FOFOCAS MUSICAIS – INFORMAÇÕES ÚTEIS

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”Meu filho tem ouvido absoluto !”

“Minha filha já sabe tocar sozinha só de ouvir no tablet!”

“Eu tive aulas de piano, violão, bateria, e sei tocar um pouco de cada um!”

“Olha, não vou colocar meu filho porque piano é coisa de menina.”

“Tem prioridades na vida e o estudo de um instrumento deve ser encarado como divertimento das horas vagas.”

“Eu não tive oportunidade de estudar piano, então quero que minha filha toque para mim.”

“É muito chic falar que faço aulas de piano, as pessoas me olham diferente”.

As frases são infinitas, não param de ecoar frases vindas de uma falta de conhecimento ou uma ausência de oportunidade, ou mesmo um desejo latente de fama, status e tudo mais.

Estudar um instrumento musical, pode sim dar status, mas é preciso que se entenda que há necessidade de treino, aliás como tudo na vida.

Os pais que não tem conhecimento sobre o instrumento, quando o filho pega um tablet  e domina a ‘ informática’, confunde-se com talento musical, mesmo que esteja praticando um jogo musical. Quando se pratica um jogo musical, é apenas um jogo como outro qualquer que exija as habilidades para tal.

Ouvido absoluto é raro e descobriu-se que é a ausência de uma função cerebral que causa o ouvido absoluto, se é que posso explicar assim a grosso modo.

Fazer muitos instrumentos , um pouquinho de cada, pode ser terapêutico, pode realmente ser um passa tempo, mas está longe de se aprender a tocar um instrumento musical, muito longe. E quando se pede para esta pessoa que estudou tudo ao mesmo tempo para tocar qualquer coisa, ela se atrapalha, vai com um dedo só ao piano e tenta tocar algumas notas do Parabéns a Você.

Agora, a ignorância chega ao ponto de dizer que piano é coisa de menina ... Então eu digo : seria da Menina Mozart ? Menina Beethoven? Menina Chopin ? Menina Brahms ? Menina Rachmaninoff ? Menina Schumann ? SHUBERT? Tchaykowsky?

ORA, como dizer que um instrumento vai provocar uma mudança de opção sexual ? É de extrema ignorância , falta de informação e cultura falar uma coisa dessas.

Prioridades da vida ... Quando começarmos a entender que tudo o que fazemos tem um peso em nossa formação, se fazemos bem o peso vai representar habilidades desenvolvidas , expandidas. Seria tão bom se pudéssemos encarar o estudo de um instrumento como algo sério ... Meu pai dizia : “ se vai perder um tempo fazendo alguma coisa, faça bem feita. Tempo é ouro!”

Dar oportunidade para um filho(a) estudar piano por exemplo, é abrir portas para a vida. Mas nunca que seja para satisfazer ao desejo da mãe ou de quem quer que seja. A satisfação deve ser da criança.

Chic não é falar que se faz aulas de piano. Chic é poder se dedicar, estudar todos os dias,investir nos estudos comprando um piano, comprando metodologias que possam dar mais habilidades, coordenação motora, desenvolvimento cerebral , percepção, sensibilidade .. Chic é desenvolver tudo isso.

Pincelamos algumas frases das centenas que já ouvimos sobre o estudo de piano ou de qualquer instrumento. Fica a reflexão para que se tenha mais cuidado ao dizer algumas coisas e se faça uma análise dos efeitos que elas produzem.

Selecionei alguns vídeos informativos sobre MUSICA E CÉREBRO.

Que tal estudarmos  um pouco antes de colocarmos  pré- conceitos na frente de informações ?


*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.

Ganha-se dinheiro com música? Depoimento

QUEM DISSE QUE NÃO SE GANHA DINHEIRO COM MÚSICA?

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Para ser mais real e convincente vou contar minha história particular com relação à remuneração na música, já que tenho recebido tantas mensagens de leitores , alguns me perguntando se REALMENTE CONSIGO SOBREVIVER DE MÚSICA...

Comecei a dar aulas com 14 anos de idade. Cobrava baratinho, apenas uma taxa mensal para vizinhos e amigos, crianças que moravam ao redor de minha casa , passavam e ouviam o piano. Com esta pequena taxa mandava fazer fichas e boletins para os alunos em gráfica, comprei um pequenino sofá para a salinha do piano, investia em novos métodos, partituras diversas. Cada mês era um investimento novo e ainda sobrava dinheiro para um cinema ou um gasto comigo mesma.

Quando comecei a cursar o Profissionalizante, já podia cobrar um pouco mais as aulas. E foram aparecendo alunos e mais alunos. E cheguei a ter em casa 18 alunos particulares. Fui contratada pelo Conservatório para dar aulas com apenas 19 anos. Me pediram que levasse meus alunos para estudarem lá. E apesar de ser muito mais caro do que eu cobrava em casa a maioria deles foi estudar lá para obterem seus diplomas. Aqueles que não desejavam diplomas continuaram em casa. O Conservatório, na época, pagava aos professores o equivalente a 1 ( UM ) salário mínimo por aluno. Ainda tínhamos férias, 13º salário, bônus de Natal, cesta básica, e uma série de benefícios, convênios, tiquet alimentação. ( Já entrei recebendo pelo menos 14 salários mínimos). Foi uma época de ouro. Como eu namorava, fiquei noiva, ajudei meu namorado a montar o consultório odontológico que não é nada barato, mantinha meu carro, tinha poupança, comprei 3 telefones como investimento ( naquela época, ter uma linha de telefone era bem caro), comprei um terreno num bairro onde colocaram o nome do meu pai nesta rua, além de presentear amigos, me vestir muito bem, fiz todo o enxoval para o casamento, comprei todos os móveis para a casa, porque meu noivo ainda não tinha se formado, estava sem rendimentos ainda, eu tinha um padrão de vida muito alto. Tudo isso graças às aulas de piano e também ao Conservatório que era mantido por uma fundação que não podia ter lucros e quando os tinha repartia com os funcionários. Fundação Pestalozzi. Agradeço imensamente ao Dr Novelino,a esposa Dona Aparecida e família toda.

Ainda funcionária do mesmo estabelecimento, me casei, logo depois de 3 meses engravidei do primeiro filho. No ano seguinte nasceu o bebê. Nem preciso dizer que o enxoval foi de primeiríssima qualidade e enorme. Também compramos uma casa que estava em leilão pela Caixa Federal. Na época pagávamos um consórcio de moto que foi para o lance da casa e conseguimos adquirir o imóvel financiado por 25 anos. Quando me mudei para a casa estava grávida de 7 meses, a casa tinha passado por uma boa reforma graças ao excelente salário que eu tinha, pois meu marido tinha acabado de se formar e ainda eram poucos clientes numa clínica popular. Graças a Deus tivemos recursos provindos da música.

Mas não tínhamos com quem deixar o bebê quando tinha 7 meses. Foi então que resolvi pedir demissão do trabalho, mas fizemos um acordo para que eu pudesse retirar o fundo de garantia . E também foi uma quantia considerável. Imagine que quando saí do Conservatório tinha 33 alunos e recebia UM salário mínimo POR ALUNO. Isso era muito dinheiro, apesar do salário mínimo não ser tão reajustado como hoje, ainda assim era muito dinheiro. Equipamos a casa com aparelho de som, televisão, micro-ondas, e tudo o que ainda não tínhamos na casa. Ainda sobrou dinheiro para quitar dívidas do meu sogro.

Música dá muito dinheiro se soubermos trabalhar com ela e principalmente se existirem fundações como esta em que trabalhei.

Mas ficar da noite para o dia sem aquele super salário não era nada confortável. Alguns alunos não quiseram permanecer no Conservatório e me pediram para dar aulas particulares. A casa onde morávamos era muito pequena ( 2 quartos pequenos, sala, cozinha, banheiro) e não tinha lugar para dar aulas de piano, nem espaço para colocar o piano.

Eu ia para a casa de minha mãe, onde deixava o bebê com ela enquanto dava aulas de piano. Depois, com uma parte do dinheiro do fundo de garantia resolvemos montar uma loja para bebês e compramos o estoque. O cômodo utilizado foi a salinha do piano na casa de minha mãe. Foi uma época muito difícil , meu filho tinha 9 meses, ficou doente , com infecções seríssimas de garganta, o governo instituiu o plano cruzado, onde da noite para o dia os juros passaram de 3 a 30 % mensais e foi aquele horror. Quebramos. A solução foi fechar a loja, liquidar tudo e voltar às aulas particulares de piano que eram poucas mas sem riscos.

O dinheiro destas aulas ainda serviu para ajudar a custear 2 cursos que meu marido fazia em São Paulo um deles sobre acupuntura e o outro homeopatia. Sempre eu tinha um dinheirinho para ajuda-lo nas viagens.

Seis anos haviam se passado e eu ainda não tinha condição de levar o piano para casa porque não tinha espaço. Foi então que resolvi tocar em casamentos para começar a comprar material de construção para uma sala onde eu pudesse colocar o piano. Foram 2 anos tocando em casamentos. E o mesmo parâmetro vem agora : UM salário mínimo por casamento. Em cada sábado eram pelo menos 3 casamentos. Outra época de ouro onde pude comprar bastante materiais para construirmos a sala. No sábado recebia 3 salários mínimos e na segunda-feira seguinte transformava-os em tijolos, piso, ferro, mandando entregar e colocar na frente da casa onde seria o jardim. Foram dois anos juntando material de construção ali com dinheiro de tocar em casamentos. Agradeço a Deus esta linda oportunidade! Naquela época ( 1990- 1992) pouquíssimas pessoas tocavam em casamentos, a cidade tinha poucos músicos e eu era chamada para vários. Tinha um repertório vasto e também tocava qualquer música que a noiva pedisse e o padre autorizasse.

Então, passados 8 anos de casamento começamos a construção de uma sala de 6 x 4 metros onde pude colocar o piano e ainda desenvolver aulas de grupo para crianças , um projeto que o qual dei o nome de “ MUSICALIZAR-SI “ . A sala inicialmente era aberta como se fosse uma varanda com um sofá de alvenaria e churrasqueira. Depois, com o tempo fui juntando mais dinheiro e a varanda foi fechada com porta de correr, janelas e porta de vidro com uma entrada lateral independente. Dava aulas para crianças em casa, filhos de amigos, vizinhos , conhecidos vinham participar das aulas. Nesta época eu tinha meu segundo filho com um ano de idade e já participava das aulas, era o mascote. Continuei com aulas particulares de piano e estes grupos de musicalização. Trabalhando em casa, numa sala construída com dinheiro ganho tocando em casamentos, não pagava aluguel, sempre foi uma excelente oportunidade de trabalho e além disso podia ficar com os filhos em casa. Muito trabalho, sem ajudante , apenas uma faxineira semanal, mas alegria enorme em poder trabalhar com música e ainda conseguir fazer tantas coisas com este dinheiro.

A instabilidade financeira como ficar sem ganho nas férias foi ficando difícil. Apareceu uma oportunidade no ano seguinte de LECIONAR MÚSICA numa escola nova que estava abrindo na cidade. Apresentei a proposta de trabalho que foi escolhida dentre várias outras. Pude colocar meus dois filhos nesta escola, descontando do meu salário a mensalidade e continuar trabalhando com música. Lecionava para todas as séries, de primeira a oitava, cada uma abordando uma área da música. Bandinha Rítmica, Flauta Doce, História da Música, confecção de instrumentos de percussão, projeto músicos da cidade , levando entrevistados de bandas, duplas, corais, etc. Muito trabalho. Nunca trabalhei tanto. Mas altamente compensatório financeiramente, os dois filhos usufruindo da escola particular fundada por pais.

Ao mesmo tempo eu era professora de Arte em Escolas Estaduais, depois de 4 anos de casada, e todas as escolas queriam que eu desse aula , escolhesse-as porque eu trabalhava com coral infantil, música na escola das mais variadas formas. Era muito requisitada pelos diretores de escola que me convidavam para escolher suas escolas para trabalhar.

Em anos seguintes houve uma reestruturação nas escolas que passaram a funcionar por ciclos. Fui remanejada e trabalhava de 5ª série a Ensino Médio. Comecei o trabalho com teatro e música nas aulas de Arte. Estes trabalhos me projetaram de tal forma que escolas particulares começaram a me chamar para desenvolver tais projetos. Fui então trabalhar numa escola onde eu podia escolher o que fazer. Gravamos um CD num projeto sobre a cidade e muitas outras atividades musicais. Levei meus dois filhos para estudarem nesta escola de renome pois a outra escola fundada pelos pais não estava tendo resultados pedagógicos muito bons. Mais uma vez meus filhos foram beneficiados e trabalhei nesta escola por 4 anos onde o mais velho fez o Ensino Médio e o mais novo cursou de Maternal até 2ª série, mensalidades descontadas do meu salário. Também fiz uma pós-graduação oferecida por este estabelecimento de ensino –Colégio Objetivo Alto Padrão- e meu salário às vezes vinha com o valor de 10 reais no final do mês porque utilizava tudo em mensalidades. Um período de ouro também. Pude oferecer isso a meus filhos, dando aulas de música neste estabelecimento e ainda fiz pós-graduação em Didática com a Monografia : Música Erudita: Diamante e Água.

Continuei em escolas estaduais, cada vez com mais aulas e muito bem quista pelos diretores por desenvolver projetos musicais nas escolas. O casamento não deu certo, nos separamos.

Não tinha muito tempo para aulas particulares de piano. Mas planejava me aposentar e voltar ao trabalho prazeroso de lecionar piano.

Em 2001 resolvi montar a CASA DOS MÚSICOS e consegui dar 80 bolsas de estudos e ainda ter alunos que pagavam todas as despesas da casa , não tendo prejuízo algum. Tinha aulas de piano, flauta doce, canto, musicalização infantil, preparação de professores, etc.

Minha mãe vendeu terrenos que meu pai havia deixado de herança e repartiu entre os filhos. Minha casa na época valia 50 mil reais. Gastei 45 mil reais para reforma-la – o valor de uma outra casa semelhante. E ela passou a valer 150 mil reais na época. Logo a seguir minha mãe vendeu mais propriedades e na partilha consegui comprar um conjunto de salas no centro da cidade onde comecei a dar aulas, pois havia fechado a Casa dos Músicos por pressão familiar.

Na reforma feita na casa, fiz cômodos nos fundos para dar aulas de piano, montar uma biblioteca de música.

Vendi o conjunto de salas que havia comprado por 7 mil – já estava valendo 25. E pude comprar uma PIANOLA por 12 mil e ainda investir na troca do carro.

A pianola, apesar de lindo atrativo, não parava afinada. Então resolvi trocá-la por um piano novo. Tive que colocar mais dinheiro , que tinha juntado das aulas e assim foi feito.

Em 2006 minha mãe faleceu. Tinha uma poupança e restava sua casa no centro da cidade. Em 2010, com a partilha, consegui mais uma vez trocar o carro e comprar um piano de cauda.

Hoje, estou aposentada do Estado, com um salário muito baixo porque me aposentei proporcional e por meio período, mas tenho dois pianos novos para trabalhar, provenientes de herança e sendo mantidos e conservados com dinheiro das aulas.

Escrevi 3 livros , um deles foi escolhido para a 23ª BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO - IBIRAPUERA - SP - onde teve destaque e está na 4ª tiragem ( A HORA DE TOCAR PIANO) . O PIANO UM ESCULTOR DA ALMA teve como presente um vídeo do diretor da Escola Pianística de Buenos Aires apresentando-o. E MÚSICA CLÁSSICA, SÓ SUCESSO conta 7 projetos musicais realizados em escolas públicas, particulares e creches. 


QUEM DISSE QUE NÃO SE GANHA DINHEIRO COM MÚSICA?

P.S. e ainda de vez em quando alugo pianos para clips. E toquei numa loja de conveniência por 3 meses - levei meu piano acústico. https://www.facebook.com/CLIP-com-piano-de-cauda-143391556218947/

Sim, ganha-se dinheiro trabalhando com música, de várias formas ! Portanto, não tenha medo de colocar uma criança para estudar música. Talvez seja a profissão que se ganhe dinheiro com mais facilidade. No meu caso tive que estudar muito. Mas crianças estão aí para estudarem ! Confiem ! Invistam ! Vale a pena !

Muitos leitores e pessoas diversas me pedem para contar a minha trajetória na música , em vários aspectos, mas a MAIORIA quer saber se dá dinheiro ... Por este motivo ai está ...

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.

A MATEMÁTICA DA PARTITURA

Do cérebro ao coração, à linguagem e ao físico

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Quem pensa que ler uma partitura é um suave deleite , prepare-se para dar de cara com todo o raciocínio lógico-matemático ali exposto para ser decodificado em sons.

Tem soma, subtração, número nulo, parênteses, sinal de igual, diferente, semelhante, sinal de maior, menor, equações a serem resolvidas com lógica, sentimento e ainda coordenação motora, a contagem rítmica , as divisões , frações, valores e equivalência entre as figuras de nota, proporções, a precisão milimétrica do metrônomo em alguns casos.

 É um verdadeiro festival de raciocínio, um quebra-cabeças a ser montado, um jogo de detetive descobrindo cada intenção do autor.

Exige perspicácia, que pode ser desenvolvida desde o be a ba ... Exige introspecção e ao mesmo tempo desinibição, controle e abstração, programação de metas e resultados.

Depois que se faz todo este tratado de matemática, do cérebro desce ao coração e ali mesmo na partitura tem as indicações do que sentir, onde sentir, como sentir para poder interpretar a intenção correta.

Não parou aí não ...  além do mais  ainda tem a parte do idioma natal junto, com frases a serem ditas, cortes nas sílabas, sílabas tônicas, e muito mas muito mais.

Pensa que terminou ? agora sim vem o mais desafiador – a parte da interpretação de texto que faz muita gente rodar no vestibular . É agora ... depois que resolveu as equações, seguiu as setas para o coração, deu ênfase ao idioma, agora vem a COMPREENSÃO DO TEXTO EM SUA PROFUNDIDADE DE MENSAGEM...

Mas... compreendeu ? Ahhh agora tem que transmitir . Entra a Educação Física porque os músculos precisam estar bem trabalhados, tendões, relaxamento, nada de tensão, tudo muito bem preparado , uma academia foi feita para poder ter um corpo apto para a prova final.

Mas a música não é  “ só “ isso. Ela tem o MILAGRE da emoção dentro dela, e as pessoas se contagiam com uma interpretação adequada e então ela move sentimentos os mais variados para diferentes situações!

Não parou aí ... Outro dia continuamos ... Salve a partitura!


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MÚSICA – bálsamo na guerra

August Friedrich Kellner Vaihingen un der Enz, Alemanha, 1/02/1885 – † Lich, Alemanha, 4/11/1970

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Violino é um instrumento bonito, difícil ... mas foi o escolhido por Friedrich Kellner , inspetor de justiça, social democrata alemão e ativista político na Alemanha , na época do nazismo.

Autor de um diário escrito secretamente durante o domínio do Terceiro Reich. Depois da guerra, Kellner explicou o propósito de sua obra:

«Eu não podia lutar contra o regime Nazista no presente, pois tinham o poder de silenciar minha voz. Assim decidi lutar contra eles no futuro, daria as gerações futuras uma arma contra qualquer ressurgimento desse mal, meus diários registram os atos bárbaros que praticaram.»

«Se Hitler ganhasse a guerra, ele reescreveria a história a fim de encobrir seus atos bárbaros, se perdesse a guerra seus seguidores diminuiriam os seus atos a fim de se protegerem.»

Nos momentos que necessitava se reequilibrar e retomar sua vida, ou mesmo escrever em seu diário , antes ele estudava violino. A música certamente o ajudou em sua  luta contra o nazismo, contra a matança dos negros e judeus .

Tocar um instrumento dá força e discernimento  !!! No nazismo, quem tocava um instrumento era valorizado, mesmo que fosse judeu ou negro.

Kellner  teve um filho (FRED)  que começou a gostar das idéias do Hittler (o líder do nazismo) .

Então, Friedrich Kellner  mandou o filho para os Estados Unidos para afastá-lo desse movimento.

O filho se casou com uma judia , teve 3 filhos. Mas enlouqueceu e suicidou-se.

A  esposa de Fred colocou  as três crianças no orfanato e foi embora com um circo.  O mais novo tinha 3 anos .

Viveram lá por muitos anos até crescerem.

O mais novo, (Robert), um dia, saindo do orfanato entrou na Marinha pra poder ser alguém.

E foi mandado pra Alemanha. Lembrou-se que o avô que ele não conheceu morava lá. Foi atrás dele. Andou em busca de endereços onde ele estaria morando.

Quando se encontraram, os dois guardavam uma foto ( a mesma foto ) do FRED segurando a primeira filha. E então comprovou-se o parentesco. Robert era neto de Friedrich Kellner.

Robert não tinha estudado quando estava no orfanato, somente conseguiu depois entrar na Marinha e estudar.

O avô então pediu que ele estudasse pra ser respeitado e que ele lhe daria um tesouro : UM DIÁRIO que ele escreveu contando os detalhes do nazismo.

O neto Robert então com 26 anos, começou a estudar, formou-se, fez pós-graduação e doutorado a fim de ser respeitado. E publicou o diário do avô.

Este diário, em 2009, foi usado para comprovar os horrores que foram feitos naquela época. 

http://acervosegundaguerra.blogspot.com.br/2011/12/os-diarios-de-friedrich-kellner.html

Um documentário em português foi veiculado em 2009, mas não se encontra disponível no youtube.

A MÚSICA CLÁSSICA SENDO BÁLSAMO NUMA TRAGÉDIA QUE ATÉ HOJE ABALA A HUMANIDADE!!!

 August ​

Avós e neto    ​

Foi um ser humano como qualquer um de nós, só que mesmo sem ser famoso, escreveu a história muitas vezes inspirado pela música. Seu neto, abandonado no orfanato mudou também sua história triste e foi estudar depois de adulto. Divulgou o Diário do avô que nem chegou a conviver quando criança. E a musica fez parte deste avô como suporte, amparo, válvula de escape numa tragédia histórica com a proporção que teve o nazismo.

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.

AQUELE QUE É CONSIDERADO O SÍMBOLO DO ROMANTISMO – HOJE , NO DIA DOS NAMORADOS!

Frederic F. Chopin 01/03/1810, Zelazowa Wola, Polônia 17/10/1849, Paris, França

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Tuberculoso desde criança, tímido, fraco, indefeso,sempre doente,viu sua exuberante força aparecer na música. É o símbolo do Romantismo.

Ainda adolescente se apaixonou por sua aluna de piano mas quando foi pedir autorização aos pais dela para noivarem, foi-lhe negada porque ele era tuberculoso.

O filme GEORGE & FREDERIC ( 1991)  retrata bem a época do Romantismo e seus excessos. Neste filme aparece seu amigo Liszt, as mulheres, os convescotes e costumes de época.

http://upfilmesonline.com/73558-george-e-frederic-online-gratis-filmes-portugues-hd.html

O filme À noite sonhamos ( 1945)  também  retrata a biografia do compositor.


Chopin foi um compositor POLONÊS que homenageou a Polônia com suas Polonaises. Muito patriota, queria deixar um legado de valorização de sua nação.

Reservado, tímido , introspectivo e tuberculoso, ficava fechado em casa a maior parte do tempo tocando piano e compondo. Algumas de suas músicas retratam este temperamento melancólico e outras retratam o amor ao país.

Os desenhos animados de Walt Disney, especialmente Tom e Jerry tem trilha sonora das Valsas de Chopin e outras composições dele.

Frederico Francisco  ou Frederic François Chopin viveu no sex XIX.

Casa onde Frederic Chopin nasceu na Polônia. Está restaurada, reformada e hoje em dia é o museu com mesmo nome.

POLONAISE MILITAIRE ​

Uma curiosidade sobre Chopin é que pediu para seu coração ser enterrado na Polônia, sua terra natal e seu corpo em Paris onde viveu por muitos anos. Seu desejo foi atendido.

Aurora Dupin, adotou o pseudônimo de George Sand para conseguir vender seus livros. Apaixonou-se por Chopin, foram amantes e ela lhe mostrou a vida, a aventura, a alegria.

Chopin foi um ser humano como qualquer um de nós, encontrou na música sua grande força e motivo para continuar vivendo.


*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos. 



O COMPOSITOR DO "ALELUIA"

Halle, 23 de Fevereiro de 1685 — Londres, 14 de Abril de 1759 GEORGE. Frederic Haendel

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Filho de um barbeiro e cirurgião que não permitia que ele estudasse música.

Quando tinha 12 anos, seu pai morreu. A tia lhe deu um instrumento de presente(o cravo).

Ficou famoso por compor oratórios e é o autor da famosa ALELUIA !              

    (O  MESSIAS)

Com 52 anos teve um AVC que paralisou o braço direito o impedindo de tocar.

Nunca se casou e gostava de privacidade. Deixou uma casa valiosa.


O Mesias, Aleluia

O Mesias, Handel

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia, aleluia.

O Senhor Deus onipotente reina

Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia

O Senhor Deus onipotente reina

Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia

O Senhor Deus onipotente reina

Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia.

O Senhor Deus onipotente reina

Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia.

O Senhor Deus onipotente reina

Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia.

O reino deste mundo se tornou,

O reino do nosso Senhor, e do seu Filho, e do seu Filho.

E Ele reinará para sempre e sempre.

E Ele reinará para sempre e sempre.

E Ele reinará para sempre e sempre.

E Ele reinará para sempre e sempre.

Ao Rei dos reis eternamente e sempre

Aleluia, aleluia

E Senhor dos senhores eternamente e sempre

Aleluia, aleluia.

Ao Rei dos reis eternamente e sempre

Aleluia, aleluia

E Senhor dos senhores eternamente e sempre

Aleluia, aleluia.

Ao Rei dos reis eternamente e sempre

Aleluia, aleluia

E Senhor dos senhores

Rei dos reis, Senhor dos senhores

E Ele reinará,

E Ele reinará,

E Ele reinará, Ele reinará

E Ele reinará, para sempre e sempre.

Ao Rei dos reis eternamente e sempre

E Senhor dos senhores

Aleluia, aleluia

E Ele reinará para sempre e sempre.

Rei dos reis e Senhor dos senhores

Rei dos reis e Senhor dos senhores

E Ele reinará para sempre e sempre.

Para sempre e sempre e sempre e sempre

(Rei dos reis e Senhor dos senhores)

Aleluia, aleluia

Aleluia, aleluia

Aleluia

Händel faleceu em 1759, em Londres, oito anos após ter ficado cego do olho esquerdo, e mais tarde de ambos.

Foi um ser humano como qualquer um de nós e a música sempre lhe deu força para prosseguir apesar das doenças, solidão e problemas.


*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.


O ESTUDO DE PIANO TERAPÊUTICO

O piano: um escultor da alma

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Não foi por acaso que escrevi este livro e foi publicado há 3 anos.

Não há como desvincular a pessoa, seus sentimentos, suas emoções, seu desenvolvimento, seus traumas, suas características pessoais, do estudo do piano.

Antigamente tínhamos que aprender a ler as notas e tudo o que viesse indicando uma partitura e interpretá-la. Bastava.

Não existiam porquês, somente ações.

Por um lado era bom porque o fato de estar sempre se perguntando  algum porquê gera mudança, reflexão, autoconhecimento e muitas vezes não queremos adentrar este campo.

Mas por outro lado, todas as emoções contidas ou massacradas vão explodir em determinado momento da vida.

Vamos por partes; no meu caso, quando meu pai morreu no ano de minha formatura de piano, eu não sei definir o que eu senti naquele ano. Eu só queria desaparecer. Acabou o sentido. Tinha terminado o Ensino Médio e estava fazendo somente o Cursinho pré-vestibular para prestar Psicologia. Minha mãe pagando o curso de piano e o cursinho , escola da outra filha, mandando dinheiro pro filho em SP e tudo foi ficando muito difícil. Abandonei o cursinho pré-vestibular. E na metade do ano abandonei o piano também. Foi um pânico geral : - como abandonar um curso faltando 4 meses para terminar? Um curso que durou 11 anos ... Eu não tinha mais forças. Me deixaram descansar um mês , sem frequentar as aulas todas de matérias teóricas , piano, etc. Mas assim que passaram os 30 dias vieram me implorar pra continuar o curso, em nome do esforço da professora, dos pais, enfim... Então me joguei no estudo de uma partitura no mês de Setembro. Eram 8 horas por dia estudando piano. Isso me fez mergulhar num outro mundo . O mundo real estava muito sofrido, eu não tinha condição de enfrenta-lo sem meu pai. Então o piano foi minha grande e fabulosa válvula de escape !

Com isso, na vida, meus problemas sempre caminharam a meu lado e não dentro de mim. Sempre o piano me salvava. O baú que cada um guarda dentro de si muito bem fechado, só pode ser aberto e limpo retirando aquilo que não mais é necessário, quando a pessoa estiver preparada para fazer esta limpeza e muitas vezes ela vai embora deste mundo com ele ainda fechado.

O estudo de piano provoca o autoconhecimento de tal forma que a pessoa se depara consigo mesma em todos os seus talentos e dificuldades. É incrível e parece milagroso mas não é.

A aprendizagem , o raciocínio lógico, as capacidades de dedução, abstração, concentração, domínio de corpo, domínio das emoções. Coordenação motora, sensibilidade, persistência, garra, enfrentamento do novo a todo instante, decodificação de símbolos transformando-os em sons imediatamente, e muito mais aspectos que vão aparecendo durante o estudo de piano oferecem esta visão de si mesmo e construção de um novo ser.

Então, como o piano pode servir apenas para o estudante ser um intérprete de outras pessoas? Não é somente isso e ao mesmo tempo é tudo isso. Só que ele vai sendo também intérprete de si mesmo.


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AQUELE QUE INSPIRA O BALLET CLÁSSICO DE TODOS OS TEMPOS

Piotr Ilich Tchaikovsky – 1840 – 1893

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Pedro em Português era um menino sensível que foi obrigado pelos pais  a estudar Direito num colégio Estadual da Rússia e morou na escola desde os 9 anos de idade. Depois que se formou entregou o diploma aos pais e foi trabalhar como professor de música no Conservatório de St. Pettesburg. O pai o deserdou por causa disso. 

Um menino fraco, magro, de saúde ruim, sexualmente indeciso.

Casou-se, mas a mulher pediu a anulação do casamento porque na primeira noite não conseguiu consumar o ato sexual. 

Ele teve uma admiradora que lhe enviava dinheiro por carta para patrocinar suas composições. Como professor de música ele não tinha muito tempo para compor, então Nadedja von Meck o patrocinava com a condição de que nunca se conhecessem pessoalmente. Eles somente trocavam cartas. 

Dizem que tentou suicídio pulando em águas geladas. Mas ele morreu porque tomou água sem ferver e havia uma epidemia de cólera que acabou por acabar com sua vida.

As músicas mais famosas são Lago dos Cisnes, o Quebra- Nozes, e muitas outras utilizadas em ballets do mundo inteiro.

A última casa onde morou Tchaikovsky 





Foi um ser humano como qualquer um de nós, foi infeliz no amor, na sua época a sexualidade duvidosa era um grande problema, mas procurou seu talento e conseguiu ficar satisfeito na vida  com esta descoberta : conhecendo a si mesmo.


*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.


Por que caricaturas?

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Satisfazendo a curiosidade de algumas pessoas, aqui vai a ideia sobre o Jornal Fofocas Musicais.

Por que caricaturas? Primeiramente porque a ideia do jornal é mostrar os possíveis ‘ defeitos’  dos músicos. Com que intuito? Simplesmente para dizer que todos nós temos defeitos sejam eles físicos, comportamentais, emocionais, espirituais, enfim... Somos todos seres humanos !

O jornal sobre os músicos  tem o título de FOFOCAS justamente porque seriam colocados estes supostos defeitos dos artistas em questão, primeiramente porque é convidativo para alguns, depois, porque vendo que os ‘Grandes Mestres’ tiveram seus problemas emocionais, mas conseguiram superá-los através da música, fica a mensagem que nós podemos nos conhecer melhor e descobrirmos habilidades que nos farão pessoas mais felizes e realizadas contribuindo assim para a História da Humanidade de forma incentivadora.

Daí então, todo final de artigo ter uma ‘ mensagem ‘ dizendo que FORAM SERES HUMANOS COMO QUALQUER UM DE NÓS, APENAS SE CONHECERAM MELHOR, DESCOBRIRAM SUAS HABILIDADES E CONSTRUÍRAM HISTÓRIAS DE REALIZAÇÃO.

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.


O MALABARISTA DO TECLADO

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Franz Liszt começou a aprender piano com 6 anos de idade. Estudava de 6 a 8 horas por dia porque queria que seus dedos ficassem bem ‘ malhados ‘ com extrema agilidade.  Tinha catalepsia. Por duas vezes foi dado como morto e acordou depois de um tempo. 

Filho de um empregado de uma fazenda na Hungria.

Era considerado um galã. Bonito, charmoso, talentoso, estudioso, determinado, conseguia tudo o que queria na vida apesar de ter nascido pobre.

Quando jovem, 18 anos, já dava aulas de piano  apaixonou-se por uma aluna sua, mas o pai dela o mandou embora dizendo que músico não é gente pra casar , não ganha dinheiro nunca, tem vida desregrada e não dá conta de sustentar uma família.

Liszt viajava dando concertos, compôs perto de 700 músicas, foi considerado o INVENTOR do século 19 na música. E seus dedos se tornaram tão ágeis que foi considerado o malabarista do teclado.

Liszt ficou rico mas percebeu que a riqueza não trazia felicidade. Depois de uma vida amorosa intensa e talvez frustrante, se tornou padre aos 50 anos de idade.

Este piano está no museu da Fábrica Steingraber & Sohe em Bayreuth e foi doado a Franz Liszt , que visitava esta cidade onde morava sua filha, casada com Wagner- o compositor.  Numa das viagens, contraiu pneumonia e faleceu a 31 de julho de 1886 em Bayreuth.

Outra curiosidade: estavam à procura de um piano ERARD que teria sido de Franz Liszt. O último concerto neste piano foi em 1904 pelo pianista Paderewski,  no Vaticano, para o papa Pio X ,

“Fabricado por volta de 1865 pela empresa francesa Erard, o piano de cauda foi possuído por Liszt durante os últimos 15 anos de sua vida e foi usado por ele, principalmente para compor e ensino. Ele foi perdido após a morte de Liszt, mas foi redescoberto em 1991 pelo pianista italiano Carlo Dominici, o proprietário atual do instrumento, com o seu tampo milagrosamente intacto. Após um período de restauração cuidadosa, este instrumento histórico foi devolvido a ordem de reprodução.” (...) “Após vários anos de pesquisa, ele foi capaz de estabelecer a sua identidade através de cartas escritas por alunos de Liszt e através de correspondência do compositor com a Baronesa Olga von Meyendorff. Outra evidência da sua autenticidade foi encontrado quando, durante a restauração do instrumento, os grânulos foram descobertos no interior; as contas provou ser os desaparecidos da rosário de Liszt, que está agora em exposição no Museu Liszt em Budapeste.

http://www.metmuseum.org/press/exhibitions/2001/franz-liszts-grand-piano

Foi um ser humano como qualquer um de nós, só que descobriu seu talento ainda criança e investiu em si mesmo!

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.