Minha história com relação à música

FASE 1

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Dias atrás, uma senhora de Brasília curtiu uma de minhas páginas no Facebook e me pediu que contasse minha história e trajetória profissional.

Com 3 anos de idade contavam meus pais que eu tocava piano no ar, sem nunca ter visto um piano antes e dizia que queria aprender a tocar.

Aos 7 anos me colocaram para estudar piano no Conservatório Jesus Maria José, a uma quadra e meia de minha casa. Fiquei estudando com ela até os 13 anos de idade, quando meus pais me trocaram de professora. O Conservatório foi vendido para uma instituição espírita que ficava mais longe de minha casa. E eu tinha uma vizinha bem próxima que dava aulas de piano em casa, só tinha uma casa entre as nossas. Comecei aulas com ela, embora meus pais recomendassem para que eu não ficasse brincando de amarelinha na rua com os filhos dela.

Antes dessa, fiz uma aula com uma professora renomada na cidade, bem antiga, que era bastante severa e usava bater com a régua nos alunos, apontava os lápis e espetava os alunos que não mantivessem os pulsos retos. Tive apenas uma aula e pedi a meus pais que me tirassem de lá. Eu ainda não tinha o piano para estudar.

Quando fui estudar com a vizinha, ela conscientizou meu pai da importância de ter um piano em casa para estudo. E ele então adquiriu o instrumento. Não sei como a outra professora não conversou com ele a respeito. Antes, eu estudava duas vezes por semana por meia hora no piano que as freiras do Colégio emprestavam. Faltavam as ‘ tampinhas’ das teclas , tinha cola endurecida, machucava os dedos e o tempo que eu tinha para estudar era insuficiente.

Logo depois, a professora particular me transferiu para o Conservatório espírita onde ela foi dar aulas. E este conservatório se transformou em Escola Técnica , onde me formei em piano e depois em Suprimento também em piano . Após minha primeira formatura, me convidaram para dar aulas lá.

Meu pai faleceu no último ano de meu curso de piano e eu quis largar os estudos pois o luto em minha casa não permitia soar um piano. Mas o Conservatório me cedeu uma sala durante os últimos 3 meses do ano  para que eu estudasse a música de formatura que recebi no dia 18 de Setembro e teria que tocá-la impecavelmente no dia 18 de Dezembro.

Em casa, meu pai se sentava na sala na ‘ cadeira do papai ‘ logo após o almoço e tirava seu cochilo de 15 minutos , enquanto eu me sentava ao piano e estudava as técnicas. Minha mãe chamava minha atenção para que o deixasse descansar e ele respondia que descansava ouvindo o som do piano mais do que no silêncio.

Quando ganhei o piano, aos 13 anos e meio, quis tirar todo o atraso e estudar o quanto pudesse. Lembro-me que tive o privilégio de receber a partitura do Tico-Tico no Fubá para estudar e me dediquei com afinco como quem recebe uma prancha em alto mar para não se afogar e chegar até à praia.

Vendo esta minha sede por tocar, estudando muito, descobrindo sozinha as formas de fazer as músicas soarem melhor trabalhando a técnica, a nova professora começou a me dar partituras cada vez mais trabalhosas e vistosas. Meu pai se orgulhava, pois era cumprimentado a cada final de audição de piano.

O baque de sua morte transformou minha vida. Fiquei um ano perdida, foi tão intensa a perda e o choque que não consigo me lembrar daquele ano, parece que nem existiu, embora fosse o ano da minha formatura de piano.

Com 18 anos, prestes a prestar vestibular para Psicologia, abandonei o cursinho e fiquei somente com o piano. Estava dispendioso para minha mãe manter os dois. Eu tinha alunos particulares de piano mas cobrava pouco, não dava para manter os cursos. E além disso tanto para um quanto para outro tinha que estudar muito. Formatura e vestibular.

Chegou o dia da formatura, me sentei ao piano , a plateia e a mesa que compunha a formalidade do evento, silenciaram de tal forma que parecia não ter ninguém no auditório completamente lotado. Parece que esperavam pelo momento em que eu iria parar de tocar e começar a chorar de saudade do meu pai que tinha falecido há alguns meses. Mas consegui ir até o final, de cor, sem erros, fui aplaudida de pé e neste momento o diretor financeiro da Fundação me ofereceu uma bolsa de estudos por 2 anos pago pela Instituição para me aperfeiçoar na Alemanha. Recusei. Não conseguia dar um passo além. Então me ofereceram um curso em Curitiba por 1 mês como prêmio pelo curso. Fui, mas chegando lá era um pensionato de freiras que apagava as luzes às 21 horas e eu sozinha nas férias naquele quarto com 10 camas, não conseguia dormir. Fui ao curso e não conseguia me concentrar, pensando no meu pai , em minha mãe sozinha com uma filha de 12 anos e uma porção de incumbências. Voltei chorando e abandonei o curso.

De volta, o ano escolar se iniciava em Fevereiro, tinha 18 alunos em casa e o Conservatório me convidou para dar aulas na Instituição levando meus alunos para lá. Então os que se dispuseram a se matricular foram. Os outros continuaram como alunos particulares.

E assim, iniciei a vida profissional oficialmente registrada numa Fundação de renome, que me acolheu de braços abertos.


TUDO É SOM. TUDO É FREQUÊNCIA. TUDO É ONDA.

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Convido as gerações atuais, adultos, que podem interferir na sociedade de uma forma ou de outra, que atentem para as várias culturas existentes no mundo e o resultado de suas condutas, sucessos e insucessos, mediante o cuidado que se tem com a música que se professa no país, e a música a que as crianças são submetidas desde cedo.

No livro O PODER OCULTO DA MÚSICA – a transformação do homem pela energia da música - de David Tame, ele nos convida no próprio título a repensar o que a música traz para cada cultura.

Num de seus capítulos, “ A MÚSICA COMO MOLDE PARA A SOCIEDADE”  Peço licença para transcrever um trecho apenas :

“Tomemos a China como exemplo:

“ Todos os anos, no segundo mês, poderia encontrar-se o Imperador Shun jornadeando para o Leste, a fim de passar revista ao seu reino e certificar-se de que tudo estava em ordem no imenso território. Entretanto, não o fazia verificando os livros de contabilidade das diferentes regiões. Nem observando o modo de vida da população, nem recebendo petições dos súditos. E tampouco entrevistando os funcionários regionais em posição de mando. Não, não empregava nenhum desses métodos, Pois na China antiga se supunha haver um método muito mais revelador, acurado e científico de averiguar o estado da nação. De acordo com o antigo texto chinês Shu King , o imperador Shu Shun percorria os diferentes territórios e ... experimentava as alturas exatas das suas notas musicais.

De volta ao palácio, se desejasse controlar a eficiência do governo central, que fazia ele? Buscava pareceres de entendidos em traçar normas de viver? Examinava a economia, ou o estado da opinião pública?

O imperador não desconhecia nenhum dos métodos acimae, em determinadas ocasiões, é possível que recorresse a todos eles. Mas, o mais importante, cria ele, era ouvir e verificar as cinco notas da antiga escala musical chinesa. Mandava vir à sua presença os oito tipos de instrumentos musicais conhecidos na China e ordenava que fossem tocados por músicos. Em seguida, ouvia as canções populares locais e as árias cantadas na própria corte, verificando se toda essa música estava em perfeita correspondência com os cinco tons. (...) Consoante a filosofia dos antigos chineses, a música era a base de TUDO. Eles acreditavam, em particular, que todas as civilizações se afeiçoam e moldam de acordo com o tipo de música que nelas se executa.. A música de uma civilização era melancólica, romântica? Nesse caso, o próprio povo seria romântico. Era vigorosa e militar? Então, os vizinhos dessa nação devem se acautelar. Além disso, uma civilização permanecia estável e inalterada enquanto a sua música permanecesse inalterada. Mas o mudar da música ouvida pelo povo levaria inevitavelmente a uma mudança do próprio estilo de vida.”

Por este pequeno trecho deste livro precioso que nos traz reflexões importantíssimas, podemos parar e pensar por que tantas ações passionais? Por que tantos crimes passionais? Por que tanta depressão? A música deveria trazer alento à alma, alegria, amor à vida, porque os sons podem provocar a mudança de humor. Mas o que temos? Sexo, ações primitivas, instinto, agressividade, pessoas jogando nos microfones suas piores frustrações para milhares de pessoas.

(...) E se a música que o imperador ouvisse executada nas aldeias tivesse desatado a tornar-se vulgar e imoral, não duvidaria o imperador de que a própria imoralidade se estenderia pela nação, a menos que se fizesse alguma coisa para corrigir a música.”

Vejam o quanto é sério tudo isso. A gravidade do som que se ouve ser curativo ou altamente destrutivo em qualquer sentido.

O mesmo nível de importância que os políticos de hoje atribuiriam a assuntos miliares ou econômicos, atribuía Confúcio à música do reino.”

David Tame – O poder oculto da música – trechos das páginas 16 e 17.

E acreditem: tem muito mais para se pensar, refletir e considerar.

O que você ouve?

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.

O que a música faz por você?

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​São tantos os depoimentos que tenho visto, ouvido, lido, mas a pergunta hoje fica para você que lê este artigo: O que a música faz por você?

Quando acessamos o Universo do Som , muitas coisas podem acontecer sem que possamos nos dar conta que foi obra das melodias que ouvimos.

Outro dia um rapaz me contou que trabalhava ouvindo Heavy Metal e percebeu que estava tendo dores estomacais, queimação e então resolveu ouvir os sambas tradicionais brasileiros, melodiosos, que trazem alegria e percebeu que seus sintomas foram desaparecendo.

O SOM ENTRA SEM PEDIR LICENÇA E ATUA!

Uma aluna um dia chegou muito tensa com vários problemas e começamos a tocar a 4 mãos uma peça de Czerny, várias páginas. Fizemos por duas vezes e quando terminamos ela disse: - “ Nossa! Como estou aliviada! O piano me tirou dos problemas!”

O SOM ENTRA SEM PEDIR LICENÇA E ATUA!

Quando a pessoa se PREDISPÕE a aceitar o som, porque também tem este detalhe – nossa mente cria boicotes – a pessoa muda a frequência e absorve o que está ouvindo porque tudo é onda, pensamento é onda, sentimento é onda, som é onda.

Uma criança bastante agitada pode perfeitamente se tranquilizar quando resolve aprender um instrumento musical e aos poucos ir centrando, aprendendo a respirar, se concentrar, observar os pequenos detalhes e com isso fazendo este ato de estudar piano por exemplo com tudo o que envolve este desenvolvimento, fazer reverberar em suas atitudes, em seu comportamento, em suas atividades diárias, em seus estudos e na vida.

Um adulto ansioso – e vemos que a maioria hoje em dia sofre com isso – que consegue ouvir as instruções para os estudos, aceita, acolhe e pratica, vai percebendo a mudança que ocorre dentro de si mesmo. Em casa, quando se senta ao piano e vai tocar, muda a frequência na hora. Se existe ansiedade, ela ameniza, se existe tristeza, ela se dissipa, se existe raiva pode desafogar no piano. São tantos os benefícios que ouço as pessoas relatarem que se pudéssemos oferecer este estudo sistemático, atencioso, detalhista a todas as pessoas, teríamos seres humanos mais centrados e felizes.

Passeando pelas redes sociais vejo aquele exagero de convite à beleza externa, isso faz com que as pessoas não se aceitem e tentem modificar o externo cada vez mais, para que sejam aceitas pela sociedade por algo que aparentem ser.

Já passou da hora de priorizarmos o que somos, conhecermos quem somos, desenvolvermos habilidades e competências que nos tragam saciedade de alma! O estudo do instrumento oferece isso.

A superficialidade, o efêmero só traz danos à alma!

E te pergunto : o que a música faz por você?

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.

A DOR E A MÚSICA

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​Temos visto várias experiências em hospitais relatando o quanto a música diminui a dor de pacientes em vários tipos de doenças, sentindo dores e sendo aliviadas com apenas o som que ouvem.

Venho hoje falar da dor emocional.

Concentro-me em Bach. Johann Sebastian Bach , nascido em 1685, nos deixou um legado sobre a estrutura musical, a forma de se escrever música, mas também os sons que ele dedicava a Deus, pois nem assinava suas composições como sendo dele. Apenas escrevia logo abaixo das partituras compostas : “Somente a Deus a glória”.

E são a estes sons que me entrego nos momentos de profunda conversa com Deus.

Bach teve 20 filhos, duas esposas e uma tranquilidade invejável. Entregou-se à tarefa de nos facilitar a vida dedicando-se à forma da escrita musical.

Certa vez, conversando com uma pessoa que fazia tratamento psicológico, ela me relatou o seguinte: -“ minha terapeuta me indicou ouvir Bach que é compatível com minhas inquietações que nunca terminam, pois ele vai criando os sons em círculos que sempre voltam ao mesmo lugar e eu preciso ouvi-lo e sentir que a vida é cíclica. Ele demora para “resolver” no acorde final e vai circulando, circulando até que consegue enfim dar um suspiro e terminar.”

Isso ficou sempre em minha mente, naquele momento até discordei disso, pois pensei que fosse melhor sair do círculo e resolver logo a situação. Mas tem certos problemas na vida que insistem em ficar circulando indo e voltando até que possamos suspirar e entender que terminaram.

Mas sabendo de sua biografia, de sua religiosidade na Igreja Protestante, e que ele fazia músicas para Deus e assinava como vindas de Deus para ele e entregue a nós como sendo sons da mais alta vibração do divino, penso que 334 anos depois do seu nascimento e 269 anos depois de sua morte, temos este legado para acalmar nossas almas e saber que somos guiados pelo divino, se nós deixarmos, como assim ele o fez!

Momentos de dor são curados por músicas que emanam fé.

Talvez inicialmente tenhamos que nos conectar às músicas que são compatíveis com nossos sentimentos e aflições masestas músicas que só emanam aflições, servem para potencializar as mesmas.

A música tem o poder de nos transportar para um lugar diferente de onde estamos, e basta procurarmos as músicas que nos levem para esferas superiores, lugares reconfortantes, bálsamos para a alma. Talvez por isso, ela nos tire a dor.

Em Deus não há dor. Há acolhimento! Há vigor. Há esperança! Há vida!

Brahms muitas vezes me transporta para a profundidade da vida. Brahms foi profundo, sério, buscou na natureza muitas vezes as suas inspirações. E a natureza também é nosso bálsamo!

Brahms era nostálgico também e ao mesmo tempo vibrante em suas saudades de infância. Transportou para a música a alegria de sua infância no cortiço em que nasceu e morou na periferia de Hamburgo através da Dança Húngara n.5.

Inspirou-se na alegria dos ciganos para compor suas Danças Húngaras. Quando visitou Schumann, professor de composição, o mesmo se encantou com as novidades que Brahms trazia.

BBB .. . que não tem nada de semelhante com os programas de TV ... Os 3 grandes Bs da música : BACH, BEETHOVEN E BRAHMS ....

Beethoven se superou, tanto pela infância conturbada, como pelos desencontros amorosos e depois pela surdez. Ele se superou e nos deixou obras de grande superação, talento e elevação de alma.

Deixa-nos um espetáculo na 9ª Sinfonia, quando compôs completamente surdo . Quando lhe perguntaram escrevendo em seu caderninho : - como compõe sendo totalmente surdo? Ao que ele responde : - “EU OUÇO SONS CELESTIAIS!”

Que estes bálsamos curem nossas almas tão sofridas por nossos pequenos desafios que se tornam gigantescos conforme lhes damos poder e valor.

Obrigada aos 3 Bs da música !

Saúdo-os no mais profundo ato de gratidão!​

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.


Setembro – prevenção ao Suicídio Depoimento de uma “criança “ salva pela música:

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“Hoje sou adulta, já fui casada, tive filhos, netos, trabalhei em vários tipos de lugares, estou no final da existência, corpo envelhecido e mente cada vez mais buscando entender as pessoas e principalmente a mim mesma.

Quando eu era ainda muito pequena, fui abusada sexualmente por um ídolo da família. Achava que aquilo era normal, pois eu mal sabia falar, nem sabia escrever, tinha sonhos, espontaneidade, alegria, vivacidade, e fui criando uma ideia de que sexualidade era algo permitido dentro das quatro paredes de um lar, de forma velada, e que nunca poderia ser diferente. Família grande, casa sempre cheia de pessoas, classe média quase alta, pessoas respeitadas em seus cargos desempenhados na sociedade, mas aquela coisa escondida dentro de casa que para uma criança era normal e assim era a vida, ficou registrada de formas negativas no decorrer da vida.

Esta jovem que me tornei era pura como criança, mas com apetite sexual bloqueado porque o certo era aquilo ocorrer somente dentro do lar, de forma velada.

O tempo foi passando, me mudei de cidade, conheci um rapaz que se assemelhava ao ídolo familiar e me casei com ele, porque me prometia proteção. Eu estava desamparada na vida, no lugar onde me encontrava, e me apeguei como tábua de salvação.

Ele acabou por ser um grande torturador desta criança que não havia crescido e aconteceram fatos que a criança ficou assustada e com medo, cada vez mais medo da vida e das pessoas.

Um belo dia, ouvi uma música instrumental, e senti um acolhimento extraordinário como se Deus viesse me salvar. Posteriormente descobri que era uma música clássica do período Barroco. Entrei neste mundo, fui aprender a cantar, tocar vários instrumentos musicais até me encontrar de fato num deles, o violoncelo. Estudei como se aquilo fosse o alimento mais precioso para minha vida, horas e horas e horas estudando, entrando naquele instrumento e ele em mim como se fôssemos uma coisa só.

A música me salvou de minhas dores e das lembranças que de alguma forma foram apagadas para que eu não pudesse decodificar o que estava acontecendo.

Na adolescência, nos meus quinze anos, fui passear noutra cidade com um parente e chegando na casa de uma senhora que era tia mais velha, estávamos esperando-a para o almoço e este parente também mais velho, um homem maduro com família, deu-me um selinho, e levei um susto muito grande, abraçados como se fôssemos o protetor e a protegida, ele me beija na boca, um selinho quase demorado demais.

Algo se rompeu dentro de mim. Eu não poderia confiar nas pessoas, elas me enxergam como um objeto de desejo. Bonita, pura, angelical, serena, alegre, extrovertida, era vista como objeto à venda para qualquer um pegar e experimentar.

Voltei para minha cidade em silêncio total, cheguei e foi correndo pegar meu violoncelo e estudar, estudar, estudar e esquecer aquele fato que este familiar me pedira segredo para não acontecer uma tragédia em família.

E hoje, embora envelhecida, não aparento a idade que tenho por fora, uns dez ou quinze anos menos, ainda sou vista como objeto e isso é algo que fere profundamente o ser humano aqui dentro, a alma buscando alegria na vida.

Recorro sempre à música, pois ela me transporta para um mundo quase perfeito, a música clássica me preenche, me faz entender que Deus soprou no ouvido destes compositores barrocos, um pouco da Sua generosidade para com a humanidade, deixando estes presentes em forma de sons.

Não fosse pelo meu violoncelo, por estas músicas que me transportam para o divino, provavelmente eu seria mais uma vítima do suicídio pois a dor que uma pessoa sente em ser vista como objeto é tão grande e inexplicável, onde forma aquele vazio, aquela falta de compreensão de mundo, aquele buraco negro dentro da pessoa que só é vista para saciar algo momentâneo no outro. Um animal querendo ser saciado por um ser angelical, pois é assim que me sinto – mais anjo do que matéria, mais espírito do que corpo, mais etérea do que sólida.

Que os homens desta Terra evoluam em seus sentimentos, equilibrem-se em seus desejos e comecem a ver uma alma e não um corpo, uma pessoa e não um objeto o qual eles se acham no direito de invadir.

Este relato sem assinatura, faço questão de compartilhar com a área da Psicologia, a qual sou cliente assídua sem nunca ter conseguido me livrar da cicatriz deixada por abusos , assédios, investidas de animais que só usam o instinto para sobreviver.

Que a música preencha os corações de todas as mulheres que como eu, sentiram vontade de morrer todas as vezes que são assediadas, vistas como numa vitrine, ou prateleira de uma mercearia onde quem quiser pode pegar o produto, passar a mão e comprar ou roubar ou somente cheirar, experimentar e ir embora.

Uma cliente assídua da Psicologia .

Não pude deixar de registrar este relato, colocado num grupo de WhatsApp, sem assinatura, mas que vem neste mês de Setembro dedicado à prevenção do suicídio, registrar aqui na coluna sobre MÚSICA, a importância de se oferecer a uma criança a oportunidade de estudar um instrumento musical.

Muitas pessoas são salvas por esta entrega ao estudo da música, para se transportarem ao mundo sutil, aliviando dores mundanas.

Pensem sobre isso.​

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.

PARA QUÊ SERVE A MÚSICA?

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Na História da humanidade podemos recorrer aos mais variados estilos musicais, formas, maneiras que o ser humano encontrou de expressar-se através da música.

Pensando nisso, analisemos as culturas e suas músicas. As pessoas e suas manifestações musicais.

Para um ser humano poder transmitir um som , para compor uma música, ele precisa de material criativo. De onde vem este material criativo?

Muitas vezes o material vem do interesse comercial em se ganhar dinheiro, fama, sucesso e então a música se torna um mero meio de promoção pessoal.

Outras vezes a música vem para dominar a massa de forma que esta fique entorpecida e “ marche” conforme o som a conduz. Ora, ativando as partes da sexualidade humana, ora os ritmos viciantes, ora os sentimentos depressivos, ora a imaginação de um momento lindo, ora recordando momentos felizes ou infelizes, ora protestando contra o mundo em que se vive. E por aí temos infinitas possibilidades de expressão.

O ser humano busca a felicidade, creio eu que Deus colocou a música para nos informar que existe algo além da matéria densa.

Passeando por vídeos, perfis os mais variados de músicos do mundo todo, pude observar alguns porquês aos quais o ser humano se joga no estudo de um instrumento musical.

Muitas vezes é para se mostrar melhor do que as outras pessoas, quer se mostrar diferente, único, poderoso, conquistar corações, conquistar poder, e se destacar tornando-se um ícone.

Outras vezes nos sertões mais longínquos vemos os cantadores com suas violas expressando seus sentimentos mais puros contando as histórias do lugar onde nasceu através de suas composições ou de músicas regionais.

A música tem sido pesquisada em muitas universidades, centros de pesquisas, laboratórios, fazendo-se experimentos com doentes, para verem o que os sons conseguem transformar nos pacientes.

Se pudéssemos subir no mais alto do planeta e observarmos lá de cima as várias manifestações musicais, poderíamos ter uma ideia das intenções de cada cultura, cada compositor, cada gravadora, cada pessoa que se dispõe a transmitir sons melódicos ou não.

A pergunta que não quer calar é : - se estas pessoas foram presenteadas por Deus com este dom maravilhoso de compor ou de tocar, por que não o fazem para trazer paz ao mundo?

A música, o som, estas vibrações, estas frequências, deveriam ser utilizadas única e exclusivamente para cura das almas e não para colocar mais discórdia, para jogar nos microfones palavras vãs, mensagens negativas, exalando o que se tem pior dentro do ser humano.

A música tem um poder que a maioria de nós ainda não se atentou para observar.

Quando entramos num local público , um grande supermercado que contrata especialistas para observarem o comportamento das pessoas que entram e colocarem as músicas que estas pessoas gostam para que fiquem mais tempo no ambiente comprando, vemos que a música se tornou uma forma de hipnose coletiva.

Lamento que pessoas que extremo dom de composição, percam seu tempo única e exclusivamente pensando em ganhar dinheiro e fama, ou pensando em si mesmas de forma egocêntrica, sem se preocuparem em ‘ devolver ‘ Deus em gratidão, sons que possam harmonizar o planeta.

Há muitos anos, em 1998, criei uma forma de mostrar às pessoas a utilidade e o poder da música através de uma experiência simples. Realizamos isso num colégio particular e em escolas estaduais com uma dinâmica muito simples: - escolha uma música que tenha sons de caixinha de música, com sons delicados de alta vibração energética, dê folhas de papel e tinta para as pessoas PINTAREM A COR DOS SONS. Vejam com seus próprios olhos, ouçam com seus próprios ouvidos os comentários que as pessoas fazem , os desenhos, as cores que utilizam, e verão a expressão da mais alta pureza e inocência ser estampada nos desenhos, nas palavras, nos sentimentos que externam .

Depois disso, logo em seguida, coloque uma música com batida forte, mensagem agressiva, em qualquer idioma, ou mesmo somente sons agressivos, distribua novamente papéis e tintas, tendo recolhido os desenhos anteriores e observem a reação das pessoas, as cores que utilizam, as formas de se expressarem, a conduta para com os colegas que passam pela mesma experiência e pode-se constatar a diferença gritante no comportamento, nas obras, nas cores.

Este projeto era sobre TRÂNSITO. A música no trânsito. E vimos que as pessoas alteram rapidamente o humor conforme o som que é colocado para ouvirem.

E deixamos a pergunta : - que música você ouve no carro? Qual música seus pais ouvem no carro? Como dirigem ? Como se comportam?

E nos 7 bilhões de pessoas existentes neste planeta, se todos tomassem consciência da importância do som, teríamos um mundo pacífico, caso voltassem suas intenções para composições voltadas à tranquilidade, à paz, à alegria, ao amor. Mas.. o que vemos ? Muitos querendo vomitar frustrações para que todos ouçam, incitar a violência através de protestos vis, deboches de toda espécie, inutilidades ou venenos para as almas.

Ainda tocaremos no assunto: frequência... Esta polêmica que eu até diria que é do bem contra o mal. Já foi descoberto que a os Hertzsão altamente úteis para equilibrarem ou desequilibrarem um ambiente, pessoas, animais e plantas. Quantas pesquisas existem neste sentindo?

E a afinação em 432 Hz que era usada nos sinos antigos, nos órgãos das grandes catedrais antigas , que também era um número importante nos vértices das pirâmides, e se formos estudar mais a fundo, vemos que a frequência muda padrões vibratórios.

Por que continuarmos e insistirmos numa frequência desastrosa que causa inquietação, ansiedade, frustração, materialismo, se temos recursos para mudar tudo isso?

Então, vejo que falta evolução espiritual para que o ser humano deixe de se mostrar e se preocupar com vaidades e queira realmente fazer a diferença no planeta, trazendo mais amor ao mundo!

Que Deus tenha piedade dos músicos que estragam a vibração do planeta e abençoem os que trazem o amor incondicional, a paz, a virtude, a felicidade!


*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.

FOFOCAS MUSICAIS CARL CZERNY

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Quando eu estudava piano e a professora me pedia pra tocar Czerny era o pior martírio do mundo. Primeiramente porque eu não tinha piano, estudava 2 vezes por semana por meia hora no colégio das freiras por 7 anos, num piano que faltava a capa das teclas, e nessas teclas com cola seca raspando nos dedos frágeis de uma criança, era uma tortura.

Em segundo lugar porque Czerny era um desafio atrás do outro, exigia concentração, independência de dedos, às vezes simetria, às vezes o cérebro tinha que fazer algo com a esquerda e ao mesmo tempo alguma coisa oposta com a mão direita, movimentos antagônicos, e isso era muito difícil. Para quem conhece o op 599, o exercício número 13 é um exemplo de tenutas, ligaduras, staccattos, dedilhados, colcheias e semínimas. Que teste! Como a professora passava a lição e tínhamos que nos virar pra entender aquilo e fazer ( não estudavam conosco), era descobrir o jeito mais fácil de conseguir e nem sempre o tempo de meia hora duas vezes por semana era suficiente para chegar a um resultado satisfatório e ainda tinham outros métodos pra estudar, peças e não sei como consegui ir em frente. Acredito que a perseverança de minha mãe que não me deixava desistir e minha extrema vontade de tocar este instrumento me fez ir adiante.

Vejo hoje em dia meus alunos que se dedicam ao Czerny, como conseguem evoluir em pouco tempo ( quando há a verdadeira consciência do quanto este grande mestre estudou para nos deixar estes exercícios fantásticos de aprimoramento técnico).

Quando estive na Suiça, como ouvinte do Masterclass em Samedam , com quatro renomados professores : Konstantin Scherbakov, Peter Feutwangler, Gianluca Luisi , Michelle Ahn, pude observar os alunos com suas mais variadas formas de desenvolver a técnica pianística que muitas vezes ajudavam ou se estavam falhas sentiam dificuldade na interpretação.

Uma das alunas, uma jovem alemã, estava tendo aula com Konstantin Scherbakov numa manhã, e eu era a única ouvinte desta aula. Sentei-me num lugar estratégico onde conseguia ver os dois pianos, as mãos do professor e as mãos da aluna e fiquei observando como ele orientava. Nestes Masterclass não se orienta exercícios de técnica mas o espírito da música, como acessar as ideias do compositor, como compreender a dinâmica , a intenção, e a complexidade da composição. Mas naquele momento específico onde a aluna tentava tocar uma passagem, seus dedos não conseguiam responder ao necessário. Eu observando e anotando. De repente o Professor Konstantin Scherbakov se vira para mim e pergunta em voz alta : -“ o que ela deve fazer para resolver isso Maria ?” Eu me assustei, fiquei vermelha, trêmula, com tanto susto e um mestre daquele gabarito me perguntar tal coisa, me senti acuada e com medo de responder. Então devolvi-lhe a pergunta : o que ela deve fazer mestre?

E ele respondeu : Czerny... Czerny... Czerny ... Só assim poderá tocar Liszt , que era a peça que a jovem Laura estava tocando para ele, Valle D’ Obermann de Franz Liszt.

Encontrei a foto desta aula e as anotações que eu estava fazendo enquanto ele dava as instruções para a aluna.

Vejam logo a seguir: fiz questão de fotografar a agenda onde eu escrevia as aulas , não transcrevi propositalmente, para que sintam o momento mais real.

No meio desta aula ele me interrompeu com a pergunta: o que ela deve fazer Maria?​

Professor Konstantin Scherbakov e a aluna alemã, Laura, tocando uma peça de Liszt para ele, quando aconselhou que fizesse a técnica de Czerny para conseguir interpretar com espírito.

Após esta aula eu o abordei no corredor e lhe perguntei: - Mestre, por que o senhor prefere Czerny ao invés do Technical Exercices de Liszt para resolver o problema técnico? E ele responde : - “ Porque Czerny é melódico e juntamente com a técnica ele eleva a alma.”

Hoje, deixo um artigo mais técnico.

Publiquei estas fotos no Facebook com um pequeno relato e ele foi parar na Suiça, na página da Escola onde foi realizado este Masterclass.

Este é o caminho do estudo árduo de um instrumento musical. Quantas horas e horas e horas dedicadas a compreender, analisar, treinar musculatura, captar sentimentos, enfim ... palmas para os músicos e palmas dobradas para os compositores!​

FOFOCAS MUSICAIS A MÚSICA E A ILUSÃO DA FAMA

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A complexidade da alma humana nos leva a refletir sobre os lados da balança. Tudo tem os dois lados.

Para que haja equilíbrio é preciso estar vigilante sempre.

Na música, encontramos nas biografias, os mais variados relatos sobre as personalidades dos músicos, geralmente começam crianças prodígio ou muito esforçadas na infância e depois conforme o caminho traçado e as consequências deste caminho as crianças vão aflorando ou potencializando ou desenvolvendo partes emocionais advindas do estudo da música, ou de seu talento ou das circunstâncias a que foram submetidas.

Relendo biografias, observando comportamentos, penso que o estudo da música deveria ser acompanhado de uma análise psicológica para que se consiga dar equilíbrio para estes seres que muitas vezes não estão preparados para a fama ou que a almejam em primeiro lugar, antes da música em si.

Os pais destas crianças precisam de orientação quanto a como conduzir um talento, qual a medida para incentivo e silêncio, disciplina e lazer, aprendizado e divertimento, responsabilidade e ócio criativo.

Vale a pena conferir as biografias de Mozart, Beethoven, Liszt, Chopin ,e tantos outros nas suas mais diferentes peculiaridades. Importante vê-los quando criança. Importante observar como os pais os conduziram e no que se tornaram. O que a vida lhes preparou de desafios como mortes, doenças, etc. E como lidaram com tudo isso.

A vaidade sem dúvida alguma foi um componente que teve seu lado positivo de brilho e seu lado negativo de decadência da personalidade.

Então, hoje deixamos este alerta sobre a ILUSÃO DA FAMA. E ainda sobre os cuidados necessários que se deve tomar para que uma criança não se torne uma reprodutora de desejos de adultos ao invés de construir sua formação musical sólida. Os estragos são grandes para alma.​

​Beethoven


​Mozart







*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.

FOFOCAS MUSICAIS OUVIR A ALMA

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​Não há dúvida de que o autoconhecimento é a porta mais larga para a pessoa evoluir, crescer e alcançar seus objetivos com segurança, se sentindo realizada.

Há que se ouvir o que de há mais precioso: a intuição.

Como se desenvolve esta habilidade de se ouvir? Por experiência própria: através da música, através do estudo de um instrumento, através da escuta profunda e atenta de sons que atingem o mais íntimo do ser, onde mora a Verdade.

O autoconhecimento é a chave para o ser humano ser mais realizado.

Quando um estudante de música começa a ficar solitariamente estudando seu instrumento, ele está sozinho consigo mesmo, se desafiando, se observando, se conhecendo, se testando, se realizando e alcançando o mais precioso: a alegria de ter conquistado o que queria: tocar!

Já comentamos aqui sobre os vários estudos feitos com a escuta musical, os benefícios ao cérebro, à alma, ao tratamento de doenças, etc.

Isso vem de fora pra dentro e funciona. Imagine algo que tenha de dentro pra fora, como desenvolvimento de habilidades e competências: coordenação motora, destreza, sensibilidade, poder de síntese, poder de interpretar, raciocínio lógico decifrando as partituras, concentração, desinibição, a tranquilidade que se desenvolve em fazer passo a passo o estudo de uma música, autocontrole é fundamental!

Amigos, o recado de hoje é direto, simples, profundo e enfático: experimente estudar um instrumento musical e colha os frutos de seu desenvolvimento pessoal!

UMA SENHORA DE IDADE TOCANDO SEU PIANO:

https://www.facebook.com/leda.grun/videos/1200612110054781/UzpfSTEwMDAwMDYyODE0ODE1NzoyNTgwOTIzMjcxOTM4NTg2/

O cérebro de uma criança mediante a EDUCAÇÃO MUSICAL

https://musiceducationworks.wordpress.com/2016/06/19/a-childs-brain-develops-faster-with-exposure-to-music/?fbclid=IwAR2WdT1YeAm_-RbocIdRBcFPh25DJJ29l8y_CXPGRRZp-3r7ljUIYvVpsg0

baterista de 2 anos de idade :

enquanto isso os asiáticos:

e no Brasil

Estes e uma infinidade de vídeos com crianças tocando nos mostram a FELICIDADE.

Vamos acordar amigos ! A MÚSICA É O MELHOR REMÉDIO PARA A ALMA !

Pra finalizar , esta doçura :

https://www.facebook.com/oficialmusicalidade/videos/2222945924468266/UzpfSTEwMDAwMDYyODE0ODE1NzoyNTc2Mzk1ODU1NzI0NjYx

FOFOCAS MUSICAIS TRANSCENDÊNCIA

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Quando acesso o youtube com vídeos espetaculares de pianistas super dedicados à interpretação fiel de cada compositor, imagino as centenas de horas, ou milhares, de estudo metódico, a transcendência que parecem estar vivenciando enquanto tocam...

Vejo a facilidade que os russos e europeus possuem no ato de se concentrarem e mais ainda quando acessam a magia do mundo dos sons, fazendo aquela viagem que os transporta para o que é perfeito.

Ao mesmo tempo fico imaginando como se sentiriam Beethoven, Mozart, Chopin, Liszt, Brahms e tantos outros gênios da música sendo interpretados de forma grotesca, brutal, ou insonsa e concreta... Que assassinato da composição, da intenção, da ideia, do autor , de tudo!

A técnica é como uma faca muito bem afiada de um Chef que vai até a cozinha e simplesmente encosta no tomate e ele se abre ao meio, perfeito, lindo. Esta é a técnica: a ferramenta para se chegar a interpretar o que quiser. Sem ela, a musculatura não funciona, não há destreza, não há recursos suficientes para a alma se expressar.

Mas ela por si só não transmite a ideia. A técnica é a faca. A alma seria o sabor que o tomate leva ao seu paladar, ele foi bem temperado? Existem ingredientes típicos de cada país para se temperar um tomate ( a música) ?

Qual é o diferencial de cada Chef para levar ao seu degustador algo tão surpreendente que ele queira de novo e de novo voltar e degustar, tamanha característica peculiar, pitoresca e que valoriza o tomate na sua essência, porém dando-lhe aromas que deixam aquele que saboreia quase em transe de felicidade e gratidão!

Faço um convite insistente para que OUÇAM... Tentem captar o que dizem os sons. Sim, porque eles dizem , emanam sentimentos, colorem a vida, mudam nossa frequência de vibração, transportam-nos para um mundo tão sutil, cheio de sensações, algumas delas não poderemos jamais definir. Falo da Música Clássica.

Um Universo infinito de possibilidades se descortina à nossa frente e saímos da rasa noção de que somos simplesmente matéria.

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.