​A volta de quem se foi

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Esta é a segunda morte política de Alckmin. A primeira ocorreu quando, fazendo exatamente o que Dória fez com ele, ignorou o acordo de Serra com Gilberto Kassab, ganhou a convenção tucana e disputou a Prefeitura de São Paulo. Foi surrado por Kassab. Estava liquidado, diziam. Mas Serra o levou para seu Secretariado e Alckmin ressuscitou politicamente.

E agora? Depende: se Dória se eleger governador, cuidará com carinho de Alckmin, com maçã na boca e pele pururuca. Se França for o eleito, ele terá nova chance. Velhos políticos não morrem, fingem que não é com eles.

O goiano Perillo talvez não tenha como escapar. Perdeu de cabo a rabo e, no Governo, tem hoje um adversário duro e respeitado, Ronaldo Caiado. Marina volta em quatro anos, como de costume, Eunício tem couro duro, nem lembra mais da grande surra. Cristovam Buarque tem chance. Dilma, esta não volta, porque para voltar é preciso ter ido e ela nem foi, só foi-se.

Alguns se evaporaram nas eleições, mas podem voltar: Tarso Genro e Aloízio Mercadante, por exemplo, ficaram intactos. Outros perderam, mas saíram maiores do que entraram: Ciro, Kátia Abreu, Ana Amélia, Eduardo Jorge– e quem lembra que ele, pelo Partido Verde, foi vice de Marina?

Política é jogo esquisito. Nixon perdeu a Presidência para Kennedy, tentou o Governo da Califórnia, perdeu. Voltou para ser presidente. Na frase do repórter James Reston, “foi a maior ressurreição desde Lázaro”.

Coisas estranhas

Política é jogo esquisito. Quem diria, há um ano, que Bolsonaro seria candidato forte? Ou que Manuela d’Ávila se ajoelharia na igreja? Que tal o PT esquecendo o vermelho e virando verde-amarelo? E Haddad, que chegou a dizer que ele era Lula e Lula era ele, dando apoio a Sérgio Moro?

E há, claro, aquilo que só político fala, porque ninguém mais entende. A candidata do PT ao Governo do Rio falava em “laicizar o cu”, e Alexandre Frota explicava que existe o “sexo anal técnico”. Pois é. Laicizado, talvez.

Questão idiomática

A palavra “cu”, usada por este colunista, citando a candidata, não é palavrão. É parte do idioma de Portugal. Dela derivam “cueca” e “recuar”.

A lei, só a lei

Uma reportagem de Patrícia Campos Mello, na Folha de S.Paulo, diz que empresas privadas compraram milhões de remessas de WhatsApp para fazer propaganda de Bolsonaro. A Justiça Eleitoral decidiu apurar se houve crime eleitoral, o que pode levar à cassação da candidatura Bolsonaro (é o que o PT pede). Houve abuso do poder econômico? Essa é a questão: o envio de WhatsApp pode ser legítimo, mas o pagamento por empresas privadas não é. Só são admitidas, nestas eleições, doações de pessoas físicas. Mas é questão de lei: se houve crime, qual a punição aplicável?

Agressão, não

A questão dos envios de WhatsApp está na Justiça, onde deve ser avaliada. Até lá, pode haver quantas discussões os dois lados quiserem. Mas é inadmissível o que está ocorrendo nas redes, com ataques pessoais e insultos à repórter Patrícia Campos Mello. É boa repórter, respeitável, correta, experiente. Pode eventualmente errar, claro; mas jamais de má fé.

Por falar no assunto

A questão das contribuições de campanha merece uma boa análise. Houve empresários que, dentro da lei, doaram grandes quantias (vinte deram mais R$ 1 milhão, sendo que um deles doou quase R$ 7 milhões). Mas haverá só doações legais nesta campanha? Seria o caso de investigar o total das despesas e verificar se as enormes verbas públicas destinadas à campanha, somadas às doações legais, foram suficientes para os gastos. Se não foram, de onde veio o restante do dinheiro das despesas?

Temer e o porto

A Polícia Federal, após pouco mais de um ano de investigações, decidiu indiciar o presidente da República, Michel Temer, pelas acusações de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Temer, diz a Federal, teria recebido propina de duas empresas do setor portuário de Santos, a Rodrimar e a Libra, em troca de benefícios indevidos. É processo de longa duração e só será julgado após o fim do mandato de Temer.

O sítio que é dele

Mais um problema para Lula (embora pequeno diante de outros que enfrenta): foi multado pela Justiça de São Bernardo em R$ 1.000,00 por agir de má-fé. O caso, narrado pelos jornalistas Junior Carvalho e Raphael Rocha, do Diário do Grande ABC: a Prefeitura de São Bernardo embargou a obra de uma casa que Lula construía ao lado do sítio Los Fubangos – que tem desde antes de entrar na política. Lula pediu mandado de segurança, e o juiz José Carlos de França Carvalho Neto, da 1ª Vara da Fazenda Pública, não só o negou como impôs a multa. A defesa de Lula vai recorrer.

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​Morrer ou morrer

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Numa pequena cidade americana, o xerife, o herói que prendeu os principais bandidos da região, está se casando e, em seguida, viajará em lua de mel. Soube-se então que o pior dos bandidos foi solto e chegará em pouco mais de uma hora, com mais três de seu bando, para matar o xerife. Imediatamente, o herói da cidade é abandonado: ninguém está disposto a ajudá-lo no duelo mortal. No máximo, seus melhores amigos e aliados lhe sugerem que fuja. Ele não foge – e até sua noiva o abandona naquela hora.

É um dos maiores filmes da história do cinema: Matar ou Morrer, com Gary Cooper e Grace Kelly, direção de Fred Zinneman. À medida que o tempo passa, Cooper vai ficando mais só, diante dos quatro bandidos. Ele os enfrenta; e, claro (é o mocinho), vence. Quando o último bandido é morto, a cidade volta a festejar seu herói. Então é ele que decide ir embora.

O que o filme mostra com mais clareza é que, na hora da festa, todos se juntam. Na hora da tristeza, é cada um por si. Tivesse o bandido sido vitorioso, a vida na cidade continuaria igual, sob nova direção.

Cid Gomes disse aos petistas que Haddad, seu aliado, vai perder feio. Ciro Gomes foi passear na Europa. A senadora Ana Amélia, vice de Alckmin, optou por Bolsonaro. Euclides Scalco, respeitado fundador do PSDB, disse que o importante é derrotar o PT. Não dá para dizer quem vai ganhar a eleição. O que se sabe é que quem está ficando sozinho é Haddad.

Vale a pena ver de novo

O filme ganhou quatro Oscars, lançou Grace Kelly como atriz, sua trilha sonora é excelente. Pode ser visto no Google, na íntegra, e vale a pena. É cultura popular na veia: se os ratos vão embora, o navio está afundando.

Chuchuzão

Haddad, quem diria, tem suas semelhanças com Alckmin. Ambos levam jeitão de tucano. Alckmin nunca soube como deveria ser chamado, Geraldo ou Alckmin; Haddad não sabe se ainda é Lula ou se Lula não é mais, se é vermelho ou verde-amarelo, se é católico de ir à missa ou se isso é o ópio do povo. Em comum, ambos têm aquele charme eleitoral de dar inveja ao Chama o Meirelles. Haddad, aliás, extrapola: para quem acha picante demais o Picolé de Chuchu original, ele é o Picolé de Chuchu light.

Muy amigo

Quando pediu o apoio de Ciro Gomes (e de seu irmão, Cid), o PT não se lembrou de um pequeno detalhe: na ausência de Lula, preso e inelegível, Ciro propôs uma chapa única dos partidos que apoiaram Dilma, tendo-o como candidato à Presidência e Fernando Haddad (ou Jaques Wagner) na vice. Lula vetou a ideia, por dois motivos: primeiro, porque queria fazer o papel de perseguido político, tentando sem êxito, diante da pressão da burguesia e duzianqui, sair como presidente; segundo, porque dar a Ciro a cabeça de chapa equivaleria a colocá-lo no comando geral da esquerda. Lula sabotou Ciro ao máximo. Desistiu até de seu candidato ao Governo de Pernambuco para apoiar o socialista Paulo Câmara, para evitar o apoio do PSB a Ciro. No fim de tudo, pediu o apoio dos Gomes a Haddad. Conseguiu. Mas Ciro viajou e Cid é que vai aos comícios do PT. Horror!

O aliado

Algumas frases de Cid aos petistas: “Fizeram muita besteira, porque aparelharam as repartições públicas, porque acharam que eram donos do país. E o Brasil não aceita ter dono…” Diante dos petistas que cantavam “olê, olá, Lula, Lula”: “Lula o que? O Lula está preso, babacas! O Lula está preso e vai fazer o que? Deixa de ser babaca, rapaz, tu já perdeu a eleição”.

Bolsonaro tem um vice que adora falar, seja o que for, seja sobre o que for, mas que repercussão isso tem diante dos aliados de seu adversário?

Paga e não bufa

Neste momento, faltando menos de 15 dias para o segundo turno, as campanhas custaram R$ 3,3 bilhões (dinheiro público, ou melhor, nosso). Os candidatos puseram algum dinheiro deles, mas nada excessivo: no total, uns R$ 700 milhões. MDB, PT e PSDB foram os maiores beneficiários de dinheiro público: R$ 616,5 milhões, no total. E tomaram uma surra de criar bicho. Quem gastou mais dinheiro privado foi o ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles: R$ 54 milhões. E tomou uma surra de criar bicho.

E, por falar em bicho

O macaco Kaio, filho de pais recolhidos por sofrer acidente, vivia há seis anos numa família humana. O Governo decidiu que, sendo silvestre, deveria ser tirado da família e enjaulado em Florianópolis. Está lá há um ano: não pode receber visitas de pessoas (porque seria violar a lei) nem de macacos (que o matariam por não ser do bando). Kaio nunca será de outro bando, só o de sua família humana. Portanto, a menos que a Justiça se manifeste, ficará enjaulado até a morte. Maltratar os animais não é o espírito da lei – então, por que não devolvê-lo à sua família humana?   

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​Crônica de um país sem divisão

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Depois de uma campanha feroz, o candidato republicano John McCain reconheceu a derrota diante de Barack Obama. Perguntaram-lhe como seria sua relação com o vitorioso, depois de tantas trocas de acusações. McCain explicou: “Até agora ele era meu adversário. Agora é meu presidente”. 

Há quem tema que, depois de uma campanha especialmente agressiva, o Brasil do novo presidente seja uma casa dividida. Podem se tranquilizar: há Centrão em ambos os lados, os governadores, por mais oposicionistas, não vão romper com o Governo Federal, que é o dono das verbas. Há no Brasil certas coisas que são nossas – nossas coisas, cosas nostras. Nos tempos da ditadura, havia quem perguntasse quem dirigiria o país, no caso da vitória das guerrilhas. A melhor resposta que este jornalista ouviu: “Quem dirige, não sei. Mas o secretário-geral será o Marco Maciel”. Maciel, honesto, conservador, hábil, incansável, era especialista em acertar situações. Sem as outras virtudes de Maciel, nunca falta o pessoal do acochambramento.

O Brasil é uma Federação, mas não é: os dirigentes regionais não têm como sobreviver sem bom relacionamento com o Governo Federal. OK, nos últimos anos, houve exagero – digamos que até o cidadão comum tinha a impressão de que ocorria uma tremenda roubalheira,

Por isso o PT venera Lula na cadeia e os bolsonaristas chamam de “mito” seu ídolo. Lembrando Brecht, pobre do povo que precisa de heróis.

A frase como ela é

A citação é da peça Galileu Galilei, de Bertolt Brecht. Galileu, o astrônomo, é intimado pela Santa Inquisição a desmentir que a Terra girasse em torno do Sol. Galileu aceitou a ordem, para não ser torturado e morto, e se retratou. Um discípulo reclamou: “Pobre do povo que não tem heróis!” E Galileu o corrigiu: “Pobre do povo que precisa de heróis”. Aqui não os temos, mas há quem pense que temos e quebre o galho com eles.

Exemplo vivo

O governador Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à Presidência da República, fez uma caminhada na sexta, em São Paulo. João Dória Jr., seu afilhado político, seu companheiro de partido, ex-prefeito da cidade, candidato tucano ao Governo, não se deu ao trabalho de comparecer. Não que Dória não tenha compromisso: tem, sim, e com ele mesmo. Quando Alckmin o lançou para prefeito, estilhaçou o PSDB paulistano, deixando de fora tucanos tradicionais como Andréa Matarazzo e Alberto Goldman. Tão logo se elegeu, Dória tentou se lançar à Presidência, ocupando justo a vaga de Alckmin, E, rompendo o acordo de Alckmin com seu vice, Márcio França, que daria à sua candidatura presidencial o apoio do PSB, saiu ele mesmo candidato ao Governo. Mas alguém acha mesmo que a radicalização da política passa mesmo pelos políticos?

O vencedor

Este colunista imagina saber quem será o vencedor das eleições de hoje. Mas resultado de eleição é parecido com chute a gol: um centímetro para baixo a bola bate na trave e entra, um centímetro para cima a bola bate na trave e sai. A frase de Parreira rendeu muita piada, mas ele tem razão: o gol é apenas um detalhe. Mas este colunista promete revelar os números assim que o TSE os confirmar. E promete dizer também se sua opinião era correta – claro que era. Quem dirá que não tinha a menor ideia do que acontecia?

A roubalheira

Informação oficial: as condenações da Lava Jato já atingem 2.036 anos de prisão. Claro, não é bem assim – tem gente condenadíssima que cumpre pena à beira-mar, em suas belas mansões, só faltando mesmo a tornozeleiras de grife; há quem tenha transformado a cela em sala de estar. E ninguém vai ficar a pena inteira na prisão: com bom comportamento, 1/6 da pena é suficiente (podendo ainda ser reduzida por leitura de livros, etc.)

No total, foram dadas 46 sentenças nos processos da Lava Jato, em que 140 pessoas foram condenadas por 215 crimes.

Outra ação

O Ministério Público Federal pediu agora a condenação de Lula e mais sete pessoas, acusados de corrupção e lavagem de dinheiro na compra de um terreno em São Paulo e de um apartamento em São Bernardo do Campo. De acordo com os procuradores federais, ambos foram-lhe dados pela Odebrecht, pessoalmente, a título de propina, em troca de oito contratos com a Petrobras que renderam ao PT R$ 75 milhões, para formação de uma reserva monetária que financiaria campanhas eleitorais. A parte do então presidente equivaleria, na época, a R$ 14 milhões.

Entre os demais atingidos pelo processo, figuram o empreiteiro Marcelo Odebrecht e o ex-ministro Antônio Palocci – que agora, em sua delação premiada, faz pesadas acusações ao ex-presidente e colegas de partido. Não há prazo para que o juiz Sergio Moro decida sua sentença.

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O samba dos crioulos doidos

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Pouco mais de 55 anos de jornalismo me mostraram o mundo como ele é: já vi cachorro matando elefante, delegado dando ordem de prisão a boi no pasto, passarinho ciscando na boca do jacaré, carro novo mais barato que o velho da mesma marca e categoria, bilionário com nome e capacete de viking passando uma temporada na cadeia. E, se não vi o título mundial do Palmeiras, não foi por desleixo: é dificílimo enxergar o que não existe.

Mas nunca imaginei ver a Folha de S.Paulo e o Grupo Globo acusados de comunistas – Octávio Frias e Roberto Marinho jamais pensariam em integrar o grupo de comunistas formado também por O Estado de S.Paulo – alguém terá imaginado o dr. Júlio de Mesquita Filho, sempre impecavelmente vestido, conspirando com desleixados bolcheviques petistas? - e notáveis como Fernando Henrique, José Serra, Mário Covas, ao lado de banqueiros da mais seleta estirpe, Cândido Bracher, George Soros – que, ao que imaginam seus detratores, move-se silenciosamente pelo mundo tentando implantar o regime comunista, aquele no qual toda sua fortuna será confiscada. Soros deve gostar de correr riscos: se o trabalho não der certo, na certa ele será punido por seus camaradas; se der certo, sua fortuna irá para o Governo, que comprará sítios e apartamentos para os governantes, mas que estarão em nome de outros.

Mas quem é que entende o que se passa na cabeça desses comunistas?

Quem manda e quem faz

Um jornal de qualidade não discrimina por ideologia as pessoas que contrata. Essa história de que o jornal tem um jornalista antipetista ou petista deve ser verdadeira (todos têm), mas não tem sentido. O jornal segue a linha da direção. Se alguém fugir a ela, cai fora. O principal editorialista de O Estado de S.Paulo era dirigente comunista, da total confiança de Júlio de Mesquita Filho. Roberto Marinho disse a líderes militares que não se metessem com O Globo: “Dos meus comunistas cuido eu”. A Folha tinha Oswaldo Peralva, ex-dirigente do PCB; Ricardo Kotscho, do PT; gente da Libelu trostquista. E eu, que não era de esquerda. Peguei uma época boa, em que esquerdista estudava. E aprendia com eles.

Cuidado com pesquisas

Pesquisa é ótimo: serve para orientar a campanha do candidato. E só. Quem acha que seu favorito vai vencer ou perder por causa da pesquisa se engana. Há uma foto clássica: o presidente americano Harry Truman, reeleito, mostrando o Chicago Daily Tribune com a manchete “Dewey derrota Truman”. Brigar com pesquisas, acusar institutos de falsear números, é perder tempo: melhor é usá-lo em busca de novos eleitores.

Cuidado

E é preciso, no caso de pesquisas, verificar se foram mesmo feitas. Uma instituição americana, a University of Southern California, de Los Angeles, apareceu como autora de uma pesquisa que dava Bolsonaro como vitorioso no primeiro turno, com mais de 60% dos votos. Só que a pesquisa era falsa: a USC não fez pesquisa alguma sobre as eleições no Brasil..

Grande frase

Do jornalista Chico Bruno: “Esta é a eleição presidencial em que os líderes querem reeditar o passado – ou o remoto ou o mais recente”.

Racha de esquerda

A senadora Kátia Abreu, que foi ministra de Dilma e é candidata a vice de Ciro Gomes, abriu fogo contra o candidato petista Fernando Haddad. Katia, líder ruralista, virou amiga de infância de Dilma e não a abandonou nem quando ficou claro que seria afastada do poder. E foi o comportamento de Haddad no impeachment de Dilma o alvo de Kátia: “Fernando Haddad é o fujão covarde do impeachment”. OK, ele não se mexeu para salvar a presidente eleita por seu PT. Mas não fez isso por mal: tem dificuldades para tomar posições (tanto que até hoje precisa ir a Curitiba, visitar Lula na cadeia, para saber se deve tomar café com açúcar ou adoçante); e, mesmo quando recebe as ordens do Chefe, não é exatamente uma pessoa prática. Kátia não pode exigir que todos, como ela, queiram defender seus aliados.

Os ricos comandam

O professor Luiz Carlos Bresser Pereira, diz o site gaúcho Espaço Vital (www.espacovital.com.br), quer Abílio Diniz, ex-Pão de Açúcar, hoje Carrefour, no apoio a Haddad no segundo turno. Bresser foi ministro da Fazenda de Sarney e trabalhou com Diniz no supermercado.

A número 1

A surfista carioca Maya Gabeira acaba de entrar no Livro Guiness de Recordes: foi reconhecida pela Liga Mundial de Surfe como a mulher que surfou a maior onda já registrada na História. Maya pegou uma onda de 20m72 cm, na Praia do Norte, Nazaré, Portugal, no dia 18 de janeiro. A demora no registro se explica: o Guiness Book confirma todos os detalhes.

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​Tá difícil pra todo mundo

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Bolsonaro é auto-suficiente. Quem tem a seu lado o general Mourão não precisa de inimigos. Fernando Haddad é não-suficiente: em boa parte do país há apreensão de material de campanha petista que, sem dar nomes, manda votar no 13 – e põe, ao lado, o retrato de Lula. A vida é dura: Bolsonaro, tão fã de militares, tem de mandar um general ficar quietinho. E Haddad? Estudar tanto, por tantos anos, para virar genérico de presidiário?

Os problemas de ambos, porém, não se limitam aos aliados. Chegam agora a seus eleitores, em reportagens de capa nas grandes revistas semanais. Haddad, mostra a IstoÉ, tem a campanha comandada de dentro da cela de Lula, preso em Curitiba. E Bolsonaro: é capa da Veja, com base no processo em que se separou de Ana Cristina Siqueira Valle. Ela o acusou de ocultar da Justiça Eleitoral, em 2006, três casas, um apartamento, uma sala comercial e cinco lotes. E de ter rendimentos superiores ao triplo do salário de deputado somado aos proventos de militar da reserva. Quem pagava o extra? Ela não esclarece. Ainda o acusa de ter furtado, do cofre dela no Banco do Brasil, R$ 600 mil, mais US$ 30 mil, mais joias. E de tê-la ameaçado de tal maneira que ela foi morar na Noruega.

Verdades ou mentiras? O fato é que o processo estava arquivado e Veja teve que desarquivá-lo. Ana Cristina hoje apoia Bolsonaro, mora no Brasil, diz que exagerou na ação e adotou o nome eleitoral de Cristina Bolsonaro.

Com quem andas

Haddad, ele mesmo denunciado na Operação Lava Jato, não quis ficar só: o tesoureiro de campanha que escolheu, Francisco Macena, também é réu. Acusação: receber R$ 2, 6 milhões de pixuleco da empreiteira UTC para pagar dívidas de campanha. Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana, reforça as denúncias de uso intensivo do caixa 2. Três tesoureiros do PT foram condenados e há outros dois citados por delatores.

Do zero ao infinito

Mas o grande problema atual da chapa do PT não é a corrupção. É a capa da revista IstoÉ desta semana: mostra como o ex-presidente Lula, cumprindo pena por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, de dentro da prisão comanda a campanha de Haddad; “De lá”, diz a revista, “o petista articula a cooptação de caciques regionais e até entregas de dinheiro por meio de jatinhos”.  Um caso, com nomes citados: “Ao descobrir que um dos motores da candidatura de Ciro no Maranhão era o deputado Weverton Rocha (PDT-MA), candidato ao Senado, Lula, por meio de Gilberto Carvalho, enviou uma importante mensagem a Valdemar Costa Neto (ex-presidente nacional do PTB, preso em regime semi-aberto): ‘Faça chegar dinheiro à campanha de Weverton Rocha’. O deputado, conforme informações colhidas por Lula da prisão, precisava de R$ 6 milhões para deslanchar sua campanha. (...) Valdemar deflagrou a operação para o envio do dinheiro ao Maranhão”. A verba foi enviada num avião Cirrus, a serviço da empreiteira CLC, diz IstoÉ. O avião caiu em Boa Viagem, Pernambuco, mas sem vítimas nem danos à carga. O dinheiro, completa a revista, foi entregue ao candidato, que então cortou o apoio a Ciro e o deu a Haddad.

A revista publica textos de bilhetes, diz quem são os portadores que vão à prisão ver o Chefe e lá recebem as mensagens de comando aos políticos da aliança. Na campanha, pelo que está publicado em IstoÉ, só resta um papel a Haddad: fingir que ele não é ele, mas Lula. Não lhe deve ser difícil.

Ruim até para Alckmin

Este é um final de semana de más notícias para os candidatos – até para os que estão com as intenções de voto lá em baixo. Alckmin, por exemplo, que imaginava estar deslanchando a essa altura da campanha, pelo domínio do tempo de TV, ainda encontrou espaço para levar mais uma pancada – e em Goiás, onde os tucanos estão no poder há longo anos, onde o candidato do partido ao Senado, Marconi Perillo, é também um dos coordenadores da campanha tucana à Presidência. Na manhã de sexta-feira, a Polícia Federal desfechou a Operação Cash Delivery, que investiga pagamentos irregulares a agentes públicos. Um dos alvos da Cash Delivery é Marconi Perillo, citado em delações de executivos da Odebrecht. A defesa do governador (e candidato ao Senado) afirmou que a operação foi desfechada agora para prejudicar a campanha. De acordo com as delações, Perillo teria obtido duas doações da Odebrecht, uma de R$ 2 milhões, em 2010, outra de R$ 10 milhões, em 2014. Se não se eleger, Perillo perde o foro privilegiado.

A facada e a leitura

Depois do atentado a Bolsonaro, a leitura de artigos sobre ele triplicou: é o que indica a pesquisa da Taboola, plataforma internacional de descoberta de conteúdo, líder mundial no setor.  A leitura on-line passou de 7,6 milhões para 20,71 milhões em um mês. As datas de maior crescimento foram a do atentado, dia 7, e a da segunda cirurgia de emergência, dia 13.

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​O sítio e o estado de sítio

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O caminho (que pena!) parece traçado. Vamos ter de escolher entre um candidato de porta de cadeia e um de porta de quartel. Um candidato que se opõe aos esquerdistas mas apoiou as candidaturas presidenciais de Lula e de Dilma, ou o que diz que o candidato a presidir de fato o país é outro, mas a chapa está em nome dele. Um          que cita com saudades um campeão da tortura, outro que cita com saudades os campeões da roubalheira. 

Que é que acham das mulheres, no campo político, esses candidatos? Um acha normal mulher ganhar menos que homem, outro usa com orgulho, mesclado a seu próprio, o nome do dono da chapa, aquele que convocou as mulheres de grelo duro a brigar por ele. Um disse que teve quatro filhos e, na quinta vez, fraquejou e teve uma filha. O outro, o que é mas não põe o nome, disse que uma antiga companheira de partido, surpreendida por uma operação de busca e apreensão, ficou feliz, achando que os cinco federais que entraram em sua casa, de manhã cedinho, “tinham caído do céu”.

Um candidato não tem programa de governo. Seria difícil. Em toda a sua vida, foi estatizante, nacionalista, antiliberal, mas entregou seu projeto econômico a um pregador do liberalismo. O outro candidato tem programa de governo – o que é pior. Como prefeito de São Paulo, ficou longe de cumprir seu plano de metas. Em suma, um candidato de estado de sítio e um candidato de sítio de Atibaia, que é do outro mas está em seu nome.

Ói ela aí tra veiz

Dilma é candidata ao Senado por Minas. Conhece tudo de lá, uai:

“Dois Haddads. Não, dois Pimentéis. Não, um Fernando”.

Ela queria dizer Dois Fernandos: Pimentel e Haddad, ambos do PT.

As pesquisas da semana

Depois das pesquisas BTG, Ibope, Datafolha e DataWorld/Sensus, vêm agora as da Paraná Pesquisas/Empíricus, nesta quarta. Virtua/Genial Investimento, na quinta, e XP/Ipespe, na sexta, 

Meu nome é Geraldo...

     Há quem diga que o Centrão só espera, para abandonar Alckmin, a confirmação por novas pesquisas de sua inviabilidade. Bobagem: o Centrão já jogou Alckmin ao mar. Os candidatos do Centrão no Nordeste estão com Ciro ou Lula, e o que restou da aliança foi o tempo de TV – que, até agora, para nada serviu. O sinal que o Centrão recebeu foi simples: Alckmin perde em seu Estado, São Paulo, do qual foi quatro vezes governador, e que é o maior reduto do PSDB, para Bolsonaro e Haddad. Só um milagre o salva.

...mas pode me chamar de Cristiano

Alckmin está sendo cristianizado – alusão a Cristiano Machado, mineiro que disputou a Presidência em 1950 pelo maior partido do país, o PSD. Seu partido o largou para apoiar o adversário Getúlio Vargas, do PTB. Alckmin já tem a desvantagem de ser tucano, partido tradicionalmente desunido nas eleições nacionais. O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, não tem feito muito esforço em seu favor; e João Dória, candidato a governador, afilhado político de Alckmin, foi mais longe, com a Bolsodoria – voto em Doria para governador e Bolsonaro para presidente. Segundo a Paraná Pesquisas, já no primeiro turno 38,6% dos eleitores de Dória devem votar Bolsonaro. 

Mi mi mi

O ótimo blog jurídico gaúcho Espaço Vital (www.espacovital.com.br) pesquisou os principais tribunais do país, depois de cansar de ouvir que “os juízes têm sido parciais” contra o PT, seus líderes e afiliados. A pesquisa mostrou que, nos cinco tribunais superiores e no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região – que condenou Lula em segunda instância), em treze anos de Lula e Dilma foram nomeados 99 ministros e magistrados – a maioria dos 141 ministros em atuação. No STF, foram 7 dos 11 ministros; no STJ, 28 dos 33 ministros; no TRF-4, 22 dos 27 desembargadores. 

Chega de reclamar: Lula e Dilma não teriam, deliberadamente, escolhido magistrados que tivessem posições definidas contra eles.

Então, tá

A Câmara Federal divulgou a pauta da próxima semana, e garantiu que haverá debates todos os dias. Os deputados estão ocupados com a eleição e não têm qualquer outra preocupação. Considerando-se que não há desconto no salário de quem faltar, dá para imaginar como as Excelências debaterão.

É caro. E daí?

Coisas do Brasil. O substituto legal do presidente Michel Temer é o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Na falta de Rodrigo Maia, o vice é o presidente do Senado, Eunicio Oliveira. Como ambos são candidatos, não podem assumir o cargo, sob pena de inelegibilidade. Quando Temer viaja, como agora, para a abertura da Assembléia Geral da ONU, Eunício e Maia também viajam, com passagens, hospedagem, diárias, tudo paga por nós. Se eles não podem assumir, por que são escolhidos para ocupar os cargos?

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​A escolha de Sofia

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Meryl Streep, obrigada pelos nazistas a decidir qual de seus dois filhos iria morre (e, caso ela não o escolhesse, ambos seriam mortos), ganhou o Oscar pelo filme A Escolha de Sofia. Os eleitores brasileiros, obrigados a escolher entre dois candidatos que se destacam pelo radicalismo, também serão premiados: receberão o prêmio que Luzia ganhou atrás da horta.

É difícil para o eleitor anticomunista votar num candidato que, quando Hugo Chávez chegou ao poder na Venezuela, elogiou-o (“uma esperança para a América Latina”) e comparou-se a ele. Disse que Chávez não era anticomunista e ele, Bolsonaro, também não era. “Não há nada mais próximo do comunismo do que o meio militar”.

É difícil para o eleitor petista que vai ao delírio só de ver o retrato de Lula ser obrigado a votar num laranja confesso, que troca seu nome de família, aquele que seus pais utilizam, para, como o Chefe, usar o sobrenome de Lula (e não é só o sobrenome: faz-se chamar de Luís Fernando Lula Haddad). Usa máscaras de Lula para induzir eleitores a votar em seu nome. E confessa não ter a menor ideia do que fará sem viajar a Curitiba para visitar o Chefe na cadeia. Cafezinho com açúcar ou adoçante? É Lula que sabe.

Jaques Wagner, lulista entre os lulistas, rejeitou o papel subalterno que lhe queriam atribuir, de boneco de ventríloquo. Haddad se rebaixou, feliz.

Tudo atrasado

Fernando Henrique, a 16 dias da eleição, propôs aos candidatos de centro que se unam para evitar que o segundo turno seja disputado pelo homem da bala e o laranja de Lula. Boa ideia – mas agora, quando não dá mais tempo? E imaginemos que houvesse tempo: somar Alckmin, Marina, Álvaro Dias, Meirelles, Amoedo é como juntar moedinhas para enfrentar o volume de dinheiro e joias do vice-presidente da Guiné Equatorial. Uma candidatura se articula ao longo do tempo. O tempo passou e não há um nome sequer do Centro que não seja nanico. Até Alckmin: quatro vezes governador de São Paulo, uma vez, em 2006, candidato à Presidência (tomou uma surra de Lula, após garantir que os tucanos eram contra as privatizações – justo eles, que privatizaram com sucesso a Vale e a telefonia), até agora não conseguiu tornar-se conhecido do Nordeste. Perde em São Paulo, sua base eleitoral, reduto dos tucanos, para Jair Bolsonaro.

Ciro, talvez

Ciro Gomes, que se mantém vivo na disputa, poderia ser a solução para o centro. Já foi da Arena Jovem, já foi ministro de Itamar Franco (concluiu a implantação do Plano Real). Mas qual dos outros candidatos o aceitaria?

Meio tarde

Fernando Henrique, conversando com Bernardo Mello Franco, de O Globo, concordou que seu apelo tem poucas chances de ser ouvido.       “Mas temos de fazer algum esforço. Não sei se algo vai acontecer”. Não, não vai.

Fale o que eu quero

Paulo Guedes, que deve ser ministro da Economia se Bolsonaro for eleito, conhecido como Posto Ipiranga, já sabe de seus limites: foi só falar na volta da CPMF, o Imposto do Cheque, para tomar uma chamada do candidato. Bolsonaro deixou claro que quer eliminar impostos, não criar novos. Guedes explicou que o novo imposto iria substituir cinco ou seis impostos federais, mas Bolsonaro não gostou. “Não é a CPMF, seria um imposto único”, disse Guedes. Não adiantou: o Brasil já experimentou o Imposto Único, e descobriu que o Imposto Único era apenas mais um.

É demais

Bolsonaro acompanhou também as declarações de seu vice, general Hamílton Mourão, sobre uma Constituição redigida por pessoas não eleitas e o papel de mães e avós, que sem ter o pai e o avô em casa, não impediriam o recrutamento das crianças pelo tráfico. Mourão foi contido por Bolsonaro: nada de propor temas ainda não discutidos com ele.

Doce prêmio

A Chocolat du Jour, excelente chocolateria paulistana, acaba de ganhar dois prêmios internacionais (e pelo quarto ano consecutivo): o International Chocolate Awards, medalha de ouro, pelo bombom de paçoca recoberto de chocolate ao leite, e o ICA, medalha de prata, pela Choco Pops, pipoca com chocolate ao leite. Além de fabricar ótimos chocolates, que seriam ótimos na Bélgica ou na Suíça, a Chocolat du Jour foi criada por uma amiga deste colunista, Cláudia Landmann, que estudou chocolateria em Bruxelas.

Adoniran na cabeça

Adoniran Barbosa recebe amanhã, em memória, o título de Cidadão Paulistano. A festa será no Farol Santander, às 19 h, na rua João Brícola, 24. Lá estará a adorável Maria Helena Rubinato Rodrigues de Souza, filha de Adoniran e colunista do Chumbo Gordo –www.chumbogordo.com.br

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​A culpa da imprensa mentirosa

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Foi um fato normal, dentro da rotina: o vice-presidente da Guiné Equatorial desembarcou em Viracopos, na noite da última sexta-feira, trazendo quase l,5 milhão de dólares em dinheiro e uma coleção de vinte relógios de alto valor: só um deles, modelo exclusivo, todo cravejado de brilhantes, foi avaliado em US$ 3,5 milhões. Nada mais comum: um turista traz um dinheirinho para gastar, e seus objetos pessoais, como o relógio, não é mesmo? A imprensa burguesa e racista só fez barulho porque o referido cavalheiro e seu pai, o presidente da Guiné Equatorial, são amigos do ex-presidente Lula. E, se fossem brancos, de olhos azuis, ninguém estranharia a bagagem.

Talvez haja quem, entre os caros leitores, que ache que a quantia é grande demais. Mas Sua Vice-Excelência explicou direitinho: faria um tratamento médico, e os médicos mais abalizados, como sabemos, estão cobrando caro. E é preciso estar preparado também para enfrentar o preço dos exames médicos. Ele estava: além do US$ 1,5 milhão, trouxe seus cartões de crédito.

Veja como é nossa imprensa: se ele trouxesse pouco dinheiro e não pudesse enfrentar o custo do tratamento, os jornais diriam que ele veio abusar do SUS; como ele trouxe uma quantia que, a seu ver, seria suficiente, também reclamam. Resultado: Sua Vice-Excelência foi embora sem fazer tratamento.

Há até quem diga que ele veio repatriar dinheiro. Besteira: em campanha da turma de Lula, US$ 1,5 milhão e 20 relógios-joia não dão nem para o começo.

Quem é quem

O passageiro dessa viagem tão rotineira é Teodoro Obiang Mang, filho de Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, no poder há 38 anos. Segundo a revista Forbes, sua fortuna é estimada em US$ 600 milhões. Mas, em 2015, quando pediu à Beija-Flor que a Guiné Equatorial fosse tema de seu desfile, não quis gastar nada: segundo a Lava Jato, exigiu que uma empreiteira interessada em obras no seu país fizesse o patrocínio, em troca de conseguir os contratos. Não teve dificuldades: acostumada aos pixulecos daqui, o patrocínio de uma escola de samba, de R$ 10 milhões, deve ter-lhe parecido uma pechincha.

Um risco, uma oportunidade

Dois candidatos correm o risco de aposentadoria forçada nessas eleições: Marina, que em vez de subir caiu; e Alckmin, que, mesmo em seu reduto de São Paulo, tem menos intenções de voto que Bolsonaro. Em eleições anteriores, Marina em determinados momentos teve uma onda de apoios, que sempre acabou antes da hora. Se essa onda se repetir, como a campanha é curta, até pode ser que se coloque bem. Alckmin tem quase metade do tempo de TV, mas está mal na fita – tão mal que em 15 Estados é traído por seus aliados. Mas ninguém é inimigo e a lei da política ainda está em vigor: caso ele consiga calibrar a mensagem e dobrar as intenções de voto, o apoio volta.

Quem sobe, sobe

A lei da política é bem exemplificada no Paraná: o ex-governador tucano Beto Richa ia bem na campanha ao Senado até ser preso pela Operação Rádio Patrulha. Primeira reação: a governadora Cida Borghetti, do PP, que foi sua vice e é candidata à reeleição, pediu ao bloco partidário que o apoia que retire sua candidatura, “para que ele possa se dedicar à defesa”. Claro que não é isso: não há melhor defesa do que se eleger e ganhar foro privilegiado. Cida fez também um forte discurso contra a corrupção. E tucanos importantes já apoiam o candidato do PSD, Ratinho Jr., filho do apresentador Ratinho. Beto foi libertado pelo Supremo. Se mostrar força eleitoral, recupera seus apoios.

Aposentadoria

Terminou nesta segunda uma dinastia política do Mato Grosso do Sul: o ex-governador André Puccinelli não conseguiu registro para disputar a Câmara. E por um motivo simples: estava preso. Era o grande líder do MDB local e não tem substituto. Sem foro privilegiado, tem é uma fila de processos.

Ressurreição

Quem está de volta no Estado, como candidato ao Senado, é Delcídio do Amaral, do PTC. Absolvido da acusação de tentar comprar o silêncio de Nestor Cerveró, Delcídio se beneficiou da desistência de César Nicoletti.

Mulheres contra Bolsonaro

Qual a consequência do hackeamento da página Mulheres contra Bolsonaro no Facebook? A página, no último fim de semana, foi capturada por hackers, que até mudaram seu nome. As participantes da página se irritaram; mas, de acordo com pesquisa da Toluna, 49% dos entrevistados não deram a menor importância ao fato. Para 42%, a opinião que tinham sobre Bolsonaro ficou abalada; para 8%, a imagem do candidato até melhorou. A pesquisa apurou também que 50% dos entrevistados conhece alguém que faz parte do grupo, e 52% tiveram conhecimento do ataque virtual. A Toluna fornece informações sobre o consumidor, facilitando o trabalho na economia atual, sob demanda. O estudo completo está no endereço  http://tolu.na/l/b8AZq69C

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​Baile de máscaras

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Fernando Haddad não é mais Fernando Haddad: é Luiz Fernando Lula Haddad. Quem quiser conhecer suas ideias sobre o Brasil, esqueça: ele diz que seu plano de governo, caso eleito, é chamado de Plano Lula. Mas será um dirigente afirmativo: dirá “sim, senhor” a tudo o que Lula mandar.

Bolsonaro é paz e amor. Ele dizia que, depois de quatro filhos, fraquejou e teve uma filha – mas agora sua campanha preparou um vídeo para reduzir a rejeição no eleitorado feminino (se houver referência a “empoderamento” feminino, entretanto, pode ser rejeitado por chatice). E, hoje, simplesmente adora gays: em outro vídeo, cumprimenta amistosamente um homossexual.

Geraldo Alckmin, que, depois de ganhar quase metade do tempo total da TV, já se via no segundo turno, aceita hoje ser o menos pior. A frase, dita por sua vice, a senadora Ana Amélia, é ótima: “Nem na faca, nem na bala. Vote Geraldo Alckmin”. Ana Amélia fez sua parte, Alckmin tem agora de fazer a dele: apanhar de Bolsonaro em seu reduto, São Paulo, é feio demais.

Marina, que qual cometa aparece de quatro em quatro anos dizendo ser a favor do bem e contra o mal, incorporou o mais feroz espírito da floresta; bateu forte no general Mourão, vice de Bolsonaro, que andou se excedendo ao sugerir que a atual Constituição seja trocada por outra, em que o eleitor só tenha o direito de votar num referendo. Marina é suave, Mourão é bravo – mas é difícil reagir contra Marina sem parecer prepotente e grosseiro.

O novo Ciro

A surpresa da campanha é Ciro Gomes. Ciro é bom de campanha, tem o que dizer, mas tem também o hábito de se exceder nos comentários e ficar no caminho. Agora está se controlando e pode até chegar ao segundo turno.

As pesquisas

Outra surpresa: as pesquisas não se comportam como era esperado. Alckmin, com TV e tudo, comporta-se como um bom chuchu, Caso se livre da árvore a que está preso, cai, em vez de subir. Nem a TV pôde ajudá-lo: tem o horário gratuito, Bolsonaro tem o tempo todo. Bolsonaro, vítima de atentado, subiu pouco. Está bem na frente, mas já estava antes da facada. E quatro candidatos disputam o segundo lugar, embolados: Marina, Alckmin, Ciro e Haddad. Mas é cedo para fazer previsões. Quantos eleitores de Lula irão para Haddad? Como os bolsonaristas vão reagir a sua ausência da campanha? Se Haddad subir e Bolsonaro cair, a quem irão os antiesquerdistas dar seu voto: Alckmin? Meirelles, tão sem sal quanto ele mas sem TV? Ciro, talvez – e quanto dos votos que o PT considera seus irão para Ciro e Marina? Serão suficientes para levá-los ao segundo turno?

Quero ser ele!

Como homenagem a Lula, Haddad lançou-se candidato na porta da cadeia e, bem treinado, ficou repetindo o nome do padrinho. Levantamento de O Globo mostra que Haddad, em seu primeiro contato com a população, citou o nome de Lula uma vez a cada período de 22 segundos. Fez três discursos, que juntos duraram pouco mais de 11 minutos, e neles citou Lula pelo nome por 31 vezes (houve outras em que o citou, mas sem o nome: só como “presidente” e “ele”). Os animadores de campanha o chamavam de “Fernando Lula Haddad” e “Luiz Fernando Lula Haddad”.

O Alckmin eletrônico

Geraldo Alckmin fez um divertido programa de TV. Nele, incluiu entre as obras paradas do Governo Federal, em Goiás, o aeroporto de Anápolis. Pois é, o aeroporto deveria estar concluído em 2014, continua em obras, o custo, que deveria ser de R$ 270 milhões, já está em R$ 330 milhões, só que o Governo Federal nada tem com isso: a obra é do Governo goiano, foi iniciada (e deixada por concluir) por Marconi Perillo – um dos coordenadores da campanha de Alckmin. E o vice que substituiu Perillo, José Elinton, PSDB, teve de usar a campanha (está, apesar, ou por causa, do apoio de Perillo, bem abaixo de Ronaldo Caiado) para desmenti-lo.

Ele é mas não é

Lembre: numa eleição anterior, Ciro Gomes foi massacrado por dizer que tinha estudado só em escolas públicas (havia entre suas escolas uma particular). Pois é: Haddad também entrou nessa. No site do PT, havia esta frase sobre ele: “Mesmo tendo estudado sempre em escola pública, Haddad se formou em Direito pela Universidade de São Paulo, depois se tornou mestre em Economia e doutor em Filosofia”. O jornalista Josias de Souza, do UOL, pesquisou a informação: Haddad fez educação infantil e ensino fundamental em renomada escola particular, o Ateneu Ricardo Nunes; em seguida, fez o Colégio Bandeirantes, um dos mais caros de São Paulo.

Quero ser ela!

O PT tirou do site a informação falsa, mas não informou que Haddad, antes do curso superior, só tinha estudado em escolas privadas de elite.

Tudo bem: Dilma não dizia que tinha um doutorado que não tinha?

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​Como será o amanhã

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Bolsonaro vai bem, obrigado, com ampla vantagem sobre os adversários. Seus eleitores parecem consolidados – mas, após a facada, ele subiu pouco, não o suficiente para projetar uma vitória no primeiro turno. O segundo turno é outra eleição – aí, até eventuais dúvidas sobre sua recuperação completa são prejudiciais. E há alguns fatores a considerar: sua alta rejeição, o lançamento, enfim, do poste escolhido por Lula, Fernando Haddad; o grande crescimento de Ciro Gomes; um Picolé de Chuchu mais ardido, já que, com aquele jeito de tio bonzinho, Alckmin não decolou e perde de Bolsonaro até em São Paulo.

O que ficou claro, com as pesquisas após o atentado, é que nada está claro. Bolsonaro, que vinha bem, não pode participar da campanha (e talvez também não tenha condições de fazê-la se chegar ao segundo turno). Haddad, se herdar os votos de Lula, fica forte; mas, se tiver que dividi-los com Ciro, estará mal. Ciro percebeu qual é seu principal adversário, e já o escolheu como alvo: lembrou que, com seu apoio e o de Lula, ainda solto, Haddad perdeu para Dória, quando tentou a reeleição, e teve menos votos que os brancos e nulos.

E há Marina. Caiu muito na última pesquisa (de 16 para 11%) mas sempre pode surpreender. Em todas as campanhas presidenciais, Marina ameaçou chegar lá, e não se sustentou. Esta é uma campanha curta. Se Marina crescer na hora certa, perto da eleição, pode chegar ao segundo turno. É difícil, mas conforme o adversário pode até receber o apoio dos outros e virar presidente.

A falsa verdade

As notícias de que o estado de saúde de Bolsonaro é grave e que ele terá de fazer nova cirurgia de porte são verdadeiras; mas foram plantadas para induzir o eleitor a erro. Coisas já sabidas: se está na UTI é porque o estado é grave. E, tendo sido operado do intestino, com desvio para uma bolsa externa, haverá outra cirurgia de porte, passado o risco de infecção, para repor tudo no lugar.

É importante saber se um candidato tem saúde para aguentar a carga e a tensão da Presidência. Mas isso é algo que só se saberá daqui a algum tempo.

Confiança

O general Mourão, vice de Bolsonaro, disse na Rede Bandeirantes, ao entrevistador Cláudio Humberto, que confia na recuperação do seu cabeça de chapa, porque é tão forte que, no Exército, tinha o apelido de “Cavalão”.

A luta continua

Houve trégua, mas já acabou a gentileza. Alckmin lembrou que Bolsonaro votou com o PT contra o Real, a quebra do monopólio do petróleo, a quebra do monopólio das telecomunicações. Citou as pesquisas: “Perde de mim, perde do Ciro, perde do PT. Bolsonaro é um passaporte para a volta do PT”.

A metralha de Palocci

Ex-ministro da Fazenda, ex-chefe da Casa Civil, ligado a Lula e Dilma, Palocci começou a falar, em depoimento ao Ministério Público. O que disse:

Previ: antes de ser presidente, Lula agiu a pedido de Emílio Odebrecht para que o delegado do PT no fundo parasse de criar problemas para a Braskem.

Pré-sal: Lula passou a atuar diretamente nos pedidos de propina

Campanhas: Lula sempre apoiou as iniciativas de financiamento ilícito de campanha, sabendo que eram ilícitas.

Caças: Lula assinou protocolo com o presidente francês Sarkosy, passando por cima da área de Defesa, que cuidava do assunto. Isso gerou propinas. Mais tarde, teve envolvimento pessoal na compra dos caças suecos Grippen.

Belo Monte: Lula se envolveu diretamente no caso de Belo Monte, e sabia que a partir desse investimento e desse projeto haveria pedido de propina.

Dilma: era ministra da Casa Civil e agia como Lula. “Em relação aos fundos ela foi igual a Lula, ela insistia, inclusive usava muito, que aquilo era uma ordem do presidente Lula e ela fazia reuniões com os fundos na Casa Civil e forçava a barra para os fundos investirem“,

As assessorias de Lula e Dilma desmentiram seu ex-ministro e o acusaram de mentir, sem apresentar provas, apenas para sair da prisão.

A Odebrecht disse que reafirmava seu compromisso de atuar com ética.

A arte subversiva

O Facebook não costuma explicar por que pune com suspensão de acesso alguns associados. Não costuma porque seria difícil: há poucos dias, bloqueou uma imagem e, pouco depois, suspendeu por 18 horas o associado “por usar o Facebook de maneira que os sistemas consideraram pouco usual”. Em suma, a mesma mensagem com que censuram fotos que consideram pornográficas.

É qual era a imagem tão perigosa que teve de ser bloqueada? Um quadro mundialmente famoso do excelente pintor espanhol Joan Miró, “El Gallo” – O Galo. Verifique: vá ao Google, “El Gallo – Miró”, e aparecerá o clássico do surrealismo, sem qualquer conotação de política ou de pornografia.

Oficialíssimo

“El Gallo” já foi exposto no Brasil na mostra “A Magia de Miró”, em 2014, de fevereiro a setembro, em cinco capitais – sempre na Caixa Cultural.

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