​10 + 10 + 10 + 10 bummmm

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10 passos para fazer uma redação nota 10. 10 passos para passar no vestibular. 10 passos para ser feliz. 10 passos para comer bem. 10 passos para viver uma vida saudável. 10 passos para evitar a ansiedade. 10 passos para evitar a depressão. 10 passos para evitar a demência. 10 passos para garantir uma aposentadoria segura. 10 passos para comer bem. 10 passos para ser um vencedor. 10 passos sobre como usufruir dos dez passos.

Como viver uma vida saudável. Como alcançar qualidade de vida. Como aproveitar todos os benefícios que o azeite traz. Como aproveitar todos os benefícios que o vinho traz. Como usufruir dos cremes contra rugas. Como manter os cabelos na cabeça usando hidratantes. Como viver. Como pagar, em suaves prestações, seu jazigo perpétuo no melhor local do cemitério Parque da Saudade. Como, e como, como.

Manual passo a passo para entender o funcionamento do celular Iphone 7. Manual passo a passo para entender o funcionamento do seu Ipad. Manual passo a passo para você entender o funcionamento do seu Ipod. Manual passo a passo para entender o “i”, da geração “i”, de jovens sem poder adquirir algum “i”. Manual passo a passo para entender o funcionamento do que não foi entendido.         

Dez maneiras de emagrecer. Dez maneiras de como enfrentar o seu chefe. Dez maneiras para encontrar a pessoa certa. Dez maneiras para conseguir uma promoção. Dez maneiras para adquirir qualidade de vida. Como fugir do estresse da vida cotidiana. Dez maneiras de ganhar dinheiro sem fazer força. Dez maneiras de enfrentar a perda de entes queridos. Dez maneiras para conseguir a pessoa amada. Dez maneiras para superar a timidez. Dez maneiras para enfrentar o medo. Dez maneiras para consumir as dez maneiras.

Programação neurolinguística. Belíssimo nome. Traduzindo: como transformar um idiota em consumidor de manuais para atingir o “sucesso” e correr do “fracasso”. E o que é sucesso? E o que é fracasso?  Conheça, desvende os meandros do cérebro, das atitudes e das vontades dos seus oponentes, concorrentes, dissidentes. Ganhe deles. O seu competidor pode ser monitorado a cada passo, o seu amor também. Pupilas dilatadas, boca seca, mãos suadas, ligeira tremedeira nas pernas. Você pensou nos sintomas da dengue? Pois é, pode ser. Nos idos anos do Romantismo, seriam esses os sintomas do Mal do Século (a paixão desenfreada). Às vezes, pregamos peças na nossa conduta programada, no nosso manual de instruções. Por incrível que pareça, não somos exatos. Não trazemos do útero um manual.

Nós, ao longo do tempo, tornamo-nos máquinas cheias de nós. O imediatismo sabotou nossa inteligência. Matamos a memória de curto prazo. Tornamo-nos previsíveis, desmemoriados imbecis.

Nossa falta de complexidade é tanta que dez passos são suficientes para nos empanturrarmos do óbvio, como se fosse a mais autêntica criatividade. Todos os manuais vêm acompanhados de um DVD explicativo. O manual do manual. Isso, quando não há armazenamento de informações em nuvem. O manual pulverizado do manual do manual.

Ocorreu o contrário do que esperávamos, não foram os homens que programaram as máquinas, foram elas que nos ensinaram a mecanizar a vida. De vez em quando, aparece um craque que arrebenta com os esquemas táticos (4,4,2 -4,2,3,1 – 4,3,3...). Vale milhões. Deixa estupefatos os atolados na mesmice. No entanto, há manuais para consertá-los. Basta comprá-los e vendê-los como carne barata. Basta fazê-los acreditar no que quiserem acreditar. Depois de ler um manual de conduta, chamado “código penal”, dúvidas assaltam meu suposto senso crítico: Quem é o maior idiota: o ventríloquo, o boneco, o espectador ou o transgressor? Quem é o terrorista: o mocinho ou o bandido? Quem está mais preso: o meliante ou o carcereiro? Há dez passos para resolver isso? Um manual pronto? Uma nuvem? Não posso alegar desconhecimento da Lei, mas conhecê-la significa manipulá-la, desrespeitá-la.

Maluquice, mas as novas gerações viraram reféns de manuais de instrução sobre como escrever um texto. Pior, acham que isso é normal. Pior ainda, há pais que incentivam isso ou desconhecem essa prática espúria. O ensino chegou à encruzilhada entre o ensinar e o adestrar. Vamos criar manuais para que nossos jovens sejam profissionais de sucesso? Ou vamos apostar na inteligência artificial?

Se não houver trégua nessa louca “consciência” google, nosso HD externo, num belo dia constataremos nossa neurose, depressão, ansiedade, depreeessãoooo, ansiedaaaadeeee, dez passos para um usar uma arma real ou fictícia e bummmmm...

É de dar arrepios

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Nosso subdesenvolvimento começa aqui.

Entre 30 países, o Brasil ocupa a honrosa 27ª posição.

Segundo uma pesquisa encomendada, publicada pelo DW Made for minds (Deutsche Welle), um grupo de seis editoras alemãs,Panini, Gruner + Jahr, EgmontEhapa Media, Spiegel e Zeit, 2 mil crianças alemãs preferem livros ao Youtube. Mais da metade, entre 6 e 13 anos, leem livros, revistas infantis e quadrinhos todas as semanas.

O Brasil ocupa a honrosa 27ª posição entre os 30 países onde menos se lê no mundo. Venezuelanos e Argentinos são os mais bem classificados na América do Sul. O mapa acima traz o ranking mais atualizado.

A falta de leitura constante traz consequências nefastas: falta vocabulário para que o aluno explicite suas ideias (eu sei o que é, mas não sei explicar) com clareza; há dificuldades extremas de encadear frases minimamente coerentes; não há criticidade para redigir um texto com uma argumentação fundamentada, por exemplo.

Vira um pesadelo para qualquer vestibulando ter que escrever 30 linhas, na norma culta padrão da língua portuguesa, em uma prova de redação de um vestibular qualquer ou responder a questões abertas. Outros pesadelos virão a partir daí, como se manter na universidade (não há prova de testes ou é preciso apresentar relatórios, estruturar o trabalho de conclusão de curso) e, mais tarde, enfrentar as provas da OAB ou do CRM, por exemplo.

Comecei a rir quando observei, no Facebook, pessoas usando as seguintes expressões: AVISO DE TEXTO LONGO ou AVISO DE TEXTÃO. Um deles tinha quatro parágrafos. Pedir a uma boa parte dos alunos para ler um livro é um ato de lesa-emoção: “Aiiii....professor!!! Tem que ler mesmo?”. Ou lesa-inteligência: “Quantas páginas ele tem?”. Ou lesa-preguiça: “Tem resumo ou filme sobre ele?”.

Há uma enxurrada de processos contra plagiadores de textos científicos, teses de mestrado, doutorado, músicas, obras literárias etc. Só não há contra plagiadores de redações publicadas pelos sites especializados em vestibular ou escritas por um terceiro, como se “entregasse uma receita de bolo”.

Vestibular é competição, mas decorar dez frases de um pensador para enfiar em um texto, para mostrar que possui repertório cultural é um despautério. Repertório cultural não é isso. Isso é decoreba. “Depois que eu entrar na faculdade, eu leio”. Mentira: Isso funciona como aquela academia da esquina que fechou. Aí você diz em alto e bom som: “Agora que eu ia me matricular!”. 

​Sucateamento da Medicina

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Dá medo. 

A cada dia brota uma faculdade de Medicina na esquina. "Brota" é a palavra. A qualidade? 
- Hã! Deixa esse troço de qualidade pra lá, meu negócio é entrar. Virar médico (doutô), depois eu vejo o resto.
- Mesmo se você virar um ratinho de laboratório, porque há um monte de faculdades caça-níquel, sem estrutura nenhuma, sem um hospital-escola, nada?
- Não vou mais fazer cursinho de jeito nenhum, vou pra onde eu passar. Meu pai me disse que o importante é a residência; não a faculdade. No consultório, ninguém pergunta onde você é formado.
- Você sabia que, em qualquer concurso público, o aluno formado em uma universidade pública já entra com um bônus? Conhece algum aluno com má formação que entrou em uma "boa" residência?
- Conheço um que tá ganhando a maior grana, se deu super bem e a faculdade em que ele se formou não é lá grande coisa.
- E daí a 6 anos, com um mercado tão competitivo, como você vai fazer?
- Daqui a 6 anos, penso nisso. Eu me viro. Dou um jeito. Agora só vou estudar o que eu gosto.

Esse discurso virou senso comum. Um aluno no cursinho não tem ideia do quanto terá que estudar para ser um médico competente. Inclusive, boa parte não tem nenhum perfil para fazer medicina.

O sucateamento da profissão é inevitável.

O "status" de ser médico, ganhar muita "grana" virou obsessão. E pior, foge dos ditames da profissão. Lógico que ganhar dinheiro é uma prerrogativa importantíssima, ninguém vive de brisa ou trabalha por diletantismo. Mas, a que preço?

Uma antiga e reconhecida faculdade de Medicina de Ribeirão Preto deu o seguinte tema para a confecção da redação: "Por que você quer ser médico?" Muitos alunos, na saída do exame, reclamavam do absurdo da pergunta e disseram que se deram mal: "Veja se isso é tema de redação?". Dei esse tema e nenhum aluno falou em dinheiro, todos pareciam Madre Teresa de Calcutá. No entanto, no debate, boa parte estava sem saída, porque não sabia se valeria colocar “status” ou não no texto.

- "No tempo do meu pai", a relação candidato-vaga era outra, o número de faculdades "caça-níquel" era outro, o mercado de trabalho era muito mais seletivo. Meu pai é médico respeitado.

- Não duvido. O problema é que os tempos são outros. Há faculdades em que há mais de 100 candidatos disputando uma vaga. O MEC abriu mais 700 vagas nas universidades públicas e deu aval para que 39 novas faculdades adentrem o mercado.

Um dos problemas é que as sucessivas provas do CREMESP mostram uma realidade assustadora: em média, nas várias provas aplicadas nos últimos cinco anos, alunos do sexto ano não conseguiram diagnosticar sintomas de doenças comuns em um país tropical.

Cursar USP, UNESP ou UNICAMP virou sonho distante. Pensar nisso provoca urticária (erupção cutânea caracterizada pela presença de placas congestivas pouco salientes e pruriginosas – segundo o dicionário), ansiedade e depressão. Não que elas sejam as únicas que valem a pena cursar. 

Não há como relacionar aqui as grandes faculdades particulares que investem nos alunos, em equipamentos etc. As mais conceituadas têm altíssima relação candidato-vaga.

Mas que dá medo, dá, do que vem por aí. 

A região que corresponde a um raio de 100 km de Ribeirão Preto formará, mais ou menos, mil médicos por ano. Só em Ribeirão Preto há quatro faculdades Medicina.
Temos mais faculdades de Medicina do que nos EUA. E a qualidade? Onde tanta gente trabalhará? Nas UPAs? Haja UPAs... E o salário? Ah! o salário míngua, como aconteceu com as áreas de Direito, Odontologia, Engenharia.

O sucateamento traz consigo a canibalização. E a população?

Ora, ela que se vire...

​A ordem natural das coisas

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A sinfonia solitária. A mãe ao lado da cova. A dor maior. Corta. Dilacera. Espezinha. Machuca. Cresce. Sufoca. Incapacita. Uma mulher e sua cria. Sua pele, seu jeito, sua sequência, sua ascendência. Sua extensão, seus sentidos, sua expressão. Uma mulher na sua sinfonia solitária em dor maior. Atroz, feroz. Pais jamais deveriam enterrar suas crias. Foge à ordem natural das coisas. Não é a lógica da existência, a inexistência de quem deveria continuar.

A morte de um filho não é como amputar um braço ou ter uma perna arrancada. O cérebro se acostuma à ausência dos pedaços do corpo. É fácil assim. Simples assim. Age como se eles ainda estivessem ali. O dedo ainda coça. As juntas ainda doem. É um não estar estando. Um filho é diferente. As fotos não têm o calor do corpo. Os filmes não trazem o prazer das lágrimas. O cérebro se acostuma. O coração não. Perder um filho é como amputar a alma. 

Saudade. Palavra doída. Vazio preenchido de lembranças. É o corpo que não se pode tocar. É o rosto que não se pode acariciar. É o gesto que não se pode entender. É a dúvida que não se tem mais como esclarecer. É o não tocar algo presente, mas ausente. É o sentir o cheiro sem a pessoa estar. É o vazio sufocante que espera pelas palavras que nunca serão ditas – pelas brigas que nunca ocorrerão. Pelas mãos que nunca poderão acariciar. Pelas palavras vivas que nunca serão ditas. É o vazio dilacerante. Sem toques, sem trocas. Sem calor, sem amor.

Filhos nunca morrem, mudam de substância. Emergem, quando menos nos damos conta, de uma música, de um tênis, de uma camisa, de um momento, de um sorriso, de uma lembrança... Lembrança cortante, doída, sofrida. Adubo das sensações, das emoções, dos medos, dos desejos, do dito e do não-dito. Nasce parasitando um pensamento, um sonho, uma fantasia, uma necessidade, uma divagação. Habita uma caverna de onde só sai quando estamos comovidos, frágeis, vulneráveis, divididos. Quando só sabemos conjugar o verbo apartar. Quando descobrimos amar aquele ser engraçado, emburrado, caricato, onipotente. 

A enxada rasga a terra. Extensão dos seus braços. Um último olhar. Vai-se a extensão dos traços. O caixão agora acolhido pela mãe terra, que é fria. Que não acaricia. Não mima, não entende, não sofre, não chora, não se angustia, não participa, não troca. Toma. Engole. Leva. Um jovem jamais deveria enterrar outro jovem. Por mais belos que sejam, a morte é feia. Ausência de vida, na época em que se sorve a vida em goles sôfregos. Em que o tempo nunca é suficiente para engolir todas as sensações, todas as emoções.

A morte de um jovem mata o seu sentimento de onipotência em todos os outros. Descobrem a impotência de não ter como driblar. Da forma mais cruel, descobrem-se vulneráveis. Aprendem que isso pode acontecer com eles, até então tão inconsequentes passageiros da vida. Tornam-se vulneráveis. A morte lhes tira a ousadia, destrói-lhes a autoestima, por isso buscam a felicidade em qualquer coisa que os faça fugir, para não lembrar. 

Quando um velho morre, cumpriu-se um ciclo. Os filhos sofrem. Mas, a lógica da vida estabelece a compensação. Quando um jovem morre, a sensação é de interrupção. De aborto. De extirpação. De falta de significação. A pergunta que machuca é: por quê? Ele ainda não teve tempo para pecar. Esses pecados comezinhos do dia-a-dia. Não teve tempo de estudar. Esse estudo das trocas de bocas e corpos com as pessoas. Não teve tempo para amar. Esse amor de descobertas e entregas para sempre até o próximo amor. Ainda não aprendeu a ganhar, porque não sabe perder. Ainda nem viveu. Essa vida de cada esquina. De porres e de carícias. De cada fracasso. De cada relacionamento. De cada vitória.

Não há solidão maior que desfazer o quarto desarrumado de um filho morto. Não há desespero maior que sentir seu cheiro, sem ele estar ali. Não há dilaceração maior do que esperar por alguém que jamais vai voltar. É a metade arrancada. É o todo quebrado. É o coração trincado, sangrando sem ninguém para salvar. É o pedaço mais vital que se levou. É a pele. A respiração. O sangue. A seiva. A água. O ar. É a essência. É o calar. Ainda que ele esteja impregnado em tudo. Nos móveis, nos cadarços, nos facebooks da vida, nas caras dos amigos, nas frases que eram só dele, no olhar que não é igual ao de ninguém. É quando, apesar de contra todos e contra tudo, a vida resolve abortar a ordem natural das coisas.

​Vestibular, a crônica da corrupção anunciada

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Assustador:

  • 1.Redação nota mil no Enem 2016 tem plágios: Texto tem trechos idênticos ao de outras duas redações, produzidas em 2014 e 2015; prática da "fórmula pronta" tem sido comum em sites para estudantes (Guia do Estudante - 04/05/2017).
  • 2.Mais de 50% dos candidatos do vestibular da UFU que se autodeclararam pretos, pardos ou indígenas foram reprovados em entrevistas (portal G1 – 27/07/2017).
  • 3.Com Sisuhackeado, aluna nota mil vai de Medicina para produção de cachaça. (Uol Educação – 31/01/2017)
  • 4.Enem 2016: escutas revelam suposto vazamento do gabarito de provas.Domingo você vai ver uma denúncia exclusiva. Outra fraude no Enem 2016. Ainda mais grave do que a que o Show da Vida revelou no domingo (6).
  • 5.PF conclui que houve vazamento do Enem 2016. Em laudo enviado ao Ministério Público, a Polícia Federal indicou que candidatos tiveram acesso a provas e gabaritos antes do início da aplicação do exame. (jornal – O povo – 01/12/2016)
  • 6.Polícia desarticula quadrilha que vendia vagas em Medicina por R$ 120 mil em Goiás.Um estudante de engenharia civil da UFG foi flagrado respondendo às questões de uma prova e encaminhando o gabarito a outro membro da quadrilha por telefone (Folha – 11/07/2017)
  • 7.Candidatos escondiam escutas nas partes íntimas para burlar vestibular.PM prendeu 11 suspeitos de fraude em prova de Medicina em Ribeirão Preto.
    Grupo articulava ação através de mensagens coletivas no aplicativo WhatsApp.  (G1 – 23/01/2017)
  • 8.Enem 2012: estudante escreve receita de miojo na redação e recebe nota 560. (O Globo Educação – 2012).

Para quem não está acostumado às coisas escabrosas que ocorrem no mundo do vestibular e tem filhos em idade de concorrer a uma vaga na faculdade, essas informações são cruciais para estimular a reflexão:

  1. Se alguém vende vagas, é porque alguém compra. Esse alguém sustenta essa máquina, que se sofistica cada vez mais. Quem estimula a violência, segundo o capitão Nascimento (Tropa de Elite 1)? Quem compra a droga, que vira arma, que amedronta, que corrompe. Os hipócritas gritam contra o sistema que ajudam a mantê-lo de pé.
  2. Se um aluno se autodeclara capaz de burlar o sistema de cotas, é porque alguém compactua com ele. Esse alguém está dentro de casa. Esse jovem alimenta essa máquina de fraudes. Alguém conhece alguém que conseguiu, por isso tenta também. Segundo o Capitão (Tropa de elite II), o sistema é camaleônico, ele se realimenta.
  3. Se um sistema é frágil, a ponto de deixar redações plagiadas receberem notas, alimenta o jovem despreparado, que arrisca redigir um “texto” usando uma receita de macarrão ou partes do hino do Palmeiras ou frases bonitinhas. Segundo Nascimento (Tropa de Elite I e II), no mundo do crime não há inocentes, a fragilidade é proposital. Os canibais do ensino se alimentam dela.

Esses jovens, futuros “universiotários”, buscaram o “facilzinho”, esquecendo-se de que entraram na universidade pela porta dos fundos. Plagiam corruptos, como plagiaram suas redações, valendo-se do “facilzinho”. Por que falo da redação? Por que se tornou prova de vestibular? Ora para atestar que aluno é capaz de esboçar um raciocínio lógico. Se ele não consegue escrever 30 linhas, na sua língua natal, pense sobre como o sistema o imbeciliza, para se alimentar dessa imbecilização.

Futuramente, esses jovens farão greves dentro das universidades e, ironicamente, protestarão contra a corrupção encarnada pela classe política.

Vale lembrar que os trotes estão cada vez mais violentos, machucam e matam cada vez mais pessoas, deixam sequelas psicológicas e físicas, a ponto de vários alunos cancelarem suas matrículas. Ninguém é punido, ao contrário, a maior parte das universidades se omite. O que esperar de uma elite que se alimenta da corrupção e a alimenta? É o sistema se reinventando, cada vez mais sutilmente.

Isso tudo é reflexo de uma sociedade que finge que não vê.

 

​Observem e pensem

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Gerar: ato de criar vida / fazer nascer / procriar.

Geração: efeito de gerar / função pela qual um ser produz outro semelhante.

Olhem o que estamos fazendo com as novas gerações, entre os 18 e os 25 anos! O que mais odiávamos, quando fazíamos parte da "Nova Geração", era a rotulagem.

Rótulos do produto por nós lançado há pouco no mercado de autoflagelação: Geração Z, Milenial, Canguru, Mimimi, Silenciosa...

Carregar uma pecha é como viver enjaulado, o indivíduo perde a noção de dignidade, de individualidade. Passa a fazer parte da gangue dos tatuados, mesmo que sua tatuagem seja diferenciada, personalista, criativa.

No dia em que investirmos em ensino, talvez consigamos transformar ensino em conhecimento, transformar conhecimento em educação. E, a partir daí, nos transformarmos, nos reeducarmos para poder educar.

Estar sozinho com um jovem não significa lhe dar um tratamento individual, significa apenas tirá-lo do bolo, da massa, para, muitas vezes, aplicar a mesma fórmula ou a mesma pena que aplicamos a todos.

Ouvir o aluno, o jovem, creio ser a melhor maneira de construir um processo de ensino criativo. Ninguém ouviu a minha geração, deu no que: deu essa coisa amorfa, essa coisa toda remendada, complexada, a que chamamos de processo educacional. Mas, não é só ouvir, é também provocar, descobrir as particularidades, criar estratégias para não matar a noção de grupo, de comunidade.

Talvez assim paremos de estimular essa confusão entre aluno e filho, família e escola; de manter essa máxima determinista de que "filho de peixe, peixinho é".

Agora, o partido "sem partido" quer criar a escola sem partido. Fatalmente, repetiremos a pecha que recebemos, quando éramos jovens: a de "geração alienada"; a que deixou esse mundo devastado, onde são escritas muitas leis, são feitas várias conferências, mas não se chega a lugar algum.

"Como nossos pais?" Não. Boa parte desses jovens invadem escolas para fazer, na prática, o que os velhos apenas aplaudem de longe, fazem seus discursos filosófico-sociológicos, mas não enfiam a mão na merda. Esses jovens não têm partido, na maioria das vezes, têm uma "causa" suficiente forte para lutar por ela.

Não se esqueçam meus novos "velhos" amigos, professores, de que uma prova não só avalia o aluno, mas também o professor: criador e criatura. Nunca fomos bons alunos, então...

​Observem e pensem

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Gerar: ato de criar vida / fazer nascer / procriar.

Geração: efeito de gerar / função pela qual um ser produz outro semelhante.

Olhem o que estamos fazendo com as novas gerações, entre os 18 e os 25 anos! O que mais odiávamos, quando fazíamos parte da "Nova Geração", era a rotulagem.

Rótulos do produto por nós lançado há pouco no mercado de autoflagelação: Geração Z, Milenial, Canguru, Mimimi, Silenciosa...

Carregar uma pecha é como viver enjaulado, o indivíduo perde a noção de dignidade, de individualidade. Passa a fazer parte da gangue dos tatuados, mesmo que sua tatuagem seja diferenciada, personalista, criativa.

No dia em que investirmos em ensino, talvez consigamos transformar ensino em conhecimento, transformar conhecimento em educação. E, a partir daí, nos transformarmos, nos reeducarmos para poder educar.

Estar sozinho com um jovem não significa lhe dar um tratamento individual, significa apenas tirá-lo do bolo, da massa, para, muitas vezes, aplicar a mesma fórmula ou a mesma pena que aplicamos a todos.

Ouvir o aluno, o jovem, creio ser a melhor maneira de construir um processo de ensino criativo. Ninguém ouviu a minha geração, deu no que: deu essa coisa amorfa, essa coisa toda remendada, complexada, a que chamamos de processo educacional. Mas, não é só ouvir, é também provocar, descobrir as particularidades, criar estratégias para não matar a noção de grupo, de comunidade.

Talvez assim paremos de estimular essa confusão entre aluno e filho, família e escola; de manter essa máxima determinista de que "filho de peixe, peixinho é".

Agora, o partido "sem partido" quer criar a escola sem partido. Fatalmente, repetiremos a pecha que recebemos, quando éramos jovens: a de "geração alienada"; a que deixou esse mundo devastado, onde são escritas muitas leis, são feitas várias conferências, mas não se chega a lugar algum.

"Como nossos pais?" Não. Boa parte desses jovens invadem escolas para fazer, na prática, o que os velhos apenas aplaudem de longe, fazem seus discursos filosófico-sociológicos, mas não enfiam a mão na merda. Esses jovens não têm partido, na maioria das vezes, têm uma "causa" suficiente forte para lutar por ela.

Não se esqueçam meus novos "velhos" amigos, professores, de que uma prova não só avalia o aluno, mas também o professor: criador e criatura. Nunca fomos bons alunos, então...

​Trágica verdade

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A língua portuguesa traduz o nosso mundo. É ela a nossa identidade.

Nosso mundo é o da palavra. Palavras escondidas nas páginas dos dicionários pela norma culta padrão ou jogadas ao vento por obra da oralidade. Essas vivem no plano das linhas e entrelinhas, dos pressupostos e subentendidos, isto é, ou abraçamos a erudição de um Rui Barbosa ou nos identificamos com Dámazio dos Siqueiras, personagem de Famigerado, de Guimarães Rosa, diante do doutor farmacêutico: O senhor fale em língua de “pobre”, “de dia de semana”.

Ler é adquirir vocabulário, estruturas frasais, significantes e significados, para traduzirmos o mundo e alimentarmos nossa imaginação: “Mundo, mundo, vasto mundo, / se eu me chamasse Raimundo / seria uma rima, não seria uma solução / Mundo, mundo, vasto mundo / mais vasto é o meu coração”, versificou Carlos Drummond de Andrade, nosso poeta maior. Afinal,só assim, é possível aprender a escrever de “carreirinha”, como afirmou Dias Gomes através da boca de Zeca Diabo, personagem de O Bem Amado.

Ler é transcender (ir além), transgredir (quebrar regras), criar e recriar. A leitura jamais poderia ser um instrumento de punição. A listagem oficial dos vestibulares parece muito mais um instrumento de tortura do que um incentivo à leitura. Na verdade, incentiva a fabricação de resumos e de “dadores de aulas de literatura”, donos de verdades absolutas sobre autores e obras. Triste é constatar que há professores que entram em sala de aula e dizem que não leram a obra, porque é muito chata. Pior, ao ler um resumo, o aluno que não leu e nem nunca lerá crê que conhece a obra e, na hora da prova, “dá com os burros n’água”.

Um aluno, outro dia, perguntou-me: “Professor, quantas páginas tem Mayombe (livro do angolano Pepetela)?”. Expliquei: “Você ainda não entendeu que uma obra de arte não é medida pelo número de páginas”. Outro me disse que não entende língua de sertanejo, por isso desistiu, na segunda página, de ler Sagarana (obra de João Guimarães Rosa). Disse-lhe: “Mas, Sagarana não traz a linguagem do sertanejo e sim, a construção do seu universo mítico”. Muitos me perguntam, por que a FUVEST pede nove livros, se ela não tem como explorá-los nas questões da prova. Respondo que creio que para aumentar a cultura humanista do aluno.

A maioria tem uma dúvida cruel: por que a prova específica da Medicina de Ribeirão Preto é a de Geografia, quando o mais lógico seria seguir a da Pinheiros, Física? Segundo eles, Médico não usará Geografia para nada, mas Física sim. Não conseguem entender que precisam carregar uma cultura humanista para dentro da universidade, pois os conteúdos relativos à área serão pisados e repisados nas salas de aula. Não entendem que o Brasil é um país tão absurdo que o aluno aprende a maioria dos conteúdos, apenas para passar no vestibular, que é absurdo, mas é preciso “humanizar” a Medicina. Ela deveria ser a principal das “ciências humanas”, não é? Ou ela virou tão-somente um grande balcão de negócios?

Por que estou fazendo essas ponderações? Primeiro: somos um dos países em que menos se lê no mundo. Segundo: frequentamos continuamente os últimos lugares no PISA (Programa Internacional de Alunos bancado pela OCDE), nosso subdesenvolvimento intelectual é brutal. Terceiro: aprendemos para sermos empregados de alguém, concursados ou não, porque, na escola, não nos ensinam a empreender. Quarto: é muito fácil nos convencer a abrir mão das nossas riquezas, pois aprendemos a detestar tudo o que é relativo ao nosso país e à nossa história. Como cansou de dizer Assis Chateaubriand: “Somos um país de botocudos”. Ele próprio desprezando seu povo e sua cultura.

Finalmente: fazer um vestibulando acreditar que aumentar o tal “repertório cultural” é decorar meia dúzia de frases de escritores e filósofos famosos mostra o quanto é fácil aplicar o “conto do vigário”. Fazer com que acreditem que seguir modelos é crucial para viver numa sociedade competitiva é menosprezar a inteligência deles e de seus pais. Chamam a isso de esperteza, chamo a isso de “mau-caratismo”. Há enganadores travestidos de profissionais que leem menos e sabem muito menos do que seus alunos.

​Consórcio que fabrica o ENEM mudou

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SERÁ O FIM DA PICARETAGEM E DAS FÓRMULAS “MILAGROSAS” DAS REDAÇÕES

O consórcio responsável pela elaboração e correção das provas do ENEM mudou. Agora serão a FGV, a CESGRANRIO e a VUNESP. O próprio perfil da prova mudará obviamente e os critérios para a correção das redações também. A professora Maria Inês Fini já sinalizou que pretende fazer esse exame voltar às suas origens, ou seja, ser apenas um instrumento para aferir a quantas anda o Ensino Médio no país e deixar de ser a porta de entrada para o ingresso do aluno em uma universidade pública. Como será feito, ainda não foi divulgado. Aguardemos os próximos capítulos.

Algumas coisas já começam a mudar. Não haverá mais divulgação do ranking das escolas. É necessário acabar com as chamadas escolas “Frankenstein”, aquelas que possuem dois CNPJ no mesmo endereço. Essa foi a forma encontrada por muitas delas para burlar a vigilância do MEC: um CNPJ serve para identificar a que forma uma turma especial para aparecer em primeiro lugar nas estatísticas, quando da divulgação das notas do exame; a outra serve para o “dia-a-dia”. Um CNPJ aparece em 1º lugar; o outro em 568º, por exemplo. Para que isso? Lógico, a propaganda é a alma do negócio ou será que o negócio é a alma da propaganda?

Em várias regiões do país, os veículos de comunicação denunciaram a fraude. Na região, que compreende Franca e Ribeirão Preto, o fato já foi amplamente denunciado, investigado e noticiado. Com a prova de redação, acontece algo semelhante.

O Brasil é um país sui generis. Professores criam dificuldades, para vender facilidades e, com isso, enriquecer destruindo a consciência crítica dos jovens imediatistas que creem que entrar em uma faculdade é mais fácil do que sair. De repente, o céu se abre e alunos que nunca leram um livro, um jornal, uma revista, um blog ficam aptos a escrever o melhor texto de suas vidas. Os pais, não acostumados ao vestibular, “acham lindo” ver o filho escrevendo como nunca. As escolas e professores profissionais envolvidas no processo não acham graça nenhuma, ao contrário, apontam a desonestidade.

 Abaixo está um dos “modelinhos” apontados em reportagem do GUIA DO ESTUDANTE.

Em entrevista, a professora Maria Inês Fini prometeu tomar providências cabais contra esse tipo de prática. Muitas escolas já zeram alunos por essa prática ou lhes dão notas baíssimas. Muitas faculdades já o fazem. Como será feito, o MEC ainda não divulgou, no entanto cruzar informações não é nada complicado, depois que os “esqueminhas” já foram divulgados.

Trata-se de um “método (?)” que não exige quase nenhum esforço do professor irresponsável. Será que quem se aproveita do momento de fragilidade emocional não se preocupa com o investimento que o aluno faz em si mesmo? Ou ele não passa de mais um na estatística das aprovações.

Assim que alguns textos plagiados caíram nas redes sociais, alunos prejudicados por essa prática espúria identificaram a fraude e protestaram contra ela.

O subdesenvolvimento do Brasil começa nas questões que envolvem raciocínio e ética. Numa competição acirrada, como é a do vestibular, fica mais fácil dar um “jeitinho” do que se preparar de verdade. Como exigir acabar com a corrupção, abraçando a corrupção?

O aluno desesperado que busca esse “método” só olha para frente e lá vê os amigos que passaram supostamente por causa dele, não se preocupam em olhar os que foram reprovados justamente por causa dele.






​O aprendizado nunca tira férias

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Vestibulandos, nunca prometa para você mesmo o que não pode cumprir, como: “Vou aproveitar as férias para colocar a matéria em dia”. Mentira, não vai: Ninguém estuda nas férias. A “galera” vai para o Guarujá e aí, numa crise de consciência,resolve levar apostilas para poder estudar.

Apostilas pesam e, por incrível que pareça, adoram passear no Guarujá, porém são o chamado peso morto. Você não as abrirá. Voltará para casa com uma tremenda crise de consciência. O melhor disso tudo é que descobrirá  uma coisa boa: que tem consciência.

Férias são feitas para descansar e você pode aprender de forma “gostosa”. Viaje: viajar é uma das melhores formas de aumentar o tão aclamado repertório cultural. São Paulo é um excelente destino, mesmo com todos os problemas: trânsito, violência. Há shoppings maravilhosos, para quem gosta de comprar ou “assistir” ao desfile das vitrines, mas também há maravilhosos eventos culturais: MASP, MEMORIAL DA AMÉRICA LATINA, SALA SÃO PAULO, PINACOTECA... Pagará uma “merreca” por eles ou nem pagará.

As cidades históricas de Minas Gerais, Ouro Preto e Tiradentes, principalmente, são ótimas opções. Nunca descarte Curitiba e Salvador. Curitiba com seus parques maravilhosos, uma série de museus e deliciosos restaurantes. O passeio a Morretes, ali pertinho, é imperdível. Salvador é museu a céu aberto. Aprenderá muita coisa, sem perceber. Para quem não quer ir muito longe, perto de Belo Horizonte, há Inhotim, o maior museu a céu aberto do mundo: botânica, arte interativa... É o lugar mais diferente a que alguém pode ir. Quem vai, diz que há dois mundos: um é Inhotim; o outro, o resto. É coisa para “babar”.

Se pretende sair do Brasil, melhor ainda. Agora a moda é ir a Portugal, vá e deleite-se.Lisboa e Coimbra são shows e a cidade Porto tem o melhor bacalhau da face da terra. Coisa de maluco: Não. Você aprenderá com os vinhos e os azeites sobre Portugal e suas colônias ultramarinas, mas jamais descarte um “pulinho” à Espanha, a Barcelona. Lá vai “cair de costas” com a obra de Gaudí, principalmente, a Catedral da Sagrada Família.

Se não vai viajar, há uma gama de filmes, livros, artigos, crônicas, contos, que podem ser fascinantes. Atualizar-se é uma questão crucial para aguçar o espírito crítico, adquirir vocabulário,para se expressar melhor. O blog da Eliane Brum é fantástico.

Uma dica também é assistir à Mulher Maravilha (Ribeirão Preto possui excelentes opções de salas de cinema). Por quê? Por que trará uma bela discussão sobre feminismo. Uma dica de leitura é “As comédias da vida privada”, de Luís Fernando Veríssimo (incentivo à criatividade, à diversão e à sociologia), outra é “Terra Sonâmbula” de Mia Couto (vestibular da Unicamp): puro lirismo. Qualquer obra de Mia Couto é sinônimo de grande prazer. Literatura é divertimento, não pode ser encarada como punição.Repertório cultural nada tem a ver com decorar frases bonitinhas de filósofos, sociólogos e poetas famosos.

Repertório cultural é um conjunto de fatores: informação, vocabulário, visão crítica, conhecimento extraído das ciências humanas, percepção do comportamento humano e divertimento. Sociologia é comportamento coletivo. Filosofia é a observação do que é plausível. Para os viciados nas séries da Netflix, há séries fantásticas como Black Mirror e os Vickings.

Mas, vá lá. Você é o famoso CDF, “abridor” de apostilas, porque crê que só elas o(a) passarão no vestibular. Nunca abra, para ficar em cima delas o dia todo. Se não descansar, não aguentará o segundo semestre e ele é chave. Durma bem, o sono “ensina”.

“Quem lê, nunca está sozinho”. “Quem vê com os olhos da razão, nunca será enganado”. Boas férias!