O mundo gira e os partidos rodam

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Aécio, não faz muito tempo, era candidato forte em 2018. Hoje é réu e perdeu de 5x0 no Supremo. Temer é o presidente, a inflação caiu em seu Governo, mas não há Viagra eleitoral que levante sua popularidade. Lula, com toda a papagaiada em torno de sua prisão, caiu nesta semana seis pontos percentuais: de 37 para 31%. Não faz muita diferença, porque é barrado não pela baixa aceitação, e sim pela Lei da Ficha Limpa – mas como será hoje sua capacidade de transferir votos a nulidades, depois da experiência Dilma? Alckmin vai mal, embora sempre tenha tido votos em São Paulo. E Meirelles, João Amoedo, Álvaro Dias, Flávio Rocha, Manuela d’Ávila, Guilherme Boulos, Aldo Rebelo? Juntando o carisma e a popularidade de cada um, nem juntando todos se conseguiria um candidato.

Há Ciro Gomes, mas só ganharia força se tivesse o apoio do PT. O PT, porém, só aceita apoios, rejeitando apoiar quem não seja do partido. Há os salvadores da Pátria, como Marina Silva e Joaquim Barbosa, que estão bem num início de campanha. Mas Marina Silva sempre despencou no meio do caminho (aliás, Ciro Gomes também). Joaquim Barbosa tem boa imagem, mas é autoritário e intratável. Como isso se refletirá em sua campanha?

Bolsonaro, então? Depende: como se comportará com pouquíssimo tempo de TV? Como reagirá aos ataques pessoais que irá receber? Às vezes se descontrola. Isso já tirou candidatos em eleições anteriores. Aguentará?

Tira, põe

A ala paulista de Geraldo Alckmin tem o controle do PSDB. Mas não há político, tucano ou não, que fique tranquilo com candidato fraco. Há quem pense em sair com João Dória e lançar Alckmin ao Senado (com o abono de segurar o apoio do cacique socialista Márcio França, com o que Barbosa perderia seu próprio partido em São Paulo). Dória tem hoje a vantagem de ser um tucano da gema: depois de trair Alckmin e solapar a aliança do PSB paulista com o PSDB, Dória já é odiado por todos os seus amigos. Nada mais tucano: o PSDB é um partido de amigos formado 100% por inimigos.

Deixa ficar

O PMDB é o maior partido brasileiro, com tradição e presença em boa parte dos municípios. Mas candidato... Temer, Meirelles, Paulo Skaf? Não dá: é por isso que o PMDB normalmente não lança candidato e dá apoio ao que ganha. Os caciques estaduais fazem suas próprias alianças, sem levar em conta as alianças nacionais. Renan Calheiros, por exemplo, fecha com o PT; Eunício, amigo de Temer, tenta juntar-se ao PT no Ceará. O PMDB não se preocupa com as aparências: sempre usa todas as vantagens.

Tempo rei

O fato é que, a poucos meses das eleições, é complicado escolher seu candidato. Só um pouco mais perto de outubro o quadro fica mais estável.

Aécio no sexto

Indiciado por corrupção passiva e obstrução à Justiça, Aécio é o sexto senador a enfrentar o Supremo em consequência da Lava Jato. Os outros são Gleisi Hoffmann, Agripino Maia, Romero Jucá, Valdir Raupp e Fernando Collor, uma do PT, dois do PMDB, um do DEM, um do PTC. Mas calma: as coisas andam devagar. A denúncia sobre o Quadrilhão que envolve quatro senadores (Romero Jucá, Valdir Raupp, Renan Calheiros e Garibaldi Alves Filho), do PMDB, e o então presidente da Transpetro, Sérgio Machado, foi encaminhada ao Supremo em agosto de 2017; e ainda não foi analisada. Demora para que passem a ser chamados de Guerreiros do Povo Brasileiros. A propósito, o ex-presidente José Sarney, que na semana que vem completa 88 anos, está entre os denunciados.

Sem teto, com ônibus

Os participantes da invasão do apartamento à beira-mar que gerou a primeira condenação de Lula são sem-teto, mas chegaram à praia  em ótimos ônibus alugados. Pularam a cerca do Edifício Solaris, onde fica o triplex que Lula diz que não é dele, renderam o vigia, subiram ao apartamento, arrombaram a porta e se instalaram. O grupo que não entrou no prédio demarcou a praia para montar suas barracas. Só não levou em conta que Alckmin deixou o Governo para se candidatar à Presidência, e seu sucessor, Márcio França, é mais disposto. Avisou que o prédio tinha de ser desocupado na hora, ou os invasores seriam presos. Saíram todos e não quiseram nem tentar acampar na praia. O problema agora é fazer com que paguem os danos causados ao prédio e ao apartamento que não é de Lula.

Vão tomar banho!

A Câmara Federal está abrindo licitação para a troca das banheiras de hidromassagem e outros equipamentos hidráulicos de parte dos imóveis  postos à disposição dos deputados. São aquecedores, chuveiros, duchas higiênicas, pias de granito. Custo? Quem quer saber de custo, numa hora em que é preciso lavar até reputações? Só R$ 3 milhões. Baratinho.

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Está quente, está frio

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​Está quente: o ministro Marco Aurélio marcou para terça, depois de amanhã, a decisão sobre o recebimento de denúncia por corrupção passiva contra o senador Aécio Neves, ex-presidente nacional do PSDB. Na sessão do Supremo, decide-se o recebimento da mesma denúncia contra a irmã de Aécio, Andréa, do primo Frederico Pacheco e de Mendherson Souza Lima, todos delatados por Joesley Batista, que se fazia passar por amigo. Diz a denúncia que Aécio pediu R$ 2 milhões de propina a Joesley. Aécio diz que pediu dinheiro, como empréstimo, para pagar seus advogados.

Está frio: a vocação punitiva do STF não é tão vocacionada assim. Diz o colunista Cláudio Humberto (www.diariodopoder.com.br) que o ministro Celso de Mello segura há dez anos ação contra o deputado federal Flaviano Melo, do MDB do Acre, acusado de gestão fraudulenta quando governador, entre 1988 e 1990. A ação está pronta para julgamento em plenário, desde que Celso de Mello libere seu voto. A denúncia foi recebida em 2002, está no Supremo desde 2007, e prescreve no fim de junho. A partir de agosto, adeus julgamento. A ação estará extinta. O réu livre, leve. E solto.

Celso de Mello segura também, desde fevereiro, as duas primeiras ações penais liberadas para julgamento pelo relator da Lava Jato, ministro Édson Fachin: uma contra o deputado federal Nelson Meurer, do PP, outra contra a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann. Um dia, talvez.

Cumo é o nome dela?

Gleisi, a propósito, pediu a mudança de seu nome parlamentar para Gleisi Lula Hoffmann. Patrus Ananias também: Patrus Lula Ananias. E o senador Lindbergh Farias: Lindbergh Lula Farias, “Lindinho” para seus eleitores. O vereador Fernando Holiday fez a mesma coisa, ao contrário: é Fernando Moro Holiday. Tem gente que não pode ver um mico que sai correndo para pagá-lo.

Jogando para a plateia

Não se impressione com a manobra do PT, que pediu “medida cautelar” ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, para que o Governo brasileiro impeça a prisão de Lula até que todos os recursos tenham sido esgotados. A ONU não pode alterar resoluções judiciais de países-membros.

Brasil brasileiro

O excelente repórter Paulo Renato, colaborador desta coluna no Mato Grosso do Sul, chama a atenção para uma peculiaridade do Estado: nestas eleições, quem está em primeiro lugar nas pesquisas é quem mandava prender, o juiz Odilon de Oliveira, do PDT. Em segundo, vem quem já foi preso, o ex-governador André Puccinelli, do PMDB; em terceiro, quem é investigado por denúncia de corrupção, em delação da JBS, o atual governador Reinaldo Azambuja. O caçador lidera a corrida e a caça perde.

Só boato

Uma notícia falsa se espalhou rapidamente pela Internet, para denunciar uma suposta maquinação de ministros do Supremo para libertar presos da Operação Lava Jato. A manobra seria a seguinte: o ministro Marco Aurélio teria aproveitado a viagem de Temer à Cúpula das Américas, com a consequente posse de Carmen Lúcia como presidente da República e a de Toffoli em seu lugar no Supremo. Com Carmen fora da votação, a prisão em segunda instância não seria confirmada: com o placar de 5x5, os réus seriam beneficiados com a liberdade. Só que não: Temer volta no domingo e reassume a Presidência, Carmen Lúcia volta ao comando do Supremo e as votações ocorrem com a formação habitual da Corte,

Sinal de sempre

A informação falsa sobre a manobra que não houve tem uma característica que nunca falta e que é sinal seguro de que está tudo errado: o texto mal-educado, que troca fatos por insultos. Nesta, os ministros são chamados de crápulas e vagabundos. Com essa linguagem, nunca é verdade. O pedido “compartilhem ao máximo” também nunca falta em notícia falsa. E anda serve para facilitar a proliferação de vírus.

Intimidade?

Esqueça: hoje em dia (e não apenas por artes do Facebook) seus dados pessoais estão à disposição da praça. Privacidade? Intimidade? Cliqe http://easyconsultas.com/consulta.php e dê o CPF para ter informações sobre o portador, algumas certas e atualizadas, outras superadas, outras que nada têm a ver com o portador daquele documento. Legal ou ilegal? É melhor consultar advogados. Mas o link não é clandestino: quem o recebe, recebe abertamente.

Caminho possível

Preste atenção na ideia de uma Assembléia Constituinte, separada do Congresso, com a missão de mexer amplamente na Constituição de 1988. A ideia cresce e muita gente a vê como saída para a crise.

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​Lula cá

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Hoje é o dia mais aguardado por Eduardo Cunha, por José Dirceu, pelo tucano Eduardo Azeredo. E pelo principal interessado, que talvez se livre da prisão menos de uma semana depois de ter ido para Curitiba: Lula. Hoje se decide se Lula fica em sua cela especial ou volta para cá, para as ruas.

É hoje que o ministro Marco Aurélio promete levar ao plenário do STF duas ações que acabam com a prisão de réus condenados em segunda instância. Os réus só poderiam ser presos depois de encerrado o processo, como ocorria até recentemente. Caso uma das ações seja vitoriosa (o Supremo está dividido) Lula e Eduardo Cunha voltam para casa. Palocci também. José Dirceu se livra de riscos. E Eduardo Azeredo, ex-presidente nacional do PSDB, ex-governador de Minas, já condenado a 20 anos e 10 meses em duas instâncias, continuará livre, leve e solto.

Até 2016, os réus só podiam ser presos no fim do processo, sem apelo possível. Aceitava-se a multiplicação das garantias. Como se diz em latim, “quod abundat non nocet” (em português, “é melhor sobrar do que faltar”, ou “o que abunda não prejudica”). O Supremo mudou de posição e passou a autorizar a prisão de condenados em segunda instância. Mas a divisão continua, 6x5 para um lado ou outro. Promotores acham que, assim, desaparece o incentivo à delação premiada, já que ninguém vai preso mesmo. Pode ser – mas quais ministros e dirigentes ficam tristes com isso?

O x da questão

O voto-chave no Supremo é o da ministra Rosa Weber. Ela é a favor de prisões só no final do processo; mas Sérgio Moro, favorável a prender logo, foi seu auxiliar, e ela acha que não se pode mudar uma decisão após tão pouco tempo, pois isso afeta a segurança jurídica. O placar depende dela.

O caso Azeredo

O PT surgiu na política dizendo-se diferente dos outros partidos, entre outros motivos por não roubar nem deixar roubar. Não era bem assim, e os petistas passaram a dizer que os outros partidos também tinham malfeitos e eram protegidos pela Justiça. Dois nomes eram citados: Aécio (gravado por Joesley Batista pedindo dinheiro) e Azeredo, por participar de uma versão mineira do Mensalão. No dia 17, o Supremo decide se Aécio deve se tornar réu no caso Joesley. No dia 24, o Tribunal de Justiça de Minas julga o último recurso de Azeredo no mensalão mineiro. Já condenado em duas instâncias, pode ser preso se o recurso for rejeitado (e esta é a tendência). Se o Supremo mudar, ele se livra. E o crime talvez prescreva sem punição.

Firme como geléia

Lula foi preso – e daí, como isso influenciará as eleições? Talvez não dê tempo para saber: se a decisão do Supremo levá-lo a ser solto, como isso se refletirá em sua popularidade? Será visto (não pelos seguidores, claro, mas pela opinião majoritária) como um criminoso que escapou da punição ou como um vitorioso que nem a Justiça consegue submeter? A partir do que ocorrer hoje será possível começar a avaliar quem ganhou e quem perdeu. De qualquer forma, pela Lei da Ficha Limpa, Lula é inelegível. Mas, num país em que é difícil prever até o passado, como saber se não terá saída? Dilma não manteve direitos políticos mesmo tendo sofrido impeachment?

PT a nocaute

Se Lula não puder ser o candidato do PT (e das esquerdas em geral, como Renan Calheiros, Ricardo Coutinho, Roberto Requião, Eunício Oliveira e outros), de acordo com a Lei da Ficha Limpa; e se não derem um jeito de interpretá-la, quem será o candidato em seu lugar? Em seu último discurso, Lula jogou o PT ao mar: não citou ninguém – nem Dilma! - a não ser, muito de leve, Fernando Haddad. Citou gente de outros partidos: o dirigente dos sem-teto, Guilherme Boulos, do PSOL, e Manuela D’Ávila, do PCdoB. Não citou o melhor nome para uma composição: Ciro Gomes, do PDT. Lula não quer dar ao PT qualquer saída que não seja ele mesmo.

Um de fora

A Justiça Federal aceitou denúncia contra o Quadrilhão do PMDB. Dois amigos próximos de Temer, o coronel Lima (João Baptista Lima Filho) e o advogado José Yunes estão na lista, ao lado de Eduardo Cunha, Henrique Alves, Geddel, Rocha Loures, todos ligados a Temer, e três doleiros.

Muda sem mudar

A presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Carmen Lúcia, deve assumir a Presidência da República depois de amanhã, e ocupar o cargo por algo como 24 horas. O presidente Michel Temer vai ao Peru, onde participa da Cúpula das Américas. Carmen Lúcia é a terceira na linha de sucessão, mas Rodrigo Maia, presidente da Câmara, não pode assumir por ser candidato à Presidência; Eunício Oliveira, presidente do Senado, é candidato ao Governo do Ceará, e por esse motivo também não pode assumir. Ambos têm viagens ao Exterior na época da saída de Temer.

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A luz e as leis

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​Nenhum cidadão pode alegar que desconhece a lei. Para que a lei esteja ao alcance de todos, consta em livros, na Internet, nos Diários Oficiais. Mas de que adianta conhecer as leis se não é possível entendê-las? O caso Lula foi dramático: com a mesma lei, o Supremo, que reúne juristas de porte e seus assessores, interpretou de maneiras opostas a prisão dos condenados em segunda instância. Houve ministro que mudou de opinião, houve ministro que tinha opinião e votou de acordo com a posição oposta.

A regra tem de ser clara, não é mesmo, Arnaldo? Quem defende e quem acusa podem divergir; mas juiz pode mudar de opinião no meio do jogo?

Está mais do que na hora de dar uma ajustada na Constituição de 1988. Trinta anos depois de promulgada, a maior parte das leis complementares não foi elaborada. O princípio está na Constituição, mas como aplicá-lo? E há coisas que não deram certo, como o foro privilegiado, que atravancam o Supremo e jogam qualquer julgamento para muitos, muitos anos à frente.

E se os magistrados do Excelso Pretório, vênia concessa, inobstante vezo consolidado, tentarem transformar seu jargão em algo inteligível, para que as sessões televisionadas nos ensinem, além da diferença de caimento entre as togas nacionais e as feitas sob medida, em Paris? Algo que não nos obrigue a ouvir intermináveis discursos e correr aos comentaristas para saber se o voto foi contra ou a favor – e se a sentença será ou não aplicada.

Urgente

É preciso, em suma, reavaliar e consolidar o ordenamento jurídico, para que as entrecruzadas teias se desenrolem de maneira mais lógica. Ou isso ou continuaremos sob o império da Lei, mas da lei que não temos como entender; e, em casos como o de Lula, transformando a análise em torcida.

O peso dos fatos

Muita discussão em torno da prisão de Lula, como se fosse o único caso. Não é: Lula enfrenta ainda o processo do sítio que não é dele em Atibaia, a acusação de receber R$ 12,5 milhões em propinas da Odebrecht, o caso de tráfico de influência para favorecer a Odebrecht em Angola (Taiguara, seu sobrinho, é também réu). É acusado de corrupção passiva na venda de Medidas Provisórias; e de tráfico de influência na compra, em que há suspeita de superfaturamento, de 36 caças suecos Grippen. Caso condenado em todos os casos, as penas somadas estão próximas de cem anos de prisão.

Jogo de cena

Não se impressione com a defesa do PT, que pediu “medida cautelar” ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, para que o Governo brasileiro impeça a prisão de Lula até que todos os recursos tenham sido esgotados. A ONU não pode alterar resoluções judiciais de países-membros.

Dia dos ex

Lula, dia 6, passou a foragido da Justiça; mas não é o único a ter problemas. No mesmo dia 6, a Coréia do Sul prendeu, por corrupção e abuso de poder, a primeira mulher a assumir a Presidência, Park Geun-hye. Ainda no dia 6, Jacob Zuma, que renunciou diante das acusações de corrupção na compra de armas, foi ao tribunal para o início do processo.

A vez dos tucanos

Enquanto Lula decidia o que fazer diante do início da pena, a Polícia Federal prendeu em São Paulo um ex-diretor da Dersa, estatal de rodovias, Paulo Vieira de Souza, ou Paulo Preto. Paulo Vieira de Souza é acusado de desviar recursos que teria encaminhado aos tucanos durante os governos de Alckmin, José Serra e Alberto Goldman; é acusado também de abastecer com recursos ilegais o atual ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira. De acordo com executivos da Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão e Andrade Gutiérrez, e o doleiro Adir Assad, Vieira de Souza cobrava 0,75% de propina em todas as obras no Rodoanel.

Nesse caso, a investigação começou com uma denúncia internacional: o Ministério Público da Suíça informou que ele tinha o equivalente a R$ 113 milhões em contas internacionais. 

Segundo a defesa de Vieira de Souza, sua prisão nada tem a ver com a Operação Lava Jato. O PSDB garante que jamais teve qualquer vínculo com o ex-diretor de Engenharia da Dersa nas administrações Alckmin e Serra e apoia integralmente as investigações que estão sendo realizadas.

Brasil brasileiro

O excelente repórter Paulo Renato, colaborador desta coluna no Mato Grosso do Sul, chama a atenção para uma peculiaridade do Estado: nestas eleições, quem está em primeiro lugar nas pesquisas é quem mandava prender, o juiz Odilon de Oliveira, do PDT. Em segundo, vem quem já foi preso, o ex-governador André Puccinelli, do PMDB; em terceiro, quem é investigado por denúncia de corrupção, em delação da JBS, o atual governador Reinaldo Azambuja. O caçador lidera a corrida e a caça perde.

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​Na hora do calor, fique frio

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Os caros leitores, adeptos e adversários de Lula, farão a gentileza de perdoar este colunista, que neste momento discorda de todos; acredita que o juiz singular, mais os três, unânimes, do Tribunal Federal de Recursos, não se enganariam ao condená-lo – e por um só crime, havendo acusações ainda pendentes. Mas discorda de quem o quer atrás das grades. Negar sua candidatura por ter a ficha suja, OK: mas prendê-lo para que? Vingança?

Do jeito que a coisa foi conduzida, boa parte dos eleitores acha que Lula só será punido se for preso – caso contrário, acredita-se erradamente, terá sido criminoso sem pena. E outra parte substancial acha que a prisão é uma punição inaceitável. Se, aplicada a lei, Lula fosse declarado inelegível, discutindo-se depois a prisão, o crime estaria exemplarmente punido.

Como está a situação, hoje? Se Lula se livra da prisão, fica a imagem de que tudo é permitido. Haverá uma série de pedidos de libertação de presos. Fica a imagem de que manifestações populares e a lei foram ignoradas para que um político condenado, mas popular, se livrasse da cadeia. Se Lula for preso, ficará a imagem do líder popular martirizado por seus inimigos. A ladroeira se transformará em martírio. Lula não poderá ser candidato, mas terá a chance de dar apoio, talvez decisivo, à candidatura de algum poste.

Como dizia Ulysses Guimarães, política não se faz com o fígado. Política se faz com o cérebro. Mas como, com Dilma x Carlos Marun?

Quem está solto...

Está na hora das desincompatibilizações: quem quiser se candidatar tem de abandonar os cargos que ocupa até o dia 7. O presidente Michel Temer já iniciou as trocas no Ministério: Gilberto Occhi fica na Saúde, Valter Casimiro nos Transportes. No total, são 13 ministros novos, e Temer só pode nomear quem esteja solto – de seus seguidores, não são tantos assim, em especial após a Operação Skala, da Policia Federal. Só pegou amigos fiéis! Do jeito que a coisa vai, faltará gente para o baralhinho do Jaburu.

...apresente-se

Para alguns dos que estão soltos e não têm grande chance de eleger-se, a nomeação para um ministério é uma grande saída: livram-se da primeira instância e vão para o Supremo, onde um processo é bem mais demorado.

Boa leitura!

O repórter Ivo Patarra, fundador do PT, assessor de imprensa da prefeita petista Luiza Erundina, lança um livro completo sobre aquilo que chama de “maior escândalo de todos os tempos no Brasil”: o Petrolão. A Lava Jato e os Petrodólares traz, em 83 capítulos, um apanhado das investigações sobre a série de roubos que chegou a ameaçar a estabilidade da Petrobras. Ivo é também autor de O Chefe, obra que iniciou as denúncias do Mensalão, e filho de grandes jornalistas, Judith e Paulo Patarra.

Pague, Gleisi!

A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffman, teve R$ 162 mil de suas contas bancárias bloqueadas para que pague a dívida da ação que perdeu para Michele Caputo Neto, secretário da Saúde do Paraná. Em 2008, Gleisi acusou Caputo de ser “o maior operador de sacanagem do PSDB do Paraná” e, com seu estilo característico, atacou até o sobrenome de seu adversário. Gleisi foi condenada em 2009, mas recorreu sem parar até agora, o que fez com que a dívida passasse de R$ 5 mil, decidido pelo primeiro juiz a analisar a causa, a R$ 50 mil, nas sucessivas decisões superiores. Corrigida, a dívida chegou ao valor atual.

E ainda perdeu

Em 2008, Gleisi disputou a Prefeitura de Curitiba e foi surrada pelo hoje governador Beto Richa, do PSDB, que venceu no primeiro turno com 77% dos votos. Gleisi, com xingação e tudo, se limitou a 18%.

Agora, vai!

O vereador paulistano Mário Covas Zuzinha Neto, filho do falecido governador Mário Covas, fundador do PSDB, e tio de Bruno Covas, que assume pelo PSDB a Prefeitura de São Paulo, no dia 7, acaba de aderir a um partido rival: entrou no Podemos, partido dirigido pela deputada federal Renata Abreu e cujo candidato à Presidência é o senador Álvaro Dias. Apesar do parentesco ilustre, vereador foi o maior cargo até hoje alcançado em eleições por Zuzinha.

Ameaça de pijama

O general da reserva Luiz Gonzaga Schroeder Lessa exige que o Supremo vote de acordo com o que ele, general, pensa; se não votar, estará errado. Mais: se Lula puder concorrer e for eleito (o que é impossível, a menos que se mude a lei), ameaça com reação armada e golpe militar. OK, em nome de quais militares o general da reserva está falando? Alguém lhe fez a pergunta? Porque, se não falar em nome de ninguém, a ameaça é vazia. Se falar em nome de gente da ativa, onde estará a disciplina militar?

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​Brasil, 1º de Abril

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Ao contrário da História, que acontece como tragédia e se repete como farsa, a mentira acontece e se repete como farsa trágica. A história da prisão dos amigos de Temer (que, pelo jeito, logo não terá nem com quem comentar A Família Adams) é exemplar: foi detida uma das donas da empresa portuária Libra; foi detido o advogado José Yunes, suspeito de fazer a ponte entre as portuárias e seu amigo Temer; foi detido um dos donos da Rodrimar, outra portuária. Há investigações sobre eles, mas há uns vinte anos se ouvem histórias sobre as boas relações entre Temer e o porto. O alvo não é só Temer, em fim de carreira. Há a Odebrecht, sempre ela. E quem assinou a lei que beneficia a Odebrecht, Dilma Rousseff.

A história real começa lá por 2003, quando a Coimex comprou uma área fora do porto para erguer um terminal. Era ilegal: terminal, só em área de portos. A Coimex, com problemas, vendeu o terreno à Odebrecht, que não deu bola para a ilegalidade. Construiu um terminal de contêineres, o Embraport, sem investir um centavo: o financiamento foi do FI-FGTS, estatal, com os menores juros do país, no máximo 3% ao ano, e do BID, internacional, com garantia do Governo. Total, como levantou o repórter Cláudio Tognolli: R$ 1,8 bilhão, mais US$ 768 milhões, numa obra que não podia ser usada. Inaugurou o terminal em julho de 2013. E só em setembro Dilma assinou a lei que autorizava portos em terrenos privados.

Os fracos e os fortes

Os envolvidos no enredo atual, parte dos últimos amigos ainda soltos do presidente Temer, são uma parte do alvo. A outra parte, bem mais interessante, é saber como a Odebrecht conseguiu dinheiro oficial, a juros de amigo, para construir uma obra fora da lei: e como é que o Governo, sabendo que a obra estava fora da lei, garantiu o empréstimo internacional. E quem foi o gênio da bola de cristal que adivinhou que a lei regularizando terminais em terrenos fora do porto sairia tão pouco tempo depois que aquele terminal ficasse pronto. Mãe Dinah perde de 7x1!

A Operação Lava Jato mostrou que a Odebrecht tinha pago, por favores na área em que estava interessada, propinas de R$ 137 milhões. Mas seria maldade atribuir a isso a coincidência na assinatura da lei por Dilma com a data da conclusão do terminal. Tudo não deve ter passado de coincidência.

Coincidência, de novo

O advogado José Yunes, 80, a quem Temer considera tão amigo que o guarda do lado esquerdo do peito, escreveu um livro contra Paulo Maluf no início do Governo do PMDB em São Paulo. Chamava-se “Uma lufada que abalou São Paulo”, editado pela Paz e Terra. Por coincidência, Yunes foi detido pela Polícia no mesmo dia em que Maluf obteve a prisão domiciliar.

Cargo e função

Em abril de 2016, José Yunes deixou vazar que, se Dilma caísse, ele seria assessor especial de seu amigo Michel Temer. “Serei aquele assessor com liberdade para fazer considerações positivas e negativas. Não levarei apenas notícias boas”. Durou três meses no cargo e levou a Temer muitas notícias ruins. A primeira: a delação premiada de Cláudio Mello Filho, da Odebrecht, segundo a qual o dinheiro para financiar as campanhas do PMDB paulista era entregue, em notas, no escritório de Yunes.

Desrespeito ao voto

A população paulistana elegeu, em primeiro turno, a chapa João Dória – Bruno Covas para prefeito e vice-prefeito. É uma chapa puro-sangue, escolhida apenas entre tucanos. Deveriam compartilhar suas ideias.

Muita gente se escandalizou com a decisão de João Dória de deixar a Prefeitura para disputar o Governo do Estado. É verdade que Dória prometeu cumprir todo o mandato, e o está abandonando antes de completar dois anos no cargo. Mas é verdade, também, que o eleitor terá uma excelente oportunidade de dar sua opinião sobre a atitude de Dória: se a desaprovar, é só mudar de candidato. Escandalosa mesmo é a posição de Bruno Covas, cuja principal força é ser neto do falecido governador Mário Covas. Ele disse que, ao assumir no lugar de Dória, vai mudar sua política para algo mais semelhante ao que seu avô fazia. Pergunta-se: se Covas não concordava com as ideias de Dória, por que aceitou ser seu vice? Ninguém votou em seu nome: foi eleito como integrante da chapa do outro. Mudar aquilo em que o eleitor votou é desrespeitar o voto. Esta é sua posição?

Sempre ganha

Desemprego, crise, recessão? Isso é para os fracos; o lucro dos bancos do país subiu mais uma vez, como de hábito. Sete dos dez maiores bancos tiveram receitas crescentes; no total, os dez bancos somaram R$ 86 bilhões em lucros, 20,2% mais que os ganhos de 2016. Os bancos que mais ganharam, segundo o site Poder 360°, foram Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Santander, Safra e Votorantim.

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​Crônica de uma casa dividida

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Lula, como ex-presidente, tem direito a uma escolta pessoal. Como líder de um partido de porte, tem voluntários que o acompanham aonde quer que vá. São voluntários com espírito bélico, que se identificam como “exército do Stedile” (o líder do MST), falam em rejeitar decisões judiciais, ameaçam “reagir de armas na mão” a qualquer medida contra Lula. O próprio Lula diz que é da paz mas sabe brigar, ainda mais depois que Stedile “coloque seu exército na rua”. Stedile não hesitaria, por Lula, em usar suas armas brancas, a foice e o martelo, assim que conseguisse distinguir um do outro. E mesmo assim, com tantos adeptos, tão dispostos, tão voluntariosos, tão guerreiros, Lula foi barrado em Santa Maria, Palmeira das Missões, São Borja, Santana do Livramento, Passo Fundo, Bagé, todas no mesmo Rio Grande do Sul que já elegeu os petistas Tarso Genro e Olívio Dutra. Lula mantém o direito de ir e vir, mas não lá.

Os antipetistas levaram a sério a pregação bélica do PT. Além disso, já queriam, há tempos reagir contra a propaganda lulista que os apresenta como ricos, brancos, “da zelite”, tudo galeguinho di zoio azul. Eles venceram. Mas, se vencessem os outros, o perdedor seria o mesmo, o Brasil. A campanha deixou de transmitir as ideias de cada candidato (se as têm) e virou disputa de insultos. Mais grave: cada lado quer impedir que o outro se mova pelo país. Ganhe quem ganhar, é fascismo na veia.

Crianças mimadas

Cada lado acusa o outro de ter iniciado a campanha divisionista (e antipatriótica) de demonizar o adversário. Podemos discutir esse tema anos a fio, mas isso é irrelevante: político que se preza não faz provocações desse tipo, político que se preza não aceita as provocações. É como briga de criança, mas sem crianças e com adultos feios e mal intencionados: a mãe nem quer saber quem começou, quer que a briga se encerre ali mesmo. Um lado quer Lula na cadeia, outro acha que Aécio precisa ser julgado com urgência? Pois recorram à Justiça e parem de encher o saco do eleitorado.

Nosso futuro

Josias de Souza (https://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/), do UOL, fez uma apavorante lista de candidatos à Presidência da República: Lula, já  condenado em segunda instância, ficha-suja, portanto inelegível, mas que ainda tenta quebrar o galho; Geraldo Alckmin e Rodrigo Maia, submetidos ambos a inquéritos; Michel Temer, com duas denúncias e dois inquéritos por corrupção; Henrique Meirelles, sem acusações, mas filiando-se agora ao PMDB, partido em que o que não falta é inquérito; Bolsonaro, que tem casa em Brasília e recebe auxílio-moradia assim mesmo. Fora isso, há os de sempre, como o do aerotrem. Se voto não fosse obrigatório, quem votaria?

Lula lá

Este colunista acha que prisão não é a melhor punição para criminosos de colarinho branco: o ideal seria retomar o que foi roubado, acrescido de multa, com a proibição de trabalhar na área de atividade que desonrou. Como disseram Carlos Lyra e Vinícius de Moraes em Maria Moita, é por pra trabalhar gente que nunca trabalhou. Ficar sem dinheiro e obrigados a trabalhar? Haveria gente rezando para ficar na cadeia, ala dos estupradores. Portanto, o colunista não está entre os que torcem pela prisão de Lula, “para responder às aspirações populares”. Aspirações de quem, cara-pálida? Mas é a favor de que se cumpra a lei: se Lula, condenado a 145 meses de prisão por lavagem de dinheiro e corrupção, em duas instâncias, com habeas corpus já negado por nove juízes, e a pena para isso é prisão, que seja cumprida, e que a lei, no futuro, seja modificada. Mudá-la para agradar a Lula é coisa esquisita. Pode haver alguém que diga “é górpi”.

A imagem do juiz

Roda Viva, com a entrevista de Sérgio Moro, bateu o recorde de público da Rede Cultura. Foram quatro pontos de audiência; no Twitter foi um dos temas mais comentados do mundo. Moro se mostrou como é: funcionário público qualificado, sem aspirações de salvar o país, mas pronto a fazer sua parte, na forma da lei. Admite que erra, mas lembra que errar faz parte da profissão, e por isso há instâncias superiores que têm poder de corrigi-lo. Quem não viu e quer ver: Assista aqui a entrevista na íntegra. Vale a pena. E, no link https://goo.gl/Rdg11Z, a análise deste colunista.

Moro saiu do programa maior do que quando entrou.

Passando nos cobres

A família Rocha Loures (à qual pertence o cavalheiro da pizzaria e da mala de dinheiro) colocou à venda sua empresa, a Nutrimental, fabricante de barrinhas de cereal e fornecedora de merenda escolar. A corridinha de Sua Excelência com uma mala de dinheiro prejudica até hoje a reputação da empresa. A Nutrimental, segundo a família, vale R$ 1 bilhão, mas ao que se saiba até agora nenhuma negociação chegou perto desse valor.

​O BBB de toga

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O caro leitor chegou à sua casa, depois de um dia de trabalho, e ligou a TV para saber o placar do julgamento do habeas corpus preventivo pedido por Lula. Então soube que, depois de um dia de trabalho, os Supremos Togados estavam ainda decidindo se era ou não o caso de aceitar julgar o habeas corpus. Enfim, como mostra o definitivo texto do publicitário goiano Marco Chuahy, “o STF se reuniu para decidir, mas decidiu que antes precisava decidir se podia decidir. Decidiu que podia. Mas decidiu não decidir mesmo podendo decidir, e decidiu que vai decidir outro dia.” E decidiu também que Lula não pode ser preso antes de outra decisão do STF. Mas por que, podendo decidir, não decidiu de uma vez?

É que um ministro precisava pegar um avião e, embora o STF seja quem lhe pague, pode esperar. Outros Supremos se cansariam se trabalhassem à noite. E por que não resolver na sexta, ou no fim de semana, como uma empresa faria? Porque não é costume trabalhar nesses dias. Na semana que vem não dá: dia 30 é Sexta-Feira Santa e o STF observa a semana toda.

Não é apenas o hábito de poupar-se de esforços extras. Trata-se de jogar para o futuro distante a decisão de enfrentar o problema do início do cumprimento das penas. Este colunista não torce pela prisão em algum ponto do julgamento nem só após trânsito em julgado, mas pela aplicação da lei. E essa definição é do Supremo Tribunal Federal. BBB é outra coisa.

Como está

A decisão do STF, por 6 votos contra 5, foi receber e julgar o pedido de habeas corpus preventivo de Lula, que pleiteia o direito de ser preso só depois de julgados todos os recursos. Até que ocorra o julgamento, Lula não poderá ser preso após perder os apelos ao TRF 4, que o condenou em segunda instância no caso do apartamento triplex em Guarujá.

Dúvida cruel

O caso foi marcado para daqui a um bom tempo, mas o ministro Gilmar Mendes ainda não sabe se poderá voltar de Portugal para o julgamento do habeas corpus de Lula. Disse a O Globo que não tem ainda resposta a dar. Em Portugal, participa de evento do IDP, Instituto de Direito Público, do qual é sócio. Perder este evento só para um julgamento importante?

Lembrando

Saudades de Chico Anysio! Era dele o deputado Justo Veríssimo, igual a muitos, mas mais sincero do que todos. Foi quem disse a grande frase: “Povo não pensa, povo vota. Eu quero que o povo se exploda”. Era dele também outro clássico: “Esta terra que eu amo, este povo que eu piso... quer dizer, esta terra que eu piso, este povo que eu amo”.

Temer quer bis

Informação exclusiva da última revista IstoÉ: Michel Temer confirma que é candidato à reeleição. Esta coluna já tinha cravado a informação: ele tem de ser candidato, ou ficará sem foro privilegiado. Se for para ser réu, que seja no Supremo, onde as causas demoram mais e condenar é mais raro, do que nas mãos de Sérgio Moro e outros juízes de primeira instância.

Mas há um problema sério: mesmo com a economia mostrando bons índices, o presidente continua com baixos índices; a intervenção federal no Rio até agora não provocou qualquer alta na popularidade do presidente. Seus índices são quase inacreditáveis: 4%, segundo a mais recente pesquisa do Instituto Ipsos para o Barômetro, de O Estado de S. Paulo. Só alguns índices são bons para ele: os do mau desempenho dos demais candidatos.

Ninguém em alta

Bolsonaro, que querem alçar à condição de mito? Tem 24% de avaliação positiva e 60% de negativa. Lula? 41% positivos, 57% negativos. Marina? 30% de aprovação, 59% de desaprovação. Manuela d’Ávila, do PCdoB? Tem 3% de aprovação e 54% de reprovação. Alckmin, o líder dos tucanos? Tem 22% de aprovação e 66% de desaprovação. Ciro Gomes e Fernando Haddad batem no mesmo nível de desaprovação, e outros nomes ficam ainda mais abaixo: Henrique Meirelles, Fernando Collor, Rodrigo Maia. Está certo, ainda é cedo para ver quem é quem, mas todos vão bem mal.

A exceção

O nome mais viçoso da pesquisa é um que até agora não se declarou candidato: Joaquim Barbosa, ministro aposentado do STF, que ganhou alta notoriedade quando tocou o caso do Mensalão. Barbosa tem 42% de desaprovação e 38% de aprovação. Seu partido? Barbosa tem conversado com o PSB, mas até agora não decidiu se entra ou não na disputa.

 Ruivinha na mira

Lembra da Ruivinha, aquela caríssima refinaria toda enferrujada que a Petrobras pagou caríssimo em 2005? Segundo a Polícia Federal, houve no negócio ao menos US$ 15 milhões em propinas. Os peritos pedem a quebra do sigilo bancário de vários dos envolvidos na compra. É caso quente.

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​Nos corações, saudades e cinzas

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Nosso panorama de hoje está descrito na esplêndida Marcha da 4ª Feira de Cinzas, de Carlos Lyra e Vinícius: “pelas ruas o que se vê/ é uma gente que nem se vê”. Que nem se sorri, nem se beija e se abraça (...)” O país do Carnaval ficou triste, ficou chato, só gente querendo tristeza e prisões.

Lula preso ou Lula solto? O raciocínio não é político: é de vitória ou vingança. Lula preso será a alegria de parte da população, feliz de ver seus desejos atendidos; será a tristeza mortal de outra parte. E as consequências? Lula preso é um mártir pronto. Se ficar na cadeia, mártir, com reportagens de jornais internacionais todos os dias; se sair logo, mártir, e um mártir que com seu exemplo terá vencido tudo e todos. E que, por favor, nada lhe aconteça na prisão, ou o candidato dele decola.

Lula solto é a prova de que vale a pena desafiar juízes, insultá-los, tentar desmoralizá-los – e esta será a crença não apenas dos adversários, dos que só se contentariam em vê-lo atrás das grades, algemado e comendo de marmita; vale também para seus aliados, pois a tese é de que decisão da Justiça se combate politicamente.

Lei é lei, acabou-se?  O balê de juízes existe, avaliação política existe. Mas, hoje, pensar é arriscado. É só lembrar que a Marcha citada diz, com esperança, “porque são tantas coisas azuis”... Haverá quem acuse os comunistas Lyra e Vinícius de ser coxinhas tucanos hostis ao vermelho.

Tudo certo

O presidente Michel Temer, num discurso irrepreensível, disse no Fórum Mundial da Água que o crescimento sustentável está “intimamente ligado” ao acesso à água. Temer tocou no ponto mais importante de toda essa questão: sem acesso livre à água, como molhar as mãos necessárias?

O milagre brasileiro

Faz tempo que não chove em Brasília. Há uns três anos chove abaixo da média, esvaziando os reservatórios e provocando duro racionamento (ou melhor,"rodízio” – em toda a área do Distrito Federal. O racionamento (ou “rodízio”) começou em janeiro do ano passado. Mas a ação do Governo provocou um milagre: nas áreas onde se realizam as reuniões do Fórum, foi possível suspender o racionamento, veja só, evitando submeter os técnicos estrangeiros aos mesmos sofrimentos impostos aos cidadãos brasilienses. Em resumo, há racionamento a Leste, Oeste, Sul e Norte da metrópole, mas onde se reúnem as equipes do Fórum Mundial da Água, ali já não há seca.

Os de sempre

O prefeito João Dória é o grande vencedor das disputas internas do PSDB: aconteça o que acontecer, está livre da incômoda atividade de ser “gestor” de São Paulo. Vença ou não as eleições para o Governo paulista, livrou-se da Prefeitura e daqueles cidadãos chatos que querem ruas limpas, trânsito decente e serviços mais ou menos aceitáveis. O governador Geraldo Alckmin pensa ser o novo dono do partido, mas seu trabalho é outro: conduzir o grupo de intelectuais amigos que se odeiam uns aos outros até uma nova derrota. Alckmin já desempenhou o mesmo trabalho em 2006, quando escondeu na campanha o principal nome do PSDB, Fernando Henrique, e terminou vestindo uma estranha jaqueta com os símbolos de estatais que prometia não privatizar. Levou de Lula uma surra de criar bicho: se é para estatizar, Lula é mais confiável que Alckmin.

Cumprindo o ritual

Alckmin se coloca como pré-candidato no momento em que o seu sobrinho Othon César Ribeiro é investigado, por ordem do promotor Sílvio Marques, por suspeita de ter-se beneficiado da concessão de cinco aeroportos no Interior paulista. O pai de Othon, Adhemar Ribeiro, cunhado de Alckmin, foi acusado por delatores da Odebrecht de ter obtido R$ 2 milhões irregulares para a campanha governamental de 2014.

Os novidadeiros

O caro leitor se lembra do estojo de primeiros socorros no carro? E do extintor cheio de dispositivos? Tudo pela segurança: como seria possível guiar seu próprio carro de passeio sem ter tudo bem à mão? Todos esses produtos essenciais foram dispensados e esquecidos assim que os donos de automóveis gastou com eles uma barbaridade de tempo e dinheiro.

A novidade de agora é a troca de placas de todos os veículos do país, obsoletas, claro, pelas essenciais chapas desenhadas para o Mercosul, mais feias e sem nenhuma nova função – a não ser custar R$ 260,00 por carro. As autoridades podem não se preocupar com o cidadão, mas jamais irão deixar de se preocupar com aquilo que o cidadão carrega no bolso.

Sem exceção

E não se queixe ao bispo: d. Ronaldo Ribeiro, 61, foi preso pela Polícia por suspeita de corrupção na diocese de Formosa, Goiás, a 80 km de Brasília. Até na Igreja Católica!

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Venezuela? Nós pagamos

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Quanto nos custa a festa do caqui da Venezuela? É difícil calcular. O que sabemos é que a Presidência da República emitiu a medida provisória 83, abrindo crédito extraordinário de 190 milhões de reais para enfrentar as despesas com os refugiados venezuelanos. A Venezuela tem abundância de petróleo, mas prefere poupar seu dinheiro O Brasil assume a responsabilidade pelos refugiados do país vizinho. E assume também a conta – ao mesmo tempo, venezuelanos se instalam no Brasil e é preciso, numa época em que nosso país tem desemprego, criar empregos para os refugiados. Há maneira de arranjar emprego para eles e para nós? Talvez haja – mas até agora não houve como manter empregos para os brasileiros e para os venezuelanos.

Pior: nada impede que entre os venezuelanos refugiados haja também uma infiltração de bandidos, de guerrilheiros; e não é o Governo Maduro que irá ajudar o Brasil a livrar-se de maus elementos. Afinal, o Governo Maduro é um foco de maus elementos. E, considerando-se que Maduro é favorável ao governo Dilma, qual sua disposição para ajudar o atual Governo brasileiro? A ideia venezuelana é torpedear o Governo brasileiro. Repetem a fuga dos marielitos (fugitivos do porto de Mariel) de Cuba para os Estados Unidos, infiltrados por bandidos de quem Fidel Castro queria livrar-se. A Venezuela é pior: quer seus bandidos tumultuando a vida dos vizinhos não-bolivarianos,

Conjugando

O mundo como ele é:

“Eu roubei, tu roubaste, ele roubou; nós roubamos, vós roubastes, ele roubaram”. Ou “Eu roubo, tu roubas (...)” Ou, quem sabe, “roubarei, roubarás”. O problema é que os políticos que surgiram prometendo que seriam diferentes hoje lutam para provar que são iguais aos bandidos que iriam combater. Não fazem nada de diferente, dizem: roubam como todos.

Faustão abre fogo

Fausto Silva raramente fala da situação nacional, Mas, quando fala, é um tiro de canhão. No ultimo domingo, enquanto Fernanda Torres falava sobre a violência no Rio, Faustão tomou a palavra e bateu duro. Disse que a violência ocorre no país inteiro, mas o poder público é corrupto e incompetente e não consegue transmitir ao povo nem a necessidade da reforma da previdência. E prometeu não cantar mais o hino de fim de ano da Globo. “Hoje é um novo dia coisa nenhuma. O Brasil é o único lugar do mundo que o Governo não faz nada por você. Ele rouba você”.

Big Data

Interessantíssima a campanha da Rede Globo pedindo que os cidadãos mandem vídeos em que informam ”qual o Brasil que queremos”. Alguns milhões de pessoas deverão gravar vídeos, com seus nomes e número de WhatsApp. Será um gigantesco banco de dados, utilíssimo na campanha eleitoral. Pode ser usado pelo candidato da Globo, ou vendido para outros candidatos que saberão direitinho como usar as informações,

Curiosidade

Mensagem de um engenheiro aposentado, mas sempre observador:

“Há muitos anos, um fato chama nossa atenção: as empreiteiras que vencem as licitações de obras do Governo Federal, seja qual for o Governo, não são as que executam o trabalho. Sempre as obras são tocadas por uma empresa terceirizada. Deve ser um negócio muito bom e lucrativo, pois há construtoras que nem entram nas licitações, mas se especializaram em executar as obras que outras empreiteiras conquistaram nas concorrências. Num levantamento informal que realizei no Rio Grande do Sul, em 90% dos casos era outra empreiteira executando a obra”.

Ótima notícia

O Centro Médico Shaare Zedek e a Universidade Bar Ilan, de Israel, criaram e patentearam um colírio que, aplicado a porcos, produziu bons efeitos tanto em miopia quanto em hipermetropia. No final do ano, haverá testes em seres humanos, Diz o oftalmologista David Smadja que, se os resultados forem bons, o colírio, produzido com nanotecnologia, poderá eliminar a necessidade de óculos de grau e de lentes multifocais,

Novela quente

A Globo está gravando a série Assédio, com base nos crimes pelos quais foi condenado o dr, Roger Abdelmassih. E o SBT aguarda liberação da Ancine para gravar um seriado com base no livro “Bem-vindo ao Inferno”, do jornalista Cláudio Tognolli, que narra a trajetória da vítima Vana Lopes até localizar Abdelmassih. Tognolli, repórter de primeira, romancista brilhante, transformou a saga de Vana Lopes numa história excepcional.

Vana Lopes foi quem encontrou Roger Abelmassih em seu esconderijo no Paraguai.

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