Apps de encontros, Tinder e Grindr são acusados de vender dados de usuários

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  • Publicado em 20 de janeiro de 2020 às 10:37
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 20:16
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Entre as informações vazadas, a orientação sexual, em violação à normativa europeia (GDPR)

Os aplicativos de relacionamento Grindr e Tinder – este último inclusive, com milhões de usuários no Brasil – foram denunciados na última terça-feira , 14, por um órgão norueguês. 

Os aplicativos são acusados de vender dados pessoais de seus usuários a empresas terceirizadas, incluindo a orientação sexual do usuário, em violação à normativa europeia (GDPR).

A informação foi veiculada primeiramente pelo The New York Times.

Conselho de Consumidores da Noruega assegurou que o Grindr, destinado especificamente ao público LGBTQ+, compartilha dados de GPS, idade, sexo e direção IP com múltiplas empresas para melhorar as eficiências dos anúncios publicitários. Ao compartilhar esses dados, pode-se deduzir a orientação sexual dos usuários.

De acordo com o relatório “Out of Control” (“Fora de Controle”, em tradução livre), escrito pelo Conselho de Consumidores norueguês sobre a coleta e uso de dados pessoais por parte de dez aplicativos, “a indústria publicitária está infringindo sistematicamente a lei”.

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O Grindr se descreve como “o maior aplicativo de rede social do mundo para gays, bi, trans e queer” e, portanto, apenas o fato de um usuário ter o Grindr instalado em seu dispositivo pode indicar sua orientação sexual. 

Segundo o relatório, a associação dessas informações a um ID de publicidade torna o usuário identificável para anunciantes de terceiros.

O relatório observa que a política de privacidade do Grindr divulga que ele compartilha dados de usuários e dispositivos com terceiros. 

No entanto, o relatório afirma que não está claro, sobre a base legal, como o app processa os dados pessoais, e que a escala da rede adtech da Grindr torna difícil para o usuário entender e, portanto, consentir adequadamente com a coleta dos dados.

Uma das empresas com as quais o Grindr compartilha dados é o MoPub, de propriedade do Twitter, que por sua vez diz que pode compartilhar informações dos usuários com mais de 180 parceiros. 

A empresa disse que desativou a conta MoPub do Grindr enquanto investiga o caso.

Reprodução

Além do Grindr, a pesquisa também levantou preocupações sobre as práticas de proteção de dados de outros aplicativos de namoro. O OkCupid e o Tinder, propriedades do Match Group, compartilham dados entre si, incluindo informações sobre sexualidade, uso de drogas e opiniões políticas de seus usuários. Segundo o Conselho de Consumidores da Noruega, essa prática pode levar a casos de exploração, discriminação ou manipulação.

O Grindr, controlado pela empresa chinesa Beijing Kunlun, não quis comentar a denúncia, e se limitou a dizer que valoriza a privacidade dos usuários e que protege suas informações pessoais. 

O Match Group alegou que apenas compartilhava dados necessários para fornecer seus serviços e que cumpre as leis de privacidade.

Esta não é a primeira denúncia sobre os dados coletados pelo Grindr. Em 2018, uma organização sem fins lucrativos norueguesa descobriu que o serviço estava compartilhando o status de HIV de seus usuários com duas empresas externas. 

Logo após o relatório se tornar público, a empresa disse ter posto um fim à prática.

*Olhar Digital

Via: The Verge


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