TERRA DEVASTADA (III)

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   É mensal a publicação da “Enfoque”. Assim, o tempo decorrido atropela e modifica os assuntos com fatos novos, repentinos e inesperados – entre uma e outra publicação.

   Embora a situação política e econômica do país se apresentasse caótica e de desenlace previsivelmente moroso e complicado, fomos surpreendidos. Hoje os fatos novos precipitaram os acontecimentos. Em edição anterior, mencionei S.S. Eliot, lembrando o marco aterrador da poesia do século XX, obra única que “condensa o medo, a alienação e a desilusão que acometeram o Ocidente após a Primeira Guerra Mundial”.

   O título “Terra Devastada” é influenciado por Eliot e por “Mariana” – a maior tragédia acontecida no Brasil, quando a barragem do Fundão se rompeu e derramou um mar de lama que se espalhou por cidades de Minas Gerais e até o litoral do Espírito Santo. Também me referi a “Paraíso Perdido”, tema de históricas obras de autores extraordinários que descreverem as lutas e aflições com as mais agudas tintas das dores humanas. E acrescento a matéria “Paraíso Perdido”², lúcida, explícita e incontestável denúncia de J. R. Guzzo à desastrosa política econômica do ex-presidente Lula e a ladroagem que campeou livremente. E conclui que, hoje, a “...guerra é aqui”.

   Vale relacionar as imagens descritas por Eliot às recentes da devastação de Mariana. E a desolação dos moradores -que tudo perderam- ao sofrimento horrível ao desengano na “...agonia de uma esperança”¹ de um a vida de normalidade, natural aos seres humanos.

   E também nos dias atuais vale também, intensa e gravemente, o nível de violência ética instaurado pelos últimos acontecimentos. As seguidas e maciças manifestações populares exigindo a renúncia da “presidenta” e que sejam recolhidos às penitenciárias os lambrecados pelo “mar de lama”, os autores do maior nível de corrupção que sangrou o país.

¹Simone de Beauvoir - ²Revista “Veja” (13.jan.16)

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

TERRA DEVASTADA ²

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   Que outro título ou imagem poderia melhor traduzir o caos instalado no país após os desastrados últimos anos? Lembro páginas de autores eruditos, luminares, notáveis como: T. S. Eliot (já aqui citado: “Terra Devastada¹”); Marcel Proust (1871-1922) (“Em busca do tempo perdido”); John Milton (“Paraíso Perdido”, de 1667 – e “Paraíso reconquistado”, de 1671).

   Assiduamente, leio e acompanho pelos principais jornais e revistas de alcance nacional o noticiário, os editoriais e tudo o mais que se publica sobre o Brasil. Naturalmente nos espaços ocupados sobre política e economia predominam a inevitável presença de temas como corrupção, lavagem de dinheiro, concorrências fraudulentas, propinas... O enxoval completo da podridão que governa a vida e o destino de todos nós.

   E algo se destaca: a arrogante impostura dirigida que motivou a crendice - em alucinação coletiva - de superioridade e visão grandiosa do mais infeliz e incompetente dos desgovernos. 

   Os fatos aí estão. As mais qualificadas e sérias organizações financeiras internacionais classificam o Brasil entre os não merecedores de crédito (maus pagadores). Entre as nacionais a “Empíricus” divulgou e explicou a notícia “Brasil tecnicamente quebrado”.

“...uma afirmação unicamente técnica e matemática, e podemos provar com dados econômicos bem embasados. ”

“•Nossa dívida pública vem crescendo em ritmo acelerado. Aliás, cresceu cerca de 150% só no governo do PT, atingindo a casa dos R$ 2,79 Trilhões.

•Os juros sobre esta dívida pública é o maior do mundo, gerando um efeito bola de neve, tornando-a impagável.

•Em apenas 1 ano, as despesas com os juros da dívida pública cresceram 50%!

•O sistema de previdência é uma bomba-relógio que colocou toda uma geração de aposentados sob risco.

•Petrobrás acumula uma dívida de meio trilhão de reais, e o governo não vai deixar a companhia quebrar; mas de onde virá o dinheiro?”

Continua na próxima edição.

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TERRA DEVASTADA

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No antigo “curso ginasial” era comum entre estudantes inventar definições diferentes das matérias estudadas, com o propósito de auxílio à memória. Na época, inventei minha definição de “História”.

   “A História é a sucessão dos sucessos sucedidos sucessiva e sucedaneamente, sucedendo-se sucessivamente à sucessão dos sucessos sucedidos; e sucedida sucessivamente à sucessão dos sucessos a se sucederam sucedaneamente! ”

   Infantilidade da idade e geradora de alguma confusão, mas bem próxima do que ocorre nos dias atuais. Com um complicador: já incorporamos à linguagem literária  a palavra “Estória”, de tal maneira que “História” seria o registro real dos fatos e “Estória” o registro de ideias ficcionais. Em linguagem mais simples: “Estórias” não são reais, são inventadas: romances, contos, boatos crônicas, novelas, filmes... Fantasiosas:  escritas, orais, representadas...

   Todavia, ocorre no Brasil outro complificador: as manifestações dos políticos: escritas ou faladas, são dificilmente classificáveis.    Basta verifica o que ocorreu dos últimos doze anos até hoje.

   Tantas são as versões,  principalmente na Administração Pública, na vida política, econômica e social do país que a quantidade de informações e as tentativas de confundi-las resultam na mais discutida e desesperançada confiança nas manifestações dos políticos e seus asseclas na tentativa de obscurecer e encobrir os fatos. Os fatos Históricos de que a corrupção generalizada foi e ainda é a maior destruidora de toda a História do país, EM TERRA DEVASTADA!

   A revelação e divulgação dos fatos  levantados pelo Judiciário, Procuradoria da Justiça, Polícia Federal, imprensa livre e outras fontes, não há como não concluir, lembrando S. S. Eliot (1888-1965), o grande marco aterrador da poesia do século XX – obra única que “condensa o medo, a alienação e a desilusão que acometeram o Ocidente após a Primeira Guerra Mundial.” – PIOR: HOJE A QUERRA É AQUI!

Continua na próxima edição

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À ESPERA

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​As mãos ainda se procuram e se estreitam; agora meigas, aconchegantes, sem a avidez adormecida nas águas do tempo; os olhos ainda se encontram e eu descubro os seus sob encobertos véus que desmaiam as lembranças que colhemos em tantas estações; os sons de ontem não são mais de que silêncio, solidão e tristeza.

    Foi o de procura e encontro o dia em que derramamos nossos sonhos de amor. O mesmo dia de início marcou o da separação: fatalidade que vem do tempo que tudo modifica, impõe contrariedades, encurta e, enfim, apaga a vela da vida.

   Abraçados, caminhamos anos e anos; tropeçando, mas as mãos apertadas em amparo comum. No desfiar do tempo, na comunhão das almas e no apertar de abraços, a sorrir e a chorar juntos, guardamos saudades que mais estreitaram os corações porque confundimos lágrimas e não percebemos quais eram minhas e quais eram suas.

    Seu coração ainda está aqui! Mas os pensamentos e os sentimentos estão ofuscados: sofrem do declínio da saúde, do advento dos anos... E nos separam em doída e infeliz angústia.  

   “Dois... nunca se penetram até à alma, até o fundo dos pensamentos; caminham um ao lado do outro, às vezes abraçados, mas nunca unidos, e a pessoa moral de cada um de nós fica eternamente sozinha por toda a vida” (Maupassant).

Triste consolação! Ao contrário, uniões existem em que um não vive sem o outro e as dores da alma apagam o “fogo celeste da vida”, ferem a essência e extraviam nos caminhos.

    Resta crer e esperar, sofrer e sorrir; com lágrimas aumentar as águas do mar que tudo chama; estar ofuscado diante das ondas que apagam as marcas que deixamos e que levam, dia a dia, o que resta de sua alma. E, quanto mais negra é a noite e mais alto se eleva a voz das ondas batendo, ouço o canto do seu chamado. As trevas aclaram e se renova a esperança derradeira: ansioso, aguardo a onda que me levará a seu encontro. 

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CRUZ DE ESTRADA

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Entre Patrocínio de Minas e Santa Luzia dos Barros, o caminho que se desvia da estrada e segue rumo à Represa de Nova Ponte mal expõe pequena gruta escondida ao lado, de onde escorre estreito fio d’água. O caboclo da região retém o passo, descobre a cabeça e faz o sinal da cruz.     É diferente naquele sítio a energia que brota do chão, paira no ar e vivifica a brisa, convidando ao recolhimento e à meditação.   

   Em meio à vegetação seca e mirrada, quase colada à gruta, embora comum como as outras dos arredores, uma árvore chama o olhar sem que nada diga por quê. Se o viajante procura, vai encontrar ao pé da árvore uma pequena clareira e nela a insinuação de uma sepultura coberta de grama rala; e nas raízes que afloram à superfície, tocos de velas dizem de mãos piedosas que vieram anônimas orar naquele canto escondido.    

   Qual túmulo pagão sem mercê da proteção divina, nenhuma cruz aparente, nenhum sinal, nenhum símbolo religioso marca o lugar. Mas quem vai rezar, deposita seus votos, roga graças às dores e aflições conta que ali existe a mais santa das cruzes, somente vista pelos que têm olhos da fé.

   Cortada em madeiro vivo, fincada na terra bruta e banhada por lágrimas, a cruz criou raízes, espalhou ramos, subiu ao céu, tornou-se planta e floresceu, não deixando de ser cruz e não deixando de ser árvore.

   Veja na contraluz da árvore o desenho da cruz formado pela galharia forte e radiosa na ramagem que espalha entrelaçada, erguendo seus galhos à busca de alcançar algo maior do que a própria existência....

     À Ave Maria, a natureza silencia e o sol, como se ajoelhasse, cede lentamente o manto à luminosidade da noite... Ao aninhar despede-se da árvore e, em derradeiro olhar, ilumina-a por inteiro e projeta a sombra da cruz na sepultura calada.

   Abraçada pelo cipó florido de São João, a cruz está na árvore, como a árvore está na cruz!



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POESIA A UMA DEUSA

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Tu és o quelso do pental ganírio

Saltando as grimpas do fermim calério,

Carpindo as taipas do furor salírio

Nos rúbios calos do pijom sidério.

És o bartólio do bocal empírio

Que ruge e passa no festim sitério,

Em ticoteios de partano estírio,

Rompendo as gâmbias do hortomogenério.

Teus lindos olhos que têm barlacantes

São camençúrias que carquejam lantes

Nas duras pélias do pegal balônio...

São carmentórios de um carce metálio,

De lúrias peles em que pulsa obálio

Em vertimbáceas do pental perônio.

    Revendo lições de métrica e rima, encontrei os versos acima, atribuídos ao poeta maranhense Luís Lisboa.  O soneto é um exemplo de perfeito enquadramento na metrificação e nas rimas consoantes que apresenta. Apesar disso, não é poesia e muitas das palavras utilizadas não constam em nenhum vocabulário da língua portuguesa. Por outro lado, vivemos hoje o tempo de total desrespeito - e ignorância – a consagrados preceitos da composição poética. É moda chamar-se “poesia” a qualquer amontoado de palavras, ainda que muito mal arrumado. O que leva a parafrasear o poeta Paulo Leminski: “chegou o dia em que se diz que tudo é poesia...”. Ou seja, o lado modernoso de “poetas” que sepultou Modernismo, Romantismo, Parnasianismo, Simbolismo... Perpetrar versinhos, cometer poemetos e praticar a incultura contra a “...a última flor do Lácio” é o que mais acontece!

   Nem a cega obediência ao rigor dos manuais, que leva a construções como a desenvolvida satiricamente por Luís Lisboa, nem o desleixo total que apelida poesia a qualquer meia dúzia de palavras emendadas, aconselham os estudiosos. Nem o rigor estético, nem o liberalismo rebelde de Victor Hugo: “Ni règles, ni modèles”. A propósito, ao ouvir que certo verso tinha pé quebrado, Emílio de Menezes retrucou que “Os bons versos não têm pés... têm asas!”

   Isso é discussão infindável e as regras - ou sua ausência - mudam como o vento, ao sabor do tempo. Entendo que pensamento e estilo devem estar juntos com transparência e timbre. A perfeição plástica, o lapidar paciente do parnasianismo, a escolha de temas, a beleza das linhas, dos volumes, do colorido --mesmo sem a opulência ou o pitoresco do vocabulário ou das rimas... O que importa sobremaneira é a cadência, a melodia, a música do verso. Para muitos, predominam as sensações visuais (os apreciadores de Vitor Hugo, por exemplo), ou as olfativas (apreciadores de Baudelaire). Para mim, à audição cabe a supremacia sobre os outros sentidos: as ondas sonoras que trazem as revelações.   Para mim, tem que haver música, a melodia cantada pela musicalidade das palavras, a harmonia das rimas ricas e sem dissonâncias, o ritmo ditado pela métrica; e mensagem com um mínimo de conteúdo.  Não rigorosa e necessariamente assim. Mas, também, mais que o choramingar lacrimoso.

Escrita em 2004. Revisão em out.2016

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CRIANÇA DIZ CADA UMA!

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    Eu estava furibundo¹

    Morávamos (Regina, os filhos e eu) há algum tempo em uma pequena chácara, próxima ao Poli Esportivo. Os meninos: Guilherme (9 anos), Luciana (7) e Liliana (5) eram ótimos, cândidos, disciplinados – em nossa presença. O Gui meio retraído; a Lu inquiridora e inquieta; a Li, mais tímida e com as pálpebras meio caídas, parecia zonzona – mas era a mais“esperta” e atenta. Bastava a ausência dos pais para que as artes ocorressem².

   A criatividade deles era surpreendente. ”Pra” encurtar, ortopedistas os adoravam: somente a Lu, em apenas seis meses, quebrou o braço direito TRÊS vezes: rodando dentro de um pneu, caindo da mesa da copa (sobre a qual dançava balé) e despencando do galho da mangueira.

   Como ia dizendo, no dia da minha furibundice, liderados pela Luciana os meninos aprontaram. Fiquei bravo (de mentirinha). Bati o pé, sapateei, dei “pitos” e fui encontrar a Luciana, sentadinha na cama, com os olhos lacrimejando, assustada, jeitinho de arrependimento e medo... Toda encolhidinha.

   --Humm...  Humm... (chorinho)

   −QUASE PUSERAM FOGO NA CASA!  (Voz alta)

   Trêmula, os olhinhos cobertos pelas mãos, a voz miudinha e em soluços veio a resposta:

   -- A gente somos criança... “Né”, pai !?...

    Aqui uma pausa!... Quando enchemos uma bexiga, dessas coloridas que enfeitam as festas de crianças, elas adoram furá-las para ouvir o “fiiiiiiiuuuuu” e aplaudir a trajetória maluca do bólide bexigoso.

   Pois é! Esvaziou-se a fúria. Engoli a “braveza” e sai “devarinho”.  Adeus furibundice!...

    Já dizia o poeta:

“Resistir, quem há de?!...”

.....

¹ Escolhii “furibundo e furibundice” pela comicidade. Furioso, “brabo”, são ofensivas à sensibilidade de crianças. “Furibundo” tem um traço cômico,  desajeitado....

² Preferi “ocorressem” ao invés de “acontecessem”, dada à previsibilidade arteira das crianças.  

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BRASÍLIA

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   “Há mala$ que vêm para o bem. Após Moro, moro na cela. Delatei e entrei em depressão genital.  Abrir a cela para farejar o ambiente. -Quero ser o próximo delator da novela das oito. Quem com propina fere, tanto bate até que muda de endereço. Economize: use sobre preço em toda obra. Quem “por fora enrola” acaba enrolado com o Japonês. Tu te tornas eternamente responsável pela canabis que sativas; aliás, propina que cultivas. Sou bem adestrado pelo partido. Obrigada; são seus ovos (resposta a um elogio). Sou de partido sempre: O.B. saudações. Cada Zé Dirceu que a vida nos martela. Odeio inquérito suspensório: cela vai, cela vem... tomarei atitude gástrica: não voto mais. Quem com mala$ fere, com Lava Jato será ferido. É nos fracassos que se encontram os perfumes prisionais. Você escorregou no banho coletivo? Não seja Hipócrates; descola a propina. Pior cego é o que deixou por conta do Zé Dirceu. Mortal, posto na Lava Jato, finito o que era duro. Como diria o Chefe, liberdade para as propinoletas. Quero ser “impechado” como a cria do Chefe, para incendiar o país; não sou mais conjugada ao país, posso dizer tudo que me der no tijolo. Mexeram com a Jararaca!... cadê o “paiz i amor”? Não sou mais conjugada ao partido e posso falar tudo que me der no tijolo. Como diriam na Petrobras: o Propinoduto é Nosso! Quem semeia Delúbios colhe dólares e Moro na cabeça. O Chefe vai transformar o partido em território neutro: tipo Faixa de Gases. Vamos nos inspirar em madre Tereza de Corumbá. Deixei minhas impressões digitais na Polícia Federal; quando preciso, tenho que ir lá buscar. Inclua-me fora dessa delação. Eu estou tendo uma ideia... cumpanhera vem logo, antes que passe. Depois das mala$ vêm os desesperados e as vacas locas. Tenho um certo sentimento feeling de que isso não é convite... é intimação, “né? ” Você acredita em vida folgada após a PF? Delcídio me pegou de chupetão!


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BRASIL IMPÉRIO e BRASIL DE HOJE

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   Recebi do amigo A. Roberto Gosuen o texto abaixo que divulga algumas curiosidades do “Império Brasileiro”. A diferença entre grandeza de conduta dos governantes do “Império” e o que ocorre especialmente nos anos decorridos após 2000 é e tal dimensão que não alimenta nenhuma esperança sobre nosso futuro.   O texto é baseado em fontes de autenticidade e veracidade incontestáveis referidas nas notas finais da matéria que segue.

O Imperador

   O Imperador tomava empréstimos no Banco do Brasil para pagar suas viagens.  Seu respeito e tolerância com a imprensa era amplo. Hoje, os deputados estaduais e senadores têm mais regalias e recursos públicos disponíveis do que a família imperial.       Regressão moral assustadora vem sendo revelada dia a dia pela ação da Justiça.

Em 1880

   O Brasil era a 4º Economia do Mundo e o 9º Maior Império da História; a Moeda Brasileira tinha o mesmo valor do Dólar e da Libra Esterlina; ao Ano; existiam 14 Impostos – atualmente são 92; o país tinha a Segunda Maior e Melhor Marinha do Mundo. Perdendo apenas para Inglaterra; fomos o maior construtor de estradas de Ferro do Mundo, mais de 26 mil Km.

Períodos

  Entre 1850 e 1889, a Média da Inflação era de 1,08% ao Ano.  De 1860 a 1889, a Média do Crescimento Econômico era de 8,81% ano. (1843) O Brasil foi o segundo país do Mundo a lançar selos postais, depois da Inglaterra (1840).  Somente em 1849 os primeiros selos postais da Alemanha foram lançados no pequeno Estado da Bavária. O Brasil foi o primeiro país da América Latina e o segundo no Mundo a ter ensino especial para deficientes auditivos e deficientes visuais.

Fatos Admiráveis

   A média nacional do salário dos professores estaduais de Ensino Fundamental em (1880) era de R$ 8.958,00 em valores atualizados.
   Entre 1850 e 1890, o Rio de Janeiro era conhecido na Europa como "A Cidade Dos Pianos" devido ao enorme número de pianos em quase todos ambientes comerciais e domésticos.

   O bairro mais caro do Rio de Janeiro, o Leblon, era um quilombo que cultivava camélias, flor símbolo da abolição, sendo sustentado pela Princesa Isabel. O Maestro e Compositor Carlos Gomes, de "O Guarani" foi sustentado por Pedro II até atingir grande sucesso mundial. D. Pedro II tinha o projeto da construção de um trem que ligasse diretamente a cidade do Rio de Janeiro a cidade de Niterói. O projeto em tramito até hoje nunca saiu do papel. Em 1887, Pedro II recebeu os diplomas honorários de Botânica e Astronomia pela Universidade de Cambridge. Ratificando boatos, D. Pedro II e o Barão/Visconde de Mauá eram amigos e planejaram juntos o futuro dos escravos pós-abolição. Infelizmente com o golpe militar de 1889 os planos foram interrompidos. Oficialmente, a primeira grande favela na cidade do Rio de Janeiro, data de 1893, 4 anos e meio após a Proclamação da República e cancelamento de ajuda aos ex-cativos. Na época do golpe militar de 1889, D. Pedro II tinha 90% de aprovação da população em geral. Por isso o golpe não teve participação popular. José do Patrocínio organizou uma guarda especialmente para a proteção da Princesa Isabel, chamada "A Guarda Negra". Devido a abolição e até mesmo antes na Lei do Ventre Livre, a princesa recebia diariamente ameaças contra sua vida e de seus filhos. As ameaças eram financiadas pelos grandes cafeicultores escravocratas.

Mais

O Paço Leopoldina localizava-se onde atualmente é o Jardim Zoológico. O Terreno onde fica o Estádio do Maracanã pertencia ao Duque de Saxe, esposo da Princesa Leopoldina. Santos Dumont almoçava 3 vezes por semana na casa da Princesa Isabel, em Paris. A ideia do Cristo na montanha do corcovado partiu da Princesa Isabel. A família imperial não tinha escravos. Todos os negros eram alforriados e assalariados, em todos imóveis da família. D. Pedro II reiteradamente pediu ao parlamento a abolição da escravatura desde 1848. Uma luta contra os poderosos fazendeiros por 40 anos.  D. Pedro II falava 23 idiomas, sendo que 17 era fluente. A primeira tradução do clássico árabe "Mil e uma noites" foi feita por D. Pedro II, do árabe arcaico para o português do Brasil.  D. Pedro II doava 50% de sua dotação anual para instituições de caridade e incentivos para educação com ênfase nas ciências e artes. D. Pedro Augusto Saxe-Coburgo era fã assumido de Chiquinha Gonzaga. Princesa Isabel recebia com bastante frequência amigos negros em seu palácio em Laranjeiras para saraus e pequenas festas. Um verdadeiro escândalo para época. Na casa de veraneio em Petrópolis, Princesa Isabel ajudava a esconder escravos fugidos e arrecadava numerários para alforriá-los. Os pequenos filhos da Princesa Isabel possuíam um jornalzinho que circulava em Petrópolis, um jornal totalmente abolicionista. D. Pedro II recebeu 14 mil votos na Filadélfia para a eleição Presidencial, devido sua popularidade, na época os eleitores podiam votar em qualquer pessoa nas eleições. Uma senhora milionária do sul, inconformada com a derrota na guerra civil americana, propôs a Pedro II anexar o sul dos Estados Unidos ao Brasil, ele respondeu literalmente com dois fortes e enfáticos "Never!"     

    Pedro II conseguiu um empréstimo pessoal de um banco europeu para comprar a fazenda que abrange hoje o Parque Nacional da Tijuca. Em uma época que ninguém pensava em ecologia ou desmatamento, Pedro II mandou reflorestar toda a grande fazenda de café com mata atlântica nativa.

    A mídia ridicularizava a figura de Pedro II por usar roupas extremamente simples, e o descaso no cuidado e manutenção dos palácios da Quinta da Boa Vista e Petrópolis. Pedro II não admitia tirar dinheiro do governo para tais futilidades. Alvo de charges quase diárias nos jornais, mantinha a total liberdade de expressão e nenhuma censura.

   Thomas Edison, Pasteur e Graham Bell fizeram teses em homenagem a Pedro II.

   Pedro II acreditava em Allan Kardec e Dr. Freud, confiando o tratamento de seu neto Pedro Augusto. Os resultados foram excelentes, deixando Pedro Augusto sem nenhum surto por anos.

   Em seu exílio, D. Pedro II andava pelas ruas de – sempre - com um saco de veludo no bolso com um pouco de areia da praia de Copacabana. Foi enterrado com ele. 

Brasil de hoje!

   A regressão não foi somente moral. Hoje o Brasil é classificado em 73° lugar para se viver.

FONTES

Curiosidades do Império brasileiro, conforme as fontes: Biblioteca Nacional, IMS, Coleção Teresa Cristina, Diário de Pedro II, Correspondências do acervo do Museu Imperial de Petrópolis, Biografias como As Barbas Do Imperador, Imperador Cidadão, Filho de uma Habsburgo, Chico Xavier e D. Pedro II, Cartas da Imperatriz, Teatro de Sombras, Construção da Ordem, D. Pedro II Ser ou Não Ser, Acervo Museu Histórico Nacional entre outros.

(*) Obs. Pesquisas na Internet sobre o tema “Brasil Império” oferecem maior (bem maior) quantidade de informações.

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"TEREZINHA. TERÊ. ZINHA."

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Emboladas e confusas manobras em sobe-desce, guina-derrapa, sobe-mergulha, voa-planeia, vai-volta, tudo muito rápido, sugerem ser errático o voo das andorinhas. Tente segui-lo... Tonteia; tente acompanhá-lo em meio a um bando... Impossível. Em movimentos repentinos, inesperados e incoerentes, parecem disputar uma corrida de imprevistos obstáculos. Estão aqui, alegres e buliçosas num momento; e logo desaparecem. Diz-se que são aves migratórias que namoram e acompanham o sol à procura de luz e calor, em suas andanças pelas estações do ano. Viajam do Norte ao Sul e do Sul ao Norte todo ano; percorrem milhares de quilômetros e nunca erram seu destino.

Terezinha era moça bonita! Vistosa, despertava os olhares e os desejos dos marmanjos, alimentando fantasias inconfessáveis. Quando foi estudar em Belo Horizonte, deixou a esperá-la Antônio, namorado de infância. Quando voltou para a cidade natal,Terê deixou para trás João, seu novo namorado. E assim, entre Antônio e João, entre Belô Beraba, entre juras e desistências, o tempo foi passando. Quase acomodados à rotina de idas e vindas, foram os três surpreendidos pela gravidez de Terê. Nem Antônio nem João assumiram a paternidade. Naquele tempo não havia exame de DNA. Insegura,Terê ficou entre acreditar: ora que o pai era Antônio, ora João. Mas a natureza não aguarda os indecisos e o menino nasceu sem pai, afinal. As más línguas diziam que, a cada dia que passava, mais o menino parecia com o dono da padaria onde Zinha fazia compras. Antônio casou-se com Julieta, que nada tinha com esta história - nem a de Drummond; João casou-se com uma paraguaia que cantava guarânias. Zinha perdeu as asas que a levavam pra lá e pra cá como se andorinha desorientada fosse. Dizem que está de namoro com o motorista do ônibus em que viajava. Se bem me lembro, enquanto era Terezinha, depois Terê e afinal Zinha, acumulou namorados, mas o ônibus era sempre da Viação Andorinha.

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.