Cultura de Guaíra lança nesta quinta, 02, às 19h, exposição sobre Pindoba

Mostra “Os Caminhos da Fé e as Crenças de um Povo” que fala sobre o escravo estará na Casa da Cultura

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O Departamento de Cultura de Guaíra promove nesta quinta-feira, 2 de março, a partir das 19h, na Casa de Cultura "Professor João Augusto de Mello", o lançamento da exposição itinerante “Os Caminhos da Fé e as Crenças de um Povo”, dedicada a retratar a história do Escravo Pindoba.

A mostra que ficará na cidade por dois meses, é desenvolvida numa parceria da Prefeitura, por intermédio do Departamento de Cultura e da Associação Cultural Águas Correntes. Os 26 quadros fotográficos que compõem a mostra são de autoria do professor de fotografia da associação, Leandro Duarte e de seus alunos.

Imagens capturadas durante a romaria anual que ocorre à capela dedicada ao Escravo Pindoba todo dia 20 de janeiro, feriado de São Sebastião, o padroeiro da cidade.

Para o chefe do Departamento de Cultura, professor, Sidney Ferreira dos Santos a peregrinação representa uma parte significativa da história da cidade.  A romaria à capela do Pindoba, apesar de todo o cunho religioso, é manifestação da cultura popular. “O processo que levou a exposição, além do resgate histórico e cultura, teve como objetivo a colher acervo para o nosso ‘Museu Maria Carolina Alves’”, relata Sidney já projetando a expansão da empreitada.

O departamento de Cultura já planeja outras ações de registro e difusão da cultura popular. Está na alça da mira da pasta a Festa de Santa Luzia, que ocorre no sítio de mesmo nome no dia da santa, dia 13 de dezembro e, segundo relatos tem mais de 100 anos.

São José do Albertópolis  - Guaritá – também será objeto de estudo Cultura Municipal, o bairro rural, segundo relatos orais seria mais velho que a própria cidade e importante rota de transporte de gado para o norte de São Paulo e Triângulo Mineiro, no início do século passado.

PINDOBA

Prega a história popular no que final do século XIX, antes mesmo de Guaíra ser cidade, Pindoba era um escravo em uma fazenda na região de Morro Agudo.

Num dado momento ele foi condenado ao exílio em Minas Gerais, e aí a história se divide em duas vertentes. Uma aponta para um caso amoroso entre o escravo e a filha do fazendeiro e a outra para o sumiço de dinheiro na sede da fazenda. Em ambos os casos a pena seria a morte de Pindoba. Mas, numa peculiar “benevolência” e por ser Pindoba um dos cativos mais queridos, a pena capital foi convertida na extradição para o estado de Minas Gerais.

No entanto no trajeto que passava pelo município de Guaíra, mais especificamente pela estrada do Guaritá, os capangas do fazendeiro resolveram maltratar o escravo, o enterrando vivo, somente com a cabeça de fora, onde ficou até a morte.

Esta perversidade teria ocorrido na altura da Fazenda Santiago, onde hoje há uma capela destino de peregrinação de romeiros que atribuem ao escravo o título de milagreiro.

CURIOSIDADE

Pindoba ou Pindova, nome científico Attalea oleifera também conhecida como Attalea compta é espécie de palmeira típica das regiões Nordeste e Centro-Oeste do Brasil, sendo muito comum em Pernambuco, Paraíba e Alagoas. Esta espécie ocorre desde a faixa litorânea até a faixa de transição para a caatinga ou o cerrado, ocorrendo também nos brejos de altitude.

A árvore possui até 25 metros de altura e tronco com 30–48 cm de diâmetro, com folhas de até 4–8 metros de comprimento. Essa espécie é indicada para paisagismo, e suas folhas são usadas também para cobertura de casas rústicas.

 As amêndoas, sementes, produzem óleo comestível de boa qualidade que também é utilizado para iluminação e produção de sabões. Indivíduos adultos de tamanho médio dessas palmeiras podem ser transplantados sem maiores problemas.

Sua extensa exploração e diminuição dos animais depressores coloca palmeira na lista das espécies ameaçadas.




As janelas

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As janelas estavam todas abertas. Mas há quanto tempo? Quanto tempo eu passei por elas sem perceber isso? Durante quanto tempo saí e entrei nessa mesma casa sem olhar para os detalhes. Para aquela cômoda velha que nada tinha a ver com o resto da sala. Para os armários da cozinha que agora se desfazem pelo desgaste natural. Como consegui viver tanto tempo de olhos fechados? Distante da realidade, da verdade. Tantos anos vivendo uma vida inventada. Acomodada. Apagada. Triste. Senão fosse pelo vento suave que insistiu em me trazer o cheiro gostoso da grama verde, talvez não tivesse notado que lá fora o inverno já havia cedido lugar para a primavera. E que agora era tempo de flores. De me deixar guiar pela suavidade das cores. Pela alegria dos pássaros. Sem amarras. Sem destino certo. Apenas com a liberdade na bagagem e o desejo de ser feliz. Hoje. E quem sabe, amanhã.


*Esta coluna é semanal e atualizada às sextas-feiras.

Quando o silêncio grita...

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E quando menos perceberam, estavam sentados lado a lado. O silêncio gritando dentro de cada um anunciava que era chegada a hora de colocar os pratos na mesa. A tão temida conversa se tornou urgente. Latente. Imprescindível. E então ele começou a dizer tudo o que trazia dentro de si há meses... Todas as ausências, todas as frustrações e, toda falta de vontade. Atordoada, ela viu o sangue gelar, o chão sumir. Chorou dentro de si mesma. Um choro doído. Mas entendeu cada palavra que saía da boca dele. E percebeu que também tinha suas dores. A dor da falta de demonstrações de afeto. De cumplicidade. Do desejo. A dor da falta das conversas banais. Da expectativa pelo reencontro. A dor da falta dos corpos entrelaçados numa canção singular. Dos planos para o futuro. Da vontade de serem um só. Chorou ainda mais, desta vez, por ter percebido que chegara a hora de dizer adeus. E então, após enxugar as lágrimas, olhou bem nos olhos dele e agradeceu. Pela história que viveram e pela oportunidade de recomeçar. A partir de agora ela seguiria sozinha. E sem olhar para trás, ela abriu os braços para as novas oportunidades que começariam a chegar. E voltou a sorrir sem o medo de parecer ridícula. Porque ela sabia que estava apenas feliz. E valia à pena correr todos os riscos, até parecer o que não é.


*Esta coluna é semanal e atualizada às sextas-feiras.

À toa

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Olha o sol... Deixa a tristeza pra trás... Vem pra cá, deita na areia e sente o mar...
A vida é boa. A vida é linda. A gente, com essa mania esquisita, é que vê vermelho, onde só tem azul para olhar...

*Só para não passar o dia em branco...


*Esta coluna é semanal e atualizada às sextas-feiras.

Saudade...

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​Saudade. Coisa doída, que aperta, que cega e faz a gente perder a noção. Mas não da hora, do tempo. Só do espaço. Essa lacuna grande entre eu e você. Que ponte é essa que nos separa? Estamos lado a lado e parecemos tão distantes. Você me olha, mas não me enxerga. E eu, numa tentativa quase insana, grito por socorro: - Não me deixe escapar pelas mãos. NÃO! Estou caindo, quase sem fôlego e preciso de ajuda. Como areia na ampulheta. Segundo a segundo, mais um grão se esvai. E meus olhos, que antes conseguiam encontrar o brilho dos teus, hoje não mais os enxergam. Somos como folhas secas caindo das árvores no outono. Riacho sem água. Céu sem estrelas. Lado a lado, caminhamos para outros rumos. Sem destinos, estamos nos perdendo do que encontramos. E é disso que sinto saudades... Do que fomos. Do que construímos. Do que sentimos. E essa dor, não pára de latejar...


*Esta coluna é semanal e atualizada às sextas-feiras.

As pombinhas e a varanda

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O gosto amargo na boca já indicava como seria o dia. Longo e pesado. Com dificuldade, tentava arrastar para fora da cama aquele velho corpo que ainda insistia em acreditar que era possível continuar. O quarto escuro, revirado pelas roupas e sapatos amontoados há mais de 3 semanas, dava sinais claros de que há tempos só ela transitava por ali. As plantas em cada canto da casa respiravam sôfregas ansiando por um pouco d’água. Mas suas súplicas não tinham eco. E elas sabiam que era questão de horas para sucumbirem.
E ela, com aquele andar cambaleante, tentava se encontrar em meio à desordem. Procurou a poltrona de canto e não achou. Sentou-se no chão mesmo. Sentiu a umidade encostar em sua carne branca, pálida e magra. Um arrepio percorreu sua espinha. Viu tudo rodar, mas não desmaiou. Um cheiro estranho vindo da varanda chamou sua atenção. Ao abrir a pesada cortina que a separava do mundo lá fora, avistou duas pombinhas mortas. Colocando-as no colo, sentiu uma inevitável vontade de embalá-las com carinho. Mas era forte o cheiro fétido que vinha delas. Olhou para o céu azul. Jurou ter visto Deus. Chorou, como há muito tempo não fazia. Sentiu que suas lágrimas lavavam seu corpo velho e cansado. Pediu ajuda. Com todo seu coração. Foi quando a campainha tocou. Devagar, caminhou até a porta. Agora tinha certeza: era Deus que estava ali em sua frente. Num ímpeto, ajoelhou-se e quando percebeu, já era noite. Madrugada afora. Um vento forte vinha da varanda. Percebeu que havia adormecido mais uma vez em frente à TV. Levantou do sofá, foi à cozinha e tomou um copo de leite. E olhando para o céu, que estava forrado de estrelas, estremeceu ao lembrar de seu sonho. E sorvendo o último gole de leite, decidiu: Não queria terminar daquela forma. Então voltou para cama decidida a tomar todas as decisões adiadas até agora. Mas isso seria feito depois. Agora era hora de voltar a dormir.

*Esta coluna é semanal e atualizada às sextas-feiras.

Silvia

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Fazia cinco anos que Silvia havia partido. Sem rumo, sem parada certa. Saíra de seu porto seguro em busca de algo maior. Uma coisa que não conseguia ver atrás das cortinas escuras da sala de estar. Só sentia algo latejar dentro de seu peito. Não conseguia identificar o que era. Mas o comichão insistia em bater à sua porta. Fez as malas. E na ânsia de partir, não deixou rastros. Nem recados. Correu para fora daquela casa que conhecia tão bem, mas que ficara pequena para ela. Não viu a noite chegar e nem o sol brindar um novo dia. Quando percebeu, havia caminhando dias, meses, anos. E nesse caminhar, sentiu a magia das cores, da liberdade, da contraditoriedade dos sentimentos, dos encontros e desencontros, das descobertas. Caiu muitas vezes. Enquanto se levantava, ia curando as feridas. Sentia-se como uma borboleta saindo do casulo. Louca para descobrir o mundo. Deixar-se levar pelo vento, pelos cheiros... Cinco anos. Fazia exatos cinco anos que ela havia partido e tão pouco naquela casa havia mudado. Os retratos nos mesmos lugares. O pó tirado dos móveis com perfeição e o cheiro gostoso do pão assado na hora. Tudo igual. E ao mesmo tempo tão diferente... Foi ali que Silvia entendeu que por mais que o tempo tivesse passado, nada mais seria como antes. Muito menos ela, que agora descobria em si, uma nova forma de enxergar o mundo. Transformara-se em outra pessoa. Mais leve, mais centrada, mais feliz. Por isso, ela sabia, bem lá no fundo, onde aquele comichão havia começado tudo, que ela estava só de passagem. Como nuvem que abre espaço para a chuva gostosa de verão. Como os pássaros que anunciam que é chegado o entardecer. E como a Fênix, que precisou morrer para ressurgir das cinzas. Mais forte e ainda mais feliz.

Quando chega a hora final

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É inevitável. Acontece com todos, em um determinado momento da vida. E é naquela hora que se percebe que a relação em crise chegou numa fase crucial – um ponto de não retorno ou point of no return. É aquele momento em que a aeronave não tem mais combustível para retornar à sua base.
Mas o que acontece com freqüência é que muitas vezes, uma das partes envolvidas testa o amor da outra para ver quão verdadeiro ele é. Às vezes por desconfiança, às vezes por vaidade. E nesse barco, as brigas tornam-se constantes, assim como as reconciliações.
Uma relação pode até chegar a terminar e voltar sem danos irreparáveis. Mas sempre existe aquele ponto em que se pensa: “Eu sei que não vai dar certo. Quanto tempo mais isso vai durar?”. É nesse momento que a ideia de que tudo é finito fica mais forte, apesar da certeza que o amor ainda existe. Mas ele parece agora tão distante... Tão sem cor... As juras de amor quase não fazem mais sentido. E o que se espera então é que o final não seja tão traumático. Mas apenas que o amor acabe da mesma forma que nasceu e a indiferença ocupe o seu lugar.

De telas e cores

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“Deus marcou o tempo certo para cada coisa. Ele nos deu o desejo de entender as coisas que já aconteceram e as que ainda vão acontecer, porém não nos deixa compreender completamente o que ele faz..(Eclesiastes 3:11)

Porque depois que o tempo passar, por mais demorado que seja esse tempo terá valido à pena. Mas, quando vier o que é perfeito, então o que é imperfeito desaparecerá”. (1Co 13:10)



Ela abre a janela de seu quarto e enxerga um imenso céu azul. Não há nuvens. Nem pássaros. Apenas a imensidão daquele que a abraça num bom dia mais que especial. E é através dele que ela decide, depois de tanto se fechar, abrir os botões de sua alma para respirar melhor. Os pulmões não se seguram nessa euforia de ser livre e dão o suspiro mais leve e, paradoxalmente mais intenso de toda a sua vida. Nesse momento, ela sente os pés retomarem o chão de outrora perdido. Sente a cabeça voltar às nuvens e os sonhos retornarem ao coração... De onde jamais deveriam ter saído.
Então ela percebe ter perdido as chaves do tempo passado... E torce bem lá no fundo de sua alma, para nunca mais achá-las. Mas também não quer saber onde estará amanhã. Ela deseja apenas o agora, como uma criança deseja ver um arco-íris no final daquela chuva que levou seu barquinho embora na enxurrada. E há recompensa maior do que as cores de um arco-íris? Por isso, ela se pergunta: quem sabe esse mesmo arco-íris esteja mesmo é do lado de cá, do lado de dentro, onde todas as cores podem sempre ser mais e mais radiantes e, assim também, os sentimentos? E é nesse instante que ela sente. Ela sabe. Falta pouco para que sua tela em branco se transforme. Ganhe vida. Não há espaço para o cinza. Seu coração anseia pelas tonalidades vibrantes. Assim como sua alma. Ambos hoje estão juntos, numa mesma sintonia de paz... E abertos para o que der e vier, mas cientes de que só o melhor fará morada.

Dos mistérios do Sol

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Definitivamente. 
A vida não é para os apressados". 

(Cristiana Guerra) 




Distraída, ela andava pelas ruas sem prestar muita atenção à sua volta. Estava mais voltada para o que acontecia dentro dela mesma: era um período raro de conscientização, de estar atenta ao que ocorria em sua alma. De dar ouvidos apenas ao que realmente costuma fazer valer a vida. Foi por isso que ela tropeçou. Quase caiu. Mas a distração além de lhe render um joelho ralado, a surpreendeu com uma mão estendida. Uma entre tantas na multidão parou para ajudá-la a se levantar. Agradecida, ela sorriu. E o sorriso que recebeu de volta pareceu mais uma mágica: tudo se iluminou dentro dela. E foi aí que ela entendeu: de onde menos se espera é que aparecem as graças da vida... Pequenas e grandes. E ela que há tempos não se sentia iluminar, hoje se vê como um verdadeiro Sol. E mesmo em dias que chova, é sempre tempo de céu azul dentro dela.