INVENTÁRIO DE NÓS

Postado em: - Atualizado em:

Pense:

Quantos amigos sinceros fez neste ano? Quantas pessoas verdadeiramente interessantes conheceu? Quantas obras de arte o embasbacaram? Em quais livros mergulhou sem escafandro? Quais músicas entraram pelos poros? Foi ao teatro? Quais as obras arquitetônicas parou para se deliciar com a visão? Para quais lugares valeu viajar? Quais museus frequentou? Quais certezas o levaram a caminhos, que considerou tortos? Quais incertezas o lavaram tomar decisões, consideradas tortas, das quais não se arrependeu? Quais mentiras indecentes esteve predisposto a contar? Em que mentiras indecentes esteve propenso a acreditar? De quantas pessoas, consideradas desinteressantes, fugiu? Quantas vezes se arrependeu? Quantas vezes valeu a pena parar para admirar uma obra arquitetônica? Quanto valor deu ao aprendizado da história? Quanto valor dá ao conhecer, ao invés de decorar? Estudou filosofia e sociologia? O quanto sobre gente aprendeu? Quantos abraços deu? Quantas pessoas empurrou para fora do seu convívio com uma mensagem de watsapp? Por quantas pessoas realmente se apaixonou? Quantas pessoas odiou? Quantas pessoas realmente admirou?
Nosso mundo capitalista é quantitativo, contabiliza até emoções e fantasias. Você se tornou qualitativo? O quanto de conformismo ainda carrega? Ainda é capaz de argumentar? Defendeu seus ideais sem achismos ou fanatismos? Defende alguma causa social? Defende alguma causa ambiental?
Se você contabilizou tudo isso teve uma vida sem graça. Emoções, sensações e ideais é impossível contabilizar. Se você consegue, não viveu. Foi nuvem que passou e não fez chover.

Contabilize:

Comprou um terreno? Uma casa? Um carro importado? Enfurnou-se em uma mansão em um luxuoso condomínio fechado? Adquiriu um luxuoso apartamento à beira mar? Adquiriu alguma fazenda? Entrou para o seleto clube da elite? Comeu nos melhores restaurantes sem precisar conferir a conta? Viajou para a Disney, porque esse era o seu único propósito para acumular? Realizou todos os seus sonhos de consumo? Deixou de ser mais um na multidão, agora é celebridade? Virou doutor, mesmo não tendo doutorado? Passou a ser reverenciado por um bando de puxa-sacos? Passou a ser agraciado com prêmios que precisa comprar para receber? Passou a ser chamado de pessoa bem sucedida e por isso estampa capas de revistas? Anda cercado de seguranças? O mundo capitalista exige o bolso e a consciência, você está disposto a entregar-se de corpo e sem alma? Você, em algum momento, parou para pensar, ou se deixou levar pela onda consumista? Sua maior terapia é comprar, inclusive pessoas? 
Para você, somos o que somos ou o que pagamos para ser? Quanto você vale? 
O mundo capitalista contabiliza o concreto, só por causa dele as pessoas creem no sucesso. 
Só por causa desse tipo de acumulação, o ano é considerado por nós um ano repleto de realizações.

Feliz vida, repleta de conquistas, desejo-lhe, paciente leitor.

Eta!Mundão sem porteira

Postado em: - Atualizado em:

(O Boca do Inferno - preso no mata burro)

É filosofia do caboclo mineiro: Esse mundão então não tem porteira, não tem paredes, não tem cerca não. Ledo engano. A gente se engana. Gente se engana sempre. Talvez, inspirado nesta filosofia, Guimarães Rosa tenha escrito a magnitude explicativa enigmática “O sertão é o mundo”. Esse mundão em que, se eu me chamasse Raimundo, não seria nem rima, muito menos solução. 
Guimarães não se esqueceu das veredas desse grande sertão. Pôs nele Diógenes, discípulo do cão, e pôs Diadorim ora homem, ora mulher, os dois num só, o que desperta paixão. 
Riobaldo, protagonista das Veredas desse grande sertão, mundo cão, rabiscou: “As pessoas ainda não estão terminadas, afinam e desafinam”. Protagonistas de um duelo que por paixão começa, mas não termina não. Há crime, azar, medo, covardia, sina, epifania, não há compaixão.
Nesse mundão, todo mundo tem a sua hora e a sua vez e a sua vai chegar, né mesmo? Mesmo. A existência é epopeia: amor de um; desejo de outro; beleza na morte; tristeza na vida. Destino desatinado que não admite comiseração, mesmo que Augusto arrependido o mal traga. Morra Diadorim de bala e Riobaldo de recordação. Sempre haverá Veredas, encruzilhadas, um velho cego e um cão sarnento que teremos que abraçar ou abandonar, sempre haverá um Diadorim, que parece uma coisa e é tantas outras, cegueira ou visão ou demência ou ilusão ou tudo assim ou assim não. Mundão, quase humano, desumano, ilusório de Rodapião.
Jumento não é gente, não tem ilusão, nem paixão, por isso, na sua filosofia, para antes do mata burro, todo dia, pra não ficar preso, indefeso, não atravessa córrego que vira rio, que tem fome de vida, fome de gente, de corpo ainda quente, que tinha achava que tinha que resolver consigo algo tolo, que considerou urgente.
As pessoas, que nunca estarão terminadas, dão a volta no mata burro, abrem a porteira, pulam dentro do rio, a existência é extravio, dentro da corredeira, a vida é correria, se pudesse o tempo morderia e, com a juventude eterna ficaria. Gente não tem medo da vida não. Quer se terminar, atravessando de canoa, para no outro lado desembarcar e assim desembestar a se procurar, sem nunca se achar.
Esse mundão tem paredes que se vê e outras que estão escondidas num senão, tem cerca de arame farpado, o destino traçado. Isso é verdade como dois e dois são cinco, a curva é um vinco na filosofia de todo dia. Farpa entra na carne e dói que nem saudade. Quem passa por cima se arranha, quem se arrasta por baixo sai arranhado. Não tem fuga não, de vez em quando tem um tiquinho de felicidade.
Burro que não é burro não encosta em cerca em dia de chuva não. Raio é chicote que mata com chuva forte. Chuva engole os que sobram e os que soçobram, mesmo dentro da moradia, carrega no lombo o que queria e o que não queria. A morte também finca moradia. 
Boi bravo arrebenta cerca. Não tem medo. ou tem? Boi bandido não encosta na cerca quando a chuva vem. O raio é relho, farpa, marimbondo na ponta da vara, a vida encara, desmascara, desce no lombo, provocando tombo, fere, o destino digere, cria agonia. Raio relho não extravia. Boi bravo é pego e logo sacrificado. Boi esperto conhece de perto o dito popular "Na dificuldade, sapo aprende a pular", tanto que anda de um lado pra outro resignado. Anda, anda, sempre anda, para não engordar. Preferível rodar no mutirão ou ficar arrastando carroção. Morrer de velhice, comer sem virar comida, assim é a lida. Bois, que ficam juntos, morrem juntos, já foram engordados para engordar gente. Esse mundão tem paredes sim, tem porteiras sim e principalmente boca, boca de gente. Essa é a vereda de gado, sem escolha, sem paixão, esperando apenas a anunciação. Apenas um grito, um barrete, um porrete, sem perdão.
De dente em dente, o boi é triturado pela gente e, devagar o boi tritura gente também, mas gente não sabe disso não. Gente só quer se abastecer de morte para ficar vivo. Não importa a vivência, mesmo que desvivida. O mundo é toada, parece cantiga de ninar. Soa como canto de sereia em luar.
O dono da fazenda sabe como fazer tudo andar e tudo parar, ele tem a sela e o relho, o mata burro, a carroça, o carroção e o dinheiro que compra ilusão. Realmente “Viver é muito perigoso”. Né mesmo, Rodapião?

O bobo

Postado em:

O BOBO

(LUIZ CLÁUDIO JUBILATO - 27/07/2014 - dia do escritor)

Quando a escrita ainda garatuja pulava amarelinha brincava de polícia ladrão, a dona das verdades universais recitou pra molecada de cara borrada regras sobre como escrever bem. Até hoje não sei o que é isso também. Tolo, quis trancafiar Palavras entre a margem da folha e o ponto final. Elas se libertaram das algemas, fizeram da minha pretensão carnaval. Não se esqueceram de vomitar em cima de mim Palavra é ser camaleônico, pode escapar, pode fazer viver e/ou matar e/ou roubar.

Palavra ora tormenta, ora inventa, ora se reinventa, hora atormenta: língua solta, língua de trapo, língua de sogra, língua de sapo. Escrita, ela tem roupa cara de documento. Falada escapa pelos olhos foge como o vento espalha, cara de “invento”. Será palavra cachorro vira-latas, não aceita coleira, nem lei. Tempo morto, mofo Assinava-se com a mão, apagava-se com borracha, não com toque de botão.

Vírgula cria silêncio entre palavras. Interrogação cria o talvez, o sim, o não. Parênteses encarceram pensamentos. Aspas lhe dão status quo. Palavra faca cega, cega. Substantivos, adjetivos, preposições, verbos, conjunções, pronomes agarram-se, amarram-se, devoram-se, despem-se. Às vezes, soltam-se sem cadeias nem amarras.

Palavras têm olhos, pernas, fogem, abraçam, correm, comem, tramam, sem um por que rasga o indivíduo, o estilo. Meu corretor, não corrige, me dirige, não sabe nada de nada, não sabe de línguas nem que palavras bichos indomáveis. Por trás da máquina, há o homem programado, programador, errante, como errei ante o cânone, errei de proposto, errei para rimar. Há uma intenção. Ele não conhece suscetibilidades, subjetividades, sensibilidades. Aprendi a brincar com as palavras, errar de propósito. Sem submissão, com razão.

Tempo presente, digita-se com a ponta dos dedos, minha identidade é minha assinatura, não minha senha. Não tenho a soberba de declarar-me escritor, escrevinhador, poetador romanceador, seja lá o que for, numa civilização da dor: cultivador, semeador, elevador,

Palavras são escorregadias, aceitam bocas correntes, não aceitam correntes. Abraçam sem pudor, os complacentes, os coniventes, os dementes e os inocentes. Palavras são cavalos indomáveis. Não aceitam sela, nem cela. Tem um organismo libertador. Num dicionário, vestem-se de fraque. Fora dessas circunstâncias, podem ser comidas por traças, mergulham no mar, mesmo sem saber nadar.

​QUEM SE IMPORTA? LIVRARIAS fecham. BIBLIOTECAS vivem às moscas.

Postado em: - Atualizado em:

Sofro de duas doenças incuráveis: saudosismo patético e indignação imbeciloide. Aposto na utopia, contudo enxergo a distopia. Tecnologia é bom e é ruim. Tecnologia é camaleão.

Quando os discos de vinil deram lugar aos toca-fitas, senti calafrios. A arte das encadernações fantásticas sumiu. Um idiota da praticidade me disse que era o progresso, assim preservaríamos melhor as florestas. Lojas e mais lojas faliram. Algumas, para sobreviver, incorporaram as batatas.

Quando os livros de papel deram lugar aos e-book, não são apenas as traças que perderam o emprego, os artistas das capas e encadernações também. Um idiota da praticidade me disse que assim preservaríamos melhor as florestas. Livrarias estão fechando e, muitas, para sobreviver, incorporam as batatas.

Quando as salas de cinema dos shoppings chegaram, os alicerces das salas urbanas tremeram. Com as plataformas streaming, ninguém mais precisa ir a lugar nenhum, para assistir a um filme. O eu sozinho matou o só na multidão. Algumas redes de tevê, para sobreviver, vendem batatas.

Quando uma livraria fecha, morremos um pouco mais. O antigo ocupa espaço e tem cheiro de calçamento. O novo desocupa o espaço e tem cheiro de asfalto. O fechamento deixa um vazio imenso, não só um buraco dentro de portas cerradas.
Quantas pessoas perderam seus empregos, por causa desse necessário progresso? Quantos milhares de salários deixaram de ser pagos? Quantos deixaram de girar a roda da vida? Progredir dói. Pessoas são capazes de matar por batatas.

As bibliotecas também estão às moscas e, daqui a pouco, perderão o sentido, tanto quanto as cartas, a escrita cursiva (nossa identidade), as notas, os nomes de ruas, praças e avenidas (a identidade da nação). A digitação, o cartão de crédito, o spotfy, o e-mail são como plásticos cheios de bolhas: é uma delícia estourar cada uma. Há ar comprimido apenas. Estão aí para também não ficarem.

Somos um país em que não se lê quase nada e livro é caro. A elite prefere comprar uma calça jeans. Coitada! Ela crê que se lê um livro apenas uma única vez. No mundo da palavra, não as incorporamos, simplesmente porque não as conhecemos. Obrigar alunos a lerem livros para fazer provas é usar a literatura como instrumento de tortura. Escolas, professores e bancas examinadoras são co-responsáveis pela falência do ensino e das livrarias e pelas baratas nas bibliotecas.

Há momentos em que o passado dói como uma ferpa enfiada no dedo. Desculpem: hoje se usa MDF, granito, azulejo e madeira tratada. Não há mais lugar nem para ferpas, nem para para a saudade patética, só para as florestas destruídas e as batatas.

100 anos da vírgula

Postado em: - Atualizado em:

*100 anos da vírgula*

Campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa)!

*A vírgula pode ser uma pausa... ou não:*
Não, espere.
Não espere.

*Ela pode sumir com seu dinheiro:*
R$ 23,4.
R$ 2,34.

*Pode criar heróis:*
Isso só, ele resolve! 
Isso, só ele resolve!

*Ela pode ser a solução:*
Vamos perder, nada foi resolvido! 
Vamos perder nada, foi resolvido!

*A vírgula muda uma opinião:*
Não queremos saber! 
Não, queremos saber!

*A vírgula pode condenar ou salvar:*
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!

*Uma vírgula muda tudo!*

ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

Considerações adicionais:

*SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA*.

* Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de *MULHER*.

* Se você for homem, colocou a vírgula depois de *TEM*.

​A palavra enlouquece

Postado em: - Atualizado em:

(Autor desconhecido para mim, mas texto que merece ser publicado)

Português é uma das línguas mais difíceis do mundo.
Meia, Meia, Meia, Meia ou Meia?
Na recepção do salão de convenções, Fortaleza:
- Por favor, gostaria de fazer minha inscrição no Congresso.
- Pelo seu sotaque vejo que o senhor não é brasileiro. O senhor é de onde?
- Sou de Maputo, Moçambique.
- Da África, né?
- Sim, sim, da África.
- Pronto, tem palestra agora na sala meia oito.
- Desculpe, qual sala?
- Meia oito.
- Podes escrever?
- Sessenta e oito, assim, veja: 68.
- Entendi, meia é seis.
- Isso mesmo, meia é seis. Mas, não vá embora, só mais uma informação: A organização cobra uma pequena taxa se quiser ficar com o material. Quer encomendar?
- Quanto pago?
- Dez reais. Mas, estrangeiros e estudantes pagam meia.
- Hmmm! que bom. Aqui está: seis reais.
- Não, não, o senhor paga meia. Só cinco, entende?
- Pago meia? Cinco? Meia é cinco?
- Isso, meia é cinco.
- Tá bom, meia é cinco.
- Não se atrase, a palestra é às 9 e meia.
- Então, já começou há quinze minutos. São nove e vinte.
- Não, não, ainda faltam dez minutos. Só começa às 9 e meia.
- Pensei que fosse às 9:05, pois meia não é cinco? Pode escrever a hora que começa?- 9 e meia, assim, veja: 9:30
- Entendi, meia é trinta.
- Isso, 9:30... Mais uma coisa, aqui o folder de um hotel com preço especial para congressista... Já está hospedado?
- Sim, na casa de amigos.
- Em que bairro?
- No Trinta Bocas.
- Trinta bocas? Não existe esse bairro em Fortaleza, não seria no Seis Bocas?
- Isso mesmo, no bairro Meia Boca.
- O bairro não é meia boca, é um bairro nobre.
- Então deve ser cinco bocas.
- Não, Seis Bocas, entende, Seis Bocas. Chamam assim por causa do encontro de seis ruas, por isso seis bocas. Entendeu?
- Acabou?
- Não, senhor... é proibido entrar de sandálias. Coloque uma meia e um sapato...
O africano infartou!

​HOMÚNCULO

(O BOCA DO INFERNO – qualquer semelhança com seres reais, não é mera coincidência)

Postado em: - Atualizado em:

A arma de um homenzinho é a caneta, a desmemória proposital é o corretivo ortográfico. O fim da linha é a margem da página e não a desonra em praça pública. Não conhece honra. Nunca conheceu: “Os inimigos de hoje são os correligionários de amanhã”. A arma de um antropoide é a deshistória, a mentirada descaradamente desmentida. A mentira encarnada, o povo descarnado já a tem, por mais que proteste. A raia miúda rosna, mas não morde, segundo sua desfilosofia. Celebra a ignorância do povaréu: aquele populacho que vende a própria carne por um punhado de promessas infactíveis e, época de pleito. 

O povo, o povinho, o povaréu, o populacho, a ralé, a raia miúda, esse ser “estranhamente concreto”, ao qual se refere, como se dele estivesse acima. Insuspeito ser acima de tudo, inclusive do reles seu penteado. Não era povo, nunca foi, esteve sempre à margem daquela coisa fedorenta. Fingia estar sempre apiedado da fome de justiça social. Bradava com a fleuma de Antônio Conselheiro para a patuleia ensandecida que queria apeá-lo do “pudê”. Sabia que grãos de milho contentaria a fome de um dia, então ser esdrúxulo volta para casa esperando a próxima esmola.

Sentia-se um quiromante. Falava em nome desse ser concretamente abstrato, como um crente fala de Deus: aquela intimidade desmedida.

A mulher de curvas sólidas o chamava de benzinho; a filha, cara pálida, o chamava de paizinho; a mãe: uma para ele, outra para os outros, como a de um juiz de futebol, de pluft. O ser por quem falava, o elogiava com palavras não muito elogiosas: golpista! Filho da puta! Safado! E por aí vai.

Como Pluft, sempre se moveu sem ser notado, conhecia os caminhos e descaminhos do poder. O modo mais seguro de consegui-lo, era empurrar o cotonete ao limite do razoável no ouvido do correligionário e depois retirá-lo devagar até que o dito gemesse. Era o seu orgasmo. Sem a cera, outro saberia quem mandava, quem seria o corrompido e o corruptor. Masturbava-se depois. Nunca ninguém o notava, era onipresente, onipotente, onisciente; ora adentrava o ânus de um; ora abocanhava o pênis de outro; ora perpetrava seus desideaisno discurso de um; ora empurrava palavras nos ouvidos de outro.  

Ele, por baixo dos ralos cabelos brancos, cria no “Benzinho” não muito bem, apesar dos seus bens. Era o máximo que podia suportar da mulher: “benzinho o arrepiava”. Amor desinteressado, iludia-se mergulhado nas rugas que sobraram depois da último aplicação do botox. Gestos calculadamente cronometrados, embonecados. Parecia estar eternamente sentado no colo de um ventríloquo, mas era o contrário. Seu negócio era negociar. E como comprava...! Como vendia...! Como desavergonhadamente se vendia...! Sempre descumpria o que descumprira através dos anos, dos ânus, amém. Era seu próprio deus e a manipulação de sua única religião. 

Recebeu vários apelidos: Garção de filmes de terror; Drácula; Pinóquio; Corleone. Mas, gostava de um em especial: Ghost.  Sentia-se seu gostwritter. Discursava sobre o tema no qual não acreditava. Discursava um discurso que não era dele entre dentes, mas imposto pelas circunstâncias. Sabia jogar o jogo. Mamando sangue, sabia que o “dele” estava retirando da ponta da linha reta. Devagar, empurrava o outro em direção abismo: sarcasticamente, oferecia o paraquedas e também o veneno, caso o outro preferisse o suicídio, à procuração. Gritava: “Dê-me a procuração. Berrava pra dentro. Esquecia o perdigoto”.

Seus sapatos 35 o levaram muito mais longe do que jamais poderia imaginar: ao seu plano alto, gabava-se, escondido atrás das pilastras e dos vidros pretos da Limosine. Para realizá-lo, propôs-se a ser pernilongo e não raquete, pera e não vidraça, mosquito, mas não merda. Chupou sangue contaminado, até enfraquecer o arrogante incauto. Passadas matemáticas à espera de que raízes, enfim, brotassem sob seus pesinhos de gueixa, mas elas insistiam em continuar sementes. E balançou, sem crer que jamais crer na queda. Sempre esteve indeciso entre o “Outono do patriarca” e “1984”. Não criou raízes, como o patriarca; nem seria o “Grande irmão”, sabia. Mas, quem sabe o pequeno irmão? Ou o irmão adotado pela imbecil arrogante.

Media as palavras, compassava-as com régua, sempre solenes, até quando dizia: “Preciso, deveras, de um penico”. Contido, dardejava palavras, aprisionava os plurais exatamente, jamais duvidava da concordância delas com o sujeito, preferia as palavras proparoxítonas, os superlativos, os verbos no imperativo, as mesóclises, os poemas parnasianos em dodecassílabos (mais perfeitos que a perfeição), amava os sonetos fechados com chave de ouro... Ouro...!

O nariz adunco superava o queixo altivo. Ora parecia águia, ora rato, nunca papagaio. Seus dedos pequenos executavam poemas e pessoas a bordo da tinta preta da caneta ambicionada. Não se podia dizer que vivia escondido nas sombras, a sua era pequena demais para existir. Exímio constitucionalista, traía a constituição, como se trai a mulher desamada, desalmada. Era sua bíblia, mas também seu índex.

Exímio manipulador, acabou encarcerado pela ambição. Esqueceu-se de um de seus princípios básicos: nunca colocar a bunda na janela. Minotauro, acabou “General no seu labirinto”.

Homenzinho, zinho, inho. Não era um monstro como se pode imaginar, já ultrapassara essa barreira. Amava, incondicionalmente, cobras e estrelas. Mas, não amava pessoas, elas eram apenas objetos de decoração.

Não há mais nada a dizer. A história dirá. E se sela o reduzir ao seu tamanho?

​COMO FAREMOS PARA MUDAR ISSO

Postado em: - Atualizado em:

(O BOCA DO INFERNO - NO DIA DA DESRAZÃO)

As coisas não estão encaminhadas, crianças caminham desnorteadas, rotas, desagregadas, sem futuro, nem comunhão.
O mundo nunca foi melhor e nem pior. O mundo tem a idade de cada história. Cada um de nós é a sua própria história.
Não somos apenas roupa rasgada e ideias na cabeça: não somos apenas canções ou bordões. Não precisamos de remendos nem costura. Não somos Frankenstein. Somos o presente. Ignóbil, sorridente, indecente. Somos o presente demente, histérico, imediatista, suicida.
Somos objetos para todo tipo de penduricalhos sim. Somos consumidores consumíveis sim. Somos o objeto do desejo sim. Somos o objeto que deseja sim. Somos o objeto.
Precisamos de mãos, olhos, ouvidos, boca e cérebro. Precisamos da palavra que não computa a dor, que não eleva dor, não acende a dor.
Precisamos mudar esse estado de coisas, esse estado e essas coisas: buracos na nossa percepção, mentiras dentro da nossa percepção, buracos, roubos para a nossa percepção, buracos, buracos e mais buracos e muito fedor. Há bandidos de gravata, tumor, câncer. Cansamos de ser? Cansamos de ter um dedo que ruma estirado, traído rumo à urna, rumo à tumba por quatro anos. Sofremos de Alzheimer político, de miopia politica, Sofremos. Não vamos omissos a bordo de um dedo às urnas? Nem vamos? Todos são o mesmo?
Ninguém nasce para ficar pequeno, nascemos para nos mudar, nos desfrutar, nos encontrar nas passeatas, nas praças, nas ruas, nas esquinas. Nascemos para querer, para pegar, para transformar, senão quem seremos?
Todo mundo nasce para tirar o lombo da chibata, não para presentear, com sua apatia, o feitor. Estamos com o lombo presente. Presente para o torturador. E reclamamos de que? Recusamo-nos a dar um passo à frente. Como sempre. Como nunca. Como quem não come.
O efeito dor está aí, temos que sair debaixo da toga dos desgraçados, dos que nos mandam respirar, calar, murmurar. Dos que querem nos subjugar. Dos que cobram dos outros a ética. Estética da qual sempre lançam mão por mau caratismo, por cacoete.

Como faremos para mudar isso?

É mentira: o nosso sol não brilha, nem brilhará um dia se você não acender a luz do seu quarto, do seu querer, da sua visão, da sua consciência, senão virará animal adestrado, objeto de consumo, produto de marketing..
Suas mãos viram a chave, abrem a porta, acendem a luz, suas ideias, suas utopias, suas epopeias. Suas mãos são suas, mas são guiadas, teleguiadas, armadas: morte do raciocínio, apenas rabiscos, garatujas.
Arme um idiota e ele destrói um mundo, usurpa um pensamento, enclausurada o que o desmascara, finge ser dono da moral e os bons costumes, seja lá o que isso signifique. Não estão nem aí para os seus filhos. Veem coerência nos incoerentes.
Arme um cretino e ele abraça outro fanático, constrói uma seita. Toda seita não aceita o seu contrário, o seu oposto. Simples assim. Lema: matar para justiçar.
Arme um energúmeno e ele mata garotos a esmo na escola. Mata a professora. O alfabeto, o analfabeto, o futuro na sua desrazão, mas reivindica suas razões, sua sde de vingança contra a sociedade, ouvindo vozes, vítimas suspeitas de bulliyng, maus tratos, solidão, pecado.
Ponha uma arma nas mãos de um cidadão de bem (?): se ele segurá-la, fuja. Ele não lhe quer tão bem assim. Mata o que crê inútil, fútil. Mata com sua viseira. Tem certeza nas suas incertezas. Não pensa nos próprios filhos nascendo na violência.

Como faremos para mudar isso?

Precisamos de adubos: precisamos de novas roupas coloridas, urgentemente de novos poemas, novas ideias, novas canções.
Nossos jovens estão monossilábicos, em que gaveta guardam o grito, lhes ensinamos o mutismo. Eles aprenderam rápido. Suicidam-se no silêncio, com silenciador e sua dor.
Nossos jovens sobreviventes preferem a disciplina à revolução, morreu a crença, agoniza o ideal, a fantasia. Cresce a mentira. Eles engolem. Mais fácil. Não há atitude a tomar, é só empacar. Como um jumento diante do córrego.

Como faremos para mudar isso?

É mentira, a ameaça de uma tempestade destruidora. A tempestade já está aqui há muito. A tempestade é a arma: ela afoga, através do discurso torto, da bala perdida com endereço certo, do assassinato do opositor que acha que sabe nadar. Ela afoga a poesia, a mudança. Ela quer destruir o que está, para nos presentear com o passado.
A chuva molha todo mundo, até quem acha que o guarda-chuva lhe protege. Não há inocentes numa dita chuva. A chuva de vento começa pelas pernas, chega à cabeça com o vírus, as secreções e a febre. Não há inocentes, dita a chuva. A chuva adoece o corpo e a alma. A chuva impede a luta. Aliena. É preciso pisar no barro. Afogar-se na lama, virar esterco. Como quem quer uma ditadura, se já vive sob ela? Como uma pessoa exige uma doença degenerativa? Bata no seu filho e atente para o monstro que criará?
Onde nossos jovens guardaram seus ideais, suas palavras de ordem, seu canto de guerra? Não pensam, não sabem da força da palavra, preferem o mutismo da vaca de presépio. Do não é comigo. Da brincadeira de cabra cega. 
Precisam ser ensinados, não doutrinados. Educação ou condução?

Então, como faremos para mudar isso?

É mentira do seu avô, no tempo dele nada era melhor: o passado está morto, mas não enterrado. É cadáver insepulto para culto dos saudosistas renitentes, a inflamação dos que não sabem e ódio dos motores, motores impulsionam para frente. 
Nossa estrada tem muitas curvas, curvas são necessárias para chegar às retas e as retas para chegar às curvas, como a mulher grávida que traz dentro de si sua continuação.
As coisas não estão encaminhadas, caminham, crianças precisam ser educadas, os velhos de velhas ideias precisam de empurrões.
O cotidiano cheira a merda nas páginas e nas telas e nas bocas. Insatisfação é bom. É o germe da ambição, o adubo da revolução.
Dente cariado precisa doer para ser tratado.
Há muitos traficantes e passantes; há bocas de lobo protegidas por dentes de ferro no passeio. Estão ali para machucarem saltos distraídos, romper tendões, ligamentos.
Há muita porrada a torto e a direito, os altos saltos agulha fingem não ver, é mais cômodo contornar a boca, já que lobos escondem a merda no submundo.
Dominar os ignorantes é torpe. Desapropriar a própria ignorância é distopia. Desabrigar a própria consciência virou mania.

Assim, como faremos para mudar isso?

Liberdade não existe, é mentira mal empregada, outrora desempregada, inventada para entreter quem se fartará com a revolução. Quem se infectará com a regressão.
Liberdade é como privacidade, cada um tem a ilusão de conseguir a sua.
Liberdade não é disciplina, é desrazão, é muro, é condução.
Como se faz para ascender a chama de quem não quer lutar, nunca soube idealizar, nunca soube o que é pensar? Sabe tão somente decorar.
A chama chama. Chama por uma utopia. Mas, não chama o ascendedor.

​MAIO, O MÊS DO DESMAIO

Postado em:

Caro VESTIBULANDO, já escrevi e falei tanto sobre isso que pensei em não fazê-lo de novo. Porém, como sou um educador e ensinar significa repetir, então escreverei e falarei de novo, de novo, de novo, tantas vezes quantas forem necessárias, para ver se consigo tapar esse buraco.

Cuidado com o mês de maio, ele é um grande divisor de águas, pode ser o responsável pela sua vitória, mas também pela sua derrota. Por quê? Porque, se você resolver "chutar o pau da barraca" agora, arrumando todo tipo de desculpas para não fazer o que tem que fazer, pode começar a pensar no melhor cursinho para o próximo ano.

Se você acha que o capítulo de hoje de "Malhação" é imperdível, abandona os cursos e aulas de apoio que iniciou, porque não dá conta. Arruma defeitos em aulas e professores só para justificar o motivo pelos atrasos constantes e a "matação" indiscriminada das aulas. Se você vai a todas as festinhas e filmes durante a semana. Se você faz cara de tédio e alega estresse para não fazer nada, alguma coisa está errada. E muito!!! "Sua vaga subiu no telhado".

É um erro acreditar que a sua vaga em uma faculdade se decidirá em uma “aula dica" no final do ano ou nas vésperas da prova. Na verdade, ela se decide muito antes, desde o momento em que sua família escolhe a escola em que você irá estudar. Quando pais e filhos traçam um projeto de vida juntos. Quando há comprometimento de ambas as partes com esse projeto de vida. Passar ou não nos exames é outra coisa, depende de uma série de fatores. Saber a matéria é apenas um deles, mas isso fica para um próximo texto.

O que o mês de maio tem de tão especial? Fácil. Ele é o mês da rotina. Não há mais novidade alguma, pois o vestibular, a cada dia, ganha traços muito mais definidos e repetitivos. As piadinhas dos professores começaram a perder a graça, os companheiros de sala de aula já se dividiram nas famosas panelinhas e os simulados viraram um pesadelo de quase todo final de semana. Sua vida se resume em aula: ou você está numa aula ou indo para uma ou voltando de uma ou se preparando para uma ou até mesmo sonhando com uma.

As cobranças familiares arrefeceram, as das escolas aumentaram, passaram a bater nos mesmos assuntos "chatos" que ninguém "aguenta" mais. A cada discurso em que o professor "cobra" mais estudo e o coordenador desanca os "coçadores", as próprias cobranças começam a ganhar contornos de filme de terror.

Se você adiar tudo para as férias, esqueça. Ninguém estuda nas férias. Observe: muitos dos seus concorrentes se matriculam em cursos de apoio em maio ou procuram professores particulares. Por quê? Porque a rotina já lhes ensinou a procurar meios de fortalecer as partes em que estão fracos, senão ficarão pelo caminho. Os ditos "vagais" agarram-se às desculpas para ficarem livres das cobranças. Se você se dói diante de qualquer cobrança, confundindo com esperto”, está na hora de rever conceitos, ou seja, precisa começar a se preocupar em fazer uma atividade física, reservar uma parte do final de semana para você. Se você chora até em comercial de margarina, precisa de ajuda especializada. Você tem que se ver como um ser humano, não apenas como vestibulando, senão os cursinhos agradecem.


Um dia já foi maíte

Postado em: - Atualizado em:

​Agora virou abrilite, sintomas da vestibulite

Chilique” de vestibulando em maio sempre foi “normal”. A rotina atropelava. Era o momento dos olhares perdidos, quartos trancados, longas conversas com o travesseiro, longos desabafos com os professores e amigos, irritação até com a respiração dos pais, choro até em propaganda de margarina. Bom dia, diz a mãe preocupada com as “pirações” do filho(a). Papo reto: “Só se for para vocêeeee”. Em seguida, o desabamento: “Não aguento maissssss”. Eram os sintomas da “maíte”, que agora virou “abrilite”. Antecipamos as crises existenciais adolescentes. Em janeiro, já começa a vestibulite: “Topo qualquer faculdade. Qualquer uma”.

Extremos: balada, namorada(o) x noite acordado(a), desesperado. “Chuto o balde e espero o milagre ou me mato de estudar e espero o milagre”. O “cara do” lado é muito melhor que eu. Minha nota caiu no primeiro simulado: não vou passar. Isso em abril. “Vou fazer dez vestibulares, para não fazer cursinho”. Isso já em abril.

Muitas escolas abriam turmas em maio. Havia o fenômeno: muitos alunos descobriam que era possível deixar de namorar a vaga na universidade e se casar com ela. Outros, sem explicação plausível, rompiam o relacionamento. As escolas não abrem mais. Era inimaginável uma crise existencial já em abril. É verdade que o relacionamento com a vaga era estilo montanha russa. Há alguns anos, o sonho era casar com as universidades públicas; agora não, agora topam o vale tudo, até entrar na faculdade da esquina, o negócio é ser universiotário. Haverá em maio vestibular em um “montão” delas. Resultado: a “maíte” dançou, virou abrilite.

As crises existenciais causadas pelo “imediatismo” trazem consigo excesso de café. Vestibulando confunde ficar acordado com estudar, apostila com bíblia, aula com reza. Único assunto: neste ano, acho que não vai dar. Parece participante do BBB. O único assunto é: “Quem vai para o paredão”. O resultado ruim no simulado dispara o gatilho: “Fui mal, desisto”. Isso em abril.

Ansiedade, depressão, desespero, medo, desânimo, frustração, olhares perdidos. Psicólogos, psicopedagogos e psiquiatras nunca tiveram tantos jovens nos seus consultórios. Há um mês, durante a Oficina do Pensamento, no Criar, uma aluna expôs sua condição de vestibulanda: aos 16 anos, trazia consigo a problemática de uma senhora de 40, com cinco filhos e dois empregos para sustentar a casa, tal a pressão e responsabilidade que colocou sobre seus ombros. Eu e o psicólogo, mesmo acostumados com comportamentos de vestibulandos, saímos assombrados. O que nós, pais e mestres, estamos fazendo? Estamos criando a juventude mais velha da história, a mais doente: a geração Rivotril? Ou a turbinada, à espera de um milagre: a geração Conserta, Ritalina? Ou a conectada, desconectada: um caminhão de informações e nenhuma capacidade de decodificação?

O papa Bento XVI falou sobre a realidade da universidade “utilitarista”. Quem pode contestá-lo depois das evidências? Alunos do quarto ano da medicina da USP tentaram o suicídio e dois de universidades particulares conseguiram. A USP até criou o movimento #DAUSPRACASA (sobre o qual já escrevi).Quem pode contestar a realidade: a escola de informação matando a escola de formação? O ENEM encaixotando a criatividade em nome de um modelo? Um aluno, no terceiro colegial, não conseguir escrever um texto, em 30 linhas, na sua língua natal? Já em abril, acha que não conseguirá. Refaz provas de anos anteriores para saber como a banca examinadora se comporta, porque, de um ano para outro, a universidade não cria nada de novo. O negócio é manter o negócio. Um vestibular a cada trimestre. Resultado: vestibulite.

Outro dia ouvi uma frase absurda dita com seriedade por um aluno frustrado. A “educadora” disse em sala de aula: “Vá lá aprender a escrever e volte aqui que eu te passo no vestibular”. Pergunte a um aluno se ele tem uma estratégia para estudar, se pensa em si como um ser humano e não como um simples vestibulando. Pergunte se um dia pensou que, se não estuda agora e não aguenta a pressão, se terá estofo para suportar o peso de uma boa universidade? Talvez lhe espante, meu despreocupado leitor, com a resposta. Digo que entrar na universidade é difícil, ficar nela é muito mais difícil. Não interessa. Não é à toa que as crises existenciais chegam cada vez mais cedo e um jovem parece cada vez mais velho. Maio virou abril. A pressão virou depressão. A ansiedade virou desespero. Universitário não sabe redigir. A abrilite tomou o lugar da maíte, sintoma imediato da vestibulite que, infelizmente, lá na frente virará outobrite. Em 2017, outobrite virou setembrite. Tenho medo que, neste ano, setembrite vire agostite. E, se acontecer, vamos esperar que um aluno se suicide, para lançarmos uma campanha? Qual seria?