O EQUILÍBRIO AO EXPOR UMA CRIANÇA

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Vamos começar falando de Mozart .( 1756 – 1791)Depois que o pai de Mozart o levou para tournées pela Europa, ainda pequeno, o pai de Beethoven quis fazer a mesma coisa.

Então vamos lá ... Mozart estudava 10 horas por dia, digamos que ele já nasceu sabendo, era talentoso, tinha veia musical espetacular, mas o pai , Leopold, o fazia estudar exaustivamente para que se tornasse cada vez melhor. A criança prodígio progrediu demais, o pai, nas viagens, contratava professores de violino, de canto, de órgão, para acrescentar algum conhecimento extra a seu filho. A cobrança deste pai que era professor de música e composição, se tornava cada dia maior e o menino já não estava mais suportando. Quando adolescente foi pra Viena procurar por si mesmo maiores informações, dar aulas para sobreviver , compor para a realeza e seguir a vida ... muitas vezes frustrando-o.

O pai de Ludwig van Beethoven ( 1770 – 1827) , Johann, quis fazer o mesmo com o filho, vendo que anteriormente o menino Mozart se tornou uma fonte de renda para a família, ganharam muito dinheiro com o talento dele. Então, Johann mentia sobre a idade do seu filho Ludwig dizendo ser mais novo, para poder ter o mesmo sucesso que teve o menino Mozart. O pai alcoólatra chegava de madrugada em casa e fazia Beethoven se levantar para estudar violino e ai dele se tentasse improvisar. Tinha que tocar exatamente o que estava na partitura, apanhava se fizesse diferente.

Brahms ( 1833- 1897), quando começou a estudar piano, a condição que o professor Cossel impôs foi : “- não o mostre em público até que eu autorize. Só dou aulas para ele nestas condições.” E a família ávida por mostrar o menino, queriam inscrevê-lo num concurso na América, com 9 anos. O professor foi terminantemente contra e eles acataram.

E assim, se formos estudar as biografias dos compositores vamos nos deparar com situações as mais diversificadas sobre a conduta com relação à exposição dessas crianças.

Hoje, no século XXI, estamos buscando o equilíbrio sempre. Ser feliz, ser músico, poder se realizar sem prejudicar sua saúde.

Mozart morreu com 35 anos de idade. Foi voraz . Em uma de suas cartas ele dizia que a música tocava dentro de sua cabeça e que ele teria que coloca-la para fora senão iria enlouquecer. Tornou-se ansioso, cada dia mais, alcoólatra, sua criatividade era tanta, que não sabia às vezes diferenciar o que eraesta explosão de sensações que vinham preencher corpo e mente, então partia para prostíbulos, no intuito de amenizar o excesso de energia.

Liszt, teve pai músico, bastante equilibrado, que ofereceu a ele todas as condições de estudo. Deixou de ser o administrador das propriedades dos Estherhazy , se mudando para Viena para oferecer estudo sistematizado ao filho, com o prof Carl Czerny. Vendeu tudo o que tinha, foi morar num quarto de aluguel, onde colocou um piano para o filho único estudar. Liszt teve suporte financeiro, o instrumento em mãos, pais presentes, sossego, carinho,tudo na hora certa, sem cobranças indevidas, sem exposição antes da hora. Fez seu primeiro concerto com 12 anos de idade, quando diz a lenda que Beethoven ( com 53 anos) beijou a testa do menino e disse que ele seria um grande músico.

Estamos vendo que expor uma criança antes dos 12 anos de idade é podar um arbusto em crescimento.

Como estamos na era youtube, redes sociais, (onde as crianças estão expostas o tempo todo), para não ser contrária à onda , cedi, resolvi colocar uma criança no youtube pois era o grande desejo dela aos 7 anos. Foi o gatilho para derrubar todo o trabalho a seguir. Os comentários, excesso de elogios, cobranças sobre repertório pop, piano na sala onde ele não se sentia concentrado pra estudar,etc... Ele foi se sentindo pressionado a agradar uns e outros, queria fazer parte do mundo pop e fazer sucesso cedo, e não pôde se concentrar e estudar calmamente no seu cantinho, tendo o direito de absorver cada conteúdo devagar, digerir, praticar, enfim... era hora de ser alfabetizado. Tenho minha parcela de culpa ao ceder na questão de expor em mídia social. Aprendi a lição, que embora estejamos no século XXI, que ‘ todo mundo faz’não é o ideal. Nunca foi. São muitas emoções e muita pressão psicológica para uma criança que está ‘ aprendendo a andar’. Embora a criança peça, insista e se sinta muito valorizada quando se posta um vídeo dela, isso mexe com a vaidade e a partir daí ela quer somente expor coisas para ser aplaudida.Necessidade de ser reconhecida.

É uma linha tênue entre a reclusão e a exposição. Estou tentando hoje, seguir o professor Cossel ou pelo menos segurar até 12 anos de idade , quando a criança já estará bem alfabetizada e poderá seguir a vertente que desejar. Um músico precisa trabalhar bem seu ouvido, a criatividade, inventividade, a leitura de partituras, etc. E isso se dá com uma didática que possa diversificar. Sou professora de piano clássico, mas invariavelmente o aluno recebe partituras do seu gosto particular, tento diversificar estilos e períodos para ampliar a cultura e a interpretação... Isso leva tempo e há que se ter paciência. Concomitantemente as imprescindíveis orientações sobre musculatura, postura, técnica , o que vai dar ao músico maior destreza e possibilidades motoras de se expressar.

Bom, pessoal, é isso!

Este é um alerta geral ! Mais estudo, mais foco, mais concentração, menos exposição antes do momento.

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.​

“EU ME DESENVOLVO ATRAVÉS DA MÚSICA”

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Esta semana tive o prazer e a alegria de ver uma aluna se esforçando tanto para desenvolver habilidades diversas na música que fiquei impressionada.

Primeiro ponto: uma pré-adolescente ansiosa, como todos estamos neste mundo louco que estamos vivendo. Mas foi pedido a ela que se concentrasse no que está fazendo: aprender a ler partituras. Muito nova, ainda sem a compreensão de fatos que envolvem sua ansiedade, ela acredita na possibilidade do treino.

E mesmo ficando irritada com os erros ( a maioria das pessoas não querem errar, são imediatistas e querem acertar de primeira), ela foca e fala pra si mesma: “ mas eu sei que isso é assim, por que não estou fazendo? “ E respira, tenta, torna a tentar e consegue. Respira de novo, treina, uma duas, três vezes e se realiza com o que vê que é capaz de fazer.

Autocontrole! Que maravilha ver uma pessoa tão nova se esforçando para dominar os impulsos, a ansiedade, a frustração do erro, lutando fortemente para ensinar a si mesma que é só ter foco e perseverar, insistir, dominar os ímpetos adquirindo paciência para realizar o que deseja!

Mesmo com a rotina cheia de atividades, analisa, vê quantos minutos tem na semana para poder treinar e dá o melhor de sim.

Saltam aos olhos a melhora na coordenação motora, no autocontrole, na paciência, na disciplina que necessita para alcançar seus sonhos.

Estou falando de aula de piano, mas todos os atributos que esta pessoa está desenvolvendo em seus estudos vão reverberar em sua vida.

Assim é no esporte, assim é na escola, assim é na vida. Respirar, tentar e tentar e tentar. Treinar e treinar e treinar . Perseverar, perseverar e perseverar. Não existe outra receita para que consigamos realizar nossos sonhos.

Como numa magia, ela constrói sua nova realidade. Acredita. Acreditar é fundamental para atingir metas. Focar, dar um passo de cada vez , porque ‘ uma caminhada sempre começa com o primeiro passo’.

É prazeroso dar aulas e desenvolver nas pessoas habilidades e competências ou despertar aquelas que ela já tem adormecidas sabe se lá porquê.

Toda pessoa impulsiva deveria estudar um instrumento musical. Não há nada mais desafiador do que testar sua paciência. Quando ela vê que consegue se ‘domar’, pronto,atingirá todas as suas metas na vida.

Quando ouço alguma pessoa me perguntar se uma criança ou adolescente ‘ tem jeito pra tocar piano’ eu fico me perguntando se as pessoas só poderão estudar um instrumento ‘ se tiverem jeito pra aquilo’.Diferente da voz que é algo que desponta cedo como talento, o instrumento pode ser estudado, desenvolvido, aprendido, ao ponto de chegar a ser um ótimo instrumentista, pelo simples fato da pessoa desenvolver a habilidade, focar em se aprimorar emocionalmente controlando suas emoções, trabalhando a determinação, perseverança e foco.

Quantos vídeos andam circulando pelas mídias sociais de pessoas mutiladas que conseguem fazer várias coisas que pessoas comuns acreditam ser impossíveis !!!

“A vingança é uma raiva que não foi canalizada”. A raiva é uma energia muito poderosa. Se ela for usada positivamente ela impulsiona a pessoa para frente. “ Eu vou vencer”. Então, que as crianças que demonstram comportamentos ‘inadequados’ como sendo questionadoras ou impulsivas e uma energia de força, possam canalizar esta força.

Acabei de ouvir esta mensagem acima sobre a utilidade da raiva utilizando-a para o bem comum ou para o bem de si mesmo. E a não canalização desta força deixará a pessoa infeliz, com vontade de se vingar de alguma coisa ou de alguém.

Fiquei muito feliz em ver o trabalho com respeito à perseverança , ao treino, à paciência, surtiu o efeito da realização pessoal. Dar o melhor de si, acreditar, insistir, tentar e tentar e tentar , respirar, tentar de novo e conseguir! Ah ! Não tem recompensa melhor do que ver que uma pessoa entendeu a proposta, passou pelo processo árduo da paciência e conseguiu!

Por estas e outras acredito na Educação, no desenvolvimento através do estudo de um instrumento musical, que em tão pouco tempo mostra o efeito reverberando dentro da pessoa! Viva a música! Viva o estudo! Viva o treino!

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.​

INVERSÃO DE VALORES

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Andando pela rua esta semana, caminhava ao lado de uma moça que conversava ao celular. E não pude deixar de ouvir a conversa, primeiro porque ela falava muito alto, segundo porque caminhava a meu lado.

- Oi... Então, eu faltei da última aula. Já falei pra ela que tem muita coisa pra estudar.(...) eu não vou comprar o livro que o professor pediu, imagina... 25 reais... ( ...) Não posso ir na biblioteca porque marquei pra fazer minha unha, vou passar agora pra comprar uma blusinha pro final de semana... etc...

E me entristeço ao ouvir que comprar uma blusinha é melhor que comprar um livro. E ainda fazer a unha seria melhor que ler um livro ou ir a uma biblioteca.

Tenho me deparado com estes comentários no dia-a-dia quando vejo pessoas pechinchando questões de Educação, de estudos, de aprimoramento pessoal, e gastando com coisas diversas.

Lembrei-me do Pequeno Príncipe quando fala sobre o que é efêmero.

efêmero
curto, caduco, breve, findável, finito, fugaz, fugidio, fugitivo, instantâneo, momentâneo, morredoiro, morredouro, passadiço, passageiro, perecedoiro, perecedouro, provisório, rápido, temporário, terminável, transeunte, transiente, transitivo, transitório.

O choque de culturas que senti quando fui pra Alemanha pela primeira vez, foi algo que jamais vou esquecer e trouxe comigo os ensinamentos do que é essencial e do que é descartável ou até inútil.

O consumismo efêmero ...

O investimento em aprendizados variados, em objetos que proporcionem o crescimento intelectual, moral, afetivo, motor, sensorial, estão sendo substituídos por objetos de utilidade passageira. E assim, depois daquele objeto quer outro, depois outro, depois outro e nunca há o preenchimento daquele vazio interior.

Os objetos, tudo o que paralisa a ação de uma criança, que inibe sua criatividade, que a coloca sentada sem dar trabalho, está produzindo seres infelizes, doentes, incapazes de lidar com emoções as mais variadas.

Deveria ser obrigatório a criança ter direito a EXPERIMENTAR atividades diversas para descobrir seus dons ou mesmo para desenvolvê-los.

Meus pais me colocaram em todos os cursos possíveis e imagináveis inclusive nas férias. Neste período eu entrava em curso de flores artesanais, curso de bordado, de comunicação verbal, enfim ... habilidades que eles gostariam que eu desenvolvesse e oportunidades para meu preenchimento.

Nos fundos de minha casa tinham 2 quartinhos e entre eles um enorme tanque para lavar roupas. Ali era nossa área de brincar. Estendíamos lençóis nos varais e fazíamos as cortinas do teatro. Tinha uma lousa grande, giz colorido e branco, bastante. Nos quartinhos dividíamos o grupo de crianças em cada um deles onde montávamos nossa ‘ casinha’. Saíamos com nossas bonecas e íamos visitar a casa das amigas ( no outro quartinho), tocávamos a campainha imaginária, ou batíamos na porta , nos cumprimentávamos, sentávamos como visitas, conversávamos sobre assuntos diversos perguntando sobre as bonecas e suas peripécias, sobre as comidas que estavam fazendo, e nos serviam de mentirinha o arroz cru, feijão cru, plantinhas misturadas à nossa comidinha ... Enfim, reproduzíamos a vida real. Era uma das brincadeiras.

Quando fui crescendo, as férias eram para adquirir outras habilidades. Além de colher as frutas do quintal ( goiabas, mangas, jabuticabas, caju, limão, ameixa) também fazíamos casinha nas árvores. Sim, eu mesma me machuquei várias vezes subindo e descendo de árvores mas era saudável e divertido. Em época de aula, eu subia nas árvores , me sentava na forquilha e decorava as matérias de História e Geografia , falando em voz alta para aprender melhor e mais rápido.

Se hoje não temos o quintal grande com as árvores, temos outras mil e uma atividades que podemos oferecer para a criança se desenvolver.

Ontem mesmo, minha querida netinha veio passar o dia comigo. Peguei um lençol de solteiro e ele se transformou em capa, depois em véu de noiva, depois em rede de balanço, em coberta para as bonecas, em asas para voar. Apenas com um lençol que todo mundo tem em casa. Há que abrir espaço e deixar a casa bagunçada para a ordem interior imperar.

Meus filhos também tiveram oportunidades diversas de cursos variados. Eu não tinha o quintal com árvores, mas o pequeno espaço que tínhamos era bem explorado com armadilhas construídas, busca por joaninhas, procurar bichinhos que enrolam, tirar matinhos dos canteiros e ver crescer uma nova semente que plantávamos...

Quanto aos cursos, puderam satisfazer quase todas as vontades, aulas de bateria, de violão, piano, informática, inglês, francês, alemão, italiano, futebol, basquete, aulas de origami, de teatro, enfim... Tudo aquilo que poderia lhes oferecer uma nova habilidade era proposto e eles aceitavam. Eram experimentadores de tudo.

Sempre achei que explorar o quintal de casa era uma atividade preciosa e fazer deste quintal um palco, uma floresta, um local de jogos e brincadeiras. Guerras de água com bexigas ou mangueira, e até um canteiro razoavelmente grande virou uma piscina de barro onde se atiravam. Um cantinho na frente da casa, foi feito um cercado onde tinha uma montanha de areia.

Semana passada estava com minha netinha à noite e ela pegou uma lanterna. Não tive dúvida, apaguei todas as luzes da casa e fomos ‘ investigar ‘, salvamos uma boneca que estava perdida na floresta das roupas para lavar e passar e descobrimos o teatro das sombras que meu filho tem habilidade de fazer e ela ficou encantada.

Delegamos ao supérfluo e ao eletrônico todas as nossas capacidades de adultos...

Meus amigos se lembram com saudades quando iam à minha casa e ficávamos mexendo no piano e eu ensinava algumas melodias curtinhas a eles e brincávamos a 4 mãos no piano. Uma adolescência também produtiva, alegre e saudável. Descobrir talentos e potencialidades deveria ser LEI.

Utilizar objetos da casa como brinquedos incentiva a invenção, a criatividade e acima de tudo o reaproveitamento. Se não tenho isso, substituo por aquilo. Lembro-me que assistíamos a um programa na TV Cultura que meus filhos adoravam: Senta que lá vem história. A moça que contava histórias fazia uma caneta se tornar uma pessoa, um rolo de papel higiênico ser uma corneta e assim todos os objetos comuns passavam a ter vida e desempenharem outros papéis.

Imaginação!

Observo meus alunos de piano improvisando músicas, ou utilizando seu poder de dedução para decifrarem uma partitura, ou ainda imaginando uma cena quando vão tocar uma música, criando uma história. Poder de abstração.

Como é importante abstrair dos problemas para encontrar novas soluções!

Todas estas habilidades são desenvolvidas quando se oferece à criança as oportunidades diversas em Arte, Esporte, Música e brincadeiras.

Temos muito a falar sobre isso. Mas a semente está lançada mais uma vez.

Vamos consumir livros, instrumentos musicais, atividades esportivas!

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.​

Biografias

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Uma lição de vida...

Eu me emociono até às lágrimas lendo as biografias dos grandes compositores. E nelas, os ensinamentos, os mais variados, sobre a vida, a música, a essência do ser, a missão, o caráter.

Outro dia conversando com meu filho, ele citou a frase: “ Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos.” E me lembrei do filme Amadeus, que conta a vida de Mozart. No início do filme o músico Antonio Salieri questiona Deus, olhando para o crucifixo na parede, perguntando porquê ele escolheu um “bossal” como Mozart, para transmitir as melodias mais celestiais e belas. E faz sua própria defesa dizendo que ele sim seria o merecedor de um grande talento, porque era certinho, fazia tudo conforme o Rei desejava, etc, etc, etc. Neste momento vi um perfeito ‘ puxa-saco’ do rei querendo mais algum benefício dos céus.

Não, Mozart não era ‘ certinho’ mas ele era bom. Não tinha preconceitos, era livre no pensar e no agir, voava como um pássaro nas alturas, sem se preocupar com o amanhã. Era divertido, considerado por Salieri como mal educado, que tinha maus hábitos, bebia, era vulgar e desorganizado. Mas quando se tratava de música... Ele tinha um canal direto com Deus.

Mozart nunca fez um rascunho sequer. Suas composições já saíam como se tivessem sido feitas numa gráfica. Eram únicas. Não tinha cópias. Penso que a música para ele era a divina manifestação do belo, do puro, da alegria, mas também dos momentos humanos de dor no seu Réquiem.

Biografias... Como aprendemos com elas. Sejam quais forem. Experiência vividas por pessoas comuns ou famosos. Biografias são o ensinamento que podemos apreender de como as pessoas administram suas vidas ou como se deixam levar por ela, pela fé ou pelo desespero.

A inveja que salta aos olhos na descrição de Salieri em Amadeus, demonstra porquê ele não foi escolhido.

Johannes Brahms, para quem ainda não assistiu ao filme Sonata de Amor, poderá ter uma ideia de quem foi este homem, que amou silenciosamente.

Muitas namoradas, mas um único amor proibido. Proibido pelo senso de fidelidade. Proibido pelo respeito à amizade a um grande amigo que o acolheu em sua casa. Proibido porque se apaixonou pela mulher 20 anos mais velha do que ele, mas este não era o problema pois sua mãe era 20 anos mais velha que seu pai. Proibido porque esta mulher era a esposa de seu melhor amigo: Robert Schumann.

Ouço músicas hoje em dia, de disputa amorosa, com vibrações as mais vis e baixas soando pelas letras das músicas e provocando uma hipnose coletiva, incitando violência, traição e disputa. Amor não se disputa. Nunca. Amor se sente. Quem ama deixa o ser amado livre, porque a liberdade é o presente para a vida bem vivida. Disputar, prender, ameaçar e até matar não é e nunca foi amor.

Amar quando se está longe é vibrar pela felicidade do ser amado, para que consiga vencer a si mesmo e realizar seus desejos e objetivos. É desejar que ele esteja bem com quem quer que esteja, namorando ou formando família. A posse é o maior veneno que a humanidade alimenta. O poder sobre o outro. A vontade de dominar sempre. Dominar terras, dominar na política, dominar , dominar, dominar... E perde-se a liberdade. Escravizar pessoas através de condutas mascaradas de ajuda.

As religiões e seitas tentam a qualquer preço disputar fiéis. Mas que coisa horrível!De novo vamos ao Salieri , que se julgava rival de Mozart... com sua inveja exacerbada. Digno de dó. Pessoas que se comparam às outras são eternamente escravas da inveja. Não sabem quem são e a que vieram. Querem ser o outro.

A pintura mais linda que se pode ver ou sentir, é o quadro exalando a essência da pessoa. Como somos diferentes! E o quanto a diversidade é linda!

Ainda neste raciocínio me lembro sempre que os grandes músicos se reconheceram. Mozart anunciou Beethoven dizendo que o mundo o reconheceria. Beethoven beijou a testa de Liszt com 12 anos de idade dizendo que ele seria um grande expoente. Liszt pagou a reforma de um teatro e doou à cidade de Bonn uma estátua em bronze de Beethoven. Ainda Liszt ... divulgava os grandes músicos tocando suas composições em seus concertos que eram disputadíssimos. Ele, compositor, divulgava outros compositores. Assim é. Assim deve ser para todo o sempre.

Procurando o filme Amadeus para deixar para vocês, acabo de encontrar um filme que ainda não assisti sobre a Vida de Mozart. Veremos juntos:


E podemos ir além numa frase de Brahms : A sabedoria mora na simplicidade.

Quando fui fazer meus cursos na Alemanha, o que me chamou a atenção nas pessoas era a simplicidade no se vestirem. Elas gastam seu dinheiro com viagens, cursos, espetáculos, concertos, livros, a vestimenta é mera necessidade. Quando voltei de lá em 2003, pela primeira vez, fiquei meses pensando em tudo o que vi e como somos fúteis no Brasil, na questão de Moda, e tantos supérfluos... gastamos tanto dinheiro com coisas efêmeras e não investimos no crescimento da alma. Viajar é crescer. Ler é crescer. Estar frequentando concertos é alimento para alma. Enfim... estas biografias do povo alemão nas ruas com suas atitudes e costumes, a casa onde me hospedei da primeira vez, tudo isso me ensinou que Brahms tem razão: A sabedoria mora na simplicidade.

https://www.dw.com/pt-br/beethoven-e-liszt-eram-almas-irm%C3%A3s-afirma-diretora-do-beethovenfest/a-15378850



Beethoven ( o intratável ) beijando a testa de Liszt com 12 anos.

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.​


A URGÊNCIA CULTURAL E EMOCIONAL

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Esta semana tivemos a chacina numa escola ( ESCOLA!!!) que sacudiu o país e até o mundo. Uma escola considerada de muito boa qualidade, professores, coordenadores empenhados, alunos que gostam da escola, inclusive os ex-alunos que também frequentaram e se beneficiaram do ambiente escolar.

Pela primeira vez vi um governador indenizando as famílias pelo ocorrido em uma Escola Estadual. Segundo o pronunciamento dele, antes que terceiros ganhem dinheiro das vítimas oferecendo para processar o Estado, ele se adiantou, como nunca visto antes. Isso me chamou a atenção.

Notícias diversas, boatos e fatos foram mostrados pela TV e fiz questão de acompanhar como educadora, para estar mais atenta ao que causa este tipo de atitude em um jovem.

  • 1. Falta de estrutura familiar: AMOR!

  • 2.    Falta de oportunidade de descobrir talentos. Eu acredito que TODO ser humano tem talentos para desabrocharem. Vejam bem: desabrocharem... Estão ali guardados, esperando uma oportunidade para serem manifestados para o bem. Serem manifestados para resgatar a autoestima, para auto realização, para que a criança ou o jovem se sintam importantes, valorizados, felizes, produtivos, reconhecidos em seu meio. E neste campo a ARTE, a MÚSICA são os grandes trunfos colocados à disposição para curas ou oportunidades.

  • 3.    A liberação de jogos violentos. Não são todas as pessoas que tem amor suficiente dentro de si, para jogarem um jogo violento e saberem descartar isso em suas atitudes. Funciona como potencializador, funciona como válvula de escape para a revolta que sentem e a falta de chance de se expressarem de alguma forma positiva. A raiva que sentem de SI PRÓPRIOS e do contexto de vida que lhes foi oferecido é descarregada inicialmente no jogo, até que possivelmente possa ser descarregada na sociedade, pois foi a única forma de colocarem pra fora sua raiva.

  • 4. A raiva: recentemente um médico amigo meu, falou sobre a utilidade da raiva na realização de projetos. Fiquei atenta a este ensinamento e vi que ele tem razão: tem pessoas que usam a raiva para criarem, para executarem projetos, para impulsionarem o trabalho, para de certa forma provar ao mundo que são bons em alguma coisa. Mas é preciso que sejam oferecidas oportunidades para isso. A raiva não é um sentimento unicamente ruim. É uma força energética que impulsiona atitudes. Quais são as atitudes que uma pessoa pode realizar? O que tem dentro dela de talentos para que isso possa sair para o bem?

  • 1.    Venho falando sobre a UTILIDADE DE SE ESTUDAR PIANO, mas pode ser qualquer instrumento, pode ser a dança, o esporte, a ginástica rítmica, o desenho, a pintura, a leitura, aprender idiomas, fazer trabalho voluntário ( dividir o que se sabe, mesmo que pouco).

    2.    A internet : gosto muito da internet, do Facebook, de estar aqui escrevendo no Jornal da Franca online. Como sinto prazer em escrever, este canal me propicia dialogar com pessoas escrevendo. Mas a internet oferece de tudo, dentro de sua casa, fechado num quarto, ou no silêncio de uma criança mexendo no celular e vendo assuntos que ainda não fazem parte de sua maturidade. Vejo crianças usando celulares dos pais, muitas crianças. É uma arma, tem alguém falando alguma coisa pra uma criança que o adulto não está vendo. Tem artigos que ele está acessando que está formando sua personalidade. Tem mensagens privadas de conversas adultos que esta criança lê. Acredito que celular para criança é um dos maiores perigos da atualidade. Os pais tem medo de não ser amados porque estão dizendo “ não”. Mal sabem eles que mais tarde não serão amados por não terem dito este não.

    http://g1.globo.com/musica/noticia/2012/12/musica-do-grupo-foster-people-e-retirada-das-radios-apos-tragedia.html  

    3.    No link acima, uma música que fala sobre matar crianças em escolas.

    Será que ninguém está vendo que há necessidade de CENSURA para crianças?  Um bebê recém nascido não pode comer um bife. E por aí poderão criar as mais variadas metáforas sobre o AMADURECIMENTO FÍSICO E EMOCIONAL. Como jogar uma criança numa rede social indiscriminada onde se prega todo tipo de ideias? Ela está em formação!

    4.    Esta coluna fala de MÚSICA. FOFOCAS MUSICAIS. E batendo sempre na mesma tecla sobre as letras de músicas. OBSERVEM, parem e observem as letras das músicas que ficam martelando na TV sem parar, falando de VINGANÇA, ÓDIO, CIÚMES, TRAIÇÃO, venenos para os ouvidos. É uma hipnose coletiva. Reparem no FEMINICÍDIO... Proveniente de onde? Está muito claro que existe uma hipnose, uma delas vem das músicas. E quando isso vai ser observado com mais critério? ATÉ QUE PONTO A LIBERDADE DE CRIAÇÃO PODE AJUDAR A HUMANIDADE OU ENVENENÁ-LA?  Sou a favor da censura sim. Nenhuma criança merece ficar cantando músicas que falem de prazer na cama, de traição, de vingança, ódio. NINGUÉM MERECE, quanto mais uma criança!

    Suplico pelas crianças! O DIREITO À INOCÊNCIA, ÀS BRINCADEIRAS SAUDÁVEIS, À PUREZA, À CONSTRUÇÃO DO SABER DE FORMA SAUDÁVEL E PRINCIPALMENTE O DIREITO AO AMOR!

    As pessoas estão terceirizando a educação dos filhos para as máquinas. ISSO É TRISTE DEMAIS!

  • *Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.​

Analogia com Adoniran Barbosa - ​Saudosa vidinha

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Se o senhor não tá lembrado

Dá licença de contá

Que aqui onde agora está

Essa sexagenária

Era uma moça forte

Lutadora e sorridente

Foi pra ela seu moço

Que um dia o pai dela falou

Sou seu maior amigo, pode inté acreditá

Mas um dia, nem quero me lembrá

Veio o destino com as ferramentas

O dono mandô derrubá

Peguemos tudo que aprendemo

E fumos pra luta diária

Enfrentá a demolição

Que tristeza que eu sentia

Cada ofensa que eu recebia

Doía no coração

Meus amigo quis gritá

Mas em cima eu falei

O destino tá cá razão

Nós ta aqui pra nos transformá

Só se conformemos quando alguém falou

Deus dá o frio conforme o cobertor

E hoje nós lembra das foto do álbum que dei fim

E prá esquecê, nós cantemos assim

Saudosa vidinha construída inté aqui

Dim-dim donde nós vivemo os dias feliz de nossa vida

Saudosa vidinha, vidinha querida

Dim-dim donde nós vivemo os dias feliz de nossas vidas


Adoniran Barbosa

SAUDOSA MALOCA DE ADONIRAN BARBOSA... VAMOS OUVIR:

Cada pessoa que encontro que já passou dos 50, tem suas análises sobre a vida, a maioria deles no silêncio de suas reflexões que agora saltam através das palavras, pois a incompreensão anda reinando pelo mundo e todos querem ter razão e desvalorizar tudo o que foi construído até aqui.

Outro dia, recebi um áudio com uma palestra de Padre Léo onde ele fala das músicas de ADONIRAN BARBOSA e da resiliência em ver as desgraças e ainda fazer música melodiosa e que são cantadas com nostalgia e quase sem dor. Como é difícil isso!

Então, fiz uma analogia aos sexagenários, aos cinquentões que hoje se calam perante a ingratidão que recebem da vida, são chicoteados com palavras ofensivas e o pior: com a falta de amor, ou falta de respeito.

Nós, fomos criados na Ditadura como dizem muitos, e aprendemos a obedecer. Aprendemos a respeitar os mais velhos sem perguntar porquê, simplesmente porque os mais velhos deveriam ser respeitados. Respeitados pelo que já caminharam, respeitados pelo que já construíram, respeitados pelo simples fato de terem vivido mais e poderem nos ensinar o que aprenderam. Era assim e assim recebemos as informações. Me lembro dos orientais que reverenciam os mais velhos...

Respeitar os pais porque nos deram a vida!

Respeitar o teto onde fomos criados, seja ele de palha, de madeira ou de tijolo... Então me lembrei da fábula inglesa dos 3 porquinhos, nos ensinando a construirmos um caráter forte, indestrutível, onde possamos na velhice nos abrigar nas nossas virtudes desenvolvidas durante toda a vida. Pois era assim que entendíamos a fábula, além da parte prática mesmo de lutarmos para termos um lar bem construído para nos abrigar quando não pudermos mais ter a força da juventude.

Nós aprendemos estas coisas. E como obedientes que sempre fomos, lutamos, lutamos e lutamos para deixarmos para nossos netos o nosso exemplo, nosso nome limpo, nossa casa edificada com muito suor, para que eles possam usufruir do nosso nome, nosso exemplo e nosso teto. Sim, deixarmos para os netos significa que aprendemos a cuidar das próximas gerações.

“Os personagens do conto são três porquinhos - Prático, Heitor e Cícero - e um lobo (lobo mau), cujo objetivo era devorar o trio. Ao decidirem sair do lar da mãe (em algumas versões, e avó), eles foram construir cada um a sua própria casa.

Cícero, o mais preguiçoso, não se queria cansar e construiu uma cabana de palha e pilhas de lama. Heitor, decidiu construir uma cabana de madeira sem usar os devidos pregos de aço, enquanto Prático optou por construir uma casa melhor estruturada, com cimentotijolos e vidro. Como a sua casa demorou mais tempo para ser construída, Prático muitas vezes via os irmãos se divertindo enquanto se esforçava para terminar o trabalho.

Um dia, o lobo surgiu e bateu na porta da casa de Cícero na cabana de palha, que se escondeu. Mas o lobo, com um sopro forte, desfez a casa. Enquanto Cícero fugia, o lobo então sai e foi bater na porta de Heitor o da casa de madeira e, com dois sopros fortes, destruiu também a cabana de madeira.

Heitor fugiu para a casa de Prático, onde Cícero se encontrou com o dono. O lobo então foi à casa de Prático e soprou, soprou, soprou, mas não conseguiu derrubá-la. Após muitas tentativas, o lobo decidiu esperar a chegada da noite.

Quando anoiteceu, o lobo foi tentar entrar na casa descendo pela chaminé, mas começou a sentir cheiro de queimado. Era Prático que, com uma panela estava a queimar a cauda do lobo. O lobo então fugiu assustado e nunca mais voltou, e eles viveram felizes para sempre.” Wikipedia.

Mas de repente consigo ver na fábula dos 3 porquinhos que embora tenhamos tentado aprender a fazer a casa de tijolos, as novas gerações quase que se apresentam como o lobo mau que vem soprando tudo o que fizemos com críticas, análises modernas, reavaliação de nossos comportamentos e elas conseguem abalar a casa de tijolos porque agora souberam que existe o aço, a tecnologia, as mudanças de paradigmas, outros valores, derrubam tudo o que nós sexagenários construímos, e nós então ficamos desabrigados no meio da rua, como nos diz Adoniran, perdidos sem saber pra onde ir, porque tudo o que aprendemos foi colocar um tijolo em cima do outro, uma massa no meio por anos a fio, portas resistentes, chaminé e dentro como os porquinhos reunidos, juntarmos todos, dançarmos e cantarmos juntos, cada um com seu instrumento musical.

É... Adoniran. Nos ensine esta resiliência! Transformarmos em música o que foi derrubado através dos tempos, senão, com certeza vamos sucumbir na depressão.

E esta nova geração simplesmente está sofrendo, e na ânsia por acertarem, querem destruir o velho. Mas estão destruindo a si próprios pela falta de amor. E exalam o sofrimento com as críticas , como nos disse Tich Nhat Hanh.


*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.​

CONFETES E SERPENTINAS

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​O Carnaval era uma festa alegre. Passávamos o mês de janeiro inteiro confeccionando fantasias, improvisando, arrumando costureiras de fantasias para blocos e muitas conversas, risadas, alegrias! Marchinhas ... Era só diversão saudável, sonhos, fantasias, muito sol pra pele ficar bonita e bronzeada... Nada mais.

Hoje temos a alegria de ver em Franca o Bloco Cangoma puxando as marchinhas carnavalescas e as danças folclóricas brasileiras. Alegria, tudo saudável e cultural.

Mas minha intenção hoje é contar uma conversa que tive com uma amiga, professora de piano, formada pela USP e veio me pontuar sobre a DIDÁTICA CARNAVALESCA que estamos testemunhando pelos alunos que recebemos de alguns lugares.

O aluno chega pra gente tendo “ estudado”meses ou anos de “ piano” e quando vamos avaliar o que ele sabe de conteúdo para darmos continuidade, vemos o quanto se perdeu de tempo. Um aluno dela se queixou que entrou numa escola que prometia felicidade e que instrumento existe para fazer as pessoas felizes. OK... tudo bem. Ouvirmos alguém tocando bem é algo que nos dá prazer e felicidade mesmo. Mas para aquele músico chegar a tocar bem, ele precisa estudar, treinar, se dedicar muito aos estudos para que seja realmente um bom executante daquele instrumento. Mas a promessa ficou em oferecer um ambiente de boas conversas, ( CONFETES ) um pouquinho de experimentação musical,( SERPENTINAS) mas nada de ENSINO. Então ela me perguntou o que eu achava disso que ela tinha ouvido, pois até então, não estava lecionando e de repente se depara com um marketing muito estranho a respeito do estudo de um instrumento musical.

Eu disse a ela que isso é só carnaval, ou seja, passageiro, dura muito pouco tempo, gasta-se dinheiro preparando o carnaval (anos investindo em ser feliz sem estudar), usa-se fantasias ao invés de roupas normais ( veste-se a partitura com formas adaptadas de se ler música – verdadeiras fantasias quase imitando alguma realidade), e no final a frustração da 4ª feira de cinzas, a ressaca dos estudos mal feitos, da felicidade prometida e não alcançada porque era apenas uma ilusão.

Assim é o ensino de mentirinha. É um carnaval. Joga-se muitos confetes nos alunos, dizendo que o importante é a folia e a alegria... Serpentinas em formas de elogios também, mantendo a ilusão de que se está ESTUDANDO OU APRENDENDO um instrumento musical. Todo mundo pode fazer uma fantasia e até vendê-la para pular no carnaval de rua. Mas não passa de um carnaval de rua, ou não passam de 4 dias, ou se for investir o ano todo para sair na avenida, também foi um alto custo para ter a ilusão do desfile numa passarela.

Estou ouvindo agora alguém tocando muito bem, estudando, veio uma hora antes da aula para estudar e estou aqui de plantão ouvindo seus estudos enquanto escrevo, avaliando o que preciso corrigir em aula na forma de estudar. Este alguém tem apenas 12 anos de idade e me procurou porque queria aprender música de verdade.Cansou de investir desde os 7 anos e sempre ficar no mesmo lugar. Música é evolução como a ciência ! Evolui-se em Geografia, Matemática, História e evolui-se em Música.

Hoje criei um curso intenso porque antes, o que um aluno meu demoraria 2 anos para aprender, hoje ele aprende em 2 ou 3 meses. É intenso, organizado, com ergonomia e outros detalhes que fazem o aprendizado ser mais rápido e eficiente.

Fiquemos atentos.

Estudo sério e sistematizado traz felicidade. O resultado é compensador, além de ter desenvolvido muitas habilidades.

Ser feliz na música, no futebol, no basquete, na escola, é sinônimo de dedicação, perseverança, para no amanhã, colher felicidade!

Vamos nos alimentar o ano inteiro com os estudos que trazem saciedade! E brindemos depois com um bom Champagne ou um vinho ou o que quer que seja! Brindemos com a saciedade de conhecimentos e desenvolvimento de habilidades. Mas entendamos que MÚSICA É PARA SER LEVADA A SÉRIO COMO QUALQUER OUTRA CIÊNCIA!

Alimente-se do básico, essencial, completo!

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A “BAGUNÇA” DE BEETHOVEN – só uma reflexão!

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​Fico impressionada ao ler as biografias e constatar como os músicos e compositores sofreram preconceitos ou bulliyng e ninguém se oferecia para ajuda-los no que precisassem, mas era o eterno julgamento da sociedade.

Beethoven escreve a seu amigo e médico Franz Gerhard Wegeler:


Você tem tido notícia da minha situação? Os meus ouvidos nos últimos 3 anos estão cada vez mais fracos. Frank, o diretor do Hospital de Viena, procurou retonificar o meu organismo com tônicos e meus ouvidos com óleo de Mandorle. Não houve nenhum efeito, a surdez ficou ainda pior. Depois um asno de um médico me aconselhou banhos frios, o que me levou a ter dores fortes. Outro médico me aconselhou banhos rápidos no Danúbio, todavia a surdez persiste, as orelhas continuam a rosnar e estalar dia e noite. Te confesso que estou vivendo uma vida bem miserável. Há quase 2 anos me afastei de todas as atividades sociais, principalmente porque me é impossível dizer para as pessoas : Sou surdo !... Se minha profissão fosse outra, talvez poderia me adaptar à minha doença, mas no meu caso a surdez representa um terrível obstáculo. E se os meus inimigos vierem a saber ? O que falarão por aí? Para te dar uma ideia desta estranha surdez, no teatro eu tenho que me colocar pertíssimo da orquestra para entender as palavras dos atores e a uma certa distância não consigo ouvir os sons agudos dos instrumentos e do canto. Surpreendentemente, nas conversas com as pessoas muitos não notaram minha surdez, acreditam que eu sou distraído. Muitas vezes posso ouvir o som da voz mas não entendo as palavras, mas se alguém grita eu não suporto ! O doutor Vering me disse que certamente meu ouvido melhorará, se isso não for possível tenho momentos em que penso que sou a mais infeliz criatura de Deus.” Ludwig Van Beethoven

Como somos pequenos!

O julgamento sempre severo e cheirando a maledicência acusava os gênios, apontava seus defeitos, mas a eternidade se encarregou de mostrar a que vieram.

Beethoven tinha tantas ideias, sua mente, coração, pensamentos, estavam na música e somente na música. Não conseguia ser comum ( e não era para sê-lo mesmo) e as pessoas criticavam sua bagunça, papéis jogados no chão, livros esparramados, cabelo despenteado. Nada disso poderia interromper seu processo criativo. Penso que é como se ele parasse para arrumar a casa, a inspiração fosse embora ou então ele não conseguia fazer outra coisa senão dedicar-se ao que vinha em sua mente, o que sentia em seu coração e passar tudo para o papel em forma de sons.

OS GÊNIOS SE RESPEITAVAM E SE RECONHECIAM

Não foi a primeira vez que li numa biografia que um músico reconhece o talento do outro e o coloca no patamar onde merece. Liszt pagou a construção do salão de concertos e a estátua de bronze de Beethoven. Antes, quando Liszt estudava, Beethoven lhe mandou um piano de presente. E assim os missionários se reconhecem e se ajudam.

Não houve julgamento, muito menos competição entre os grandes. Houve um profundo respeito de uns para com outros. Isso não é sublime ? Maravilhoso e celestial ?


Salão Beethoven 

A inauguração oficial do Monumento de Beethoven seria o ponto alto de um Festival de Beethoven de três dias. Um mês antes do início do festival, não havia um local adequado para acomodar os 3.000 participantes esperados. A pedido de Liszt, e somente depois que ele se ofereceu para arcar com todo o custo, o comitê contratou um arquiteto e construtores para construir o Salão de Beethoven. Quando finalmente começaram, tinham menos de duas semanas para fazer isso e precisavam trabalhar contra o relógio para terminá-lo a tempo.


E o grande Beethoven deixou muitos relatos sobre os problemas que vivenciava.


“Ó homens que me tendes em conta de rancoroso, insociável e misantropo, como vos enganais. Não conheceis as secretas razões que me forçam a parecer deste modo. Meu coração e meu ânimo sentiam-se desde a infância inclinados para o terno sentimento de carinho e sempre estive disposto a realizar generosas ações; porém considerai que, de seis anos a esta parte, vivo sujeito a triste enfermidade, agravada pela ignorância dos médicos. [...]Devo viver como um exilado. Se me acerco de um grupo, sinto-me preso de uma pungente angústia, pelo receio que descubram meu triste estado. Mas que humilhação quando ao meu lado alguém percebia o som longínquo de uma flauta e eu nada ouvia! Ou escutava o canto de um pastor e eu nada escutava! Esses incidentes levaram-me quase ao desespero e pouco faltou para que, por minhas próprias mãos, eu pusesse fim à minha existência. Foi a arte, somente a arte, que me salvou. Ah, parecia-me impossível deixar o mundo antes de ter dado tudo o que ainda germinava em mim![...]Esta foi minha vida, angustiosa. Quando lerem estas linhas saberão que aqueles que de mim falaram, cometeram grande injustiça. Peçam ao Dr. Schmidt para descrever minha doença para que o mundo possa se reconciliar comigo, ao menos após minha morte. Ludwig van Beethoven, in Testamento de Heilingenstadt, 6 de Outubro de 1802. [O testamento foi encontrado em Viena, numa pequena escrivaninha, anos após a sua morte.”


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O NOSSO TODO

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http://esbrasil.com.br/preserve-seu-cerebro/?fbclid=IwAR34lKEJVj9II3jNxRpX4nRd2CONeds2oQm6VAvif-wtZnM0DyaIHs5PtH0

Gostaria imensamente que lessem este artigo sobre esta senhora, Vera Camargode 96 anos de idade e também sobre a necessidade de entendermos que somos um todo , somos um ser por inteiro e não somos partes.

Tenho percebido a necessidade de olhar o aluno como um todo e venho escrevendo sobre isso desde o livro O PIANO UM ESCULTOR DA ALMA.

Recentemente alertei meus alunos postando no Facebook da necessidade da boa alimentação, da prática de exercícios físicos, da importância de se tomar água e principalmente deixar o celular de lado.

Deixo hoje, carinhosamente o artigo sobre a importância da música como prevenção de doenças. Leiam o artigo do link acima.

BOA SEMANA!


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A CULTURA DO BRASILEIRO ESTÁ MUDANDO

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Desde meados de 2018 que tenho percebendo um interesse pela música clássica.

Leio matérias relacionadas, vejo vídeos no youtube, participo de grupos do Facebook e vejo as pessoas se interessando muito mais pela Música Clássica, com letra maiúscula porque ela merece assim ser destacada.

E para completar esta observação, vejo isso no meu trabalho. Também desde meados de 2018 as pessoas procuram por aulas de piano clássico. O mais incrível é que a maioria destas pessoas são crianças e jovens. E pessoas que já estudaram piano antigamente estão voltando para resgatar suas almas musicais que foram de certa forma, sufocadas pelo tempo e pela mídia que joga somente músicas depressivas nos ouvidos das pessoas, agressivas, sem conteúdo de esperança, mas somente falando de sexo, cama, traição, depressão. Ninguém aguenta mais ser invadido por esta hipnose avassaladora de perspectivas emocionais positivas.

Minha alegria tem sido cada dia maior ao fazer uma entrevista com crianças e elas escolherem estudar música clássica, quererem conhecer partitura, se interessarem e ficarem ali tentando descobrir como se faz um som através daquele montante de bolinhas pretas e quando vão desvendando aparecem sorrisos, suspiros e um pensamento que dá para captar: - ufa... era só isso?

Jovens que estão procurando por algo que preencha mais a alma.

Uma coisa é fato: as escolas com seus shows de talentos tem promovido esta busca, e com isso acredito que as próprias escolas estejam motivando os alunos a desenvolverem habilidades e competências através de um instrumento musical.

Ainda bem que chego numa fase de minha vida, que ainda posso presenciar estas mudanças culturais em nosso país.

Esta semana vi um pequeno vídeo da cantora Baby do Brasil falando que colocou em seus arranjos, introduções de músicas, etc o que há de melhor na música:- a música clássica. E tocou um rock que começa com Vivaldi , citando que outras músicas se utilizando de melodias de Beethoven e outros. Ufa... saímos da escuridão.

O piano é um brinquedo. Minha netinha gosta de passar por ele e tocar algumas teclas. Em alguns momentos ela se senta e simula tocar uma música, com ar inspirado, focado, concentrado e no final se levanta e agradece a atenção. Em alguns momentos toca delicadamente as notas dizendo que está fazendo suas bonecas dormirem. Em outros momentos coloca todos os dedinhos como se fizesse um acorde perfeito e simula um concerto vigoroso.Deixo-a brincar o quanto quiser no piano.

Vejo também que as casas estão soando com mais pianos acústicos. As pessoas estão sabendo escolher. Os ouvidos estão ficando mais apurados. Estão rejeitando os digitais e escolhendo o SOM PURO. Por mais que um digital tente imitar um piano acústico, ainda é um computador fazendo um som que tenta se assemelhar. É falso. E esta cultura também está mudando. A era dos teclados, da tecnologia digital que invadiu as casas, colocando os pianos de lado como se eles fossem tomar seus lugares, não conseguiu fazer isso, porque não se consegue esconder o som verdadeiro e puro. Quando as pessoas começam a ouvir de verdade, escolher de verdade, sentir de verdade, elas querem o que há de mais puro. Esta semana ouvi de uma pessoa algo assim : “ me aconselharam a não comprar um piano digital porque é o mesmo que eu usar adoçante , tenta imitar mas nunca vai ser.”

Sejam bem vindos todos os pianos acústicos que estão chegando na cidade de Franca!!

Sejam bem vindos crianças e jovens que despertaram para a música clássica! Sua colheita será farta!

Assista ao vídeo: https://www.facebook.com/isaquekeyboard/videos/1595664667245813/


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