Além de ser um problema social, violência também afeta a economia

No comércio varejista, por exemplo, gastos com segurança cresceram 331% nos últimos 10 anos

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Além de ser um problema social, a violência nos estados brasileiros também é um obstáculo para a economia do país. No comércio varejista, por exemplo, os gastos com segurança cresceram 331% nos últimos 10 anos.

O número supera o percentual de aumento de vendas do setor no mesmo período, que foi de 245%. Os dados foram divulgados na última semana por uma pesquisa feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

A boa notícia revelada pelo estudo é que os quatro estados analisados — São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul — registraram o menor prejuízo causado por roubos de cargas e roubos a estabelecimentos comerciais em relação aos primeiros semestres dos últimos quatro anos.

Em comparação ao primeiro semestre de 2018, o prejuízo de São Paulo, estado que mais sofre com os roubos entre os quatro, diminuiu em 18%. No Rio de Janeiro, a queda foi de 22%, em Minas, 32%, e no Rio Grande do Sul, 26%.

Apesar da retração observada, o economista da CNC, Fábio Bentes, afirma que o número ainda é alto para o setor do comércio. “Medidas de coordenação entre as forças de segurança estão surtindo efeito. Vemos isso de forma positiva, mas se contextualizarmos, o prejuízo ainda é muito grande”, avalia. Juntos, os quatro estados somaram R$ 7,61 bilhões de prejuízo no primeiro semestre do ano.

O economista responsável pela pesquisa ressalta que o consumidor é atingido diretamente pelo problema. No Rio de Janeiro, o aumento de 1% nas ocorrências envolvendo o comércio implica alta média de 0,34% nos preços. “Com isso, percebemos que a criminalidade que afeta o comércio não é só um problema social, é um problema econômico, porque gera custo para o comércio e até mesmo para o consumidor”, explica.

Para atenuar a violência e diminuir os prejuízos, os empreendedores optam por contratar empresas privadas de segurança ou seguros melhores para as lojas, mas dessa forma desembolsam mais dinheiro. “Você corrige um problema, mas isso influencia no preço dos produtos vendidos”, afirma.

O economista explica que a violência afeta até mesmo na maneira da empresa empreender. “Algumas desistem por causa do custo de operação mais alto. Isso acaba sendo um obstáculo adicional”, disse. Outras pensam duas vezes antes de abrir uma loja física e preferem investir no universo on-line, que emprega muito menos gente, lembra Bentes.

De acordo com a pesquisa, os produtos mais roubados são alimentos e bebidas, combustíveis, eletrônicos, cigarros e medicamentos. E o método mais usado para o roubo é o assalto com ameaça ao condutor.


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