MINHA HISTÓRIA COM RELAÇÃO À MÚSICA- FASE 5 : CASA DOS MÚSICOS E AS FLAUTAS

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​2001. 2002. 2003. 2004.

Aniversário de Franca

Parabéns Franca Querida!


No dia 07 de Maio de 2001 abri a Casa dos Músicos. Era uma casa que pretendia atender crianças gratuitamente ou com taxas simbólicas e também alunos que tivessem condições de arcar com os estudos. Foram dadas 80 bolsas de estudos nesta época.

A Casa tinha 9 salas: a Sala do Piano era Johannes Brahms, Biblioteca e Sala de Vídeo Franz Liszt, Recanto Floral Frederic Chopin, Arquivo Robert Schumann, Sala de Estudos J.S.Bach, Ludoteca Musical Wolfgang Amadeus Mozart, Espaço Aberto Franz Schubert, Sala das Artes Eugène Delacroix, Espaço Villa-Lobos. Era uma festa só. A casa pequena mas cada cômodo tinha uma história. Nas paredes, gravuras dos compositores, suas casas, pessoas ligadas a eles. Gravamos um CD sobre uma VISITA CULTURAL. As pessoas chegavam para visitar e em cada cômodo era contada a história da vida do músico, ouviam algumas de suas músicas, no final da visita iam para a sala das Artes desenhar, pintar,expressarem de alguma forma tudo o que ouviram e vivenciaram.

A Ludoteca Mozart era a preferida das crianças. Brinquedos musicais pedagógicos e instrumentos para experimentação. Várias atividades: Alfabetização Musical através de Jogos e Brincadeiras, Flauta Doce, Canto, Piano, Formação de Monitores, Teatro, Visitas Escolares.

Meus filhos aprenderam bastante ali. O mais velho com 18 anosLucas, era o responsável por toda parte de informática, pelo Arquivo Robert Schumann, gravações, edições, criação de folder, atender telefone e receber pessoas. O mais novo, Eduardo, com 8 anos,  aprendeu todas as histórias dos músicos, era um verdadeiro recepcionista cultural, contava as histórias e participava de todas as turmas de Alfabetização Musical através de Jogos e Brincadeiras, desde os pequenos de 2 anos até 10 anos de idade. Foi um excelente monitor. Eu, trabalhava no Estado com 26 horas/aula no período da tarde e algumas manhãs e em outros períodos lecionava na Casa dos Músicos em todos os cursos. Muito trabalho e muita alegria. Eles estudavam de manhã e faziam suas tarefas lá na Casa dos Músicos que funcionava até 21 horas todos os dias.

Nesta época, fizemos algumas apresentações no Teatro Municipal, vendíamos ingressos e a plateia concorria ao sorteio de UM PIANO VERTICAL USADO. Comprávamos o piano com o dinheiro dos ingressos e era feito o sorteio na apresentação. Só alegria! Muito trabalho!

Apresentamos peças de teatro com a vida dos compositores, encenada por crianças de 2 a 10 anos de idade, que eram gravadas previamente pelo Lucas num computador 486 que demorava pra responder aos comandos mas ele, com a maior paciência e vontade de aprender, fazia um trabalho de primeira qualidade. Quando íamos para o Teatro Municipal as crianças dublavam a si mesmas para evitar terem que falar alto ou esquecerem suas falas. Que período maravilhoso! Gratidão a meus filhos que abraçaram os projetos e a alegria! Fomos muito felizes ali.

Chás, cafezinho, biscoitinhos, muita alegria!  A característica marcante da Casa dos Músicos era a alegria.







O número de alunos aumentando, eu sozinha para dar todas as aulas, os filhos crescendo e com mais afazeres e cursos, o aluguel subiu absurdamente por um índice da época, alunos à procura de bolsas de estudos todos os dias, mas não tinham dinheiro para pagar o ônibus para ir às aulas ( a Casa ficava estrategicamente perto do Terminal de ônibus). As aulas de Alfabetização Musical tinham uma taxa simbólica para estes alunos ou era gratuito, mas os alunos de classes sociais mais elevadas também frequentavam pelo mesmo valor simbólico. Pedi afastamento sem remuneração no Estado para poder continuar atendendo bem na Casa dos Músicos. No ano de 2003 e metade de 2004 fiquei afastada.

Um dia, enviei uma circular expondo a situação do aluguel e pedi que os alunos pagantes passassem de 20 para 25 reais mensais para ajudar neste reajuste em Agosto daquele ano. E foi quando ouvi de uma pessoa muito bem de vida: - meu filho estuda aqui pelo valor da mensalidade. Repensei minha vida, a proposta, reavaliei o quanto eu estava trabalhando das 6 da manhã às 23 horas diariamente, meus filhos com outras necessidades escolares, e ouvir um comentário deste nível e outros na área pedagógica, me fizeram mudar de rumo.

Ainda na primeira metade de 2004, fiz uma especialização no Instituto Sathya Sai em Ribeirão Preto – em Valores Humanos em Educação.

Mas neste ano resolvi fechar a Casa dos Músicos e retornar ao Estado. O curso de Valores Humanos me chamou urgentemente para a sala de aula em escolas públicas.

E foi assim. Pedi remoção de escola, para uma mais central onde tinha vaga e consegui. Chegando lá, apresentei as apostilas do curso de Valores Humanos e a diretora abraçou imediatamente a ideia me pedindo pra fazer isso.

E ainda: as flautas.

Surgiu também a oportunidade de fazer um curso na OSESP em São Paulo que preparava professores para instituir a música em sala de aula e depois os professores poderiam levar os alunos na Sala São Paulo com tudo pago pelo governo. Levei 180 alunos no primeiro ano e 90 alunos no segundo ano que fui obtera capacitação.

Concomitante, eu lecionava flauta para35 professores, diretores, funcionários de escolas públicas que quisessem aplicar o projeto “Flauta Doce um Novo Horizonte & Um toque de cidadania”em suas escolas. Todas as 2as e 6as feiras tínhamos 3 horas de aula que eu preparava mesclando o curso de Valores Humanos e alfabetização em Flauta. No final de um ano tínhamos 6.000 flautistas na cidade. Marcamos um encontro na praça central mas infelizmente choveu torrencialmente no horário marcado e não foi possível todos chegarem e registrarmos este momento.

Fomos nos apresentarno Poliesportivo para receber o Secretário da Educação da época, mas ele faltou ao compromisso.

Foi lindo este projeto.

A música que impulsionava os ânimos e cantávamos antes de começar era AOS QUE VÃO CHEGAR – de Beto Eliezer . Esta letra clama por um futuro promissor.

MINHA HISTÓRIA COM RELAÇÃO A MÚSICA FASE 4: VIDA PARTICULAR , ESCOLA ESTADUAL

Chegou o ano 2000!

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Com ele, vários acontecimentos. Assumi o cargo de Professora Efetiva no Estado, na Escola Prof. Hélio Palermo. Uma escola situada um pouco longe de minha casa, tinha que sair quase meia hora antes, pois a diretora exigia que estivéssemos na escola 10 minutos antes de começarem as aulas, e isso era uma atitude que eu admirava e procurava cumprir.

Sempre procurei escolher as aulas no período em que meus filhos estivessem também na escola, porque em outros horários eu era a mãe-torista e quem acompanhava seus estudos. Meu filho mais novo, com 6 anos e meio estudava perto de casa, mas a escola não permitia que deixasse os alunos muito cedo na escola, teria que ser 10 minutos antes. E os horários coincidiram. Nesta época eu já tinha celular, um “startac”e era por este celular que eu monitorava o motorista da perua que passava em minha casa para buscar meu filho que ficava sentado na frente de casa, numa escadinha, casa sem portão, esperando por ele. Foi o momento mais sofrido desta época. Todos os dias ligar para o motorista pra saber onde estava, se estava chegando, se já pegou meu filho na porta, sozinho, com sua lancheira esperando por ele. Como Deus e os anjos-da-guarda trabalham !!! Meu Deus , isso foi preocupante, exaustivo, sofrido demais, deixar uma criança na porta de casa por 10 minutos sozinha esperando o motorista da VAN que passaria para leva-lo à escola que era o Colégio Objetivo bem próximo de minha casa, mas que eu não poderia deixa-lo lá antes do horário permitido pela instituição. Mas agradecendo a Deus sempre pela proteção.

Eu estava em período de experiência no Estado, sendo colocada à prova por 3 meses, pra ver se correspondia ao cargo e também queria me esforçar para não descumprir nenhuma norma. Mas ocorreu uma urgência. Eu precisei fazer histerectomia ( a retirada do útero). Aproveitei a chance e já fiz redução de mama por causa do peso que prejudicava a coluna e plástica abdominal. Digamos que 3 em 1.Logo em Março já tive que tirar uma licença saúde. Foi compreensível para a diretora da escola que entendeu e não se importou que isso tivesse ocorrido no tempo de ‘ teste’.

Na escola estadualiniciei o trabalho com os alunos através de ‘ retratos’. Estudávamos as biografias dos compositores e eu expunha as imagens na lousa para que eles escolhessem um deles para desenhar. Na época comprei uma coleção de Arthur Moreira Lima com 20 CDs onde ele gravou vários compositorese era o fundo musical para os alunos desenharem e lápis preto número 2 seus retratos preferidos. Depois fizemos uma exposição dos mesmos.

Começaram a ficar curiosos sobre a vida destes músicos eruditos e partimos para o teatro. Em seguida, encenamos suas vidas. Antes, levei para a escola vários encartes de vinil ( raros ) e dava nas mãos dos alunos para lerem em grupos de 3 ou 4 de cada vez. Saíamos da sala e íamos para o jardim, embaixo de árvores ler ao ar livre, para sair daquela sala um pouco. Mas nem todos compreendiam esta atitude e uma das funcionárias resolvia varrer o local onde estávamos justamente na hora que eu ia com eles para lá e jogava folhas e terras em cima de nós, mas permanecíamos ali. Levei também a coleção CRIANÇAS FAMOSAS , que conta a vida deles quando crianças. Reservei o salão para as apresentações e durante uma semana os alunos se caracterizavam com roupas de época, cenas do que leram , trilha sonora da coleção que levei e se sentiam super valorizados porque podiam manusear meu material sem medo. Um dia, a Dirigente de Ensino Ivani Marchesi foi fazer uma visita á escola justamente na hora dos teatros. Sentou-se na primeira fila e gostou demais do trabalho. Nosso camarim foi montado arrastando os armários enfileirados e deixando um espaço de um metro atrás deles para que pudessem fazer naquele corredor os camarins. Como foi produtivo este tempo!

Mas também no ano 2000 quando eu estava dando aula nesta escola, senti uma dor súbita atrás do joelho, fui correndo para o plantão do IAMSPE, já me encaminharam para o vascular de plantão com suspeita de trombose, este já deu encaminhamento pra internação urgente para tomar anticoagulante na veia por uma semana. Eu estava sozinha ali, tendo que buscar meu filho na escola no final da tarde e disse a ele que não daria para fazer isso tão urgente. Ele foi enfático dizendo que se eu virasse a esquina e tivesse uma embolia pulmonar, não seria responsabilidade dele. E ainda acrescentou que foram as 3 cirurgias que fiz ao mesmo tempo que ocasionaram isso. Respirei fundo, fui pra casa, liguei para meu médico ginecologista que me acalmou e disse que não era das cirurgias e que eu consultasse outro vascular, ele mesmo já conseguiu a consulta e aguardei. Mas enquanto isso o outro médico tinha dado um pedido para realizar um exame de contraste para descobrir se tinha um trombo na perna. Fui marcar o exame no mesmo dia que saí da consulta, me deram uma folha para assinar sobre alergias, sendo que eu tinha respondido que não sabia se tinha alergias e a atendente marcou que ‘ não tinha’. Na frente eu corrigi e escrevi: ‘ não sei ‘ em alguns itens. Ela ficou nervosa e disse : agora não vai poder fazer o exame hoje, 4ª feira, vai ter que esperar o doutor , tomar 14 comprimidos no final de semana e vir fazer o exame só na 2ª feira. Ok. Aguardei, tomei os remédios no final de semana e cheguei completamente dopada na 2ª feira para fazer o exame. Quando injetou o iodo de contraste eu tive o choque anafilático e desfaleci, tive aquela EQM ( experiência quase morte) , fiquei por 2 minutos morta.Foi uma experiência linda:

Morrer é muito bom! Pelo menos foi isso que senti ali na hora. Não deu tempo de falar nada a não ser : ‘ doutor, eu...’Pronto... não consegui mais falar nada e imediatamente desprendi do corpo e eu me sentia em dois lugares : no teto da sala de exames olhando para meu corpo lá embaixo na mesa e ao mesmo tempo lá em cima vendo um super SOL que apareceu no canto da sala, uma luz intensa, parecendo um holofote potente ou mesmo um sol, de dentro desta luz um braço que tinha uma veste transparente branca estendeu a mão para mim e eu sentia aquela paz que nunca tinha sentido na vida antes. Eu via lá de cima os enfermeiros correndo para preparar um vidrinho de cortisona para injetar no meu pé e cortar o efeito do iodo. Mas sacudiram o vidro e o médico ficou muito bravo porque fez bolhas, mandou buscarem outro. E de repente ‘ voltei ‘ com o médico com o rosto em cima do meu, fazendo massagem cardíaca para eu voltar e me reanimou.Minha vontade era dizer a ele: - mas como me tirou daquele momento lindo? Por que fez isso? Em seguida recuperei a razão e vi que tinha um filho de 7 anos , outro de 16 e precisava urgente voltar pra casa.Aconteceu um problema : quando foi injetado a cortisona de uma vez pra serem rápidos, arrebentaram muitas veias no meu pé e fiquei com um pé de elefante : 3 meses de cama, tomando anticoagulante, de repouso, e lendo bastante. Lembro-me que uma amiga me trouxe um livro chamado Rapsódia Húngara que era um romance da vida de Franz Liszt. E me deliciava lendo este livro.

A sala antigamente. Hoje é a Sala Franz Liszt e antes ela já foi de tudo. Uma sala que se transformou em cada fase das nossas vidas. Livros e revistas sempre nas cestas, espaço e alegria!

Lembro-me que eu rezava pedindo a Deus que enviasse uma esposa para meu ex-marido que pudesse amar os meus filhos e cuidar deles. E Deus atendeu. Devo a ela a minha tranquilidade, uma mulher exemplar e guerreira que até hoje dá atenção aos meus filhos de forma especial.

O Estado nos enviou para o ano seguinte um rico material produzido pela TV CULTURA sobre orquestra: Pedro e o Lobo de Sergei Prokofiev, onde cada instrumento de orquestra representava um animal. Ouvimos muitas músicas, desenhamos, assistimos os concertos enviados em fita VHS .E num belo dia, um grupo de 3 ou 4 alunos me esperou na saída do salão e emocionados me fizeram um pedido: “ – Professora, a senhora fica passando estes vídeos de violinos e outros instrumentos, concertos, e nóis nunca vai vê isso na vida, num faiz isso com a gente não, nosso mundo é outro, a gente nunca vai pegá um violino na mão.”

Meu Jesus ! Minhas lágrimas vieram à tona, pedi desculpas e prometi a eles que no ano seguinte eu iria ensiná-los a ler partitura e tocarem flauta, e perguntei se gostariam. Afirmaram animados que sim, que era tudo o que queriam.Por obra de Deus, naquele ano vi um documentário sobre o Projeto Guri , falei com a diretora da escola , começamos a ver como funcionava, fui atrás de empresas, de tudo o que indicava na instrução do projeto, até que outra diretora de escola, onde fui pedir para ceder o espaço para que o projeto pudesse vir pra Franca, me disse : isso quem resolve é um político, vamos escrever uma carta. E assim começou a luta para trazermos o projeto Guri. Um deputado na época, viu naquele pedido uma possibilidade de ser reconhecido por este feito e imediatamente foi atrás e conseguiu trazer para a cidade , projeto que funciona até hoje atendendo talvez 600 crianças por ano. Sinto uma alegria enorme quando vejo as crianças pelas ruas com os violinos nas costas, violas, violões, etc. Dá vontade de parar e tirar foto de tão linda cena que é ver um jovem andando pela cidade com seu instrumento nas costas.

E cumprindo a promessa, no ano seguinte, pedi à diretora para providenciar 20 livros de flauta de Maria Aparecida Mahle – Meu primeiro caderno de Flauta Block . E levava para as aulas , os alunos se sentavam em duplas para aprenderem através daquele livro a ler partitura e tocar flauta. Foi mágico! Vale um capítulo somente destes momentos. Por hoje ficamos aqui com a vida particular , vida escolar e familiar caminhando juntas.

E a família me esperando... Acho que por este motivo voltei a viver !!!

Filhos : presentes dos céus! Digo que o primeiro foi a Medalha de Ouro das Olimpíadas da Vida , Lucas. Hemorragia a gravidez inteira e ele veio. Vencemos.

O segundo, Eduardo, foi o Presente que Jesus me enviou . E olha que presente de Jesus é caprichado ! Viva a vida!

E então voltei para eles !

Por eles!

E para a MÚSICA!

MINHA HISTÓRIA COM RELAÇÃO À MÚSICA FASE 3 – CONTINUAÇÃO: VIDA PARTICULAR E ESCOLAS

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​Não me esquecendo destas fotos das fases anteriores, mas colocando-as agora, venho atender aos pedidos daqueles que me recordaram a fase. Enfim, encontrei os registros.

Nesta foto da esquerda para direita : Heloísa Viscome, Luci Ponce, Silvinha Alonso, Elenice Novelino, Márcia, Maria Heloisa R. Alves, Simone. Sentadas: eu e Taciana Viscome.

Conversando com algumas pessoas sobre a FASE 3, fomos relembrando de outras atividades musicais que não foram colocadas nesta fase e ainda a trajetória de vida particular. Vamos continuando a fase 3 :

Era 1992 quando conheci através da Revista Flashback um professor de violão que publicou um anúncio nesta revista pedindo contatos musicais. Naquela época ainda conversávamos via carta pelo correio. Fizemos amizade trocando experiências musicais e até hoje, agora com Whatsapp continuamos a trocar artigos musicais sem nunca termos nos conhecido pessoalmente. Este professor , sabendo do trabalho que iniciei em casa para crianças chamado Musicalizar- Si , onde eu desenvolvia atividades de música, ritmo, coordenação motora, artes em geral com crianças de 3 a 10 anos de idade . Neste ano engravidei do meu segundo filho.

Foi uma gravidez bastante alegre e produtiva musicalmente. Parecia que aquela criança dançava , cantava e falava o tempo todo no ventre.

Neste ano de 1992 também cursava Graduação em Pedagogia.

Apareceu um convite para prestar um exame para implantação de música no Estado de São Paulo, chamava-se Projeto PAM ( Projeto Alfabetização Musical)e eu, grávida de 6 para 7 meses fui prestar a prova na FDE em São Paulo. Eram 5 bancas examinadores, 5 provas das mais variadas habilidades musicais: prova sobre improvisação vocal, prova escrita de teoria, prova de solfejo, de escuta musical, de criatividade, enfim ... passei por todas as bancas e fiquei aguardando o resultado pela Diretoria de Ensino que na época tinha sede em Ribeirão Preto. Como o resultado estava demorando chegar ( pelo telefone fixo ou telegrama) resolvi ligar em São Paulo e saber o resultado. Tinha uma vaga apenas para minha região. E eu passei. Liguei em Ribeirão Preto então, pedindo que me enviassem a confirmação por escrito ( telegrama) , pois estaria com eles esta função. Enviaram e comecei a me preparar. O Estado pagaria ao professor o curso, a estadia em São Paulo, alimentação, tudo, por 30 dias para ser capacitado para desenvolver este projeto na região que compreendia Franca a Pirassununga.

Mas...meu médico Ginecologista na época, o querido Dr Cleomar , me alertou: grávida de 5 meses passar por este enduro, com 35 anos de idade, eu não aconselho. E foi então que escolhi a maternidade, uma escolha divinamente certa, pois não há no mundo recompensa maior do que gerar um filho, que já me trazia tantas alegrias mesmo dentro do ventre. Parecia que nas provas que eu prestava ele pulava lá de dentro me ajudando e incentivando. Hoje acredito que isso realmente aconteceu. ! Em Maio de 1993 ele nasceu com quase 5 kilos, 51 cm e com uma força incrível no comportamento!​

Aquele amigo professor de violão, Paulo de Tarso de Niterói, me incentivou a apresentar uma proposta na Escola Cooperativa de Franca – 1996- que abria suas portas e inscrições para professores de música e outras disciplinas. Apresentei uma proposta escrita em papel vegetal com caneta nanquim à mão, onde na capa coloquei um desenho ilustrativo de uma banda de animais dançando, cantando e tocando instrumentos. Foi aprovada. Lecionei nesta escola para todas as séries da 1ª a 8ª , sendo que em cada uma delas desenvolvíamos algo diferente relacionado à música: bandinha rítmica, expressão corporal, flauta doce, história da música e a partir da 5ª série os alunos entrevistavam profissionais francanos que atuavam nas mais áreas musicais da cidade: Banda Municipal, grupos de Rock, sertanejo, corais, etc. Convidamos os profissionais para irem até a escola se apresentarem para os alunos e também os alunos iam onde eles se apresentavam. Um trabalho rico, prazeroso, mas que não teve continuidade porque a escola instituiu uma ficha individual do aluno onde a cada aula o professor teria que preencher o rendimento do aluno em pelo menos 5 itens e discorrer sobre eles. Eu passava o final de semana fazendo e ainda assim não conseguia terminar porque eram 8 salas e fazer aluno por aluno um relatório semanal era humanamente impossível com tantos itens a discorrer. A burocracia me fez pedir demissão e me afastar deste trabalho.

Foi quando na metade deste ano, lecionando na Escola Mário D´Elia , a diretora me pediu que fizéssemos um trabalho com os alunos mostrando a eles a utilidade de cada disciplina estudada na escola. Surgiu a ideia de entrevistarmos profissionais ligados às áreas correspondentes às disciplinas escolares e escrevermos sua biografia. Na área de Artes, optei pela música, convidando o compositor francano Beto Eliezer, que prontamente nos atendeu e nos inspirou com seu disco Luz no Fim do Túnel que acabou sendo o tema da peça de teatro de mesmo nome, onde a trilha sonora de toda a peça era de seu disco. Em suma, era um trem do metrô com seus passageiros indo trabalhar em suas mais variadas profissões, quando uma nave espacial sequestra o trem e o leva para a Mata Atlântica para observar como as pessoas conseguiriam se localizar e saírem dali mediante os conhecimentos que tinham adquirido nas mais variadas profissões e disciplinas escolares. A peça tinha vários atores, um deles era o ‘ ignorante ‘ que não tinha conhecimento algum e dependia das outras pessoas. Foram homenageados: jogador de basquete da cidade, um historiador, uma professora de Ciências, uma professora de Geografia, o músico que cedeu seu disco para o trabalho e presenteou os alunos, um tradutor de inglês, um poeta e escritor ,etc. Assim, cada profissional relacionado com a disciplina escolar mostrou para quê utilizava os conhecimentos da mesma. Culminou com uma peça de teatro realizada no Teatro Municipal da cidade onde fizemos o cenário com árvores de verdade plantadas em latas de 18 litros emprestadas pelo horto florestal. Foi um acontecimento ímpar! Era então 1996.

Em 1997, fizemos o projeto citado no artigo anterior: Namoro: 500 anos em 50 minutos premiado por Ziraldo.

A partir deste projeto com 150 atores, onde nos apresentamos em vários locais, fui chamada para trabalhar no Colégio Objetivo implantando música e teatro para ser um diferencial e poderem sair do ‘cadernetão’. E realizamos o “Projeto Flicts em busca de seu lugar “ que eram os compositores eruditos – trabalhando o preconceito que todos sofreram. Concomitante, a peça do CEFAM no mesmo ano com 240 atores: “Flicts encontra suas almas gêmeas”. Estes foram citados anteriormente com maiores detalhes. Posteriormente farei artigos somente com fotos e datas para que todos fiquem felizes e possam guardar as fotos!

Neste mesmo ano de 1998, ganhei bolsa quase integral para meus dois filhos para estudarem lá e em 1999 ingressei no curso de pós-graduação em Didática para a Modernidade, com bolsa oferecida pelo Colégio Objetivo em parceria com a UNIFRAN.

Neste ínterim, eu era professora do Estado com aulas eventuais. Para quem não sabe o que é isso: são aulas que podemos pegar quando um professor tira licença, ou é afastado, não se recebe 13º salário, nem férias, e o valor das aulas era menor. Exceto o CEFAM , onde fui convidada a dar aulas mediante uma entrevista e prova.

Também em 1998 prestei concurso para me efetivar como professora de Artes no Estado. Passei e assumi no ano 2000 como efetiva, passando pelos 3 meses de período experimental e depois usufruindo dos benefícios como os outros colegas já efetivados.

1999. A pós graduação em Didática para a Modernidade, teve como TCC ( trabalho de conclusão de curso) o tema : MÚSICA ERUDITA : DIAMANTE E ÁGUA. Neste trabalho relatei as experiências vividas em creches, escolas públicas e particulares e argumentei sobre o valor da música fazendo a equivalência ao diamante, sua resistência, seu brilho, durabilidade, se for lapidado adquire mais valor no mercado e à água que permeia qualquer lugar, é límpida, fonte de vida, simboliza o que há de mais puro. Quando passei pela banca final, me convidaram para escrever o Doutorado sem passar pelo mestrado. Mas o tempo era todo dedicado a ser mãe, dona de casa, professora do Estado, dar algumas aulas de piano e preparar aulas. Recusei porque teria que pedir licença sem remuneração por 2 anos.E neste ano de 1998, em Julho teve outro acontecimento na vida particular: me separei judicialmente e teria que seguir a vida com os dois filhos e mais responsabilidades.

Estou escrevendo tudo isso porque tenho ouvido insistentemente perguntas sobre minha vida particular aliada à profissional, como foi, como é, como podemos conciliar e me pedem para escrever, publicar no facebook, fazer vídeos , pois dou assessoria para professores de Arte implantando música nas escolas. Resolvi atende-los em sua curiosidade ou necessidade de saber como funcionou, registrando aqui onde tenho a coluna semanal. A recusa em ‘ falar de minha pessoa’ era grande , primeiro porque cada pessoa é uma, e a vida de uma não vai ser igual á de outra, se for o caso de servir de alguma inspiração. Segundo, porque é desagradável falar de si mesmo, parece-me egocentrismo. Mas cedi, devido ao número de pedidos. E por fim agradeço porque isso está me proporcionando fazer uma análise neste resumo cronológico do que realmente foi minha vida. Não tinha parado para analisar ainda. Obrigada ao Jornal que disponibiliza a Coluna semanal e obrigada a todos que me pediram para fazer este tipo de relato.

Peço também desculpas pela FASE 3 da última semana onde tentei resumir e acabei me esquecendo de fatos, projetos, pessoas, estou tentando organizar agora.

Em 1999 no Colégio Objetivo, em parceria com a Diretora da Escola,( a inesquecível Tia Su – Sueli Baldoino a quem devo gratidão pela imensa ajuda que me deu enquanto estive lá) realizamos o projeto VI * VENDO FRANCA que consistiu em paródias de músicas de compositores francanos sobre a História e lugares da cidade de Franca, culminando em um CD de mesmo nome. Fomos com as crianças para o estúdio, os CDs foram gravados profissionalmente, distribuídos para os alunos, Tia Su se encarregou de fazer contato com os patrocinadores e ficou um trabalho bastante rico.

Ainda no Colégio Objetivo realizamos projetos sobre os EFEITOS DA MÚSICA – um deles no Trânsito. O outro em sala de aula nas provas de Matemática. Foram para a UNIFRAN e estão nos anais da Iniciação Científica.

Caros amigos professores de Arte que me pedem estes relatos: a música tem um universo de possibilidades, a Arte também. Temos vida particular sim, conciliar tudo é uma questão de envolver os filhos ou familiares em suas atividades para que também usufruam dos benefícios da Arte. A União é a chave! E lá na frente poderão olhar para trás e ver o quanto fez diferença para as pessoas!

Viva a Música! Viva a Arte!​

Escola Cooperativa. Bandinha Rítmica com instrumentos confeccionados por eles.

Alguns alunos de Piano Conservatório Pestalozzi 1982.

Escola Dinâmica Espiral:

Pianista da Bandinha Rítmica da Escola Dinâmica Espiral

Profissionais homenageados no Projeto Luz No fim do Túnel:

Luz no fim do túnel – Peça de Teatro

BANDINHA RÍTMICA DA CRECHE JOSÉ MARQUES GARCIA

PROJETO MÚSICA NO TRÂNSITO – SENSIBILIZAÇÃO – COLÉGIO OBJETIVO

Flautas na inauguração da Praça Nossa Senhora da Conceição

Gravação do CD VI*VENDO FRANCA – no Estúdio – alunos Colégio Objetivo.​

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.

MINHA HISTÓRIA COM RELAÇÃO À MÚSICA FASE 3: A MÚSICA NAS ESCOLAS

Era 1988.

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A Diretoria de Ensino de Franca publicou um chamado para professores de Arte, para se inscreverem com urgência, foi quando iniciei na Escola Amália Pimentelno dia 18 de Maio. Havia me formado em Educação Artística em 1979 mas não pretendia lecionar em escolas, pois minha habilidade era musical. Mas chegando na escola e tendo como diretor Sr Vicente Benate que percebeu minha veia para a música, incentivou-me a trabalhar com as crianças do Ciclo Básico priorizando este vertente da Arte. Foi o que fiz e para minha surpresa foi bastante agradável dançar com eles, organizar teatros musicados, bandinhas rítmicas, expressões corporais, origami e até um campeonato de pipas.

Temos habilidades que não conhecemos ou talvez meus pais tenham me colocado em cursos variados de Desenho, Pintura, bordado, datilografia, violão, piano,além de ter tido uma infância bastante criativa em brincadeiras , amarelinhas na rua, no fundo do quintal montávamos teatro, estendíamos lençóis nos varais , fazíamos o palco e apresentávamos nossas peças de teatro, brincávamos de escolinha, subíamos nas árvores colhendo as frutas e de vez em quando fazendo moradia nas árvores. Tudo isso contribuiu para que eu pudesse lecionar com criatividade e alegria. Eu fui uma criança que brincou muito. Estudava bastante por exigência dos meus pais, mas nas férias... o dia inteiro inventando coisas pra brincar.  Atravessava às vezes a cidade e ia para o Bairro Santa Rita onde tinha um buracão onde levávamos papelão pra escorregar e às vezes sem papelão mesmo e voltava pra casa toda suja mas feliz!

Até 1996 fiquei nesta escola que me proporcionou explorar todo meu potencial criativo, fizemos o Dia da Vovó , com horta de plantas medicinais e deixamos um livro com as páginas escritas pelas crianças com receitas medicinais das vovós. O diretor da escola acolhia todos os projetos e ajudava em cada um deles com seu incentivo e presença. Certa vez levamos 100 crianças para cantarem no anfiteatro da Universidade de Franca e o diretor tocou atabaque pra nós. Época boa.

Depois disso, o Estado dividiu as escolas de Ciclo Básico, Ensino Fundamental e Médio e fui transferida para Escola Mário Déliaque igualmente acolheu os projetos relacionados à música e fizemos 3 peças de teatro grandes, uma delas sendo requisitada por escolas particulares , para que apresentássemos para eles. Eram 150 alunos atores fantasiados de época, na peça de nome NAMORO: 500 ANOS EM 50 MINUTOS, criada especialmente para o Projeto Prevenção Também se Ensina , onde abordávamos a História da Música desde o descobrimento do Brasil até a década de 90, circundada por fatos históricos de cada época, doenças, imigração, entremeando os cuidados com prevenção às doenças DST e AIDS.  A vice-diretoraEvangelina , grande incentivadora também)  nos inscreveu no Concurso da Melhoramentos. E ganhamos! 

1999. CEFAM num projeto maravilhoso de música e teatro com o título : FLICTS ENCONTRA SUAS ALMAS GÊMEAS, que também foi realizado no Colégio Objetivo com o título FLICTS EM BUSCA DE SEU LUGAR. Ambos projetos tratava da História da Música e o personagem Flicts participando da conscientização sobre o Preconceito, pois Flics era uma cor que não era aceita em nenhum lugar, assim como os músicos eruditos que sofreram tanto para serem reconhecidos. Bastante leitura, figurinos de época, adereços e apresentamos a peça do CEFAM com 240 atores para escolas infantis que lotaram o Teatro Municipal da cidade. 

UMA CENA DE FLICTS E O MENINO MALUQUINHO PASSEANDO NA ÉPOCA DE MOZART.

Ganhamos por 2 anos consecutivos o Prêmio da Editora Melhoramentos e Ziraldo  por causa destes projetos que promoveram a leitura e cultura geral.

Em 1998 prestei concurso para me efetivar no Estado porque até então, trabalhava como professora eventual, não recebia férias nem os benefícios que o cargo oferecia. Fui para a escolha em São Paulo e tinham 2 opções quando chegou minha vez : Praia Grande ou Escola Hélio Palermo, na periferia de Franca. Assumi no ano 2000.  Foi um período maravilhoso com alunos ávidos pela música e realizamos um projeto de teatro com a vida dos compositores, desenhos de seus rostos e no ano seguinte a pedido deles : aprenderam a ler partituras tocando flauta doce. Os ensaios eram de 400 alunos na quadra, eu os regia com o acompanhamento no teclado e era um silêncio total para os ensaios, eles não queriam perder esta oportunidade de ouro. Fui incentivada pela diretora da escola Mary Spagnolo e a viceMaria Lúcia Silva, e a coordenadora . Sem o apoio da vice que acompanhava as flautas para onde fôssemos, seria difícil. Levamos os 400 alunos para tocarem na praça Barão, foi um momento único.  Fomos convidados para tocar no Jantar do Congresso da CTBC onde o tema era : Com pouco se faz o muito.

Grupo de alunos de FLAUTA DOCE – Ensaiando na quadra e depois alguns se apresentando no Congresso da CTBC.

Antes disso, tive um problema de saúde assim que assumi, fiz retirada do útero e 5 meses depois tive trombose. Para ser diagnosticada passei por um exame de contraste que me deu um choque anafilático. Fiquei morta por 2 minutos. E esta experiência inesquecível foi linda, suave, reconfortante, posso dizer que morrer é a coisa mais linda, a sensação de alívio que dá é algo indescritível. Vi tudo que descrevem ...a luz parecendo um sol, um ser angelical, e uma paz divina! Observava os procedimentos que faziam para me salvar : injetar cortisona, fazer massagem no peito, etc. E nenhum medo, nenhuma sensação ruim . Apenas PAZ!

Mas fui reanimada e voltei. Isso foi no ano 2000.

Em 2001 montei a Casa dos Músicos. Mas isso é um assunto para outro dia!

E salve a música ! Ela traz alegria às escolas! Realização pessoal e auto-estima elevada aos alunos! 

MINHA HISTÓRIA COM RELAÇÃO À MÚSICA FASE 2

Profissão e maternidade

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​Continuando a trajetória de uma professora de piano, como me pediram pra escrever, vou tentar resumir bastante.

Agora me tornei professora da Escola Técnica Musical Pestalozzi, uma Fundação Educacional de renome em Franca, idealizada pelo Dr. Thomaz Novelino e sua esposa Maria Aparecida Novelino. Merecem reverência eterna por esta iniciativa!

Alguns alunos particulares continuaram tendo aula em minha casa, pois não podiam assumir o valor de um cursono Conservatório. Mas outros foram para lá e continuaram os estudos. Era 1977.

Meus alunos e alunos da professora Maria Angela L. Folgosi no Salão Anália Franco em 1978.

Ganhei o Prêmio Governador do Estado, diploma e medalha de ouro como melhor aluna de piano. Mas nada disso tinha importância para mim a não ser ensinar outras pessoas a tocarem piano e também estudar para o Aperfeiçoamento.

Entrei na Faculdade Pestalozzi, que um ano depois se tornou UNIFRAN, para fazer o curso de Educação Artística. Foram 3 anos intensos. Manhã , desde as 7 horas e à tarde até 18 h ,dando aulas de piano, à noite a faculdade e das 23 haté 01 da manhã estudando piano para o aperfeiçoamento,no abafador ( pedal surdina),para não incomodar ninguém. Temos que aproveitar a juventude e a saúde!

Na falta de algum aluno, ia para o piano estudar, tanto em casa como no Conservatório e assim, o piano foi meu remédio, meu alento, minha fuga, meu presente, meu bálsamo, minha vida! O piano me salvou de uma depressão, pois perder um pai que era meu melhor amigo e representava tudo na vida pra mim, não foi fácil. Salve a música! O piano e quem me deu a oportunidade de trabalhar lecionando, alunos, mestres e Instituição Educacional!

Foi uma época de ouro, onde pude ganhar muito dinheiro, a Fundação pagava muito bem e ainda distribuía os lucros aos funcionários, todo mês de Setembro. Era um Educandário, tinha fábrica de calçados, Creche, Ensino Fundamental e Médio, Conservatório, Observatório astronômico, Fazenda,Orquidário... Uma potência, sem fins lucrativos.

Quando me casei, depois de 3 meses engravidei e tive uma gestação difícil, me afastei das aulas com licença saúde ia e voltava o ano todo e os alunos sentiram muito. Depois que meu filho nasceu, ainda continuei trabalhando, mas foi ficando inviável pois, não tinha com quem deixa-lo e queria muito estar presente em seu crescimento. Fui conversar com Dona Aparecida Novelino e pedi um acordo, para liberarem meu FGTS para que eu pudesse cuidar da família. Ela, sábia, me disse que esta agora era minha missão maior e que quando eu quisesse voltar as portas estariam abertas. Fizemos o acordo e o acerto. Pude equipar minha casa que não tinha nem TV, comprei vários eletrodomésticos e quitamos compromissos assumidos anteriormente.

Um músico tem o lado familiar. Tem o lado pessoal. E mãe tem o chamado forte de cuidar de um filho. Foi o que fiz.

Meu piano continuou na casa de minha mãe porque não cabia na nova casa. Continuei dando algumas aulas lá, alguns alunos do conservatório não quiseram continuar os estudos lá e vieram ter aulas particulares.

Com uma parte do acerto que tinha feito na Instituição montei uma loja de artigos para bebês, na casa de minha mãe, na salinha onde antes ficava o piano. Podia levar meu filho, trabalhar no período da tarde até 20 h e voltar para casa na loja e dando aulas de piano. Fizemos um investimento contando com juros baixos de 3%que de repente de um mês ao outro se tornaram 33% por uma medida do Governo Collor. Foi a derrocada. A loja faliu.

Quando meu filho estava com 9 meses, começou a ter infecções de garganta repetidamente e no período de 1 ano e 2 meses ele teve 28 amigdalites chegando a se tornar septicemia. Não sabíamos a causa, que só foi descoberta quando ele tinha 5 anos de idade : alergia à lactose. Foi internado em Ribeirão Preto, particular, no Hospital São Lucase graças a Deus pude vender o carro que tinha comprado com herança de meu pai, vender terreno que eu tinha comprado como investimento, telefones que antigamente eram investimento, e poupança que tinha feito para poder pagar o Hospital . Aleluia! Meu filho conseguiu se recuperar e saiu do hospital depois de 15 dias internado entre a vida e a morte, com 2 anos e meio de idade. Quanto sofrimento! Quanto aprendizado! Quanta gratidão a Deus por aquele bebê lindo, que nos ensinava tanto, ter se recuperado! E fizemos o Natal mais feliz de nossas vidas, ele ganhou sua bicicletinha e até o Papai Noel da Acif foi em casa visita-lo. Só alegria!

A música estava ali presente, na alma. Eu cantava pra ele todo o tempo em que estávamos em casa, desde o primeiro dia, no banho, nas brincadeiras, em tudo. Era cantar para este bebê maravilhoso que recebemos como presente divino e que passei a chamar de Medalha de Ouro nas Olimpíadas da Vida.

Mas as dificuldades financeiras batiam à porta, minha casa financiada estava prestes a ser penhorada, meu marido era recém-formado em Odontologia, poucos clientes e não sabia cobrar pelo serviço. Seguindo o conselho de minha mãe, me inscrevi para dar aulas no Estado, como professora de Artes. Era 1988.E fiquei no Estado até 2010, quando me aposentei juntando tempo de serviço em escola particular e tempo de serviço no Estado, totalizando 33 anos de registro na Educação, sem contar o tempo de registro desde os 15 anos de idade na farmácia que meu pai tinha e eu trabalhava nas férias com ele.

Esta foi a segunda fase, digamos assim.

Minha história com relação à música

FASE 1

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Dias atrás, uma senhora de Brasília curtiu uma de minhas páginas no Facebook e me pediu que contasse minha história e trajetória profissional.

Com 3 anos de idade contavam meus pais que eu tocava piano no ar, sem nunca ter visto um piano antes e dizia que queria aprender a tocar.

Aos 7 anos me colocaram para estudar piano no Conservatório Jesus Maria José, a uma quadra e meia de minha casa. Fiquei estudando com ela até os 13 anos de idade, quando meus pais me trocaram de professora. O Conservatório foi vendido para uma instituição espírita que ficava mais longe de minha casa. E eu tinha uma vizinha bem próxima que dava aulas de piano em casa, só tinha uma casa entre as nossas. Comecei aulas com ela, embora meus pais recomendassem para que eu não ficasse brincando de amarelinha na rua com os filhos dela.

Antes dessa, fiz uma aula com uma professora renomada na cidade, bem antiga, que era bastante severa e usava bater com a régua nos alunos, apontava os lápis e espetava os alunos que não mantivessem os pulsos retos. Tive apenas uma aula e pedi a meus pais que me tirassem de lá. Eu ainda não tinha o piano para estudar.

Quando fui estudar com a vizinha, ela conscientizou meu pai da importância de ter um piano em casa para estudo. E ele então adquiriu o instrumento. Não sei como a outra professora não conversou com ele a respeito. Antes, eu estudava duas vezes por semana por meia hora no piano que as freiras do Colégio emprestavam. Faltavam as ‘ tampinhas’ das teclas , tinha cola endurecida, machucava os dedos e o tempo que eu tinha para estudar era insuficiente.

Logo depois, a professora particular me transferiu para o Conservatório espírita onde ela foi dar aulas. E este conservatório se transformou em Escola Técnica , onde me formei em piano e depois em Suprimento também em piano . Após minha primeira formatura, me convidaram para dar aulas lá.

Meu pai faleceu no último ano de meu curso de piano e eu quis largar os estudos pois o luto em minha casa não permitia soar um piano. Mas o Conservatório me cedeu uma sala durante os últimos 3 meses do ano  para que eu estudasse a música de formatura que recebi no dia 18 de Setembro e teria que tocá-la impecavelmente no dia 18 de Dezembro.

Em casa, meu pai se sentava na sala na ‘ cadeira do papai ‘ logo após o almoço e tirava seu cochilo de 15 minutos , enquanto eu me sentava ao piano e estudava as técnicas. Minha mãe chamava minha atenção para que o deixasse descansar e ele respondia que descansava ouvindo o som do piano mais do que no silêncio.

Quando ganhei o piano, aos 13 anos e meio, quis tirar todo o atraso e estudar o quanto pudesse. Lembro-me que tive o privilégio de receber a partitura do Tico-Tico no Fubá para estudar e me dediquei com afinco como quem recebe uma prancha em alto mar para não se afogar e chegar até à praia.

Vendo esta minha sede por tocar, estudando muito, descobrindo sozinha as formas de fazer as músicas soarem melhor trabalhando a técnica, a nova professora começou a me dar partituras cada vez mais trabalhosas e vistosas. Meu pai se orgulhava, pois era cumprimentado a cada final de audição de piano.

O baque de sua morte transformou minha vida. Fiquei um ano perdida, foi tão intensa a perda e o choque que não consigo me lembrar daquele ano, parece que nem existiu, embora fosse o ano da minha formatura de piano.

Com 18 anos, prestes a prestar vestibular para Psicologia, abandonei o cursinho e fiquei somente com o piano. Estava dispendioso para minha mãe manter os dois. Eu tinha alunos particulares de piano mas cobrava pouco, não dava para manter os cursos. E além disso tanto para um quanto para outro tinha que estudar muito. Formatura e vestibular.

Chegou o dia da formatura, me sentei ao piano , a plateia e a mesa que compunha a formalidade do evento, silenciaram de tal forma que parecia não ter ninguém no auditório completamente lotado. Parece que esperavam pelo momento em que eu iria parar de tocar e começar a chorar de saudade do meu pai que tinha falecido há alguns meses. Mas consegui ir até o final, de cor, sem erros, fui aplaudida de pé e neste momento o diretor financeiro da Fundação me ofereceu uma bolsa de estudos por 2 anos pago pela Instituição para me aperfeiçoar na Alemanha. Recusei. Não conseguia dar um passo além. Então me ofereceram um curso em Curitiba por 1 mês como prêmio pelo curso. Fui, mas chegando lá era um pensionato de freiras que apagava as luzes às 21 horas e eu sozinha nas férias naquele quarto com 10 camas, não conseguia dormir. Fui ao curso e não conseguia me concentrar, pensando no meu pai , em minha mãe sozinha com uma filha de 12 anos e uma porção de incumbências. Voltei chorando e abandonei o curso.

De volta, o ano escolar se iniciava em Fevereiro, tinha 18 alunos em casa e o Conservatório me convidou para dar aulas na Instituição levando meus alunos para lá. Então os que se dispuseram a se matricular foram. Os outros continuaram como alunos particulares.

E assim, iniciei a vida profissional oficialmente registrada numa Fundação de renome, que me acolheu de braços abertos.


TUDO É SOM. TUDO É FREQUÊNCIA. TUDO É ONDA.

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Convido as gerações atuais, adultos, que podem interferir na sociedade de uma forma ou de outra, que atentem para as várias culturas existentes no mundo e o resultado de suas condutas, sucessos e insucessos, mediante o cuidado que se tem com a música que se professa no país, e a música a que as crianças são submetidas desde cedo.

No livro O PODER OCULTO DA MÚSICA – a transformação do homem pela energia da música - de David Tame, ele nos convida no próprio título a repensar o que a música traz para cada cultura.

Num de seus capítulos, “ A MÚSICA COMO MOLDE PARA A SOCIEDADE”  Peço licença para transcrever um trecho apenas :

“Tomemos a China como exemplo:

“ Todos os anos, no segundo mês, poderia encontrar-se o Imperador Shun jornadeando para o Leste, a fim de passar revista ao seu reino e certificar-se de que tudo estava em ordem no imenso território. Entretanto, não o fazia verificando os livros de contabilidade das diferentes regiões. Nem observando o modo de vida da população, nem recebendo petições dos súditos. E tampouco entrevistando os funcionários regionais em posição de mando. Não, não empregava nenhum desses métodos, Pois na China antiga se supunha haver um método muito mais revelador, acurado e científico de averiguar o estado da nação. De acordo com o antigo texto chinês Shu King , o imperador Shu Shun percorria os diferentes territórios e ... experimentava as alturas exatas das suas notas musicais.

De volta ao palácio, se desejasse controlar a eficiência do governo central, que fazia ele? Buscava pareceres de entendidos em traçar normas de viver? Examinava a economia, ou o estado da opinião pública?

O imperador não desconhecia nenhum dos métodos acimae, em determinadas ocasiões, é possível que recorresse a todos eles. Mas, o mais importante, cria ele, era ouvir e verificar as cinco notas da antiga escala musical chinesa. Mandava vir à sua presença os oito tipos de instrumentos musicais conhecidos na China e ordenava que fossem tocados por músicos. Em seguida, ouvia as canções populares locais e as árias cantadas na própria corte, verificando se toda essa música estava em perfeita correspondência com os cinco tons. (...) Consoante a filosofia dos antigos chineses, a música era a base de TUDO. Eles acreditavam, em particular, que todas as civilizações se afeiçoam e moldam de acordo com o tipo de música que nelas se executa.. A música de uma civilização era melancólica, romântica? Nesse caso, o próprio povo seria romântico. Era vigorosa e militar? Então, os vizinhos dessa nação devem se acautelar. Além disso, uma civilização permanecia estável e inalterada enquanto a sua música permanecesse inalterada. Mas o mudar da música ouvida pelo povo levaria inevitavelmente a uma mudança do próprio estilo de vida.”

Por este pequeno trecho deste livro precioso que nos traz reflexões importantíssimas, podemos parar e pensar por que tantas ações passionais? Por que tantos crimes passionais? Por que tanta depressão? A música deveria trazer alento à alma, alegria, amor à vida, porque os sons podem provocar a mudança de humor. Mas o que temos? Sexo, ações primitivas, instinto, agressividade, pessoas jogando nos microfones suas piores frustrações para milhares de pessoas.

(...) E se a música que o imperador ouvisse executada nas aldeias tivesse desatado a tornar-se vulgar e imoral, não duvidaria o imperador de que a própria imoralidade se estenderia pela nação, a menos que se fizesse alguma coisa para corrigir a música.”

Vejam o quanto é sério tudo isso. A gravidade do som que se ouve ser curativo ou altamente destrutivo em qualquer sentido.

O mesmo nível de importância que os políticos de hoje atribuiriam a assuntos miliares ou econômicos, atribuía Confúcio à música do reino.”

David Tame – O poder oculto da música – trechos das páginas 16 e 17.

E acreditem: tem muito mais para se pensar, refletir e considerar.

O que você ouve?

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.

O que a música faz por você?

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​São tantos os depoimentos que tenho visto, ouvido, lido, mas a pergunta hoje fica para você que lê este artigo: O que a música faz por você?

Quando acessamos o Universo do Som , muitas coisas podem acontecer sem que possamos nos dar conta que foi obra das melodias que ouvimos.

Outro dia um rapaz me contou que trabalhava ouvindo Heavy Metal e percebeu que estava tendo dores estomacais, queimação e então resolveu ouvir os sambas tradicionais brasileiros, melodiosos, que trazem alegria e percebeu que seus sintomas foram desaparecendo.

O SOM ENTRA SEM PEDIR LICENÇA E ATUA!

Uma aluna um dia chegou muito tensa com vários problemas e começamos a tocar a 4 mãos uma peça de Czerny, várias páginas. Fizemos por duas vezes e quando terminamos ela disse: - “ Nossa! Como estou aliviada! O piano me tirou dos problemas!”

O SOM ENTRA SEM PEDIR LICENÇA E ATUA!

Quando a pessoa se PREDISPÕE a aceitar o som, porque também tem este detalhe – nossa mente cria boicotes – a pessoa muda a frequência e absorve o que está ouvindo porque tudo é onda, pensamento é onda, sentimento é onda, som é onda.

Uma criança bastante agitada pode perfeitamente se tranquilizar quando resolve aprender um instrumento musical e aos poucos ir centrando, aprendendo a respirar, se concentrar, observar os pequenos detalhes e com isso fazendo este ato de estudar piano por exemplo com tudo o que envolve este desenvolvimento, fazer reverberar em suas atitudes, em seu comportamento, em suas atividades diárias, em seus estudos e na vida.

Um adulto ansioso – e vemos que a maioria hoje em dia sofre com isso – que consegue ouvir as instruções para os estudos, aceita, acolhe e pratica, vai percebendo a mudança que ocorre dentro de si mesmo. Em casa, quando se senta ao piano e vai tocar, muda a frequência na hora. Se existe ansiedade, ela ameniza, se existe tristeza, ela se dissipa, se existe raiva pode desafogar no piano. São tantos os benefícios que ouço as pessoas relatarem que se pudéssemos oferecer este estudo sistemático, atencioso, detalhista a todas as pessoas, teríamos seres humanos mais centrados e felizes.

Passeando pelas redes sociais vejo aquele exagero de convite à beleza externa, isso faz com que as pessoas não se aceitem e tentem modificar o externo cada vez mais, para que sejam aceitas pela sociedade por algo que aparentem ser.

Já passou da hora de priorizarmos o que somos, conhecermos quem somos, desenvolvermos habilidades e competências que nos tragam saciedade de alma! O estudo do instrumento oferece isso.

A superficialidade, o efêmero só traz danos à alma!

E te pergunto : o que a música faz por você?

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.

A DOR E A MÚSICA

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​Temos visto várias experiências em hospitais relatando o quanto a música diminui a dor de pacientes em vários tipos de doenças, sentindo dores e sendo aliviadas com apenas o som que ouvem.

Venho hoje falar da dor emocional.

Concentro-me em Bach. Johann Sebastian Bach , nascido em 1685, nos deixou um legado sobre a estrutura musical, a forma de se escrever música, mas também os sons que ele dedicava a Deus, pois nem assinava suas composições como sendo dele. Apenas escrevia logo abaixo das partituras compostas : “Somente a Deus a glória”.

E são a estes sons que me entrego nos momentos de profunda conversa com Deus.

Bach teve 20 filhos, duas esposas e uma tranquilidade invejável. Entregou-se à tarefa de nos facilitar a vida dedicando-se à forma da escrita musical.

Certa vez, conversando com uma pessoa que fazia tratamento psicológico, ela me relatou o seguinte: -“ minha terapeuta me indicou ouvir Bach que é compatível com minhas inquietações que nunca terminam, pois ele vai criando os sons em círculos que sempre voltam ao mesmo lugar e eu preciso ouvi-lo e sentir que a vida é cíclica. Ele demora para “resolver” no acorde final e vai circulando, circulando até que consegue enfim dar um suspiro e terminar.”

Isso ficou sempre em minha mente, naquele momento até discordei disso, pois pensei que fosse melhor sair do círculo e resolver logo a situação. Mas tem certos problemas na vida que insistem em ficar circulando indo e voltando até que possamos suspirar e entender que terminaram.

Mas sabendo de sua biografia, de sua religiosidade na Igreja Protestante, e que ele fazia músicas para Deus e assinava como vindas de Deus para ele e entregue a nós como sendo sons da mais alta vibração do divino, penso que 334 anos depois do seu nascimento e 269 anos depois de sua morte, temos este legado para acalmar nossas almas e saber que somos guiados pelo divino, se nós deixarmos, como assim ele o fez!

Momentos de dor são curados por músicas que emanam fé.

Talvez inicialmente tenhamos que nos conectar às músicas que são compatíveis com nossos sentimentos e aflições masestas músicas que só emanam aflições, servem para potencializar as mesmas.

A música tem o poder de nos transportar para um lugar diferente de onde estamos, e basta procurarmos as músicas que nos levem para esferas superiores, lugares reconfortantes, bálsamos para a alma. Talvez por isso, ela nos tire a dor.

Em Deus não há dor. Há acolhimento! Há vigor. Há esperança! Há vida!

Brahms muitas vezes me transporta para a profundidade da vida. Brahms foi profundo, sério, buscou na natureza muitas vezes as suas inspirações. E a natureza também é nosso bálsamo!

Brahms era nostálgico também e ao mesmo tempo vibrante em suas saudades de infância. Transportou para a música a alegria de sua infância no cortiço em que nasceu e morou na periferia de Hamburgo através da Dança Húngara n.5.

Inspirou-se na alegria dos ciganos para compor suas Danças Húngaras. Quando visitou Schumann, professor de composição, o mesmo se encantou com as novidades que Brahms trazia.

BBB .. . que não tem nada de semelhante com os programas de TV ... Os 3 grandes Bs da música : BACH, BEETHOVEN E BRAHMS ....

Beethoven se superou, tanto pela infância conturbada, como pelos desencontros amorosos e depois pela surdez. Ele se superou e nos deixou obras de grande superação, talento e elevação de alma.

Deixa-nos um espetáculo na 9ª Sinfonia, quando compôs completamente surdo . Quando lhe perguntaram escrevendo em seu caderninho : - como compõe sendo totalmente surdo? Ao que ele responde : - “EU OUÇO SONS CELESTIAIS!”

Que estes bálsamos curem nossas almas tão sofridas por nossos pequenos desafios que se tornam gigantescos conforme lhes damos poder e valor.

Obrigada aos 3 Bs da música !

Saúdo-os no mais profundo ato de gratidão!​

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.


Setembro – prevenção ao Suicídio Depoimento de uma “criança “ salva pela música:

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“Hoje sou adulta, já fui casada, tive filhos, netos, trabalhei em vários tipos de lugares, estou no final da existência, corpo envelhecido e mente cada vez mais buscando entender as pessoas e principalmente a mim mesma.

Quando eu era ainda muito pequena, fui abusada sexualmente por um ídolo da família. Achava que aquilo era normal, pois eu mal sabia falar, nem sabia escrever, tinha sonhos, espontaneidade, alegria, vivacidade, e fui criando uma ideia de que sexualidade era algo permitido dentro das quatro paredes de um lar, de forma velada, e que nunca poderia ser diferente. Família grande, casa sempre cheia de pessoas, classe média quase alta, pessoas respeitadas em seus cargos desempenhados na sociedade, mas aquela coisa escondida dentro de casa que para uma criança era normal e assim era a vida, ficou registrada de formas negativas no decorrer da vida.

Esta jovem que me tornei era pura como criança, mas com apetite sexual bloqueado porque o certo era aquilo ocorrer somente dentro do lar, de forma velada.

O tempo foi passando, me mudei de cidade, conheci um rapaz que se assemelhava ao ídolo familiar e me casei com ele, porque me prometia proteção. Eu estava desamparada na vida, no lugar onde me encontrava, e me apeguei como tábua de salvação.

Ele acabou por ser um grande torturador desta criança que não havia crescido e aconteceram fatos que a criança ficou assustada e com medo, cada vez mais medo da vida e das pessoas.

Um belo dia, ouvi uma música instrumental, e senti um acolhimento extraordinário como se Deus viesse me salvar. Posteriormente descobri que era uma música clássica do período Barroco. Entrei neste mundo, fui aprender a cantar, tocar vários instrumentos musicais até me encontrar de fato num deles, o violoncelo. Estudei como se aquilo fosse o alimento mais precioso para minha vida, horas e horas e horas estudando, entrando naquele instrumento e ele em mim como se fôssemos uma coisa só.

A música me salvou de minhas dores e das lembranças que de alguma forma foram apagadas para que eu não pudesse decodificar o que estava acontecendo.

Na adolescência, nos meus quinze anos, fui passear noutra cidade com um parente e chegando na casa de uma senhora que era tia mais velha, estávamos esperando-a para o almoço e este parente também mais velho, um homem maduro com família, deu-me um selinho, e levei um susto muito grande, abraçados como se fôssemos o protetor e a protegida, ele me beija na boca, um selinho quase demorado demais.

Algo se rompeu dentro de mim. Eu não poderia confiar nas pessoas, elas me enxergam como um objeto de desejo. Bonita, pura, angelical, serena, alegre, extrovertida, era vista como objeto à venda para qualquer um pegar e experimentar.

Voltei para minha cidade em silêncio total, cheguei e foi correndo pegar meu violoncelo e estudar, estudar, estudar e esquecer aquele fato que este familiar me pedira segredo para não acontecer uma tragédia em família.

E hoje, embora envelhecida, não aparento a idade que tenho por fora, uns dez ou quinze anos menos, ainda sou vista como objeto e isso é algo que fere profundamente o ser humano aqui dentro, a alma buscando alegria na vida.

Recorro sempre à música, pois ela me transporta para um mundo quase perfeito, a música clássica me preenche, me faz entender que Deus soprou no ouvido destes compositores barrocos, um pouco da Sua generosidade para com a humanidade, deixando estes presentes em forma de sons.

Não fosse pelo meu violoncelo, por estas músicas que me transportam para o divino, provavelmente eu seria mais uma vítima do suicídio pois a dor que uma pessoa sente em ser vista como objeto é tão grande e inexplicável, onde forma aquele vazio, aquela falta de compreensão de mundo, aquele buraco negro dentro da pessoa que só é vista para saciar algo momentâneo no outro. Um animal querendo ser saciado por um ser angelical, pois é assim que me sinto – mais anjo do que matéria, mais espírito do que corpo, mais etérea do que sólida.

Que os homens desta Terra evoluam em seus sentimentos, equilibrem-se em seus desejos e comecem a ver uma alma e não um corpo, uma pessoa e não um objeto o qual eles se acham no direito de invadir.

Este relato sem assinatura, faço questão de compartilhar com a área da Psicologia, a qual sou cliente assídua sem nunca ter conseguido me livrar da cicatriz deixada por abusos , assédios, investidas de animais que só usam o instinto para sobreviver.

Que a música preencha os corações de todas as mulheres que como eu, sentiram vontade de morrer todas as vezes que são assediadas, vistas como numa vitrine, ou prateleira de uma mercearia onde quem quiser pode pegar o produto, passar a mão e comprar ou roubar ou somente cheirar, experimentar e ir embora.

Uma cliente assídua da Psicologia .

Não pude deixar de registrar este relato, colocado num grupo de WhatsApp, sem assinatura, mas que vem neste mês de Setembro dedicado à prevenção do suicídio, registrar aqui na coluna sobre MÚSICA, a importância de se oferecer a uma criança a oportunidade de estudar um instrumento musical.

Muitas pessoas são salvas por esta entrega ao estudo da música, para se transportarem ao mundo sutil, aliviando dores mundanas.

Pensem sobre isso.​

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.