“A MÚSICA E OS MÚSICOS”

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Em seu sétimo álbum de estúdio, “The Man-Machine”, o grupo alemão Kraftwerk provou que o poder da música eletrônica não estava em truques elaborados, mas na simplicidade zen do domínio científico.

O criativo projeto artístico da banda deu uma guinada conceitual nesse álbum, lançado em maio de 1978, cuja capa simbólica fazia referência ao modernista russo El Lissitzky e as músicas falavam de um mundo cada vez mais autômato de alienação urbana, de engenharia da era espacial e de fama sem glamour.

Tal visão futurista da fusão da humanidade com a tecnologia está presente tanto na faixa-título como em “The Robots”, outra piada em cima da imagem andróide da banda. Para o lançamento do disco, o quarteto de Düsseldorf encomendou robôs iguaizinhos a seus integrantes, que passaram a ser acessórios permanentes dos shows. O uso de vozes sintéticas se tornaria uma característica do som sempre em evolução do Kraftwerk. O mesmo álbum apresenta um lado dolorosamente romântico e melancólico na faixa “Neon Lights” e a veia satírica dos compositores em “The Model”, referendo-se à indústria da beleza.

O retrato profético da cultura da celebridade tornou-se um cartão de visitas do Kraftwerk, vindo a inspirar futuras gerações de artistas do techno-pop dos anos 80, como Human League, New Order, Pet Shop Boys e Depech Mode.

The Man-Machine revela contida uma grande capacidade de síntese, através das variações de temas percussivos repetitivos e uma interação quase clássica entre as partes de sintetizador.

Confira, a seguir, Kraftwerk em “The Robots”.

Fontes : “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer” – Ed. Sextante

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“A MÚSICA E OS MÚSICOS”

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GIL REIS – Um dos músicos mais completos surgidos nos últimos anos em Franca, SP. E falo disso com muito orgulho porque acompanhei boa parte de sua trajetória, desde seu interesse pelos instrumentos musicais até sua projeção na cena, que compreende Brasil e países da Europa. Espelhado no talento dos pais, o guitarrista Ito Reis e  a cantora Lu Reis, Gil não poderia navegar em outras águas senão as da música, principalmente a instrumental: detona no piano, sanfona, escaleta, gaita, violão, ukulele e qualquer outro instrumento que lhe caia nas mãos, além de cantar de forma própria e madura.

Percorreu boa parte da Europa ao lado do baixista Eduardo Machado e músicos convidados e atualmente tem se apresentado em grandes casas de shows não só de Franca, mas pelo Brasil afora, dividindo palco com gente do nível do trompetista Chico Oliveira (do Programa do Jô) e outros. Eventos corporativos e cerimônias nupciais também têm sido ocasiões em que Gil tem mostrado seu incomparável talento.

Bem, “Summertime” é uma ária da ópera “Porgy and Bess” que foi escrita por George Gershwin e DuBose Heyward em 1935 (alguns pesquisadores também creditam a autoria do tema a Ira Gershwin, irmão  George). Tornou-se um jazz standard dos mais gravados e interpretados no mundo. E foi justamente essa canção que tive o enorme prazer de cantar acompanhado por Gil Reis, noite dessas, quando, apreciando uma de suas apresentações, fui convidado para o palco. Confesso que mais babei do que cantei ! O moleque é fera !

Pena que perdi o vídeo e não vou ter como lhes mostrar minha satisfação ali, ao vivo, ao lado de um dos maiores talentos da nossa música. Mas o vídeo que deixo aí embaixo é algo imperdível : o countryman Willie Nelson relendo “Summertime” que, aliás, toco também no nosso próximo “Beny Chagas Music Show”, pelas web rádios. Não abro mão de você !!!


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“A MÚSICA E OS MÚSICOS”

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“MORE THAN A FEELING” – Um dos “riffs” mais consagrados da história do rock. “Riff” é aquela frase marcante que, na maioria das vezes, é responsável pela identificação da música. E, entre os tantos e tantos que conhecemos, temos este solo de guitarra, que você vai poder conferir no vídeo lá no final da matéria.

A gravação é do grupo Boston, que, depois da celebração do Bicentenário da Independência dos Estados Unidos, através de um trabalho árduo do ex-engenheiro de som e então guitarrista Donald “Tom” Scholz, lançou o melhor presente de Natal do ano de 1976: o LP “Boston”. O álbum foi gravado usando equipamento emprestado da banda Aerosmith e mixado quase que totalmente por Scholz em seu estúdio caseiro, com repertório baseado no modelo dos consagrados Cream e Led Leppelin. Rocks melódicos, guitarras flamejantes, doces vocais em cascata e ritmos poderosos fizeram deste álbum uma obra marcante, daquelas que você tem quase que obrigação de ouvir antes de morrer. Daí, sua inclusão no livro “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”.

No dito álbum está inserido o hino fundamental (citado lá em cima) “More Than a Feeling”, com seu “riff” pegajoso, que, graças à sua popularidade duradoura, fez do LP Boston um sucesso multiplatinado. Alcançou a 5ª posição da Billboard Hot 100 e em 2003 já tinha vendido 17 milhões de cópias e continua nesse ritmo até hoje.

Na voz marcante de Brad Delp, fez parte de trilhas de filmes como Contatos Imediatos de 3º Grau (1977), Gatinhas (1980), Ela Vai Ter Um Bebê (1988) e Madagascar 2 (2008). Também está inserida em episódios das séries The Walking Dead, Glee, Seven Seconds e Guitar Hero.

Confira no vídeo: Boston – More Than a Feeling.

Fontes : “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer” – Ed. Sextante

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“A MÚSICA E OS MÚSICOS” “LITTLE RICHARD”

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“A wop-bop-a-loo-bop-a-lop-bam-boom...tutti frutti, oh rootie!!”

No verão de 1955, o rock’n’roll explodiu em todaparte e Fats Domino, Ray Charles, Chuck Berry e Bo Diddly emplacavam um sucesso atrás do outro nas paradas. Foi solicitado a um caçador de talentos que encontrasse um novo Ray Charles e, sabendo onde procurar, o tal descobridor partiu para o sul dos Estados Unidos onde, em Nova Orleans, achou um cantor e pianista de jump blues, extravagante e assumidamente gay, chamado Richard Wayne Penniman, que pouco depois foi convencido a gravar no pequeno estúdio do cara de nome Cosimo Matassa, o J&M Studio, onde fez história como LITTLE RICHARD.

Ao lado dos músicos mais originais de Nova Orleans, Richard esbanjou energia ao gravar “Tutti Frutti”, que começou a subir vertiginosamente nas paradas logo no mês seguinte ao seu lançamento, em 1955. Em 1956 vieram outras arrasadoras criações, como “Long Tall Sally”, “Slippin’ And Slidin’ ”, “Ready Teddy” e “Jenny Jenny”. Essa série de músicas enlouquecedoras foi reunida em um álbum tido como totalmente clássico, “Here’s Little Richard”, que veio a tornar-se o seu LP mais vendido. É difícil de ser achado em vinil, mas as músicas aparecem em vários CDs e o citado disco é considerado a célula-tronco do rock’n’roll. A partir, principalmente dele, foi que o gênero floresceu.

Fontes : “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer” – Ed. Sextante

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“A MÚSICA E OS MÚSICOS” “GETZ/GILBERTO”

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A paixão dos Estados Unidos pela música latina é bem antiga. Ao longo do século XX o tango, o cha-cha-cha, a rumba e o mambo foram a trilha sonora de muitos bailes e jazz clubs do país.

Em 1962 o saxofonista Stan Getz, nascido na Filadélfia, gravou um disco com o nome de “Jazz Samba”, contendo uma variação exótica de hard bob lírico combinada com o samba.

Em 1963 encontrou-se com João Gilberto e gravaram “Stan Getz And João Gilberto”, reunindo músicos do naipe de Tom Jobim ao piano, Sebastião Neto no baixo e Milton Banana na bateria. Taxado de irritadiço e purista, com sua voz monótona e hesitante e sua suave batida de violão, João Gilberto acabava de criar o gênero que atravessaria as décadas e conquistaria o mundo, sendo, então,chamado de bossa nova. O disco foi gravado em apenas dois dias, 18 e 19 de março daquele ano.

Reza a lenda que o produtor queria que parte de “The Girl From Ipanema”, uma das faixas, fosse cantada em inglês. Como João não falava a língua, sua então mulher, a jovem Astrud ofereceu-se para gravar um take. Seu vocal infantil e ofegante veio a tornar-se uma das performances definitivas do século XX e as duas faixas em que ela canta - incluindo uma leitura da letra de Gene Lees para “Corcovado”, que vira “Quiet Nights Of Quiet Stars” – estão entre os vários destaques deste álbum. Um relançamento, em 1990, inclui a versão em 45 rpm das duas músicas.

Fontes : “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer” – Ed. Sextante

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“A MÚSICA E OS MÚSICOS” “BROTHERS IN ARMS”

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O quinto álbum de estúdio do grupo britânico Dire Straits foi o primeiro disco da banda a chegar ao topo da parada norteamericana, onde permaneceu por nove semanas, além de ter se tornado multiplatina. Gravado no Air Studios, em Montserrat, também tornou-se o mais vendido na Grã-Bretanha em 1985, onde passou três meses no primeiro lugar de vendas. Foi ainda o primeiro CD a vender um milhão de cópias.

Formado à épocapor Mark Knopfler (guitarrista), John Illsley(baixista), Alan Clark e Guy Fletcher(tecladistas) e Terry Williams(baterista), o grupo tornou mundialmente consagradas pelo menos 4 músicas: Brothers is Arms ( que dá nome ao disco), So Far Away, Walk Of Life e Money For Nothing, que tem como co-autor, ninguém menos que Sting e que veio a tornar-se o maior sucesso entre elas, principalmente na Europa e Estados Unidos, com seu riff inesquecível.

Brothers In Arms foi, sem dúvida, o ponto alto da carreira do Dire Straits. Os poucos álbuns lançados depois deste pareciam já não ter a mesma magia. Mark Knopfler embarcou em carreira solo nos anos 90, mas ainda não igualou o sucesso dessa obra atemporal.

Fontes : “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer” – Ed. Sextante

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“A MÚSICA E OS MÚSICOS” “TRACY CHAPMAN”

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Uma nova artista entrava em cena promovendo seu material no Donmar Warehouse, em Londres, no ano de 1988 e chamava a atenção dos jornalistas. Com interpretação “honesta” e letras e músicas puras de alma, todas interpretadas apenas com acompanhamento de guitarra e/ou violão, sem uso de amplificadores, viria a conquistar milhões de simpatizantes mundo afora. Seu nome : TRACY CHAPMAN, nascida em Cleveland, Ohio, EUA, em 30 de março de 1964.

Versões mais trabalhadas das canções foram, então, incluídas em seu disco de estréia, lançado em abril de 1988. Apenas 2 meses depois, sua carreira ganharia um impulso extraordinário. Estreante desconhecida, foi convidada a participar das festividades do 70º aniversário de Nelson Mandela no Estádio de Wembley. Conquistou uma audiência televisiva global com suas baladas blues-folk e suas declarações comoventes, que a levariam de imediato ao topo das paradas.

Vencedora de 4 prêmios Grammy, em maio de 2004 Chapman foi agraciada com o título de doutora honoris causa em Belas Artes, pela Tufts University, por sua contribuição como artista socialmente engajada e por suas realizações profissionais.

Desse seu disco de estréia, as músicas mais marcantes são, sem dúvida alguma, “Talkin’ ‘bout a revolution”, “Fast Car” e “Baby Can I Hold Yoy”, que você confere no vídeo em destaque.

Fontes : “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer” – Ed. Sextante

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“A MÚSICA E OS MÚSICOS” “SAMBA DE VERÃO”

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Uma espécie de temporão da bossa nova, “Samba de Verão” foi escrita pelos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle. Lembra muito o estilo que consagrou a dupla de compositores Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli e, não por acaso,foi justamente Menescal, um ídolo de Marcos, uma das primeiras pessoas a conhecer a música, ao violão, na Pedra do Arpoador, no Rio, provocando o auspicioso comentário: “Vai ser um estouro !” Marcos havia concluído a canção sem maior esforço, tentando transmitir o seu lado esportivo de surfista, bem como o clima de sensualidade das praias cariocas. E, como vaticinara Menescal, “Samba de Verão” tornou-se um enorme sucesso, uma das músicas brasileiras mais conhecidas, gravadas e tocadas mundo afora. Lançada ainda sem letra pelo grupo Os Catedráticos, de Eumir Deodato, a composição teve sua estréia cantada no LP “O Compositor e o Cantor”, que foi o segundo de Marcos Valle. Seguiram-se então várias versões, que a tornaram uma das mais gravadas, já em 1965. Dois anos depois, estourou nos Estados Unidos, em gravação do Walter Wanderley Trio. Por conta desse sucesso, Marcos foi convidado a se apresentar no show de TV de Andy Williams, que também incluiu a criação dos irmãos Valle em seu disco anual, seguido por artistas como Johnny Mathis, Caterina Valente, Connie Francis e tantos outros, através das décadas seguintes.

No Brasil, uma das gravações mais consagradas foi a de Caetano Veloso.

​Curiosamente, nos discos gravados no exterior, o título da versão de Norman Gimbel aparece ora como “Summer Samba”, ora como “So Nice”.​​​

Fontes : “A Canção no Tempo”- Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello

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“THELONIOUS MONK”

Um dos mais reverenciados compositores do século 20, sem falarmos em sua influência universal como pianista, Thelonious Sphere Monk ocupava, porém, uma inexplicável posição marginal em 1957.

Depois de haver exercido papel fundamental na criação do bebop, no Clube Minton, no Harlem,em meados da década de 40, e de ter contribuído com vários clássicos para o cânone do jazz, Monk acabou por ser afastado dos clubes de Manhattan por conta de uma falsa condenação por porte de drogas, que culminou com a total falta de interesse em seu trabalho por parte de sua gravadora. Ficando fora de cena durante os anos 50, foi resgatado por Orrin Keepnews, o homem forte do selo Riverside, especializado em indie jazz, que o contratou, possibilitando assim seu devido reconhecimento por produtores e público.

Keepnews reapresentou Monk aos amantes do jazz com duas sessões de trio, a primeira em cima da obra de Duke Ellington e a segunda, com standards do pop. “Brilliant Corners” marcou seu retorno como um compositor de primeira ordem, acompanhado de seu quinteto formado pelo sax tenor de Sonny Rollins, o sax alto de Ernie Henry (que morreu tragicamente aos 31 anos, em dezembro de 1957), o baixo de Oscar Pettiford e a bateria de Mas Roach. Participaram ainda da gravação o trompetista Clark Terry e o baixista Paul Chambers.

“Brilliant Corners”, de 1956/57, foi a primeira obra-prima dessa fase da carreira de Thelonious Monk.

Pra quem quiser se arriscar, no link abaixo todo o álbum, com 5 faixas e 43 min de duração total.

https://www.youtube.com/watch?v=hRIXys1xMGc

Fontes : 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer- Ed. Sextante

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“A MÚSICA E OS MÚSICOS”

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“MARINA”

Dorival Caymmi é um dos maiores, mais consagrados e idolatrados entre os compositores do Brasil. Em sua obra destacam-se três vertentes: as canções praieiras, os sambas de roda e os sambas urbanos. Nos sambas de roda predomina o apelo da Bahia e nos sambas urbanos a inspiração carioca. É a este último grupo que pertencea consagradíssima “Marina”. De melodia e letra bem trabalhadas em sua simplicidade aparente, esta canção conta a bronca de um homem ciumento, que não gosta de ver sua mulher pintada. Uma curiosidade: Caymmi começou a composição pelo final, repetindo uma frase usada pelo filho Dori (então com três anos de idade) que, ao ser contrariado, reagia dizendo: “-Tô de mal com você, to de mal com você...”. Um dos maiores sucesso do compositor, “Marina” já começou sendo gravada por quatro grandes cantores: Dick Farney, Francisco Alves, Nelson Gonçalves e o próprio Dorival, derrubando um tabu adotado pelas gravadoras brasileiras na época, que não admitiam o lançamento de uma composição por mais de um intérprete. A gravação de maior sucesso foi a de Dick Farney que, pode-se dizer, fez de “Marina” peça obrigatória dos shows de boates, ambiente em que ele reinou por longos anos.

https://www.youtube.com/watch?v=enUx5DMiFU8

Fontes : A Canção no Tempo – Zuza Homem de Mello/Jairo Severiano

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