi como sendo de outros autores, portanto não sei de fato quem escreveu a primeira vez:


Reinilson Câmara: Era uma vez uma ilha, onde moravam todos...

Era uma vez uma ilha, onde moravam todos os sentimentos: a Alegria, a Tristeza, a Sabedoria e todos os outros sentimentos. Por fim o amor. Mas, um dia, foi avisado aos moradores que aquela ilha iria afundar. Todos os sentimentos apressaram-se para sair da ilha.

Pegaram seus barcos e partiram. Mas o amor ficou, pois queria ficar mais um pouco com a ilha, antes que ela afundasse. Quando, por fim, estava quase se afogando, o Amor começou a pedir ajuda. Nesse momento estava passando a Riqueza, em um lindo barco. O Amor disse:

- Riqueza, leve-me com você.
- Não posso. Há muito ouro e prata no meu barco. Não há lugar para você.

Ele pediu ajuda a Vaidade, que também vinha passando.

- Vaidade, por favor, me ajude.
- Não posso te ajudar, Amor, você esta todo molhado e poderia estragar meu barco novo.

Então, o amor pediu ajuda a Tristeza.

- Tristeza, leve-me com você.
- Ah! Amor, estou tão triste, que prefiro ir sozinha.

Também passou a Alegria, mas ela estava tão alegre que nem ouviu o amor chamá-la.
Já desesperado, o Amor começou a chorar. Foi quando ouviu uma voz chamar:

- Vem Amor, eu levo você!

Era um velhinho. O Amor ficou tão feliz que esqueceu-se de perguntar o nome do velhinho. Chegando do outro lado da praia, ele perguntou a Sabedoria.

- Sabedoria, quem era aquele velhinho que me trouxe aqui?

A Sabedoria respondeu:

- Era o TEMPO.
- O Tempo? Mas porque só o Tempo me trouxe?
- Porque só o Tempo é capaz de entender o "AMOR"."

Reinilson Câmara

O AMOR PEDE SOCORRO... Precisamos amar mais , sem preconceitos!

Fofocas musicais O PODER DA MÚSICA

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https://www.facebook.com/mzandonna/videos/638552943273359/UzpfSTEwMDAwMDYyODE0ODE1NzoyNDU2OTQyODM0MzM2NjMx/

Vamos começar com este vídeo sem palavras...

Ainda ontem estava conversando com um aluno já adulto sobre as manifestações mais diversas que aparecem no piano.

Falávamos de sintomas.

A forma como o aluno se comporta ao piano, denuncia o que ele tem dentro dele. Esta foi nossa conversa.

Como uma pessoa se senta ao piano, como coloca as mãos sobre as teclas, como toca, como compreende a partitura ou não, se é observadora ou se passa por cima dos detalhes... assim será na vida.

Quando esta pessoa consegue começar a perceber os detalhes de uma partitura e com esmero se dedica a compreendê-la, isso vai reverberar em sua vida.

Quando não consegue de forma alguma se entregar a este ‘ novo’, também terá dificuldades de se entregar ao novo em sua vida.

Conforme seu toque se apresenta, por exemplo, endurecido e com medo, assim está esta pessoa na vida: endurecida e com medo. Quando consegue se entregar, fazer os exercícios musculares que relaxam , vai relaxando também na vida e aos pouquinhos deixando o medo e partindo para enfrentar.

E falando em exercícios musculares, tive a confirmação esta semana do poder que tem o corpo na transformação de vidas. Temos memórias musculares. Tudo é registrado no corpo.

https://hilariotrigo.com.br/aula1

Até neste Domingo , quando este artigo será publicado, esta aula estará disponível.

Transferindo para o instrumento musical : os exercícios que fazemos, as técnicas, as músicas que tocamos, estamos ativando músculos. Este trabalho muscular vai mexendo com as memórias musculares registradas e tudo vai se transformando. Portanto, quanto mais se estuda, mais se transforma, mais se cura.

O recado de hoje é curto e profundo: preste atenção no seu corpo.

Veja o vídeo do rapaz cego, o que ele faz tocando piano e cantando.

Quanto tempo perdemos deixando de nos exercitarmos?

Tenho um aparelho de ginástica ao lado da sala de estudos, para os alunos chegarem e se exercitarem por 5 minutos, com o intuito de fazer oxigenação cerebral, melhorando o rendimento nos estudos. Mas a maioria não se importa ou não quer fazer. O aparelho continua lá.

Sim, temos memória muscular. Quem já estudou piano sabe disso, porque depois de muitos anos volta a estudar e ativa aquelas memórias, logo está tocando novamente.

Detalhe : se as memórias foram ruins, voltarão e precisarão ser curadas.

Bom dia amigos!​

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.

Os mistérios da música e da vida Um relato sobre como conheci o músico Beto Eliezer

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​Era 1996. Conheci pessoalmente o músico francano Beto Eliezer, de quem eu ouvia falar desde criança. Meu pai era seu fã, mas não tínhamos contato, ele era filho de um amigo de meu pai. E como seu fã, meu pai sempre dava exemplos na hora do almoço sobre os sucessos escolares do Betinho.

Nos meus 15 anos de idade fiquei sabendo que teria uma festa comemorando os 18 anos dele. E como que levada pela intuição, eu e uma amiga fomos parar em frente à casa da avó dele onde acontecia a tal festa. Era em frente ao antigo Mercado Municipal. Eu dizia para minha amiga:- eu preciso entrar aí nesta festa. E ela contestava dizendo: “- ta louca? Não fomos convidadas”. Esta minha amiga era muito reservada, tímida e jamais faria uma coisa dessas. Mas eu queria entrar, a música soava linda, cheio de gente e eu queria entrar lá. Ela ficou nervosa e disse que iria embora sozinha, então voltei.

Depois, quando tinham os Festivais de Música na AEC, eu ia assistir a todos eles e admirada, sentada lá na parte de cima, de frente pro palco, ficava admirando aquele rapaz de quem meu pai era fã.

E ele era sempre premiado nos festivais! Uma música mais bonita que a outra, dominava o palco como ninguém. Seguro, feliz, autêntico.

Hoje, 3ª feira, 24 de maio de 2019, me passa um filme e resolvi compartilhar aqui neste jornal em minha coluna onde os artigos são postos aos Domingos.

Voltando à história, mais adiante nos festivais, de novo, minhas amigas de faculdade de Artes, não queriam ficar até o final. E como eu dava carona a elas, tinha que ir embora, mas passava perto do palco com vontade de dizer um ‘ olá ‘. Mas ele, entretido com o evento não via. Minha vontade era dizer a ele: - te conheço desde criança de tanto ouvir meu pai te elogiar. Mas... Passou.

Os anos se passaram. Ele foi morar em São Paulo, casou-se pela primeira vez mas perdi totalmente o contato ou informações porque meu pai havia falecido e ninguém mais falava do Betinho em casa, a não ser minha mãe que contava as histórias do pai dele que era um gênio, tocava piano na casa do Coronel Firmino Rocha, meu bisavô , e os saraus de antigamente eram muito animados. Minha mãe suspirava contando as deslizadas que ele dava ao piano e encantava todo mundo.

O tempo foi passando, e quando eu estava grávida do meu segundo filho, em 1992, comecei a ter sonhos seguidos e sempre com um mesmo rapaz que tocava violão pra mim. Caminhávamos por um local montanhoso, muito bonito e do alto, numa casa com varanda, nos sentávamos no chão e ele tocava lindas músicas. Eu acordava feliz. Ficava pensando quem seria esta pessoa que nunca vi, mas me parecia tão real...

Nesta gravidez, durante os 9 meses eu ouvia um disco de vinil do filme ‘ Em algum lugar do passado’ e me emocionava muito, o dia todo fazendo as tarefas da casa, preparando aulas e chorando. Não sei como o disco não furou.

Foi então que chegou 1996 quando fiz um trabalho numa escola para apresentar aos alunos de 8 séries, todos os estilos musicais de Franca. E cada série fazia um trabalho diferente, entrevistando os artistas de diferentes estilos da cidade. Meu filho mais velho cursava a 6ª série e pedi a ele que entrevistasse este músico que eu conhecia desde criança só de ouvir falar e era curiosa para saber mais sobre sua trajetória musical.

Ele marcou a entrevista e foi com o pai dele. Fiquei em casa com meu outro filho ainda bem pequeno. E voltaram com um disco de vinil chamado LUZ NO FIM DO TÚNEL. Num momento em que todos saíram pra escola, pro trabalho, fui ouvir o disco. Como um vulcão entrando em erupção , foi o que senti na hora. Um susto enorme. Um baque. Uma surpresa. As músicas que eu tinha ouvido em sonho 4 anos antes, estavam ali naquele disco. Como pode isso? Fiquei apavorada porque eu sabia qual seria a próxima frase a ser cantada sem nunca ter ouvido o disco antes. ( a não ser em sonho). Fiquei tão assustada que guardei o disco muito bem guardado e disse a mim mesma: - que é isso heim? Só pode ser coincidência ou confusão que você fez. Isso não é possível acontecer. E escondi o disco para que eu mesma não voltasse a ‘ viajar na maionese’.

Mas no ano seguinte, em outra escola, a diretora pediu um projeto para mostrar aos alunos a utilidade de cada disciplina e cada professor teria que dar uma sugestão. Foi quando sugeri entrevistarmos o Betinho Eliezer.

Ele foi super atencioso com os alunos. Foi na escola muitas vezes, deu todas as entrevistas, cantou para eles e autografou muitos discos de vinil para os alunos de presente. Foi uma festa. O disco LUZ NO FIM DO TÚNEL.

Então, montamos um espetáculo de teatro, apresentado no Teatro Municipal com o nome do disco. E homenageamos cada profissional correspondente às disciplinas escolares num texto feito por mim, mas com a colaboração de todos os professores. Eram mais ou menos 50 atores.

Utilizamos todas as músicas do CD. Resumindo, era um TREM DO METRÔ onde estavam várias pessoas , de profissões as mais variadas. De repente, este trem é sequestrado por um E.T. e colocado na Mata Atlântica a fim de pesquisarem como as pessoas sairiam dali. E cada profissional utilizando os conhecimentos de sua área, colaborou para a saída. Eram 8 alunos representando os 8 profissionais. E mais dois homenageados pela escola. O garoto que representava Beto Eliezer, cantava uma de suas músicas dublando, para que as pessoas se descontraíssem. Foi um evento interessante onde tivemos a total colaboração dele nos cedendo suas músicas e o espetáculo encerrou com os alunos cantando muito alegres a música A CÉU ABERTO, que está sendo agora parte do grandioso BOX SET que ele estará lançando neste próximo Sábado dia 01 de Junho 2019.

Os mistérios da música e da vida.

Foi assim que conheci pessoalmente o Beto Eliezer, de quem eu ouvia histórias desde criança.

Excelente músico, de uma criatividade sem fim, qualidade musical incomparável, toca praticamente todos os instrumentos, exímio pianista, intérprete de Schumann e Liszt.

Vale conferir o lançamento de 91 músicas autorais, mostrando sua trajetória de vida. Um trabalho autobiográfico em sons. Uma raridade!

Dia 01 de Junho no CANDEEIRO PIZZA BAR das 19 h30 às 22 horas.

Minha gente, não percam!

https://www.facebook.com/events/2210066572411822/

https://www.youtube.com/watch?v=3BtiZghzR2w

https://www.youtube.com/watch?v=Updsp8NKJZQ

​Profissionais homenageados:

Um momento da peça de teatro que levou o mesmo nome do disco.

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.​

FOFOCAS MUSICAIS E a Música ecoa no Universo

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​A música clássica, minha paixão, tem me trazido muitas alegrias no decorrer dos anos dando aulas. E conheço músicos de várias vertentes da música popular e da clássica.

Buscando pela música nos tempos antigos, até antes de Cristo, nas leituras bíblicas ela está presente como bálsamo para toda a humanidade, como paixão, como o amor indestrutível que atravessa qualquer barreira.

Os CÂNTICOS DOS CÂNTICOS que segue foto abaixo, vão nos mostrar o amor de uma nobre com um pastor plebeu. E o rei, como não poderia deixar que algum súdito fizesse poemas melhores do que os dele se apoderou da autoria dos mesmos. Mas como se diz o rodapé – não se discute mais a autoria dos poemas. Não se sabe o porquê, talvez pela polêmica que suscita esta discussão.

Fato é que o amor é indestrutível, eterno, infinito, poderoso, suporta qualquer turbulência e ainda vive forte enfrentando a tudo.

Conta a lenda que um casal, ela uma rainha e ele um pastor de cabras, se encontram no meio da noite debaixo de uma vinha. A paixão foi à primeira vista e ali mesmo, tendo o céu como teto, os ciprestes como paredes, as uvas caindo como estrelas, fazem amor apaixonadamente.

No Cântico dos Cânticos, vê-se que existem metáforas e mais metáforas e uma tentativa de fazer-se acreditar que este amor seria do rei com a rainha que visitava Jerusalém. Mas não, como diz a lenda, o amor não tinha nomes, não tinha cargos nem posições sociais. Ele era o próprio vento, invisível e arrebatador.

Assim, a música ecoa nos tempos.

E ouvindo no spotify a letra de uma música de um compositor francano, Beto Eliezer, chamada CASTELO que num de seus versos me fez lembrar os versos bíblicos:

“ O vento soa como violoncelo

Entoa o triste hino do castelo

E a dança compassada dos trigais

Faz ver mil anos atrás ”

O ser humano registra em todos os tempos, através das músicas, dos poemas, da Arte, a história mais pura dos sentimentos.

Que não percamos esta capacidade de transmitir com verdade, a essência pura e simples!

Viva a música, o poema e a Arte mais uma vez !

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.​

A MELODIA DAS MAMÃES

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Começo hoje falando de CLARA SCHUMANN ( 1819- 1896) , a esposa dedicada de Schumann, mãe de 7 filhos e pianista!

Quando falo de História da Música para mulheres, sempre cito a incomparável Clara Schumann, mulher forte, destemida, talentosa, sensível, apaixonada.

Imagine no século XIX , uma mulher que consegue conciliar a tarefa de mãe de 7 filhos e ainda ser uma exímia pianista... Uau! Foi demais!

Seu pai tinha uma escola de música e queria escolher para ela um ótimo marido, para que ela pudesse se dedicar à música. Mas o amor falou mais alto e ela se casou com Robert Schumann ( 1810 -1856 ), também músico, nove anos mais velho que ela.

​ Quem quiser se deliciar com um filme antigo em preto e branco, da mais pura ternura e encanto, assista SONATA DE AMOR, 1947.

“ Sinopse A devotada esposa e mãe, Clara (Katharine Hepburn) abdica de sua carreira como pianista e dedica-se integralmente ao brilhante, porém sem sucesso, compositor Robert Schumann (Paul Heinreid) e a seus sete filhos. Robert leciona música para sustentar a família e, entre seus alunos, está Johannes Brahms (Robert Walker), um dedicado amante da música com um futuro glorioso. Durante a ascenção de Johannes como compositor, seu professor começa a apresentar distúrbios psicológicos e se afunda na loucura. Clara se mantém forte e dedicada ao seu lado e inicia um trabalho intenso para popularizar as belíssimas composições do amado marido, mas um trágico acontecimento iria colocar todo seu amor por Robert a prova. Baseado na biografia do mundialmente famoso compositor Robert Schumann, este filme conta com a direção de Clarence Brown (de E as Chuvas Chegaram) e com as magníficas atuações de Katharine Hepburn, Robert Walker, Paul Henreid e Henry Daniell.”http://www.interfilmes.com/filme_24334_Sonata.de.Amor-(Song.of.Love).html

Hoje em dia, por vários momentos deparo-me com alunas já casadas, muitas vezes vovós ou mamães novas, retomando os estudos de piano, com uma sede de encontrarem a si mesmas. E isso ocorre, porque o piano provoca o autoconhecimento e o reencontro com sua essência! Lindo de ver!

Século XXI, com uma correria insana em que vivemos, as pessoas estão reduzindo a marcha frenética e voltando-se para dentro. As mulheres, mamães, estão sentindo esta necessidade!

Passam por minhas mãos as mamães mais diversificadas em idades, anseios, características pessoais, mas que possuem em comum aquele chamado musical e o mais bonito é que ‘ atendem ao chamado’ e buscam estes momentos tão prazerosos, individuais, meditativos, únicos ao piano.

E também as mamães dos alunos, ainda crianças, que vibram com cada conquista musical de seus filhos, com o desenvolvimento de suas habilidades e seus olhos brilham tanto que parece que são elas que estão tocando. Na verdade são. A gente se sente muito feliz com a conquista dos filhos!

Deixo um pouquinho de Clara por hoje:

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.​

MÚSICA e o AMOR

Vamos às biografias conhecer o amor?

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Bendita seja a música que proporciona ao ser humano se expressar, extravasar, falar do que sente através das letras ou dos sons.

Vou lá em Bach ... que amava a Deus acima de qualquer coisa e agradecia as bênçãos através de suas músicas. Assinava no final de cada partitura: Só a Deus a Glória. Um homem que teve 20 filhos. O amor humano também exalava através de seus dois casamentos e esta quantidade de filhos. Um homem totalmente voltado à devoção através da música. Uma devoção sem amarras, apenas Deus e ele, ele e Deus através dos sons. Sem o ego. Período Barroco.

Aí pulemos para o período Clássico com o magnífico Mozart. Um rapaz cheio de vida, inconsequente para a época, mas pulsando sons por todos os poros. Esta alegria que a música de Mozart traz demonstra seu espírito vivaz, vibrante, com uma densidade emocional que extravasava compondo 3,4, 5 músicas de estilos diferentes numa mesma semana. Para extravasar esta criatividade ia para os bares de madrugada, tocava nos cravos ou pianos disponíveis nas tabernas. E se regozijava com as mulheres à sua volta. Ficou encantado por uma moça, mas ela não o quis, então pediu sua irmã em casamento. Mas o pulsar dos sons era muito forte para que ele fosse um homem normal, convencional, caseiro, pai, marido, e a esposa o abandonou. Amou intensamente a vida, viveu intensamente o amor, mas creio eu, que de forma mais descompromissada, dava o que tinha dentro dele e foi pouco compreendido.

Beethoven com seu temperamento forte, sistemático, teve várias namoradas mas também nunca se casou. Era um missionário da música, mas o destino lhe preparou um grande desafio: a surdez. Mesmo assim continuou sua obra gigantesca. Vários amores,nenhum casamento. Fico pensando nas mulheres que conviveram com Beethoven , com o desejo de posse. Nunca conseguiriam mesmo. Não se toma posse de um ser que é do Universo, que é do mundo, especialmente é o missionário da música celestial. Sim, porque quando lhe perguntaram escrevendo num bloco de anotações : ‘ – como o senhor continua compondo se não ouve mais nada?’ No que, ele respondeu no bloco : ‘ – Eu ouço sons celestiais”. Ou seja, ele ouvia os sons dentro de sua cabeça e não com os ouvidos humanos.

Chopin se apaixonou quando muito jovem, mas como era tuberculoso, a família da moça não permitiu o envolvimento. Segue fazendo suas composições e deixando uma obra toda para piano, com sons das melodias mais profundas, sentimentais ou patrióticas. Aurora Dupin ( pseudônimo de George Sand como escritora) quando ouve seu piano fica completamente apaixonada por aquele ser incomum e se joga na tarefa de conquista-lo a qualquer preço. Faz Chopin viver mais tempo, viaja com ele, se joga em sua vida de forma contundente, corajosa e vivem este amor regado de sons.

Brahms viaja para conhecer o professor de composição, Robert Schumann e se tornam muito amigos. Mas o destino lhe preparou um teste. Morando na casa de Schumann e ajudando a cuidar dos seus 7 filhos, ele obtinha suas aulas em troca de ser mordomo. Com esta convivência se apaixona pela pianista e esposa do amigo. Oh o destino foi cruel com ele. Como poderia se apaixonar pela esposa do amigo? Mantém-se no amor platônico em respeito à amizade. Quantas formas de amor que vemos nas biografias! Aparentemente trágicas e incabíveis para seres tão sensíveis! Clara Schumann, por sua vez, continuou amando o marido mesmo depois de morto e parte para concertos divulgando as composições dele cada vez mais! Brahms se isola numa casa no meio de uma floresta para compor naquele silêncio cercado de sons divinos.

Existe um livro chamado Minha Amada Imortal com algumas cartas que os músicos enviaram para suas amadas. É muito interessante!

Penso que o divino que exalava destes compositores conquistava o coração das mulheres que ansiavam pelo divino. Mas eles também tinham o lado humano desejoso de carinho e carícias. E aquelas que souberam entender o turbilhão em que viviam estes seres em sua criatividade, conseguiram perpetuar este amor para todo sempre, e hoje, podemos acessar suas biografias que contam apenas momentos mas que já mostram a grandiosidade que é a música na vida das pessoas quando há uma verdadeira entrega.

Quantas e quantas vezes como professora de piano, tive alunos que me pediam para ensiná-los a tocar um instrumento para poder conquistar a pessoa amada! Que incrível é isso... a pessoa chegar a este nível de busca. Um dos alunos me disse uma vez: “qualquer sapo vira príncipe quando toca um instrumento musical!” Rimos bastante disso mas é algo que as pessoas buscam e acreditam no poder da música. Uma outra aluna queria tocar piano porque o namorado era músico e quando os amigos dele se reuniam ela ficava de lado, queria fazer parte daquela turma e especialmente não perder o amado. E completou: -“eu estudo quantas horas for preciso por dia para entrar neste paraíso!”


Outro dia, ou vi uma frase bastante reflexiva:

“ Um ciclo pode se fechar, mas este ciclo nunca será do amor, porque o amor não fecha ciclos, ele é eterno, especialmente se for regado de música.”

Que lindo é isso! O amor não fecha ciclos; se fechou, não era amor. Muitas vezes nos obrigamos a fechar quando o que é eterno nunca se fecha. E a aresta fica sempre aberta, ventilando, entrando sol, luz, se aquecendo com um simples Mi bemol à espera de um acorde seguinte ou simplesmente ecoando o som do infinito!

Experimentar tocar um instrumento, jogar-se na arte de compreender as resoluções sonoras. Muitas vezes compreende-se a vida e o destino!

Somos muito pequenos diante das obras musicais deixadas pelos clássicos da História da Música. Grandes missionários ou mensageiros! Viva mais uma vez a música verdadeira! Este bálsamo que nos transporta ao mais alto nível do sentimento!

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.​

O EQUILÍBRIO AO EXPOR UMA CRIANÇA

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Vamos começar falando de Mozart .( 1756 – 1791)Depois que o pai de Mozart o levou para tournées pela Europa, ainda pequeno, o pai de Beethoven quis fazer a mesma coisa.

Então vamos lá ... Mozart estudava 10 horas por dia, digamos que ele já nasceu sabendo, era talentoso, tinha veia musical espetacular, mas o pai , Leopold, o fazia estudar exaustivamente para que se tornasse cada vez melhor. A criança prodígio progrediu demais, o pai, nas viagens, contratava professores de violino, de canto, de órgão, para acrescentar algum conhecimento extra a seu filho. A cobrança deste pai que era professor de música e composição, se tornava cada dia maior e o menino já não estava mais suportando. Quando adolescente foi pra Viena procurar por si mesmo maiores informações, dar aulas para sobreviver , compor para a realeza e seguir a vida ... muitas vezes frustrando-o.

O pai de Ludwig van Beethoven ( 1770 – 1827) , Johann, quis fazer o mesmo com o filho, vendo que anteriormente o menino Mozart se tornou uma fonte de renda para a família, ganharam muito dinheiro com o talento dele. Então, Johann mentia sobre a idade do seu filho Ludwig dizendo ser mais novo, para poder ter o mesmo sucesso que teve o menino Mozart. O pai alcoólatra chegava de madrugada em casa e fazia Beethoven se levantar para estudar violino e ai dele se tentasse improvisar. Tinha que tocar exatamente o que estava na partitura, apanhava se fizesse diferente.

Brahms ( 1833- 1897), quando começou a estudar piano, a condição que o professor Cossel impôs foi : “- não o mostre em público até que eu autorize. Só dou aulas para ele nestas condições.” E a família ávida por mostrar o menino, queriam inscrevê-lo num concurso na América, com 9 anos. O professor foi terminantemente contra e eles acataram.

E assim, se formos estudar as biografias dos compositores vamos nos deparar com situações as mais diversificadas sobre a conduta com relação à exposição dessas crianças.

Hoje, no século XXI, estamos buscando o equilíbrio sempre. Ser feliz, ser músico, poder se realizar sem prejudicar sua saúde.

Mozart morreu com 35 anos de idade. Foi voraz . Em uma de suas cartas ele dizia que a música tocava dentro de sua cabeça e que ele teria que coloca-la para fora senão iria enlouquecer. Tornou-se ansioso, cada dia mais, alcoólatra, sua criatividade era tanta, que não sabia às vezes diferenciar o que eraesta explosão de sensações que vinham preencher corpo e mente, então partia para prostíbulos, no intuito de amenizar o excesso de energia.

Liszt, teve pai músico, bastante equilibrado, que ofereceu a ele todas as condições de estudo. Deixou de ser o administrador das propriedades dos Estherhazy , se mudando para Viena para oferecer estudo sistematizado ao filho, com o prof Carl Czerny. Vendeu tudo o que tinha, foi morar num quarto de aluguel, onde colocou um piano para o filho único estudar. Liszt teve suporte financeiro, o instrumento em mãos, pais presentes, sossego, carinho,tudo na hora certa, sem cobranças indevidas, sem exposição antes da hora. Fez seu primeiro concerto com 12 anos de idade, quando diz a lenda que Beethoven ( com 53 anos) beijou a testa do menino e disse que ele seria um grande músico.

Estamos vendo que expor uma criança antes dos 12 anos de idade é podar um arbusto em crescimento.

Como estamos na era youtube, redes sociais, (onde as crianças estão expostas o tempo todo), para não ser contrária à onda , cedi, resolvi colocar uma criança no youtube pois era o grande desejo dela aos 7 anos. Foi o gatilho para derrubar todo o trabalho a seguir. Os comentários, excesso de elogios, cobranças sobre repertório pop, piano na sala onde ele não se sentia concentrado pra estudar,etc... Ele foi se sentindo pressionado a agradar uns e outros, queria fazer parte do mundo pop e fazer sucesso cedo, e não pôde se concentrar e estudar calmamente no seu cantinho, tendo o direito de absorver cada conteúdo devagar, digerir, praticar, enfim... era hora de ser alfabetizado. Tenho minha parcela de culpa ao ceder na questão de expor em mídia social. Aprendi a lição, que embora estejamos no século XXI, que ‘ todo mundo faz’não é o ideal. Nunca foi. São muitas emoções e muita pressão psicológica para uma criança que está ‘ aprendendo a andar’. Embora a criança peça, insista e se sinta muito valorizada quando se posta um vídeo dela, isso mexe com a vaidade e a partir daí ela quer somente expor coisas para ser aplaudida.Necessidade de ser reconhecida.

É uma linha tênue entre a reclusão e a exposição. Estou tentando hoje, seguir o professor Cossel ou pelo menos segurar até 12 anos de idade , quando a criança já estará bem alfabetizada e poderá seguir a vertente que desejar. Um músico precisa trabalhar bem seu ouvido, a criatividade, inventividade, a leitura de partituras, etc. E isso se dá com uma didática que possa diversificar. Sou professora de piano clássico, mas invariavelmente o aluno recebe partituras do seu gosto particular, tento diversificar estilos e períodos para ampliar a cultura e a interpretação... Isso leva tempo e há que se ter paciência. Concomitantemente as imprescindíveis orientações sobre musculatura, postura, técnica , o que vai dar ao músico maior destreza e possibilidades motoras de se expressar.

Bom, pessoal, é isso!

Este é um alerta geral ! Mais estudo, mais foco, mais concentração, menos exposição antes do momento.

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.​

“EU ME DESENVOLVO ATRAVÉS DA MÚSICA”

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Esta semana tive o prazer e a alegria de ver uma aluna se esforçando tanto para desenvolver habilidades diversas na música que fiquei impressionada.

Primeiro ponto: uma pré-adolescente ansiosa, como todos estamos neste mundo louco que estamos vivendo. Mas foi pedido a ela que se concentrasse no que está fazendo: aprender a ler partituras. Muito nova, ainda sem a compreensão de fatos que envolvem sua ansiedade, ela acredita na possibilidade do treino.

E mesmo ficando irritada com os erros ( a maioria das pessoas não querem errar, são imediatistas e querem acertar de primeira), ela foca e fala pra si mesma: “ mas eu sei que isso é assim, por que não estou fazendo? “ E respira, tenta, torna a tentar e consegue. Respira de novo, treina, uma duas, três vezes e se realiza com o que vê que é capaz de fazer.

Autocontrole! Que maravilha ver uma pessoa tão nova se esforçando para dominar os impulsos, a ansiedade, a frustração do erro, lutando fortemente para ensinar a si mesma que é só ter foco e perseverar, insistir, dominar os ímpetos adquirindo paciência para realizar o que deseja!

Mesmo com a rotina cheia de atividades, analisa, vê quantos minutos tem na semana para poder treinar e dá o melhor de sim.

Saltam aos olhos a melhora na coordenação motora, no autocontrole, na paciência, na disciplina que necessita para alcançar seus sonhos.

Estou falando de aula de piano, mas todos os atributos que esta pessoa está desenvolvendo em seus estudos vão reverberar em sua vida.

Assim é no esporte, assim é na escola, assim é na vida. Respirar, tentar e tentar e tentar. Treinar e treinar e treinar . Perseverar, perseverar e perseverar. Não existe outra receita para que consigamos realizar nossos sonhos.

Como numa magia, ela constrói sua nova realidade. Acredita. Acreditar é fundamental para atingir metas. Focar, dar um passo de cada vez , porque ‘ uma caminhada sempre começa com o primeiro passo’.

É prazeroso dar aulas e desenvolver nas pessoas habilidades e competências ou despertar aquelas que ela já tem adormecidas sabe se lá porquê.

Toda pessoa impulsiva deveria estudar um instrumento musical. Não há nada mais desafiador do que testar sua paciência. Quando ela vê que consegue se ‘domar’, pronto,atingirá todas as suas metas na vida.

Quando ouço alguma pessoa me perguntar se uma criança ou adolescente ‘ tem jeito pra tocar piano’ eu fico me perguntando se as pessoas só poderão estudar um instrumento ‘ se tiverem jeito pra aquilo’.Diferente da voz que é algo que desponta cedo como talento, o instrumento pode ser estudado, desenvolvido, aprendido, ao ponto de chegar a ser um ótimo instrumentista, pelo simples fato da pessoa desenvolver a habilidade, focar em se aprimorar emocionalmente controlando suas emoções, trabalhando a determinação, perseverança e foco.

Quantos vídeos andam circulando pelas mídias sociais de pessoas mutiladas que conseguem fazer várias coisas que pessoas comuns acreditam ser impossíveis !!!

“A vingança é uma raiva que não foi canalizada”. A raiva é uma energia muito poderosa. Se ela for usada positivamente ela impulsiona a pessoa para frente. “ Eu vou vencer”. Então, que as crianças que demonstram comportamentos ‘inadequados’ como sendo questionadoras ou impulsivas e uma energia de força, possam canalizar esta força.

Acabei de ouvir esta mensagem acima sobre a utilidade da raiva utilizando-a para o bem comum ou para o bem de si mesmo. E a não canalização desta força deixará a pessoa infeliz, com vontade de se vingar de alguma coisa ou de alguém.

Fiquei muito feliz em ver o trabalho com respeito à perseverança , ao treino, à paciência, surtiu o efeito da realização pessoal. Dar o melhor de si, acreditar, insistir, tentar e tentar e tentar , respirar, tentar de novo e conseguir! Ah ! Não tem recompensa melhor do que ver que uma pessoa entendeu a proposta, passou pelo processo árduo da paciência e conseguiu!

Por estas e outras acredito na Educação, no desenvolvimento através do estudo de um instrumento musical, que em tão pouco tempo mostra o efeito reverberando dentro da pessoa! Viva a música! Viva o estudo! Viva o treino!

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.​

INVERSÃO DE VALORES

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Andando pela rua esta semana, caminhava ao lado de uma moça que conversava ao celular. E não pude deixar de ouvir a conversa, primeiro porque ela falava muito alto, segundo porque caminhava a meu lado.

- Oi... Então, eu faltei da última aula. Já falei pra ela que tem muita coisa pra estudar.(...) eu não vou comprar o livro que o professor pediu, imagina... 25 reais... ( ...) Não posso ir na biblioteca porque marquei pra fazer minha unha, vou passar agora pra comprar uma blusinha pro final de semana... etc...

E me entristeço ao ouvir que comprar uma blusinha é melhor que comprar um livro. E ainda fazer a unha seria melhor que ler um livro ou ir a uma biblioteca.

Tenho me deparado com estes comentários no dia-a-dia quando vejo pessoas pechinchando questões de Educação, de estudos, de aprimoramento pessoal, e gastando com coisas diversas.

Lembrei-me do Pequeno Príncipe quando fala sobre o que é efêmero.

efêmero
curto, caduco, breve, findável, finito, fugaz, fugidio, fugitivo, instantâneo, momentâneo, morredoiro, morredouro, passadiço, passageiro, perecedoiro, perecedouro, provisório, rápido, temporário, terminável, transeunte, transiente, transitivo, transitório.

O choque de culturas que senti quando fui pra Alemanha pela primeira vez, foi algo que jamais vou esquecer e trouxe comigo os ensinamentos do que é essencial e do que é descartável ou até inútil.

O consumismo efêmero ...

O investimento em aprendizados variados, em objetos que proporcionem o crescimento intelectual, moral, afetivo, motor, sensorial, estão sendo substituídos por objetos de utilidade passageira. E assim, depois daquele objeto quer outro, depois outro, depois outro e nunca há o preenchimento daquele vazio interior.

Os objetos, tudo o que paralisa a ação de uma criança, que inibe sua criatividade, que a coloca sentada sem dar trabalho, está produzindo seres infelizes, doentes, incapazes de lidar com emoções as mais variadas.

Deveria ser obrigatório a criança ter direito a EXPERIMENTAR atividades diversas para descobrir seus dons ou mesmo para desenvolvê-los.

Meus pais me colocaram em todos os cursos possíveis e imagináveis inclusive nas férias. Neste período eu entrava em curso de flores artesanais, curso de bordado, de comunicação verbal, enfim ... habilidades que eles gostariam que eu desenvolvesse e oportunidades para meu preenchimento.

Nos fundos de minha casa tinham 2 quartinhos e entre eles um enorme tanque para lavar roupas. Ali era nossa área de brincar. Estendíamos lençóis nos varais e fazíamos as cortinas do teatro. Tinha uma lousa grande, giz colorido e branco, bastante. Nos quartinhos dividíamos o grupo de crianças em cada um deles onde montávamos nossa ‘ casinha’. Saíamos com nossas bonecas e íamos visitar a casa das amigas ( no outro quartinho), tocávamos a campainha imaginária, ou batíamos na porta , nos cumprimentávamos, sentávamos como visitas, conversávamos sobre assuntos diversos perguntando sobre as bonecas e suas peripécias, sobre as comidas que estavam fazendo, e nos serviam de mentirinha o arroz cru, feijão cru, plantinhas misturadas à nossa comidinha ... Enfim, reproduzíamos a vida real. Era uma das brincadeiras.

Quando fui crescendo, as férias eram para adquirir outras habilidades. Além de colher as frutas do quintal ( goiabas, mangas, jabuticabas, caju, limão, ameixa) também fazíamos casinha nas árvores. Sim, eu mesma me machuquei várias vezes subindo e descendo de árvores mas era saudável e divertido. Em época de aula, eu subia nas árvores , me sentava na forquilha e decorava as matérias de História e Geografia , falando em voz alta para aprender melhor e mais rápido.

Se hoje não temos o quintal grande com as árvores, temos outras mil e uma atividades que podemos oferecer para a criança se desenvolver.

Ontem mesmo, minha querida netinha veio passar o dia comigo. Peguei um lençol de solteiro e ele se transformou em capa, depois em véu de noiva, depois em rede de balanço, em coberta para as bonecas, em asas para voar. Apenas com um lençol que todo mundo tem em casa. Há que abrir espaço e deixar a casa bagunçada para a ordem interior imperar.

Meus filhos também tiveram oportunidades diversas de cursos variados. Eu não tinha o quintal com árvores, mas o pequeno espaço que tínhamos era bem explorado com armadilhas construídas, busca por joaninhas, procurar bichinhos que enrolam, tirar matinhos dos canteiros e ver crescer uma nova semente que plantávamos...

Quanto aos cursos, puderam satisfazer quase todas as vontades, aulas de bateria, de violão, piano, informática, inglês, francês, alemão, italiano, futebol, basquete, aulas de origami, de teatro, enfim... Tudo aquilo que poderia lhes oferecer uma nova habilidade era proposto e eles aceitavam. Eram experimentadores de tudo.

Sempre achei que explorar o quintal de casa era uma atividade preciosa e fazer deste quintal um palco, uma floresta, um local de jogos e brincadeiras. Guerras de água com bexigas ou mangueira, e até um canteiro razoavelmente grande virou uma piscina de barro onde se atiravam. Um cantinho na frente da casa, foi feito um cercado onde tinha uma montanha de areia.

Semana passada estava com minha netinha à noite e ela pegou uma lanterna. Não tive dúvida, apaguei todas as luzes da casa e fomos ‘ investigar ‘, salvamos uma boneca que estava perdida na floresta das roupas para lavar e passar e descobrimos o teatro das sombras que meu filho tem habilidade de fazer e ela ficou encantada.

Delegamos ao supérfluo e ao eletrônico todas as nossas capacidades de adultos...

Meus amigos se lembram com saudades quando iam à minha casa e ficávamos mexendo no piano e eu ensinava algumas melodias curtinhas a eles e brincávamos a 4 mãos no piano. Uma adolescência também produtiva, alegre e saudável. Descobrir talentos e potencialidades deveria ser LEI.

Utilizar objetos da casa como brinquedos incentiva a invenção, a criatividade e acima de tudo o reaproveitamento. Se não tenho isso, substituo por aquilo. Lembro-me que assistíamos a um programa na TV Cultura que meus filhos adoravam: Senta que lá vem história. A moça que contava histórias fazia uma caneta se tornar uma pessoa, um rolo de papel higiênico ser uma corneta e assim todos os objetos comuns passavam a ter vida e desempenharem outros papéis.

Imaginação!

Observo meus alunos de piano improvisando músicas, ou utilizando seu poder de dedução para decifrarem uma partitura, ou ainda imaginando uma cena quando vão tocar uma música, criando uma história. Poder de abstração.

Como é importante abstrair dos problemas para encontrar novas soluções!

Todas estas habilidades são desenvolvidas quando se oferece à criança as oportunidades diversas em Arte, Esporte, Música e brincadeiras.

Temos muito a falar sobre isso. Mas a semente está lançada mais uma vez.

Vamos consumir livros, instrumentos musicais, atividades esportivas!

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.​